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21.12.09

Renegade – The Lives and Tales of Mark E. Smith


Renegade – The Lives and Tales of Mark E. Smith




Mark E. Smith apresenta neste livro algumas das peripécias por que foi passando ao longo de toda a sua vida com o grupo musical inventado por si: os The Fall.
Os The Fall são uma instituição musical britânica, banda criada no período pós-punk e que desde então apenas conheceu um líder, apesar de ter passado até aos dias de hoje por milhentas formações, num corrupio de músicos sem par.
Existe até um livro que conta a história dos “outros” Fall.
A ideia generalizada é que essa instabilidade acontece devido ao carácter irascível do seu timoneiro.



Ora, aqui Mark E. Smith dispõe-se a desmistificar essa “verdade” apresentando o seu lado da história. Uma história composta por largas dezenas de edições de álbuns de originais, muitos concertos e muitos equívocos.
Segundo Smith, o problema é que os seus companheiros ou pretendiam ser estrelas rock, ou não suportavam a pressão, ou pretendiam obter créditos de coisas que não haviam feito, ou simplesmente as relações degradavam-se com tempo, entre outras razões para as várias cisões verificadas ao longo da história do grupo.
Conta ainda a sua longa luta para manter sempre os The Fall em actividade, a sua exigência na qualidade do seu trabalho, quer artística quer técnica, os muitos baixos por que passou.
Não tenhamos dúvidas que Smith é realmente uma personagem. Com uma personalidade muito forte, traçou desde o início uma estratégia de vida, que passava pela manutenção da banda em actividade, e tem lutado contra ventos e marés para continuar a perseguir esse objectivo.
O livro está escrito numa forma cronológica, acompanhando essencialmente as sucessivas edições dos trabalhos mais marcantes da banda, que comenta, mas servindo isso também para recordar os factos contextuais em que cada uma dessas obras foi escrita, desde a sociedade à política, passando pelo futebol e a sua vida privada (mulheres e família), até à indústria da música e aos livros, telemóveis, drogas e bebida.
Destas suas memórias escritas ressalta um homem que podia ter sido uma estrela rock se quisesse, mas optou por manter a sua integridade pessoal e estética, lutando sempre por mudar e evoluir, fazer a música que gosta e não vender-se à indústria musical, como várias vezes teve oportunidade. Nesta aspecto Mark sublinha até que as editoras ditas independentes são muito piores que as majors, aproveitando-se muito mais dos artistas e explorando-os sem qualquer dose de vergonha., dando exemplos concretos que se passaram consigo.
Também sempre preferiu manter os velhos amigos de sempre, nunca se misturando com a socialite musical, aproveitando aqui para pôr a nu o comportamento de algumas stars, como David Bowie e outros.
Filho de pais pertencentes à classe operária (o pai era canalizador) nunca renegou esse passado que lhe incutiu os valores que ainda hoje mantém e que o têm posto a salvo de todas as tentações que a profissão que exerce proporcionam.
Chama ainda a atenção para a podridão em que o futebol, a música, a política e a sociedade têm caído, por comparação aos tempos em que era criança e jovem, mas sem qualquer mágoa nostálgica, limitando-se a apontar factos indesmentíveis.
E a todos os que sempre o acusaram de suicidário, depressivo, alcoólico, entre outros mimos, apenas responde que enquanto ele ainda por cá se mantém, e em plena forma artística, muitos desses já desapareceram há muito, literal ou artisticamente.
Uma personalidade fascinante que este pequeno livro de duzentas e poucas páginas permite conhecer: Mark E. Smith, o “dono” dos The Fall, de quem o saudoso John Peel não se fartava de dizer serem a melhor banda de rock do mundo.

Citações do Livro

Fiquem agora com algumas citações respigadas ao acaso do livro, por forma a sentirem minimamente o tipo de atmosfera criada pela descrição de alguns factos e opiniões de Mark E. Smith.
“eu sempre acreditei fortemente no casamento. Não há nada pior que viver com uma mulher se não se for casado com ela – pelo menos, segundo a minha experiência. Porque nunca se tem a certeza do que se passa. Sou um conservador com um ‘c’ pequeno nestas matérias. Para começar, não ficas tão lixado – podes dizer, ‘esta é a minha mulher’, e os tipos deixam-na em paz. E ela sente-se bem também.”

“Eu não julgo as pessoas pela aparência. Nunca encontrarás ninguém interessante se o fizeres – essa é a minha filosofia. Qual é o gozo de andar com pessoas que se parecem contigo? Em todo o caso, ninguém se parece comigo. Na realidade são todos iguais – todos diferentes mas a mesma coisa: hippies, góticos e todos os outros.”

“Sempre pensei que na sua pura essência do rock era completamente uma forma-não musical. O rock não é de certeza uma forma de música. Odeio quando as pessoas dizem: ‘Oh. Mas a produção é tão má que nem conseguimos perceber as letras.’ Se é só isso que querem, então deviam ouvir música clássica ou o Leonard Cohen”

“… Foi a mesma coisa com o The Culture Show. Eles entrevistaram-me em Wolverhampton no dia em que fiz 50 anos. Apareceram três deles a olhar como o Mork e a Mindy e o meio-irmão do Mork. Não tinham a mínima noção acerca da banda, nem sequer tiveram a preocupação de ouvir o novo álbum. Faziam perguntas como: ‘O David Bowie também vai fazer cinquenta anos este ano mas eu não o estou a ver a celebrar em Wolverhampton num Domingo chuvoso à noite. Isto é muito à Fall, não é? Celebrar o seu aniversário desta forma? ‘ Quer dizer, que merda de pergunta é esta? Primeiro, eu não sou o David Bowie – é uma comparação sem sentido. E o facto de estarmos a tocar em Wolverhampton é porque simplesmente tínhamos um concerto marcado para Wolverhampton num Domingo à noite”.

Obter mais informação

Este interessante site apresenta dezenas de críticas e classificações aos álbuns mais significativos do The Fall:
http://www.adriandenning.co.uk/thefall.html

Link site official
E o site oficial dos The Fall, muito completo e com uma navegação sóbria mas muito eficiente e cativante. Encontram lá toda a informação acerca do grupo:
http://www.visi.com/fall/



Álbuns importantes dos The Fall (pequena amostra)

Dragnet (1979)



LINK

Hex Enduction Hour (1982)



LINK

Wonderful And Frightening World Of (1984)



LINK (Vídeo)
LINK (disco 1)
LINK (disco 2)

The Fall - 50.000 Fall Fans Can't Be Wrong. 39 Golden Greats (2004)



LINK (disco 1)
LINK (disco 2)

Reformation Post TLC (2007)



LINK







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