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20.4.17

Livros sobre música que vale a pena ler (e que eu tenho, lol) - Cromo #65: Luís Jerónimo e Tiago Carvalho (compilação) - "Escritos de Fernando Magalhães - Volume VIII: 2000"


autor: Luís Jerónimo e Tiago Carvalho (compilação) - Prefácio: Nuno Magalhães (irmão)
título: Escritos de Fernando Magalhães - Volume VIII: 2000
editora: Lulu Publishing
nº de páginas: 630
isbn: none
data: 2017

 Escritos de Fernando Magalhães - Vol. 8 - 2000

Escritos de Fernando Magalhães - Vol. 8 - 2000

PREFÁCIO (páginas 1 e 2 de 10 no total)

(por NUNO MAGALHÃES - irmão do FM)

Possamos nós morrer
Como na Primavera
As flores da cerejeira
Puras e brilhantes.



Escrever sobre um escritor não é tarefa fácil.
Criticar um crítico, tão-pouco.
Escrever sobre o meu irmão é não só bem mais fácil, como uma honra, um prazer e simultaneamente uma sentida homenagem, plena de recordações emocionais, como quem faz uma viagem a um passado mais ou menos longínquo, aos meandros da nossa juventude.
Sob o risco de derramar na prosa um misto de sentimentos, muito pessoais, vividos a uma velocidade vertiginosa (“caricata”, como diria o Fernando) pauto estas minhas breves palavras por aquele conceito que parece não ter tradução em mais nenhuma língua do mundo: “SAUDADE” !
Para o público em geral, falar de Fernando Magalhães é falar de um dos maiores críticos musicais Portugueses de todos os tempos; para mim falar dele é falar de um dos meus melhores amigos, de cumplicidade fraterna, de comunhão de ideais, de entreajuda, de viagens, de surrealismo, de loucura e paródia (e também do nosso Sporting…!).
Como homem, para além do crítico, o Fernando era um mundo dentro de um outro mundo que talvez, na época, não estivesse bem preparado para o receber. A sua permanente inquietude e curiosidade, que o levavam a querer explorar novas vertentes que pudessem abanar o status-quo cultural existente, o seu inconformismo e tendência para o experimentalismo, a paixão que colocava em tudo o que fazia (a par, é certo, de uma certa ingenuidade e candura intrínsecas), o amor pelas artes, com especial incidência sobre a música, o seu sentido de humor cáustico e subtil, faziam dele uma caixinha de surpresas, um “mastodonte intelectual” como uma vez lhe chamei (e ele não se ofendeu!).
Quando se começou a interessar pela música, com cerca de 13 – 14 anos já estava uns anos adiantado em relação ao panorama musical da altura. Rapidamente se transformou num pioneiro quando se lançou na pesquisa de novos estilos musicais bem como de bandas até então desconhecidas em Portugal (curiosidade: o seu 1º LP foi o álbum de estreia da banda britânica de rock Led Zeppelin. Foi gravado em outubro de 1968 no Olympic Studios, em Londres, e lançado pela Atlantic Records em 12 de janeiro de 1969.
Enquanto pessoa, o Fernando nunca via maldade em nada. Era, como soi dizer-se, um “PURO”. Ou gostava ou não gostava (La Palice não diria melhor). Ao longo das décadas em que fez crítica musical sempre escreveu aquilo que sentia, com enorme genuinidade, assertividade, domínio da expressão literária e “know how” sobre a temática. Fazia-o com amor. Escrevia com o coração aquilo que lhe ia na alma (desculpem-me o chavão) e nunca tentou agradar a Gregos e a Troianos !
Do rock, pop, electrónica, fado ou folk, ao jazz, punk, soul ou  heavy metal, para ele só existiam dois tipos de música: A BOA e a MÁ !
Mas chega de falar do Fernando, como crítico de música (já muito se escreveu sobre esta matéria) e vamos lá revelar algumas das suas facetas, desconhecidas do grande público.
Éramos 3 irmãos (agora somos só dois) todos do sexo masculino. Dos 3 nenhum se livrou da pesada herança genética deixada pelo nosso progenitor, vulgo pai, que “enfermava” de um apurado sentido de humor, tocando,  por vezes, as raias da excentricidade. - Obrigado pai !
O nosso pai, com a preciosa colaboração da nossa mãe, metódico como era, concebia um filho de 4 em 4 anos pelo que o Fernando nasceu em 1955, eu em 1959 e o meu irmão Eduardo em 1963 (em Fevereiro, Março e Abril). De realçar que na altura não existiam máquinas de calcular.
Após uma infância mais ou menos normal (era tudo doido, lá em casa) e ainda durante o seu percurso académico, o Fernando, por volta de 1968, com 13 anos, ouviu na rádio um agrupamento que dava pelo nome de “The Beatles”, que tinham surgido em 1960, quando ele tinha apenas 5 anos. Parece que gostou do que ouviu e no Natal seguinte pediu ao Pai Natal que lhe desse um gira-discos. [...]


                                                                          ÍNDICE





DN - Série: Discos Pe(r)didos (18)


DN - Diário de Notícias
29 Junho 2002

Discos Pe(r)didos


Emigrado para França depois de uma recusa em combater na Guerra Colonial, Luís Cília é um entre uma “família” de músicos portugueses que desviam de Lisboa para Paris o palco de criação de alguns dos mais importantes discos que a língua portuguesa conheceu na década de 60. É em Paris que conhece figuras como as de Paco Ibanez, Colette Magny, Georges Brassens, Luigi Nono... É também em Paris que enceta a sua obra discográfica, com o fundamental “Portugal-Angola: Chants de Lutte” (editado em 1964 pela Chant du Monde).
Ainda durante a década de 60 edita “Portugal Resiste” (um EP) e os três álbuns da série “La Poèsie Portugaise”. Em 1969 assina “Avante Camarada”, canção que, gravada por Luísa Basto, se transformaria depois no hino do PCP. E, ainda antes do regresso a Portugal, grava e edita “Contra A Ideia da Violência, a Violência da Ideia”, disco que assinala o seu reencontro com a Le Chant du Monde.
Quatro dias depois do 25 de Abril, Luís Cília regressa a Portugal e logo causa polémica ao afirmar que Alfredo Marceneiro era um cantor revolucionário. A ligação que era feita, pela turba revolucionária, entre o fado e o regime deposto, não permitia a aceitação deste tipo de opinião de bom grado.
A demarcação mais efectiva ainda de Luís Cília face a alguns excessos desses tempos ganhou forma naquele que foi o primeiro álbum editado após a revolução. Sem embarcar na multidão que então fazia do canto de intervenção a linguagem musical do Portugal de todos os dias, Luís Cília procura reunir num disco uma colecção de romances antigos, os mais recentes datados do século XIX, os mais remotos do século XIII!
Para o processo de recolha não recorreu aos trabalhos de Michel Giacometti e Lopes Graça (duas referências já devidamente reconhecidas), mas antes a uma busca em nome próprio, para tal socorrendo-se do acervo da biblioteca da Fundação Gulbenkian em Paris, na qual consultou uma série de cancioneiros. De uma série de trabalhos de recolha que vinham de antes do 25 de Abril nasceu a ideia de um álbum que, no agitado 18«974, rumou então contra a corrente.
Para a concretização do projecto, Luís Cília regressou a Paris. Por companhia levara, de Portugal, o produtor executivo José Niza, nomeado pela Orfeu, com quem o músico havia assinado. Na capital francesa tinha todos os músicos que julgara necessários para dar forma ao projecto. Em primeiro lugar o guitarrista clássico Bernard Pierrot, que Cília conhecia por ter sido, também, aluno do seu professor de composição Michel Puig. Pierrot assinou os arranjos e, com o seu grupo de música antiga, participou na gravação de “O Guerrilheiro”, cujas sessões tiveram lugar nos estúdios Sofreson, em Paris.
Disco esquecido, importante registo de referência de uma atitude muito particular perante a recolha do legado da música tradicional portuguesa, “O Guerrilheiro” deu à Intersindical o seu hino, mais concretamente na música do tema-título (originalmente uma canção alentejana do século XIX, aparecida em 1852, por ocasião das lutas civis de Patuleia e Maria da Fonte).
Oito anos depois (em 1982), Luís Cília voltou ao estúdio, onde regravou as partes vocais do álbum que, então, a Sassetti reeditou com o título “Cancioneiro”. Todavia, nem esta versão de 1982, nem a histórica versão original, tiveram ainda luz verde para a reedição em CD.
Teremos ainda de esperar muito?
N.G.

LUÍS CÍLIA 
“O Guerrilheiro” 
LP ORFEU, 1974
Lado A: “O Adeus d’um Proscrito”, “O Conde Ni#o”, “Flor de Murta”, “A Guerra do Mirandum”, “O Conde de Alemanha”; 
Lado B: “D João da Armada”, “Canção do Figueiral”, “D. Sancho”, “O Guerrilheiro”
Produtor delegado: José Niza






19.4.17

DN - Série: Discos Pe(r)didos (17)



DN - Diário de Notícias
13 Julho 2002

Discos Pe(r)didos



Os cenários de explosão rock que os portugueses viveram entre os finais de 70 e inícios de 80 representaram, por si, as razões fundamentais pelas quais se explica o fraco desenvolvimento dos fenómenos de ligação das electrónicas à música pop entre nós. Com uma cultura pop/rock a viver, em jeito de concentrado de acontecimentos, 20 anos de desenvolvimento atrasado, os primeiros dias da década de 80 conheceram um estranho efeito de salada russa na produção discográfica nacional, juntando estéticas já antigas a fracções mais discretas de modernidade.
E é entre alguns destes mais ousados projectos que irrompem as electrónicas, usando-as uns como mero tempero para uma refeição pop/rock com guitarra, baixo e bateria, poucos tendo sido os que apostaram de facto numa identidade «electro pop», que então conhecia messias não só nos alemães Kraftwerk, mas na interessante multidão de projectos que entrava em cena em Inglaterra (Human League, OMD, Depeche Mode, Yazoo, entre outros, todos eles com considerável exposição na rádio portuguesa de então e grande aceitação entre os mais novos). Nesta localização temporal convém ainda recordar que, na época, os teclados e electrónicas eram olhados de soslaio pelos partidários das guitarras, estes acusando as novas tecnológicas de ser música fácil, automática, o que conferia às bandas electrónicas uma espécie de alvo imediato do gozo dos espíritos mais duros de ouvido... Birra hoje resolvida, naturalmente.
É certo que os Tantra usavam já sintetizadores (particularmente no derradeiro «Humanoid Flesh», de 1980). O mesmo se verificava nos Salada de Frutas («Robot», 1980), nos Heróis do Mar («Brava Dança dos Heróis» / «Saudade», single de estreia em 1981), assim como em alguns outros mais projectos. As electrónicas tomaram até protagonismo evidente em «Foram cardos Foram Prosas» de Manuela Moura Guedes (produção de Ricardo Camacho para um belo single em 1981).
Em 1982, uma série de projectos exclusivamente electrónicos entram em cena no panorama português, reflectindo não só uma maior abertura da rádio e editoras a estas estéticas, como sublinhando o que fora a adesão dos portugueses a canções como «Just Can’t Get Enough» dos Depeche Mode ou «Open Your Heart» dos Human League no ano anterior. Com «Lisboa Ano 10 Mil» e «Fantasmas», os Da Vinci apresentam-se com um projecto esteticamente coerente e musicalmente apoiado pela experiência de um ex-Tantra e de um músico de Jazz. No mesmo ano apresentam-se ainda Tó Neto (o Jarre português, com o álbum «Láctea»), Carlos Maria Trindade (Heróis do Mar) edita, a solo, «Princesa», Frodo lança «Zbaboo Dança»... Mais tarde haverá ainda que ter em conta o single «Estou Além» de António Variações (1983), «Como Um Herói» (1984) do projecto Stick (de Sérgio Castro e António Garcês), os Poke, de Quico, que em 1984 editam o fundamental máxi-single de pop electrónica «Digitalmente Afectivo», e a aventura pop de Ana Paula Reis «Utopia» (1984).
Formados também em 1982, os Ópera Nova começaram por ser um trio constituído por Luís Beethoven, Manuel Andrade Rodrigues e Pedro Veiga, todos eles estudantes, entre os 18 e 20 anos. Com imagem apurada pelo costureiro Zé Pedro apresentam-se em 1983 com o máxi-single «Sonhos», que juntamente com o disco dos Poke e o álbum «Caminhando» (1983) dos Da Vinci, representa a essência do breve movimento electro pop português de 80. Os Ópera Nova apresentam uma música tecnicamente apurada, na qual se cruzam referências dos OMD e Visage (atenção ao «lettering» na capa). Braunyno da Fonseca substitui, pouco depois, Manuel Rodrigues. Luís Beethoven afasta-se mais tarde. Editam ainda «México», single menor de 1984, e desaparecem do mapa.
N.G.

ÓPERA NOVA 
«Sonhos» 
máxi-single, Polydor, 1983

Lado A: «Sonhos» (versão longa); 
Lado B: «Luar», «Palavras» 
Produção: Carlos Maria Trindade









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