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28.10.08

Richard Youngs - entrevista


Entrevista (RICHARD YOUNGS)

publicado na Revista Inglesa WIRE

Wire - Nº 259 de Setembro de 2005

Richard Youngs - O Longo Caminho Para Casa



Richard Youngs é o shaman naive com estilo muito próprio do re-energizado free rock underground britânico, aplicando uma prática caseira mágica às suas colaborações com Simon Wickham-Smith, Vibracathedral Orchestra, Jandek e ao seu grupo de homenagem prog, Ilk.

Palavras: David Keenan

Photos: John Spinks

4 de Junho de 1990: No primeiro piso do Old Angel em Nottingham, um pub e espaço de perfomance nocturno por um ensemble de improvisação então autodenominados Advent mas conhecidos para os residentes como A-Band, Richard Youngs actua a solo com um punhado de bilhetes de comboio usados. Parte stand-up comedy, parte actuação artística ao estiço Fluxus, parte palestra sobre viagens, ele lê o destino de volta de cada um dos bilhetes que acumulou no ano transacto - 171 restos que compõem o arco dos seus movimentos à volta da Inglaterra, desde a casa de seu pai em Harpenden de volta a Nottingham e, ocasionalmente, saídas para Beeston e Luton. Um vórtice de repetições de nomes de lugares e ritmos de locomotivas, a peça gera gradualmente a sua própria forma expontanea, com Youngs caindo no tipo de galope de voczalização localizada que definirá uma rasto de lados posteriores. Em 2003 um disco da perfomance foi editado pela editora americana Fusetron, uma gravação de 10” com uma gravação crua de combios orbitando a velha Albion e um mapa que situa Harpenden no centro do mundo. 171 Used Train Tickets pode ser uma das mais curiosas entradas dum fundo de catálogo que abarca presentemente 35 títulos, mas funciona como a mais forte das manifestações das várias preocupaçoes de Youngs, embrulhando a combinação de avant-garde institiva, falta de pretensiosismo e detalhe auto-biográfico indirecto que inspira todo o seu trabalho. “Eu tenho também essa outra peça, que é um pouco similar, chamada 19 Used Postage Stamps,” iulmina Youngs. “ Realizei uma perfomance dela numa noite de microfone aberto no St. albans Folk club. Foi realmente minimal, apenas 2 acordes de guitarra em 15 minutos e apenas cantando esta lista de ... bem, coisas. Eu fui simplesmente andando e a perfomance chegou ao fim quando fui interrompido por um parceiro. Nessa altura eu era um jovem zangado. Díficil de acreditar, mas é verade”.

“Eu era quase confrontacional nos shows ao vivo,” continua. “Queria obter uma reacção e adorava todas essas coisas e pressionar até ser fisicamente paradao. Lembro-me de ir a outro clube folk e bater nas teclas e um teclado, depois passar o resto da actuação tendo uma discussão com um membro da audiência acerca do que estava eu a fazer. Depois fiquei com a sensaçaõ que a actuação tinha sido um sucesso total. enquanto agora ... nahhh. Apenas um gesto oco, penso.”

Qualquer um que tenha entrado no trabalho de Youngs através do ciclo de gravações de baseadas em belas canções editadas na Jagjaguwar nos últimos anos pode ficar surpreendido de saber deste seu início tempestuoso e o seu engajamento agressivo com a estética de guerrilha da cena tape/ruído da Grã-Bretanha, quando era habitual ele actuar em sessões de microfone aberto em clubes de folk confortáveis ao longo da província Inglesa. No início dos anos 90 ele auto-editou uma série de trabalhos art/punk como LAKE e Advent, e gravou trabalhos selvaticamente conceptuais como Radios (1996), uma colaboração com Brian Lavelle baseada em vários instrumentos electrónicos rudes e tratados, e House Music (1998), um álbum feito inteiramente a partir de sons gerados por partes da casa de seu pai em Harpenden. Mas mesmo o mais pastoral e tradicional dos seus recentes trabalhos levam a marca de uma estética que permanece profundamente caseira. “Gosto muito da música tradicional mas não crescia a ouvi-la,” explica. “Cantámos muitos cânticos na escola, penso. Cânticos de Natal, podem ser muito tradicionais. Mas penso no que eu gosto como sendo mais tradicional do que a música folk de per si. Não sou grande fã da música folk. É das velhas canções que eu gosto, tipos velhos em pubs cantando apenas, aquela rudeza e qualidade humana, é esse o material que eu gosto.”

Youngs não é o primeiro intelectual de esquerda a usar a música folk como um barco pirata para entrar nas profundezas de um espaço intuitivamente mapeado, e a curva da sua carreira compara-se muito com o que tem acontecido recentemente em termos de New Weirdness transatlântica. A sua abordagem revisionista à fonte alinha-o com espíritos mais contemporâneos como Matthew Valentine e Ben Chasny dos Six Organs Of Admittance, músicos que adoptaram estratégias vantgarde não como um corte radical com o passado mas como a reassumpção da tradição perdida, tornando vísivel a ligação entre a folk básica e abordagens experimentais trabalhando posturas mais rudes de forma a torná-las mais sublimes com a introdução de novos alfabetos. Os discos mais recentes de Youngs, como River Through Howling Sky, do ano passado, e Airs Of The Ear, de 2003 são inspirados por amálgamas de dispositivos folk e sonhos futuros extáticos. Mas o seu ultimo CD-R, auto-editado, Summer Wanderer, é certamente o seu passo mais profundo até à data. As suas 3 perfomances vocais, desconcertantemente solitárias, lembram as antigas gravações de Anne Briggs para a Topic, em termos de exposição e gelo, duma beleza esquecida enquanto iluminam o drone comum que percorre através da coluna vertebral do seu catálogo anterior. “Não é na verdade a primeira vez que realizei gravações vocais a solo,” refere Youngs. “Antes do meu primeiro álbum, Advent, editei algumas cassettes na minha própria editora, a Jabberwock, e uma delas - na verdade o lado B de 19 Used Stamps - tinha algum material vocal a solo. Mas recentemente fiz a minha primeira actuação ao vivo com vocalizações a solo, no festival Music Lover’s Field Companion no Sage (em Newcastle) e estava incrivelmente nervoso. Uma semana mais tarde toquei no Cecil Sharp House (HQ da English Folk Damnce And Song society) em Londres e correu da maneira oposta, e actuei quase apenas de maneira eléctrica em vez duma actuação folk porque, bem, sou perverso”.

“Mas talvez a motivação é que isso me pôs numa situação em que eu não sabia o que ia acontecer,” desenvolve. “Toda a teoria de John Cage sobre a música, em que a saída não pode ser prevista: penso que é verdadeiro. Mas por outro lado tenho a minha atenção mais focalizada. Podes dizer que foi curiosidade: fiquei excitado com uma coisa e quero explorá-la e depois aparece outra ideia na minha cabeça e eu saio e exploro isso.”



As explorações de Youngs conduziram-no através de uma topografia selavagem, muita dela primeiramente organizada com a ajuda da sua sombra, Simon Wickham-Smith. Os dois formam uma excelente parelha. Enquanto Youngs leva uma vida semi-hermética na zona oeste de Glasgow, trabalhando como biblioteca´rio durante o dia e fazendo música e cozinha vegetariana nos seus tempos livres (o livro escrito por si, Cook Vegan, foi recentemente reeditado pela Ashgrove Press), Wickham-Smith é um Tibetano, que já passou um ano como monge Budista em retiro no Kagyü Samyé Ling Monastery na fronteira da Escócia. Está presentemente ocupado numa série de traduções focadas na vida e poemas de amor do sexto Dalai Lama. Também gosta de ilusionismo. “Encontrei o Simon quando estávamos ambos na Universdidade de Londres,” lembra Youngs. “Ouvi-o por acaso a ter uma conversa acerca de John Cage e aproximei-me dele e começámos a falar dele. No fim da semana fomos a um concerto do Stockhausen juntos.” Nesta altura Wickham-Smith já tinha escrito, embora não publicado, história da música minimalista desde La Monte Young e Tery riley. O seu entusiasmo e conhecimento dos seus atalhos mais esotéricos abriu os ouvidos de Youngs para um tipo de som que combinava os filamentos ásperos da música tradicional com as propriedades psicoactivas do zumbido que irritava. “Eu pensava até essa altura que não tinha realmente ouvido nenhum exemplo particular do que eu estaria pronto a seguir,” relata Youngs. “Quer dizer, lembro-me de ir a casa de um amigo gravações iniciais dos Pink Floyd e ficar excitado com a secção do meio de “See Emily Play”, porque naquele ponto a canção parava e não era a canção. Era outra coisa, e eu pensava como aquela secção era excitante, mesmo numa idade tão nova. Mas mesmo nessa altura eu era muito expontâneo na minha abordagem à música. Lembro-me de, quando era extremamente novo, o meu pai em viagem pela austrália, e eu me envolvia com esta canção, batendo no fundo das traseiras do piano com o meu cotovelo enquanto cantava repetidamente “Australia! My dad’s gone to Australia!”Há ainda a dizer que essa canção podia facilmente ter feito parte do meu último álbum. Quando finalmente ouvi exemplos que soavam como o que eu estva a fazer, fiquei excitado, porque deixei de me sentir tão só. Alguma da música industrial que se ouviu nos inícios dos anos 80 foi importante para mim dessa forma. Achei os Einstürzende Neubauten muito excitantes e ainda penso que soam muito bem nos dias de hoje. E sempre gostei do que o Chris Watson fez nos Cabaret Voltaire. Ele era o homem das fitas magnéticas. Depois assisti na Open University, na sua aurora, a programas sobre Stockhausen e coisas assim. Ouvi também cantar salmos Gaélicos, pela primeira vez, na Open University, e isso teve um tremendo impacto em mim - ainda tem. Mas quando o Simon começou a psssar-me estes outros discos, conhecia aquela imensidão do minimalismo que eu gostava mesmo, material que era talvez um pouco mais áspero que as coisas que eu tinha ouvido até àquela altura. Lembro-me de ele me tocar o Off The Wall do Yoshi Wada, e que esse era um extraordinário disco. Aposto que quando gravei Advent, os interesses de Simon tiveram alguma influência na maneira como soava, por isso fiquei espantado quando o alan Licht o listou como fazendo parte do Top Ten Minimal, num artigo no magazine Halana, ao lado do álbum do Yoshi Wada. Quer dizer, eu nunca pensei realmente que era do mesmo calibre mas, ok, porreiro.

Advent foi a primeira edição na editora No Fans Records, do próprio Youngs, em 1990, prensada numa edição de 300 cópias (foi reeditado em CD pela Table of elements e, mais recentemente, pela Jagjaguwar). Consiste de 3 improvisações a solo, combinando um hipnoticamente repetitivo motivo de piano com um ciclo de vocalização, feedback de guitarra e um triturante oboe. “Na altura, Advent pareceu-me apenas como a mais ridícula coisa que eu podia ter editado,” ri-se Youngs. “Gravei-o no hall de entrada de uma residência em Londres e havia pessoas a passar enquanto eu gravava. Diz no booklet ‘a maioria dos sons’ feitos por mim porque alguém batia a uma porta numa dada altura e isso não fui eu. É esquisito ouvi-lo agora, e é definitivamente um disco feito por alguém que é muito diferente do que eu sou agora. Eu suavizei-me bastante e penso que é definitivamente um disco de um jovem zangado. Na altura que o fiz lembro-me que o piano me parecia muito lento. Agora, quando oiço, parece-me muito enérgico. Penso que estava memso a cantar devagar mas agora parece que a voz é muito estridente. Pode dizer que amadureci com a idade, aposto, mas quem sabe o que o causou realmente?”

Desde o aparecimento, em 1990, de LAKE, um álbum duplo na No Fans, que combinava um drone de nota única de órgão/guitarra comimprovisações vocais aleatórias e guturais, o duo Youngs / Wickham-Smith editou 12 discos junto, mas o Ceaucescu, de 1992, comissionado e editado pela Forced Exposure (editora e magazine), ainda permanece como sua declaração final.

“Uma vez que editámos cópias do Advent e do LAKE, ficámos sentados em coima de 600 discos,” lembra Youngs. “Então, o Simon teve a brilhante ideia de enviar ambos os LPs à Forced Exposure. Eles escreveram críticas entusiásticas acerca dos dois álbuns e em semanas vendemos todas as cópias. então o editor, Jimmy Johnson, pediu-nos para fazer um single, uma versão de “Goat” do LAKE. Então gravámos uma versão como pedido e de mais sete potenciais lados B. Ele respondeu se podíamos tornar tudo num álbum, pelo que gravámos a longa faixa título. e foi assim, um single, sete faixas para encher e uma faixa longa e completamente freakout. Todos os ingredientes para um disco clássico!”

Pondo de lado o auto-depreciativo de Youngs, Ceaucescu permanece como um dos álbuns independentes mais fortes desde sempre feitos na Grã-Bretanha e o mais próximo que ele produziu de um disco completamente de rock psicadélico. Com uma guitarra fuzz sobrevoando directamente em 4 faixas e reforçada por uma camada de acordes com séries de ritmos curtos e grossos e uma imensidão de efeitos, tornou-o num clássico de arte DYI prejudicial, com letras erguidas de canções Republicanas Espanholas, histórias de crianças e circulares administrativas. Mas o inspirado hino psicadélico “Goat” ainda domina o discoflutuações narcóticas, cantos sem palavras numa imensa taça de reverberação. “O modo como eu gosto de trabalhar é sempre e maneira a que seja uma coisa social, tem de ter esse aspecto para mim,” insiste Youngs. “Neste momento eu e o Simon estamos a trabalhar num novo disco. É parte de um plano de 5 anos que nós temos. Vamos gravar 10 minutos de música todos os anos, e este é o 4º ano em que estamos a fazer isso. A razão porque o começámos a fazer é que nos paercebemos que sempre que nos encontrávamos íamos logo fazer música e assim pensámos que seria importante fazer outras coisas também. Então saímos, por assim dizer, da nossa maneira de comunicar e pensa´,os, hey vamos tomar um café, fazer outras coisas. Mas há sempre um elemento de tocar no que faço. É essencialmente uma coisa social. Algumas pessoas podem estar juntas e ir até a um pub. Eu gosto de juntar-me com vários amigos e ir para a máquina de gravar.”

Youngs é notoriamente desconfiado no que toca a grupos, quer socialmente quer musicalmente. Ao longo da sua carreira ele participou em inúmeros duos, a unidade musical em que parece sentir-se melhor, para além do seu trabalho a solo. Ao longo dos anos instigou diálogos com músicos como Makoto Kawabata dos Acid Mothers Temple, Alex Neilson do Direct Hand e Jandek, Matthew Bower dos Skullflower e Hototogisu, e Neil Campbell dos Vibracathedral Orchestra. De facto, Campbell, Bower e Youngs fornecem as corrdenadas para muito do que passou por post-punk no undergroud Britânico durante a maior parte das décadas de 80 e 90, demarcando todas as novas, e intelectualizadas, abordagens ao rock até à inprovisação livre que apenas recentemente começou a ganhar raízes. “Neil e eu somos amigos desde aproximadamente 1984, quando coloquei um anúncio na (revista semanal, já defunta) Sounds procurando contribuições para uma compilação em cassette que eu estava a compilar,” revela Youngs. “Ele enviou-nos uma fita de material que estava a fazer com uma banda chamada ESP Kinetic. Depois, no fim da década de 80 eu mudei-me para Nottingham e fiquei envolvido com o Neil, tocando na A-Band.”

A importância da A-Band para o rock underground britâncio pode ser comparada com o impacto explosivo que grupos como os AMM, SME ou The People Band tiveram na cena free jazz e de improvisação. Um rupo de formação flutuante composto por artistas, sem abrigo, conceptualistas punk e coleccionadores de discos, eles foram o primeiro grupo britâncio a produzir uma música ancorada no drone livre, no músculado e abrasivo da maioria do seu rock altamente energético, enquanto o mantinham guiado pelo mais elementar folk. Apesar de fornecerem uma base de trabalho conceptual para pilotos futuros como os Vibracathedral Orchestra e Decaer Pinga, a A-Band deixou pouca coisa em termos de legado gravado, fora um LP raro na Siltbreeze, um single e um LP e CD-R póstumo.

“ A A-Band começou porque havia um tipo, Vince Earimal, um saxofonista e queria formar uma banda,” explica Youngs. “Eventualmente, seria formada e tinha de começar pela letra A. Depois haveria um novo concerto e uma banda diferente seria formada, de novo começada pela letra A. Então haveria um terceiro concerto e foi quando eu comecei a aparecer na formação. Tornou-se naquela coisa em que teria de haver uma formação diferente e começar sempre pela letra A. Ninguém estva sempre lá, excepto, possivelmente, Jim Plaistow e o Neil. Eles eram os únicos membros constantes. Tornou-se realmente numa coisa engraçada pois era tudo 100% improvisado e sem discussão. Apenas: “vamos fazê-lo”. O Jim era um marceneiro e tinha uma estrutura que ele construiu e da qual fabricava todos aquelas ferramentas em que batia. Mas para além disso havia instrumentos muito limitados e por isso tínhamos de tocar o que estivesse mais à mão . Eu tocava principalmente guitarra, uma palheta, o que fosse.

“Eu não estva grandemente a par de qualquer tradição de música improvisada, nessa altura,” confessa Youngs. “Possivelmente sabia do facto de ela existir, mas certamente não ao que ela soava, e mais ainda de música improvisada que soasse como aquilo que nós estávamos a produzir. Éramos um monte de pessoal num quarto. O som disso. Tendo dito isto, todos pertencíamos a uma geração rock, e isso ditava, em certo grau, o modo como nós tocávamos e talvez nos ajudasse a dirigirmo-nos para algo novo. Eu descreverei sempre as minhas raízes como rock experimental, e isso é provavelmente verdade também para a maioria das pessoas que passaram pela A-Band.”

Apesar de Matthew Bower nunca ter participado na A-Band, o seu trabalho com Youngs serviu também para juntar uma série de vagamente articuladas margens conceptuais. A sua primeira gravação, na VHF, como duo, o LP Site/Realm de 1995, usando apenas guitarras, apresenta uma fantástica fotografia transparente da sua personalidade sónica individual, com o sofisticado trabalho de Bower em guitarra tratado em FX ao ponto de dissolução, enquanto Youngs reage com ruídos subliminares com a ajuda de uma barra metálica entre as cordas. Isso conduz a uma das mais explosivas combinações de gemidos extáticos de seis cordas desde a formação dos New York’s Blue Humans de Alan Licht/Rudolf Grey.

“É um disco muito rude,” admite Youngs. “Nós na realidade gravámos logo no dia depois de nos termos encontrado pela primeira vez. Eu primeiro conheci o Matthew quando ele escreveu ao Simon a pedir cópias dos nossos LPs que tinham sido recensados pela Forced Exposure. O simon estava fora, refugiado no seu retiro na latura, e ele deu-me o nome das pesoas que queriam que que lhe enviássemos os nosso discos. O Matthew era um deles. Entrámos em contacto, falámos ao telefone e trocámos discos. Quando nos encontrámos e fizémos o Site/Realm, ambos sentimos que se tivéssemos tido mais tempo para tocar e nos conhecer mutuamente talvez pudéssemos ter feito um disco melhor. Ou pelo menos um disco diferente..”

O segundo álbum do duo, Relayer, representa um repensar dos princípios musicais básicos da relação, trocando a rugosidade, o sentimento claustrofóbico de Site/Realm por aspecto mais lúcido harmonicamente revelado em nuvens luminosas de electrónica e ciclos repetitivos de melodias rimadas quase cirúrgicas. “O ponto com Matthew, Neil e eu próprio é que todos nós estávamos a fazer a mesma coisa há muito tempo, de forma quase independente, apesar de nos conecermos todos,” elabora Youngs. “Mas eu penso que partilhamos um tipo comum de estética. Todos nós nos divertimos a fazer isso. Essa é a chave. E todos vivemos tempos similares, todos viémos da música rock até um certo grau e temos uma aproximação à improvisação que não advém de nenhuma estratégia conceptual ou método estabelecido de tocar. Usamos o fuzz, o noise e os drones numa forma que se relaciona directamente com a música rock e ficamos sempre felizes por sermos nós a colocar cá fora as nossas próprias produções, apesar de em parte isso nos desviar das nossas necessidades porque gastamos tanto tempo a fazer múisca para uma quase universal indiferença que parece loucura pensar que haveria mais alguém interessado em nos editar. Mas essencialmente, chegámos a estas conclusões e modos de trabalhar independentemente, e isso foi o que, eventualmente, nos aproximou.”

Através do seu recente trabalho com o baterista Alex Nielson, Youngs ligou-se a uma nova geração de músicos britânicos, que estão altamente versados nos modos folk hipnóticos, primeiramente articulados por grupos como a A-Band. De facto Youngs começou a trabalhar com Neilson sob recomendação de Neil Campbell, que já tinha trabalhado com o baterista numa versão expandida dos Vibracathedral Orchestra. As várias gravações de Youngs com Neilson marcam uma série de despedidas para ele. Começou a trabalhar em peças rítmicas pela primeira vez, desenvolvendo uma abordagem de marcação de tempos que está muito próxima do dub em fase de Lee Perry, ou das aventuras electrónicas de Sun Ra. Também se virou inteiramente para o digital, gravando directamente para computador e editando com o ProTools, uma abordagem que atinge a sua apoteose no seu novo trabalho para a Jagjaguwar, Naive Shaman, um ciclo de canções digitais tocado por um grupo de rock virtual criado via uma série de overdubs directos para o disco. “Fui sondado pela Resonance FM para realizar uma peça com a duração de uma hora para eles e imediatamente pensei que seria maravilhos fazê-lo com o Alex,” elplica Youngs. “Ele é na realidade um grande baterista e o meu sentido de ritmo não é muito bom e nunca tinha tocado com um baterista antes. Mergulhámos em áreas dubby, a segunda faixa em Beating Stars é muito dubby. adquiri recentemente umas quantas caixas de efeitos, e assim deve ser daí que o som, de novos brinquedos.

“Ambos temos um novo disco a sair na VHF, chamado Patrick Raindance,” continua, “e a ideia com ele é ter menos efeitos. Mas eles ainda rastejam po lá. Eu gravo tudo em computador agora, mas numa variedade de modos eu ainda sou um nostálgico de gravadores de 4 pistas. Habitualmente eu tinha muita desconfiança em relação à gravação digital mas agora penso que se fizermos tudo como deve ser, é excelente. Quer dizer, só porque estás a gravar digitalmente não quer dizer que estás a fazer “glitch music”. Estou agora a gravar na forma digital mas uso esses equipamentos como uma glorificação da máquina de fita, um média de gravação apenas. Todos os efeitos dub são feitos em pedais, não em software. Os efeitos virtuais são úteis, mas em geral é mais divertido tomar em mãos um objecto que tu possas manipular, como um instrumento musical, algo que tenha botões e ajustes manuais e não um “preset”. Vemos muito críticas e artigos sobre efeitos, em qu eé dito, oh, é fantástico, soa muito bem, mas é difícil de controlar. Soa bem e é difícil de controlar ? Levo um. É o que eu quero. As pessoas queixam-se dos efeitos em que não consegues replicar o som mais que uma vez pois isso é muito complicado, mas é o que eu pretendo. Não gosto de saber onde vou chegar com eles.”

Excepto nos dois discos, a secção rítmica de Youngs/Neilson tem estado ao seu mais alto nível no que se refere a “punição cerebral”, como parte do grupo de Jandek, tocando com o quase eremita texano nos únicos 3 concertos que ele deu até hoje, e aparecendo (apesar de não creditados) no álbum Glasgow Sunday, de Jandek, para a Corwood.

Desde o início, o trio capturou o sentimento de entusiasmo de grupos rock como os Henry Flynt & The Insurrectionists e Harry Pussy juntamente com o post-blues abstracto dos improvisadores tais como Albert Ayler por volta de Spiritual Unity e Ornette Coleman por volta de Golden Circle. Por alturas da 3ª perfomance no Glasgow’s Centre For Contemporary Arts em Maio deste ano, uma actuação sobre um trabalho episódico para piano chamado The Cell, Youngs mudou para um baixo acústico e oprimido (pela primeira vez desde sempre) e Neilson expandiu as suas armas para os carrilhões, gongos e sinos. Youngs está compreensivelmente preso a tudo o que se relacione com a sua relação com Jandek e é altamente protector do tipo de vida reclusivo que o artista leva, e que tem a ver com a sua privacidade. “Ouvi o material de Jandek já e gosto realemente dele,” começa Youngs. “Assim, foi uma honra tremenda ser convidado a tocar com ele e diverti-me imenso com isso. Estava incrivelmente nervoso antes de entrarmos no palco da primeira vez, mas afinal estou sempre, é a entrada que é a pior parte para mim, dores de estômago, dores de cabeça dos nervos, etc. Não quero entrar em detalhes de todo o caso Jandek, porque penso que a música fala por si, mas as actuações ao vivo foram experiências incríveis e estou realmente orgulhoso da música que fizémos. Obviamente ajudou o facto de o Alex e eu tocarmos juntos já muitas vezes, mas tocar guitarra baixo foi mesmo uma nova experiência.

“Eu já tinha tocado baixo em algumas gravações,” expande-se Youngs, “e fiz mesmo alguns ensaios com [compositor/baixista/pianista escocês de jazz] Bill Wells, comigo no baixo, o Bill na guitarra e a Katrina, dos The Pastels na bateria. Era um grupo interessante porque tocávamos composições já feitas e penso que o fiz porque queria saber como era tocar baixo numa banda e ensaiar e tudo isso. Foi giro, mas cheguei a um ponto em que pensei: já fiz isto. Talvez seja apenas uma reflexo das minhas capacidades sociais, mas sinto-me melhor a trabalhar apenas com uma pessoa do que em grupo. Tocar com Jandek foi algo de especial na medida que foi tocar com uma banda mas não era como estar numa banda realmente. Todas as melhores partes e nenhuma das piores, apesar de saber que não posso ter uma opinião muito abalizada sobre isso pois nunca estive numa banda o tempo suficeiente para me pronunciar com propriedade.”

Talvez Ilk, o grupo que Youngs formou para estender as suas investigações no Rock Progressivo, um género com o qual mantém uma afeição profunda, seja o mais perto que chegou a um grupo rock standard. Formado em 1997 como um novo projecto solo, os Ilk eram de início vocalizados pelo pai de Youngs, Edward, um engenheiro agrónomo, e as letras eram de um amigo e colaborardo, Andrew Paine. Desde então transformou-se num projecto do duo Youngs/Paine, com a dupla combinação pseudo-orquestrail em multipista de guitarra, bandolim, teclados, baixo, percussão e ‘narração’. No seu último trabalho, Canticle, editado de novo na VHF, o duo trabalha em suites pesadas com títulos como “The Weight Of Stars” e “Of Souls (A Pantomime)” em agregações pessoais que apontam para assinaturas temporais complexas e arranjos psicadélicos barrocos com alguma escrita e canções inspirada. Parece muito mais perto das gravações privadas dos contemporâneos solitários como St. Mikael e Dungen do que da pompa sci-fi dos Yes. De qualquer modo, Youngs mantém-se na sua e não recua. “Amo os Yes,” trompeteia ele. “E os Ilk são um tributo terno a todo o género e a toda a música com um grande significado para mim, coisas como os Pink Floyd, Yes, Olias Of Sunhillow de Jon Anderson. Penso que alguma daquela música é extraordinariamente bela e queria cantar-lhe louvores tão directa e não ironicamente quanto possível.

É realmente importante para mim que não exista qualquer ponta de ironia. Se sentir que alguém está a ser irónico não tenho a certeza se o siginificado é aquele e assim parece-me um bocado um desperdício de espaço, não? Temos de ter uma amor genuíno naquilo que estamos a fazer. De outro modo porquê preocuparmo-nos com isso?”

Naive Shaman saíu agora pela Jagjaguwar.

Patrick Raindance de Richard Youngs & Andrew’s Neilson’s saíu agora pela VHF

Canticle dos Ilk saíu agorapela VHF

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