Post Aleatório

A Carregar...
Gadget by The Blog Doctor.

31.8.18

Memorabilia - Revistas - Mondo Bizarre - Nº 20 - Setembro de 2004


Mondo Bizarre
Revista / Magazine
A4 - papel de jornal - a corres capa e contracapa
64 páginas
Publicação Trimestral
Distribuição Gratuita
Ano V
Nº 20
Setembro de 2004



REEDIÇÕES
SANTA MARIA, GASOLINA EM TEU VENTRE!
Aventuras Sónicas



Ao longo da sua já longa carreira, Jorge Ferraz passou por vários projectos. Actualmente a liderar os Fatimah X, o músico fundou, entre outros, os Ezra Pound e a Loucura, Bye Bye Lolita Girl, João Peste & O Acidoxibordel, God Speed My Aeroplane e Mua’dib Off Distortion. A sua vontade de desaparecer temporariamente do meio musical e uma cíclica vontade de começar de novo, fez com que Ferraz se desdobrasse em vários grupos. Os Santa Maria, Gasolina em Teu Ventre!, banda que emerge em Lisboa, em 1986, e que durou cinco anos, foi talvez o projecto que lhe deu maior notoriedade, devido ao considerável impacto que tiveram na fértil cena independente portuguesa da segunda metade dos anos 80. Vítor Inácio, o principal cúmplice de Jorge Ferraz, em vários dos seus projectos, foi o único outro músico que integrou os Santa Maria desde o início. Pelas várias formações do grupo passaram músicos como Sapo (Pop Dell’Arte, Mão Morta) ou Tó Trips (Lulu Blind, Dead Combo). “Free Terminator / Falcão Solitário Sem Ser Distorção2, álbum editado em 1989 pela Ama Romanta e um EP de edição de autor de 1991, são agora oportunamente editados em conjunto pela Sabotage.




- Como surgiu a ideia de reeditar “Free Terminator” e o EP? Porquê uma reedição conjunta?
 A ideia partiu da Sabotage, que apresentou a proposta e demonstrou sempre grande empenho e ponderação nos contactos e nas negociações com todas as partes envolvidas, Santa Maria e Ama Romanta. Conseguiu-se igualmente que o Nuno Leonel, que já trabalhara connosco, fizesse uma nova capa. Quanto à edição ser conjunta; bem, teve a ver com questões práticas – os 2 discos têm no total uma duração comum à dos CDs actuais-, e afectivas – queríamos mostrar todo o trabalho que foi gravado em estúdio pelo grupo, dando igualmente, conta da sua riqueza e diversidade na evolução.
- Porque reeditar estes discos agora? Que reacções espera?
 Porque, para além do interesse que o João Peste sempre foi demonstrando com a reedição, só agora apareceu alguém, a Sabotage, entusiasmado com o projecto e que assumiu e financiou a sua edição. Por outro lado, espero que contribua para dar a conhecer a um público mais alargado e aos apaixonados que nunca conseguiram os discos, as gravações em estúdio do grupo. Que reacções?... Sinceramente, não sei. Tudo era um pouco paradoxal e contraditório. Na altura em que o LP foi editado, as críticas foram na generalidade muito boas ou “de perplexidade”. No entanto, repetiam-se aqui e acolá algumas ideias que me irritavam imenso pela sua incorrecção e injustiça. Falo em especial da colagem aos Sonic Youth que algumas pessoas faziam. Finalmente, depois deste tempo todo e do estatuto de culto e de “projecto irrepetível” ou “alienígena” que se foi paradoxalmente construindo em redor Santa Maria algum tempo depois do seu fim, espero que se perceba de vez que este grupo não era bem do mesmo mundo que os Sonic Youth, apesar da encruzilhada noise. Por outro lado, e para ser totalmente honesto é preciso dizer que os Santa Maria desfrutavam de uma “visibilidade” mediática superior ao seu peso em termos de número de pessoas a que chegavam ou encantavam. Convites para concertos eram poucos e só em Lisboa ou arredores e as tiragens dos discos foram pequenas. Veja-se, por exemplo, que o grupo era “apadrinhado” por 2 pessoas importantes do mundo da música alternativa portuguesa: João Peste e Adolfo Luxúria Canibal. Logo, isso contribuía muito para o “mediatismo” do grupo – embora não para o seu apelo “comercial”. No entanto, por outro lado, os apaixonados que conseguíamos, senão eram muitos, pelo menos ficavam bem enfeitiçados. Por isso, não sei que reacções esperar.
- Quando foi originalmente editado, “Free Terminator” surgiu como um ovni no underground. Pode-se afirmar que é um disco de pós-rock que apareceu alguns anos antes de se falar nesse estilo musical. É um disco avançado no tempo?
 Não sei se é ou não pós-rock ou avant-rock ou free rock ou etc. No entanto, se pensarmos no que se seguiu nos anos 90, talvez. Para ser rigoroso, estaria mais próximo do pós-rock o que fiz logo de seguida com God Speed My Aeroplane ou God Spirou. Por outro lado, nunca os Santa Maria tiveram o tom de frase – melodia e ritmo -, em evolução circular do pós-rock; os Santa Maria sempre foram romanticamente excessivos, irresponsavelmente “tecnológicos” e pouco hipnóticos. Por isso não sei se é antes do tempo ou fora do tempo.
- Que fontes de inspiração (discos, literatura, filmes, etc.) estiveram na origem de “Free Terminator”? Que música ouvias nessa altura?
 Bem, só posso falar por mim e, embora os Santa Maria espelhassem muito o meu imaginário, o grupo não era apenas eu. As outras pessoas também deixavam um cunho pessoal e importante, em particular o Vítor Inácio, o baixista. Sobre filmes, não sei – se há alguma relação, será inconsciente. Só se for toda a mitologia western, desde os clássicos até ao western spaghetti. Literatura, sim! Bem mais importante até que as influências musicais. Aliás, sempre quis fazer poesia em música. Assim, há claramente a paixão pela ficção científica “high tech-low life”. E, depois toda a tradição da literatura e poesia malditas da 2ª metade do século XIX até às vanguardas do século XX – em especial os modernismos, dadaísmos, surrealismos, saltando depois para a beat generation. Música, posso falar de quatro coisas -, que conscientemente tive como referência – pontos de navegação à vista, sem nunca querer ir morrer nos seus braços: Sun Ra, a no-wave, o dramatismo e a densidade melódico-harmónica de José Mário Branco e as canções de adeus e embalar. Certamente tive outras influências, e tenho, só que não são conscientes. O que mais ouvia na altura… havia um disco de versões de músicas de Ennio Morricone “The Big Gundown” coordenado por John Zorn, que eu ouvia muito, aliás era bem consumido pelos membros do grupo. E Robert Fripp, Sonic Youth, Public Enemy, Funkadelic, Can, Big Black, Love, Glenn Branca, Pop Dell’Arte, Terry Riley, Schooly D, Negativland, United States Of America, Thelonius Monk, Sun Ra, My Bloody Valentine, Elliot Sharp, Jimi Hendrix, Jacques Brel, etc.
- A música dos Santa Maria eram essencialmente instrumental. Não estava interessado em fazer canções mais formais, com letras e voz?
 Os temas eram compostos e arranjados como instrumentais que nos pareciam assim suficientemente falados, pois estavam cheios de imagens evocadas e de pequenos poemas na sombra e nos títulos. Além disso não havia ninguém vocacionado para cantar.
- O seu projecto anterior Ezra Pound e a Loucura tinha características sonoras diferentes dos Santa Maria. O que o fez evoluir para uma banda intensamente eléctrica e radical?
 Bem, entre Ezra Pound e a Loucura e os Santa Maria, ainda formei, com o Vítor Inácio, os Bye-Bye Lolita Girl. Não vejo essas diferenças assim tão acentuadamente. Nos timbres, na proficiência técnica, nas capacidades e nos conhecimentos técnico-musicais, na consciência em relação aos objectivos, sim, há diferenças. Além disso, os Santa Maria têm uma agressividade positiva, exaltante, excessiva que estava pouco presente nos grupos anteriores. Todavia, a desconstrução e brusquidão dos ritmos, a dissonância – a preto e branco nos Ezra Pound e de cores pop e doces nos Bye-Bye Lolita Girl -, as melodias excessivas e à beira da dissolução que os vários instrumentos punham em jogo, lutando e amando-se, um lirismo exacerbado, uma música aparentemente desajeitada e nunca totalitária, isso sempre existiu – com intencionalidade e consciência diversas -, em todos os meus projectos, até hoje. Ou melhor, foi progressivamente existindo… Certamente também houve um apuramento de programas e capacidades, interiorizando e sintetizando o que o tempo em volta e a técnica traziam. Ou, se calhar, arranjamos melhor equipamento e desenvolvemos as técnicas de guitarrear e distorcer o som dos instrumentos. A mudança foi gradual e em continuidade. Portanto sobre ruptura radical… nunca a vi desse modo.
- Havia muito espaço para improvisação nos concertos dos Santa Maria?
 Em geral, não; a densidade excessiva e a estrutura da nossa música não permitiam grandes improvisos, pois facilmente se chegaria a uma cacofonia injustificada e inconsequente, e esse não era o nosso objectivo.
- O título do tema “Era Uma Vez Um Preto Com SIDA (AIDS)!”, causou, na altura, alguma polémica e foram acusados de racismo.
 Para mim sempre foi de uma crueldade triste e irónica ouvir dizer isso. Só vejo 2 motivos para que se acredite numa coisa dessas: haverá gente que escutou demasiado en-passant e fixou certas frases bombásticas sem ouvir tudo atentamente. As palavras todas, a sua organização, o contexto, o modo como eram ditas, quem dizia, os vários níveis de significação que isso implica, etc., ou então reproduziu ideias de “ouvir dizer”, fiando-se em aparências não indagadas ou em associações incorrectas; haverá quem objectivamente teve má vontade e/ou preconceitos, ou foi facilmente manipulável, o que levou a uma recusa em ouvir, ver e entender para além dos lugares comuns, dos slogans e chavões de boas intenções e demagogia ou de artísticas frases-feitas. O texto é duro e nada fácil de digerir, por exemplo com enunciação de práticas sexuais polémicas, mas é um texto magoado; aliás como o tema. E, além disso, a arte não é entretenimento de beberete ou “belos” vazios consensuais, mas fundamentalmente beleza convulsiva, como dizia Breton, feitiço perturbante e despertar de corpos e sensações vivas e consciências e reflexão. O texto trata de uma realidade que, hoje, é ainda mais tragicamente apocalíptica: a devastação provocada pela Sida na África Negra. Um problema de uma parte enorme da humanidade, onde, ao contrário do sucedido com outros grupos – que estavam a ser alvo de ataque e discriminação como a comunidade homossexual do mundo ocidental – e isso era subliminarmente referido no poema -, e que tiveram e têm alguma capacidade de mobilização económica, política e social para enfrentar a questão com relativo sucesso – o ser cultural, política e economicamente da África Negra, no mundo actual, parece traçar um fatídico e ignorado destino. Além disso, o texto remetia também para um dos perigos das sociedades actuais, uma forma de alienação perigosa: é que ao invés de nada se dizer, fala-se antes de tudo e de uma forma telegráfico-noticiosa, ou numa linguagem clínica pseudo científica ou ainda tudo sendo apropriado como afirmações artístico-publicitárias pós-modernas, com enunciados desconstruídos que lhe tiram todo o sentido subversivo e a real capacidade de intervenção social. Aliás essa não foi a única acusação. Por muitas posições que fui assumindo, à boca pequena chamaram-me racista, militarista-fascista e até mesmo homofóbico. Talvez seja porque eu nunca partilhei do pensamento dominante de conservadorismo politicamente correcto e demagógico, travestido de discurso revolucionário e vanguardista, de uma certa esquerda portuguesa que pretende ou pretendia ser o guardião dos dogmas, político-sociais e das posições morais, no mundo artístico não comercial. E, talvez também porque tomei posições contra, ou não alinhei em, leninismos, trotskismos, maoísmos e guevarismo-castrismo, que nos meios ditos de cultura vanguardista, contaminam de uma forma dogmática e demagógica e intolerante o discurso e as ideias. Aliás onde é que está a liberdade inominável em todos esses movimentos e referências ideológicas, cujos mentores criaram ditaduras altamente violentas. E isto não faz de mim defensor de posições de direita, o que também não seria um pecado mortal, embora não o seja de todo. Agora, sim, sou um feroz individualista defensor de um “libertanismo” responsável que entende o solidarismo como uma responsabilidade ética fundamental, onde se mistura, nem sei como, uma crença que, à falta de melhor, eu diria ser católica, no aspecto encantatório dos mistérios e da fé, e na angústia da culpa, mas nunca na organização institucional e nos dogmas de comportamento social.
- Depois dos Santa Maria formou vários grupos e ainda faz música. Sendo um resistente da sua geração como vê a evolução do cenário musical português?
 De bom: muita quantidade e variedade com qualidade média, descentralização, maior actualidade nas linguagens, capacidade de auto-organização, produtos mais profissionais e exigentes nos aspectos técnico-formais, fim dos complexos de modernismo ou das crises de adolescência que leve a ignorar o que vem detrás. De menos bom: o provincianismo do “sou tão bom como lá fora”, as capelinhas, a guetização dos diferentes tipos de músicos e músicas que os leva a desconhecer ou a menosprezar o que no gueto ao lado se faz ou o que não vem com o formato normalizado e, acima de tudo, a excessiva preocupação com o fazer as coisas bem, parecer “pro” e estar bem com os media, em vez de se arriscar, criar, inovar, partir a cabeça e, no meio disso, se vislumbrar uma luz mágica que identifica os aventureiros e os descobridores de mundos, mesmo que morram na viagem.
Nuno M. Castêdo

SANTA MARIA GASOLINA EM TEU VENTRE
Free Terminator / Falcão Solitário Sem Ser Distorção + EP (CD Sabotage)

“Free Terminator / Falcão Solitário Sem Ser Distorção”, álbum editado originalmente há 15 anos, permanece como uma das mais radicais experiências da história do rock português. De cariz arty, a música nele contida é misteriosa e agreste. Este não é um trabalho de fácil audição (até porque é essencialmente composto por instrumentais), mas é um disco aconselhável a quem procura ousadia estética no rock. Paisagens sónicas de um lirismo inflamado, súbitas explosões de electricidade, mudanças bruscas de direcção, diálogos de guitarras caóticos devedores do free jazz, atitude desconstrutivista e confrontacional da no wave, exploração das imensas possibilidades da guitarra eléctrica, torrentes de ruído branco, jogos tímbricos e harmónicos em rota de colisão… tudo isto forma um álbum singular onde dissonância, melodia e ritmo dissolvem-se num magma sonoro abrasivo e intenso. O EP (sem título) que assinalou o fim da banda beneficia de uma produção mais cuidada, mas mantendo intacta a expressividade das guitarras angulares e toda a estranheza que desde sempre caracterizou a banda. Saúda-se a reedição destes dois registos, com realce para “Free Terminator”, uma obra marcante da música urbana portuguesa.
Nuno M. Castêdo




FELIX KUBIN
Matki Wandalki (CD A-Musik)
E eis que chega a festa! Felix Kubin está de volta com um novo álbum, e com ele toda a gama de efeitos e de melodias sacadas do carrossel mágico ou de um Star Trek dopado com LSD. Completamente irrequieto, “Too Technical” é um exemplo disso, uma canção pop atravessada pela perversão do industrial (é o próprio Kubin que confessa a influência dos DAF e dos Throbbing Gristle) e pela irrisão dos Devo ou dos Negativland. Neste novo álbum há uma faixa com Holger Hiller (pioneiro na introdução do humor na electrónica alemã) em que o carrossel se torna evidente e surrealista qb, surrealismo que se torna particularmente óbvio na delirante versão do horripilante “Hello” de Lionel Richie. Kubin apropria-se da memória colectiva e rasga-a aos pedacinhos, reconstruindo-a de seguida com um sorriso simultaneamente infantil e perverso. Talvez por o novo álbum ser um pouco mais acessível, o humor exibe ainda mais a faceta rebelde e surpreendentemente reflexiva da forma com que Kubin se ouve a si próprio.
(8/10) CAL

SAMUEL JERÓNIMO
Redra, Andra, Endre De Fase (CD Thisco)
Eis que a Thisco, importante editora portuguesa vocacionada para as tendências alternativas da electrónica, muda radicalmente de diapasão e investe na edição de um disco de música minimal repetitiva. Na esteira de gurus desta linguagem musical como Steve Reich, Philip Glass, Terry Riley ou La Monte Young, Samuel Jerónimo apresenta três longas composições, tecnicamente irrepreensíveis e de difícil execução, que se baseiam, claramente, nos postulados da estética minimalista os quais norteiam o compositor a criar motivos melódicos (ou rítmicos) repetitivos que se vão complexificando, paulatinamente, com a junção progressiva de novos elementos que vão enriquecendo a estrutura no seu todo. É um disco que exige atenção por parte do ouvinte, dada a riqueza de pormenores e as subtis alterações estruturais. Seria um trabalho original, caso não estivesse datado (esta estética tem mais de 30 anos de vida nos EUA) e fosse uma experiência pioneira do género em Portugal, visto que a primeira fase da carreira dos Telectu (Jorge Lima Barreto e Vítor Rua) há vinte anos atrás, foi preenchida com trabalhos dentro desta abordagem Estética). De qualquer modo, “Redra, Andra, Endre De Fase” não deixa de ser um disco a descobrir por parte dos melómanos mais conhecedores deste tipo de composição musical.
(6/10) VA

VÁRIOS
Antologia De Música Electrónica Portuguesa (CD Plancton Music)
Faltava à discografia nacional um disco como este: um disco que compilasse alguns dos maiores nomes da música electrónica portuguesa, sendo esta entendida mais no sentido de música experimental ligada às correntes avant-garde (electro-acústica, concreta, livre-improvisação, etc.). O responsável por esta antologia (pela selecção e produção) é um músico que conhece por dentro todas as manifestações estéticas relacionadas com a música electrónica portuguesa: Rafael Toral. Assim, neste disco estão representadas as maiores referências nacionais das novas músicas contemporâneas. Filipe Pires (um dos pioneiros da criação musical por computador), Nuno Canavarro, Cândido Lima, João Pedro Oliveira, Carlos Zíngaro, Telectu, Nuno Rebelo ou o pioneiro (e tantas vezes incompreendido) Jorge Peixinho. “Antologia De Música Electrónica Portuguesa” tornar-se-á, desta feita, um importante documento histórico sobre esta faceta da criação musical portuguesa.
(7/10) VA

reedições
PHILIPPE BESOMBES
Philippe Besombes surge no contexto da cena avant garde dos anos 70, um território sem margem, influenciado pela cultura popular, numa Europa fértil de novas concepções artísticas e maiores revoluções sociais. Membro de dois grupos do circuito francês, Pôle e Hydravion, Besombes conseguiu relacionar através das suas incursões electrónicas diversos subgéneros do rock e do jazz convencional, encandeando-os num espaço de liberdade e experimentação, alcançando resultados verdadeiramente inovadores. A sua linguagem incaracterística destilou a animosidade aos cânones de Morton Feldman, aproximou-o do minimalismo de Tony Conrad, LaMonte Young e do “Dream Syndicate” em geral – com notável incidência na vertente psicadélica e étnica de Angus Maclise -, e encerrou-se nos primórdios do kraut rock. “Libra” (CD MIO) é o seu primeiro trabalho a solo e remonta a 1973. É também o primeiro de uma trilogia a ser reeditada pela Mio Records este ano. Composto por 17 peças distintas este disco foi feito enquanto banda sonora para um filme com o mesmo nome. Cada tema decorre num ambiente distinto, onde breves minutos de melodia sintetizada introduzem longos instrumentais de distorção. A percussão é muitas vezes extraída das cordas do piano. As colagens são quase sempre ambíguas e torna-se impossível identificar a origem do som. No mais fantasmagórico dos cenários percebe-se a voz de uma criança entrelaçada no ritmo de um texto a correr em código morse. No final, dois temas bónus interpretados em piano preparado, excluídos das sessões de gravação do disco.
Joana de Deus



Publicações
BANANAFISH #17


(http://www.midheaven.com/labels/tedium.house.publications.html)
Com uma capa da autoria do cartoonista canadiano Jason McLean, eis que se nos apresenta – para gáudio de alguns e irritação de outros -, mais um número daquela que será a publicação sobre música mais radical da actualidade. O teor dos textos continua a ser elegantemente cáustico sem deixar de manifestar entusiasmo para com os seus objectos, e entre estes contam-se, desta vez, Carla Bozulich, o duo Jazzkamer ou o músico noise japonês Astro. O destaque vai contudo para a entrevista conduzida por Tim Barnes a Hetty MacLise (companheira de Angus MacLise) e para a peça sobre o próprio Jason McLen que aproveita para discorrer sobre os comics, o movimento fluxus e as doenças mentais. No que diz respeito à secção de críticas há muito por onde vaguear. Imaginem escritores ou artistas do movimento surrealista a escreverem sobre avant-rock, música improvisada, electrónica e reedições de nomes da música popular… JM





14.8.18

Novos Portugueses / 1 - Bleid - "Bleid"


Bleid by Bleid - Limited Edition Cassette - 50 copies 

Labareda

released December 22, 2017 

artwork: Sonja 
photo: João Viegas 
composed and produced by BLEID 
mastered by João Rodrigues & Elia Bertolaso

LABAREDA is a label based in Portugal.

LABAREDA is also a monthly show on Rádio Quântica







Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...