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17.5.19

Novos Portugueses / 6 - Carga Aérea - "Transumância"


música e fotografia 
Francisco Marujo 

masterização 
João Paulo Daniel 

grafismo 
Francisco Marujo, 
Pedro Petiz e 
Mónica Tomás 

piano adicional 
Oliver Johnson 

Nariz Entupido, 2019 

NE 006





Memorabilia: Audion #45 (feat.) Estónia



Revista / Fanzine
Audion
Nº 45
Outono de 2001
44 páginas A4 (A3 dobrado e agrafado ao meio) - brochado
Muito boa apresentação
Capa e Contracapa a 2 cores Amarelo / Preto
Interior a Preto e Branco





Sons Progressivos da
ESTÓNIA
mais alguns itens esotéricos - analisados por Alan Freeman




A Estónia, para citar Peeter Volkonski é "um pequeno páis europeu, com aproximadamente o mesmo tamanho que a Suiça", com uma história muito antiga de relacionamento com a Escandinávia, e que em tempos mais recentes foi absorvida pela URSS. Hoje, é um país independente e tenta reafirmar-se quer cultural quer politicamente.
Durante os primeiros tempos após o colapso da União Soviética, tivemos a sorte de ter sido contactados por alguns "Russos", que compraram grandes quantidades de stocks de liquidação da editora estatal Melodia, e que incluíam um bom lote e material progressivo de elevada qualidade. Algum desse material era estoniano, designadamente do pioneiro e talentoso multi-instrumentista/sintetista Sven Grünberg, e das bandas interrelacionadas In Spe e Kaseke. Após algum tempo, contudo, perdemos o contacto com muito desta cena, até que apareceu a editora de CDs Boheme. De qualquer forma, como uma coisa traz a outra (e grandemente impulsionado pelo aparecimento do email), tive recentemente a oportunidade de ouvir e analisar muito da cena musical mais recente da Estónia. Sempre com o intento de pesquisar aprofundadamente a música progressiva de todo o mundo, adquiri uma cópia de cada um dos álbuns que me pareceram interessantes.
Virtualmente, todas as antigas bandas estonianas e artistas a solo formam uma árvore genealógica emaranhada, desde os anos 70. Tudo começou com o grupo Messe, liderado pelo bem conhecido talento do sintetista/multi-instrumentista Sven Grünberg, seguido pelas bandas interrelacionadas, progressivas / de fusão, In Spe e Kaseke. Esses artistas foram já cobertos nas páginas desta revista, e por isso vamos agora analisar as bandas que editaram apenas um álbum, que entretanto ouvi, começando com uma figura-chave da cena musical estoniana...


ALO MATTIISEN
READ
(Maat 513781-95-3) CD 68m (1995)
AJAGA SILMITSI
(Eesti Raadio ERCD 014) CD 66m (1997)
ROHELINE MUNA + NAARMED
(Klesment KLAP 2) CD 60m (2000)
Entre os mais conhecidos dos compositores contemporâneos da Estónia, e enquanto teclista e compositor no segundo álbum dos In Spe, Alo nunca teve o golpe de sorte que (original teclista dos In Spe) Erkki-Sven Tüür teve com a ECM. Erkki é agora bem conhecido nos círculos neo-clássicos, contudo (à parte de ter visto editado o seu segundo disco nos Spe, em CD, na Musea) o golpe de sorte de Alo Mattiisen nunca chegou, e ele morreu em 30 de Maio de 1996 com apenas editado um seu álbum a solo no seu nome.
O seu álbum inicial READ é composto por uma colecção de temas de semi-melodias sedativas, de tom ambiental e arranjos  vagamente clássicos. A primeira impressão leva-nos a citar Roger Eno (dos seus primeiros dias) e depois há um pequeno tom floky escandinavo que relembra Esa Kotilainen, Igor Len ou Sven Grünberg (o lado atmosférico e clássico de Klaus Schulze ou de Ole Hojer Hansen também nos vem à mente), e ao fim e ao cabo isso fez pouco por ele. Assim, é francamente difícil de compreender e surpreendente que, durante a sua vida ele não tenha tido um muito mais largo impacto internacional. Se ele tivesse tido mais tempo, porém, talvez o tivesse conseguido. AJAGA SILMITSI ("Facing The Time") explora talentos mais abrangentes, contendo trabalhos sinfónicos (uma Overture, uma Sonata e uma Sinfonia) duas peças electrónicas, e uma faixa nos In Spe, completam o espectro. Um talento, na verdade, apesar de talvez demasiado abrangente para o seu próprio bem.
Como tributo para os seus talentos, o terceiro CD aqui revisto contém dois trabalhos não publicadas por Alo Mattiisen: Roheline Muna é uma ópera-rock grandiosa, muito como aquelas gravadas por Eduard Artemiev em 1980, muito bombásticas e pretensiosas, e muito de um gosto adquirido e usual, enquanto Naarmed (tocada nos In Spe com Alto Mattiisen em 1987) possui um pouco mais de bom gosto. Ainda assim, é um caso de - gostam de ópera?

Continua com o legado da família In Spe / Kaseke...





PROPELLER
PROPELLER 1980 xv 1995
(Fugata FUGCD 2003) CD 42m (1995)
Os Propeller foram as raízes dos Kaseke, e foi de onde o anteriormente mencionado Peeter Volkonski veio. Com fama de ter sido a primeira banda Estoniana new wave, ou de punk progressivo (assim eles se catalogam), este CD compreende 15 anos da banda tendo mutado para a banda cujo líder passou a ser Volkonskski. No que toca à new wave os Estonianos não foram muito bons, se nos basearmos nesta banda / disco. Volkonski também liderou os Rosta Aknad, uma banda punky roufenha com evidentes influências RIO, o que lhe pespegou o rótulo de Frank Zappa da Estónia. Também interessante é um álbum a solo de Peeter Volkonski, chamado THE BOOK OF SECRETS, que é uma colagem/diário musical completamente louca das suas experiências e sessões com músicos nos Estados Unidos.

VSP PROJEKT
VSP PROJEKT
(VSP VSP-CD-001) CD 33m (1996)
Um projecto de estúdio na forma de supergrupo instrumental formado por
V - Raul Vaigla (Radar, Ultima Thule) - baixo,
S - Riho Sibul (In Spe, Kaseke, etc.) - guitarra,
P - Aare Pöder (Radar) - teclados,
com Andrus Vaht (Kaseke, Mess, Ruja) na bateria. (e Sven Grünberg como convidado em duas faixas), a ligação com os Radar (e isto foi gravado em 1988) assegura de forma assertiva que a música seria uma qualquer espécie de florido e intrincado jazz-rock. Assim, é sem surpresa que os VSP tocam um híbrido de estilos Britânico, Americano e Escandinavo, tudo misturado em forma de sopa com o seu único pazazz. Raul debita a música juntamente com aquele tipo de groove à Pekka Pohjola, Riho toca um estilo Janne Schaeffer elaborado, enquanto os teclados de Aare dão um cunho à Jeff Beck Group, com um sentimento à la Jan Hammer dos 70s. É tudo muito situado numa espécie de limbo, apesar de ainda assim muito doméstico. Talvez um disco para aqueles que gostam de um twist funky a misturar-se com um estilo inconfundivelmente escandinavo.




RIHO SIBUL
POEET KULMETAB KLAASMAEL
(Vagabund SIBUL_001) CD 53m (2000)
Muito elogiado como "um extraordinário guitarrista Estoniano" o álbum de estreia de Riho Sibul (das bandas: In Spe, Kaseke, VSP Projekt), Ultima Thule, etc.) é quase tão diversificado como a sua carreira. Mas também não é o que poderíamos esperar, não um álbum de rock de guitarras, nem uma brilhante colecção de solos infidáveis também, mas algo mais, sobretudo, introspectivo.
Na maioria do tempo lembrei-me dos trabalhos folky underground da Checoslováquia, de pessoas como Oldrich Janota (de 10 anos atrás) e de alguns músicos mais obscuros e esotéricos (os reinos dos Ossian, Third Ear Band, Arbete Och Fritid, etc.) dos anos 70. Todas as canções são subestimadas, mesmo quando são mais prog-rock ou jazzy. Aparentemente, as vozes (em algumas das faixas, poucas) baseiam-se na poesia Estoniana e Sueca. Na sua maioria, é tudo muito sombrio.
Nos músicos convidados incluem-se numerosos outros nomes do topo da cena Estoniana: Robert Jürjendal e Arvo Urb (dos Fragile), Sven Grünberg, Toomas Rull (Ruja, Tulli Lum), Raul Vaigla (VSP Projekt), etc.

FRAGILE
MANIFEST
(Eesti Raadio 98 1 20649) CD 55m (1998)
OUNAPUU OSAKAS
(Klesment KLAP 3) CD 65m (2000)
Os Fragile são basicamente um duo, o inspirado em Robert Fripp, Robert Jürjendal (guitarra, etc.) e Arvo Urb (ex-In Spe e Ruja) na bateria, acompanhados por músicos convidados. Em MANIFEST são ajudados por Maido Maadik (creditado com: fitas magnéticas e tratamentos) cujo papel é na generalidade dar à música um sentido de orientação techno com samples e loops étnicos mas numa forma de cliché. Na realidade, a sua não participação teria sido melhor para o resultado final, pois os Fragile tocam uma música inventiva que cruza a fusão escandinava com um tipo de space-rock psicadélico ao jeito dos Ozric Tentacles ao vivo.
Mais originais em OUNAPUU OSAKAS (que aparentemente pode ser traduzido por "Macieira em Osaka" existem realmente elementos japoneses na música (de acordo com a informação da imprensa que possuo) apesar de eu próprio nunca ter detectado esses tais toques Orientais. Contudo, este álbum é notoriamente melhor que o seu predecessor, com uma grande diversidade na instrumentação, e uma boa mão-cheia de ideias originais (ainda um pouco sob a forma de clichés e techno em alguns dos ritmos) formando um álbum de verdadeiramente poderosa matéria musical . Numa das faixas entra como convidada a vocalista Evelin Saul, e existem numerosas outras surpresas para encontrarmos. Em resumo, os Fragile estabeleceram um estilo próprio (para além de Pekka / Osjan / híbridos Ozric) e ediataram algo de único.

ULTIMA THULE
+ KEELPILLOKVARTET
seaded ERKKI-SVEN TUUR
(Elwood 0156 0011) CD 57m (1998)
Ultima Thule é o recente supergrupo de Riho Sibul. Então, o que significa o texto acima "+ Keelpillokvartet seaded Ekki-Sven Tüür"? Não faço a mínima ideia, pois não ele não parece estar envolvido de todo neste trabalho. Os outros dois músicos do VSP Projekt, esses sim, estão por aqui, assim como outros muito rodados na cena local. Tudo isto significa que que deve ser bom, não é?
Este deve ser a quarta (ou quinta) banda com o nome Ultima Thule que eu encontrei (há uma russa dos anos 80 também), e estes são os melhores até agora, apesar de não ser a minha "Ultima Thule" - quase tudo o que temos em stock para venda é melhor! Pelos músicos envolvidos é um pouco desapontante, muito lírico no mau sentido, pomposo e bombástico no seu estilo, e não é de todo o meu género de música preferido. Ah, constato que os arranjos de cordas são de Ekki-Sven Tüür - mas ainda assimisso não é suficiente para me impressionar.

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caixa:
Adicionem todos estes trabalhos aos excelentes álbuns dos In Spe e dos Kaseke, e não esquecendo as edições clássicas anteriores de Sven Grünberg, e o conjunto forma uma família entrelaçada de grupos e músicos de que qualquer cultura do rock progressivo se pode orgulhar, especialmente num pequeno país, e que, ainda por cima, viveu isolado do resto do mundo durante décadas.
Aqueles que possuem um gosto mais conservador (ou convencional) encontrarão ainda mais motivos de regozijo do que eu próprio. Penso que haverá alguma coisa de interessante para todos - o que é notavelmente verdadeiro. Para aqueles que amam o jazz-rock, há a família relacionada com os Radar, e uma série de outras bandas que se relacionam de perto com as culturas vizinhas da Finlândia e da Rússia no que toca à música moderna. Chequem o meu artigo acerca da Boheme e a Discografia Do Leste Europeu da Audion para obterem mais informações acerca da música da Estónia.
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Finalmente, não relacionados com qualquer grupo mencionado anteriormente (tanto quanto sei) existe um par de novas (e, penso, de gente mais nova) bandas avançando com novas formas de música.

PATOKRATOR
STANDING ON THE EDGE
(HyperElwood PKCD 002) CD 58m (2000)
Aparentemente, os Pantokrator são o equivalente estoniano dos Hedningarna, de uma faceta popular de um moderno estilo de folk estiloso, passe a redundância, liderados pelo vocalista Lauri Saatpalu. Este CD compila o seu LP PANTOKRATOR I, de 1991, juntamente com outros trabalhos cobrindo o período 1988-1992. Em parte (na verdade na tradição "Russa") é extremamente bizarro, apesar de, paradoxalmente, ser bastante comercial. A vocalização "wiowaahhi eoarr..." numa das faixas faz lembrar aquele tipo de música que vemos muito nos anúncios de televisão, uma espécie de falsa new age, mas não de todo a "minha praia".

LINNU TEE
LINNU TEE
(Linnu Tee LT01) CD 51m (1997)
Citados como "uma das poucas bandas neo-progressivas da Estónia", eu devia t^-los escutado antes de ter encomendado uma cópia, mas estava curioso de ver, ou pelo menos ter uma ideia, o quão as influências Ocidentais impregnaram a cultura juvenil da Estónia. Soube que a Musea os compara aos Asia, Rush, Saga e Toto. Sim, devia ter pensado, antes de comprar! Com letras em Inglês, e um nada apelativo cantor, Indrek Patte (ex-Ruja) a sua música soa como um normal álbum de AOR Americana.

 



Assim , trata-se de uma cena musical muito activa, especialmente se tivermos em conta a dimensão do país em causa, e que tem tido pouca exposição aqui no Ocidente (com a excepção de Sven Grünberg ou dos In Spe) e existirá seguramente também uma cena underground também. Tentaremos ir mantendo-os informados.
Para mais informações sugiro que contacetem Hubert Jakobs (e-mail para: hubjak@online.ee) que forneceu os CDs que aqui analisámos (o seu conhecimento foi muito útil na escrita deste artigo). Ele pode fornecer outras edições de: Ruja (aparentemente uma banda prog iniciada em 1971, documentada por uma box de 5 CDs + 1 vídeo), edições da editora Boheme, edições do grupo de prog-rock de Sven Grünberg, os MESS (aparentemente sairá em breve uma reedição dos seus trabalhos), Tulli Lum (Viljandi Folk Music Festival, 2000), e outras raridades.                                                                                                                                                                         




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