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26.3.08

O Rock Quando Nasce É Para Todos


JULIAN COPE - JAPROCKSAMPLER / 2007
Depois de se ter debruçado, com bastante sucesso, sobre o Krautrock (ou rock alemão) no seu aclamado “Krautrocksampler”, Julian Cope volta à carga, agora tendo como alvo o Rock Japonês da mesma época (finais dos anos 60 e década de 70).

A estratégia utilizada é a mesma: em vez da cobertura enciclopédica, à laia dos irmãos Freeman em “The Crack In The Cosmic Egg”, Cope prefere basear todo o livro nos seus gostos pessoais, o que, se por um lado implica deixar de fora alguns nomes mais ou menos interessantes, por outro permite uma cobertura muito mais aprofundada dos músicos e bandas tratados.

É assim que todo o livro funciona como um todo coerente, onde o autor faz um enquadramento histórico do país em geral e do movimento “underground” que aí despontou a partir da década de 50. Esta abordagem permite-lhe seguir os nomes e movimentos mais influentes no despontar do movimento musical que é o centro da presente edição.

Julian Cope começa por chamar a atenção para o isolamento total em que o Japão viveu até finais do século XIX, para a sua consequente fácil humilhação pela armada americana do general Mc Arthur, que aí desembarcou, sem resistência à altura, nessa época. Para além disso sublinha-nos o facto de o Japão ser, desde sempre, uma sociedade muito hierarquizada e como isso tornou (mais) difícil o percurso dos jovens músicos “underground” que tentaram acompanhar os sinais dos tempos no pós-guerra. Acresce o facto de um deles ter participado no desvio de um avião na altura o que acirrou ainda mais os ânimos das autoridades, chegando ao ponto de perseguir todo e qualquer jovem apenas por ter cabelo grande.

É neste contexto que Cope nos dá a conhecer a história e histórias dos movimentos surgidos e dos músicos mais marcantes desses movimentos, primeiro como mera reacção e imitação aos grupos ocidentais, que eram recebidos no Japão, nas suas tournées, em completa loucura, e depois, aguns deles, trilhando um caminho muito pessoal e original, temperando essas influências ocidentais com as suas próprias idiosincrasias e do seu país, dando origem a músicas e álbuns completamente originais e plenas de criatividade, que agora, com a divulgação neste livro se tornam de mais fácil usufruto por todos nós, devido à avalanche de reedições que provocou pelas editoras, sempre ávidas e à espreita de uma oportunidade de negócio.

Como dissemos, Cope, depois do enquadramento histórico realçando o isolamento do Japão durante vários séculos, leva-nos numa viagem pelos pioneiros do Japão experimental entre 1961-1969, eco de um movimento ocidental no mesmo sentido levado a cabo por nomes como John Cage, Pierre Henry, Pierre Schaeffer, entre muito soutros. Estamos pois no domínio da música contemporânea, dos pioneiros da electrónica. É-nos contada a história do mais sonante desses nomes, Toshi Ichiyanagi, das suas aventuras e desventuras, do seu entusiasmo e angústias, do seu casamento com Yoko Ono, outro nome da cena que dispensa apresentações. É nessa altura que se faz notado um grupo de artistas, músicos, actores, etc. conhecido por Group Ongaku, que desempenhou um papel central no desenvolvimento do movimento de música experimental da época e de onde, entre muitos outros, despontou o nome de Yuji Takahashi e em que a visita de John Cage ao Japão foi fundamental para a troca de experiências que então se encetou com visitas frequentes entre os dois países.

É nesta época também que dá nas vistas um grupo de activistas, promotores de happenings inesperados e em locais de passagem da população nipónica - o Hi-Red Center, que chegou a transportar a sua as suas actividades até aos EUA. Também a visita e actuação de Stockhausen foi recebida com frenesi e aclamação.

Deixando de lado, embora as ligações sejam inquestionáveis, o avantgarde, Cope realça a enorme influência que os músicos de jazz nipónicos deram ao desenvolvimento do rock “underground”. Ao contrário dos seus pares americanos que na altura tinham, quase todos enveredado pelo Free Jazz, estes viram no emergir da cena rock a oportunidade de marcarem a sua posição dando origem a múltiplos grupos com um toque especial de originalidade e criatividade. E não estamos a falar do Jazz-Rock então emergente também ele no Ocidente.

A influência dos músicos pop-rock ocidentais, tais como os Beatles, que foram recebidos em delírio no Japão, deu origem a um primeiro movimento conhecido por Eleki que os tentava imitar e que deve o seu nome a uma guitarra eléctrica criada pela indústria nipónica de instrumentos, então imberbe, o que obrigava a importações onerosas para os poucos músicos que o conseguiam suportar. Embora essa guitarra fosse baseada nos modelos existentes no Ocidente, foi adaptada e embaratecida, o que provocou que o seu som fosse único e a sua compra por todos os jovens aspirantes ao estrelato.

esta cena Eleki evoluiu depois para o chamado Group Sounds que não era mais que uma espécie de ié-ié requentado e que, se do ponto de vista musical, não deixou muitas saudades, do ponto de vista do incremento do número de músicos e grupos foi extremamente marcante. Muitos dos seus músicos evoluiram e, passada a febre do Group Sounds, formaram verdadeiras bandas “underground” que fizeram história jnão só no rock japonês mas também no rock em geral.

Cope refere ainda a importância da conhecida peça “Hair”, que percorreu praticamente todo o mundo na época e que, apenas no Japão, devido ao método de selecção utilizado, permitiu o agrupamento de inúmeros músicos “underground” nos seus ensaios, durante um largo período, levando a uma enorme troca de experiências entre eles e a fermentação de pares e grupos que se vieram a revelar fundamentais no fenómeno do rock japonês. Irónico é o facto de a peça não ter chegado a estrear devido à polícia ter descoberto umas gramas de erva numa rusga que fez na altura do desvio do avião, acima citado.

Antes de passar à análise dos grupos mais marcantes para si, Julian Cope faz uma referência a uma marcante e visonária personalidade: Ikuzo Orita, primeiro manager da Polydor japonesa e depois transferido para a Atlantic e que permitiu e fomentou a junção de inúmeras bandas e a gravação dos seus trabalhos, além de promover as chamadas super-sessões com músicos de vários grupos, das quais resultaram álbuns fundamentais para a história do rock.

Na segunda parte do livro, Julian Cope traça-nos a história dos, a seu ver, mais marcantes grupos, dedicando um capítulo a cada um deles, a saber:

- Flower Travellin Band

- Les Rallizes Denudés (o seu álbum “Heavier Than a Death In The Family” é uma pedrada que nos deixa KO ao fim da sua audição. Para mim um dos melhores de sempre de toda a história da música. Façam o favor de o descobrir, ouvir e depois digam alguma coisa.)

- Speed, Glue & Shinki

- Taj Mahal Travellers & Takeshi Kosugi

- J.A.Caesar & The Radical Theatre Music Of Japan

- Masahiko Satoh & The Free-Thinkers’ Union

- Far East Family Band

Se nos permitirmos ser simplistas poderemos dizer que os três primeiros se enquadram naquilo que denominaríamos por rock puro, hard-rock, proto-metal, mas sempre com um toque nipónico cativante; os Taj Mahal de etno-ambiente-rock, com os seus concertos de várias horas e nos locais mais díspares do globo; os J.A. Caesar de rock-teatro interventivo à boa maneira dos Floh de Cologne alemães da época; e a Far East Family Band a lança electrónico-sintetizadora, comparável com o que fazia Klaus Schulze, que aliás participou e produziu vários álbuns da banda.

No final o autor dá-nos o seu Top-50, que abaixo reproduzimos e, embora possamos achar alguns dos trabalhos medianos (por exemplo os Blues Creation são hard-rock Led Zeppeliano sem qualquer apelo), aqui se encontram listados muitos dos álbuns mais importantes de toda a hostória da música rock japonesa, tendo Julian Cope tido a preocupação, para além do seu gosto pessoal, de incluir exemplares de todas vertentes musicais que na altura rodavam nos gira-discos dos ouvintes mais esclarecidos.

Top 50

1

Flower Travellin’ Band

Satori

2

Speed, Glue & Shinki

Eve

3

Les Rallizes Denudés

Heavier Than A Death In The Family

4

Far East Family Band

Parallel World

5

J.A.Caesar

Kokkyou Junreika

6

Love Live Life + 1

Love Will Make A Better You

7

Masahiko Satoh & Soundbreakers

Amalgamation

8

Geino Yamashigorumi

Osorezan

9

Takehisa Kosugi

Catch-Wave

10

J.A.Caesar

Jasumon

11

Far Out

Nihonjin

12

Les Rallizes Denudés

Blind Baby Has Its Mothers Eyes

13

Tokyo Kid Brothers

Throw Away The Books, We’re Going Out In The Streets

14

Far East Family Band

Nipponjin

15

Speed, Glue & Shinki

Speed, Glue & Shinki

16

People

Ceremony - Buddha Meets Rock

17

Blues Creation

Demon & Eleven Children

18

Flower Travellin’ Band

Made In Japan

19

Karuna Khyal

Alomoni 1985

20

Les Rallizes Denudés

Flightless Bird (Yodo-Go-A-Go-Go)

21

Masahiko Satoh & New Herd Orchestra

Yamatai-Fu

22

Magical Power Mako

Magical Power Mako

23

Taj Mahal Travellers

Live Stockholm July, 1971

24

Magical Power Mako

Jump

25

Kuni Kawachi & Friends

Kirikyogen

26

Brast Burn

Debon

27

Akira Ishikawa & Count Buffaloes

Uganda

28

Flower Travellin’ Band

Anywhere

29

J. A. Caesar & Shirubu

Shin Toku Maru

30

Gedo

Gedo

31

Les Rallizes Denudés

December’s Black Children

32

Datetenryu

Unto 1971

33

East Bionic Symphonia

East Bionic Symphonia

34

Stomu Yamashita & Masahiko Satoh

Metempsychosis

35

Tal Mahal Travellers

July 15, 1972

36

Toshi Ichiyanagi

Opera Inspired By The Works Of Tadanori Yoko’o

37

Taj Mahal Travellers

August 1974

38

Seishokki

Organs Of Blue Eclipse (1975-77)

39

Joji Yuasa

Music For Theatrical Drama

40

Group Ongaku

Music Of Group Ongaku

41

Far East Family Band

The Cave Down To Earth

42

The Jacks

Vacant World

43

3 / 3

Sanbun No San

44

Blues Creation

Live

45

Various Artists

Genya Concert

46

Toshi Ishiyanagi / Michael Ranta / Takehisa Kosugi

Improvisation Sep. 1975

47

Itsutsu no Akai Fusen

Flight 1&2

48

¡êo (Maru Sankaku Shikaku)

Complete Works (1970-73)

49

Yonin Bayashi

Ishoku-Sokuhatsu

50

The Helpful Soul

First Album

Para (mais que) uma introdução ao Rock Japonês tratado neste livro, podem visitar http://www.inthepines.org/blog/index.php?itemid=190 e regalar-se durante os próximos meses.

Futuramente este artigo será complementado com a história resumida dos grupos mais importantes (acima destacados) e a classificação/recensão dos 50 álbuns do top.






1 comentário:

FLOWER TRAVELLIN' BAND is Rockin' Treasure. disse...

FLOWER TRAVELLIN' BAND came back from a trip!

FUJI ROCK FES08!

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