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29.6.15

Memorabilia: Revistas / Magazines / Fanzines (92) - Elegy - Nº 32


Elegy
Nº 32
Fevereiro / Março de 2004
Magazine + CD: 7€
100 páginas
um pouco maior que A4 ( a cores - papel de luxo brilhante, peso normal, capa mais pesado)


Einstürzende Neubauten,
Ar Líquido

Os Einstürzende Neubauten reentraram no circuito da Mute depois de terem ensaiado a autoprodução graças ao método de subscrição lançado através da Internet no ano passado. Não se trata verdadeiramente de um regresso ao ponto de partida, pois para este "Perpetuum Mobile", o novo álbum do quinteto, os subscritores terão também a oportunidade de reservar a sua parcela!





Perpetuum Mobile, novo álbum dos berlinenses, é baseado em dois princípios, o movimento, quer espacial quer temporal, daí a forte utilização de instrumentos de sopro. Se antes nos habituámos ao som dos compressores, aqui os prazeres são tornados mais fluidos.
- Vocês voltaram a assinar novamente pela Mute para a saída deste álbum em larga escala. Porquê?
Blixa Bargeld - Simplesmente porque todo o dinheiro da subscrição se gastou na gravação. Não nos restava nada, tínhamos de procurar uma editora, para espanto nosso e mau-grado os nossos anos de experiência nós tivemos que fazê-lo.
- Mas não foram procurar muito longe. Negociaram com Daniel Miller?
. É um facto. Mas, hoje em dia as editoras não têm tanto dinheiro como tinham há alguns anos.
Perpetuum Mobile é uma espécie de diário de bordo; utilizaste as tuas notas de viagem para escrever os textos?
. Sim, utilizei, em parte, as notas recolhidas ao longo das minhas viagens um pouco por todo o álbum.
- Duma certa forma Perpetuum Mobile parece estar na veia do teu Recycled Soundtrack, adicionando-lhe o modo "canção"...
. Não há uma única faixa cantada em Recycled Soundtrack!
- Sim, ams falava da ambiência. Ele está mais próximo, em todo o caso, sem a inércia, de "Ende Neu" do que de "Silence Is Sexy"...
. Não, eu não percebo bem que tu não sejas o primeiro a dizer-me isso, eu não vejo sentido nenhum nessa afirmação. É muito pessoal como abordfagem. Este álbum é muito diferente.
- Que é feito do álbum de Alexander Hacke que devia consistir em gravações de som feitas à volta do mundo, como as gravações de um lago gelado ou de cantos xamãnicos?
. Penso que é melhor perguntar-lhe a ele.
- Sobre o trabalho "Perpetuum Mobile", dizes que levas contigo a tua máquina de vreme gelado invisível, o quer isso dizer?
. De facto, há um erro, é a minha máquina de gelo. Faz parte das coisas com que nós ficamos para sempre, como as ideias. Eu tinha um frigorífico com um distribuidor de cubos de gelo, o que não era corrente na época. Isso fazia-me ficar, então, muito orgulhoso.




- Dizes também ter contigo o teu Zeppelin privado invisível...
. Eu gostaria mesmo de ter o meu próprio Zeppelin. Creio que é um meio de transporte aéreo verdadeiramente muito confortável, e deve ser também muito agradável estar dentro de um Zeppelin, de passar algum tempo dentro dos vapores de álcool no interior de um Zeppelin.
- E isso não será perigoso?
. Perigoso?
- Podes pegar fogo...
. Não, isso não é verdade. O Hindenburg pegou fogo não por causa do gás mas da pintura utilizada no revestimento exterior. Em seguida eles utilizaram - não me perguntes o nome - gás inflamável. Foi o embargo americano contra a Alemanha que os obrigou a usar o hidrogénio. Ah, foi o hélio que utilizaram à frente! A causa verdadeira foi uma tempestade, a nave ficou carregada electricamente, uma vez que tinham virado a âncora contra o sol, o que fez aquecer a camada de laca externa do dirigível. Nos nossos dias, nenhuma espécie de Zeppelin é feito com materiais inflamáveis, pelo menos na sua fase de concepção. (NDR: um estudo da Nasa sobre os detritos confirma o facto que é o invólucro que se inflamou a seguir à tempestade, por causa de uma descarga eléctrostática muito forte da carcaça. A utilização de hélio, ainda que seja menos inflamável que o hidrogénio, não altera nada). Adoraria ter o meu Zeppelin pessoal!
- Com um palco lá montado, não?
. Sim, isso seria muito bom também. E sabes que mais, tu poderias fazer uma actuação lá dentro também. Acho que poderíamos fazer bom material com este cenário.
- Encontramos de novo os metais e as cordas neste álbum...
. Sim, os metais e as cordas têm qualidades particulares que são difíceis de encontrar por um grupo como o nosso, muito baseado nos elementos percussivos. Nós não temos, dessa forma, instrumentos que produzam notas longas, pode ser que isso aconteça neste álbum, onde há muitos instrumentos de sopro (NDR: Blixa reproduz o som da respiração através de um tubo). Em geral tudo é curto. Se tu tocas notas mais longas, tens de fazê-lo com teclados, cordas ou metais.
- Por vezes com a guitarra?
. O quê? O "iiiiiiii"? Sim, é algo que eu faço por vezes.
- Um dos pontos chave da subscrição era que os apoiantes poderiam dar a sua opinião e sugestões sobre as composições em curso. Como correu essa interacção?
. Eu não falaria de interacção. Em todo o caso, eu diria que eles sacrificaram uma grande parte do seu tempo a ser testemunhas do que se passava, eles davam-nos muita atenção. Também faziam muitos comentários àquilo que fazíamos, o que foi de um grande valor, excepcional, mesmo. Mas não chegaria ao ponto de dizer que houve uma interacção, é um mau termo. Eu creio que correspondeu mais ao facto de dar a escutar uma mistura ainda em bruto a amigos, ou de lhes mostrar extractos de textos. E, assim, receber os seus comentários e ideias em troca. Eu tento evitar ao máximo essa palavra "interactivo".
- Porque é um termo da moda, nesta altura?
. Porque soa oco. Ninguém sabe na verdade o que quer dizer.
- Sem esses fãs, vocês teriam editado na mesma a faixa "Ein Seltener Vogel"?
. Sim, a uma certa altura ele seria abandonado.
- Quantas faixas passam o crivo habitualmente?
. Muitos mais, habitualmente. Ficam sempre alguns temas que não chegamos a acabar, mas no caso de "Ein Seltener Vogel", há o facto de conter uma improvisão ao vivo. Ensaiámos depois reproduzir e tentar melhorar o que se passou naquela noite. Acabámos por ir parar a um beco sem saída, aquilo não avançava. Não fazia sentido, não era bom. Estive quase a abandonar esse tema, e disse: "OK, avancemos, ideia seguinte". Mas os subscritores insistiram de tal forma, eles não pararam de nos colocar questões, até que o grupo foi obrigado a reexaminá-lo. "Que há de mau na vossa forma de o tocar actualmente?". "Porque é que isso não avança?". Uma vez analisado o que estava errado, nós fomos capazes então de o continuara tocar, já de uma maneira melhor. Subitamente, houve um clique, e tudo começou a avançar. Agora, estamos contens.
- Tens uma relação particular com os vulcões? Já houve "Armenia" em Zeichnungen des Patienten O.T. e agora "Ein Seltener Vogel", onde é tratado o monte Ararat, que não é muito longe geograficamente...
. Vulcão? Não estou a ver... Em "Armenia" é mesmo uma questão de vulcão. A referência a o monte Ararat saiu assim, de improviso. É o lugar em que possivelmente foi construída a arca de Noé.
- É também um vulcão adormecido...
. Como isso é interessante... Não o sabia.
- Contém também essa noção de desaparecimento, nada é imutável, os dinossauros podem desaparecer... EN não correm um risco de se tornar num no seu percurso?
. Não, nós não nos transformaremos num, felizmente, com a partida de Mufti (NDR: F.M.Einheit), essa ideia desapareceu. Nós não estávamos de acordo sobre o modo como deveríamos considerar as coisas, ele via qualquer coisa de grandioso. Eu não penso que um dia sejamos uns dinossauros como os U2.
- Tu foste sempre um apaixonado pela Astronomia, ou aqui as referências às estrelas têm mais a ver com o Marte Ataca do que com Copérnico...
. Não é tanto assim. O "A vida noutros planetas deve ser difícil" vem de facto de uma conferência de imprensa que demos na América do Suil. Alguém perguntou: "Que pensa da vida noutros planetas?" E eu respondi que ela deve ser difícil, mas eu pensava na vida ela mesma, como ela se apresenta no nosso planeta.
- Onde é que vão tocar aqui em França? Para GrünStuck", a segunda fase da subscrição (que é também o nome do do título final do álbum), vocês deixam entender que irão tocar em locais inabituais)
. Iremos tocar no Bataclan de novo. A respeito de GrüdStuck, é preciso que nos dêm tempo para trabalhar antes de tenatr saber onde terá lugar.

Entrevista de François Marlier





Discografia Seleccionada:
2004 - Perpetuum Mobile
2004 - Supporter's Album 1
2002 - 9-15-2000 Brussles
2000 - Silence Is Sexy
1996 - Ende Neu
1993 - Tabula Rasa
1989 - Haus Der Lüge
1987 - Fünf Auf Der Nach Oben Offenen Richterskala
1985 - 1/2 Mensch
1983 - Ziechnugen Des Patienten O.T.
1981 - Kollaps







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