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9.4.16

Memorabilia: Revistas / Magazines / Fanzines (202) - Crepusculi Aurora - #1


Crepusculi Aurora
#1 - Fevereiro 1998
Fanzine de produção cuidada.
40 páginas encadernadas, A5
Papel branco "grosso" , tudo a p/b, excepto capa e página 2.


Editorial
Inicialmente previsto para sair no Solstício de Inverno do ano transacto, só agora, e devido a atrasos de diversa ordem, sai o primeiro número de Crepusculi Aurora.
A intenção foi, e continua a ser, apresentar uma publicação que represente uma alternativa à cultura de massas e à aridez criativa e espiritual da nossa sociedade, através da divulgação das raízes culturais europeias e de formas artísticas (nomeadamente música, poesia e fotografia) que se enquadrem no rferido espírito da publicação.
Talvez as minhas intenções não tenham ganho forma da maneira que eu próprio mais apreciaria. Mas, mais do que a mim, cabe a vós uma análise crítica sobre esta publicação.
Finalmente, os meus agradecimentos a todos aqueles que tornaram possível a sua edição. Um agradecimento especial ao Rui Resendes, Ricardo Machado, Rui C. e B. Ardo.
Bom apetite!
Luís Couto
Ponta Delgada
Açores


Allerseelen


 Foi em 1989 que Kadmon, depois de uma breve passagem pelos Zero Kama e de ter sido D.J. em Viena, virou-se para a criação pessoal, tendo fundado o projecto musical Allerseeelen. Influenciado pela corrente das músicas industriais - de DAF a Throbbing Gristle - a música de Allerseelen transcende as limitações da música industrial, acrescentando-lhe novas sonoridades (numa entrevista à publicação "Nursery", Kadmon revelou que, para além do seu interesse na música industrial, também ouve muita música do Tibete, de Marrocos e da Idade Média) e um pulsar orgânico, aventurando-se por caminhos rituais pós-industriais.
Allerseelen significa "festa dos mortos" em austríaco. A festa dos mortos é uma festividade celta, celebrada na noite de 31 de Outubro para 1 de Novembro, que marca o início do ano celta. Nesta noite, o tempo não pertence nem ao ano que passou nem ao que se inicia, repetindo-se esta indistinção na ausência de fronteiras entre o reino dos mortos e o dos vivos.
As primeiras obras de Allerseelen foram apresentadas em cassete que, na altura, era um dos principais, para não dizer o principal, meio de difusão de novas sonoridades.
Desta fase ficaram quatro registos: "Autdaruta", dedicado ao xamã com o mesmo nome que perdeu todos os seus poderes mágicos após a sua conversão às crenças cristãs, e que consiste em rituais sonoros criados com instrumentos como flauta, ossos, baixo, sintetizador, lobos e corvos; "Schwartzer Rab", que é o acompanhamento musical de um drama teatral representado em Viena em 1989; "Requiem", baseado na "festa dos mortos" celta; e "Auslese", uma antologia de material apagado (principalmente) gravado em 1989.
"Cruor", editado em Julho de 1994, marca a estreia de Allerseelen em formato digital e é uma antologia que contém o melhor das cassetes anteriormente gravadas, e algumas faixas inéditas. A capa de "Cruor" mostra um santuário subterrâneo de Mithras em Roma e o próprio CD contém uma imagem da divindade Mithras sacrificando um touro.
Fevereiro de 1995 trouxe um novo CD "Gotos = Kalanda". As letras deste álbum foram retiradas de "Gotos = Kalanda", um ciclo de doze poemas espirituais dedicados aos doze meses do ano escritos pelo poeta e ocultista austríaco Karl Maria Wiligut (1866-1946). Estes poemas foram originalmente publicados no Solstício de Inverno de 1937 num pequeno folheto e testemunham um sereno vínculo pagão à terra e à natureza e uma grande confiança no curso da vida. A capa do CD mostra o salão de mármore do castelo de Wewelsburg: um quarto sagrado dodecagonal que se ergue sobre uma cripta também dodecagonal. No centro do quarto encontra-se o símbolo do "Sol Escuro" (Black Sun) com doze raios e doze runas. Este emblema simboliza a realidade invisível que se encontra por detrás das cenas do mundo visível e tornou-se no sinal distintivo de Allerseelen desde 1991.


No passado ano foi editado o terceiro CD - "Sturmlieder" (que também é o título de um dos volumes da fascinante publicação - Aorta - que Kadmon produz, e que trata de bruxas inglesas que conjuraram uma tempestade para prevenir um ataque aéreo alemão durante a 2ª Guerra Mundial) do qual poderão encontrar uma crítica neste número.
Para além dos trabalhos atrás referidos, vários temas de Allerseelen poderão ser encontrados em diversas compilações. Uma lista das participações de Allerseelen em compilações poderá ser encontrada na discografia fornecida no final.


Fora a sua actividade musical, Kadmon produz duas publicações cuja leitura recomendo vivamente - "Aorta" e "Ahnstern" (que não é mais do que uma continuação da referida "Aorta"). Ambas as publicações são bilingues (em alemão e inglês) e reflectem os seus interesses pessoais, misturando geralmente factos com reflexão pessoal. Cada volume de "Aorta" e "Ahnstern" é dedicado apenas a um assunto, apresentando, entre outros, trabalhos sobre o pintor alemão Fidus, as obras de Ernst Jünger sobre a 1ª Guerra Mundial, a artista surrealista Leonora Carrington, cerimónias católicas com origem em celebrações pagãs, o Mitraísmo, a escatologia na medicina e na alquimia, e entrevistas a figuras como o percussionista Z'ev, o realizador americano Kenneth Anger ou a Varg Vikernes (Burzum).
Influenciado pelos escritos e pelas ideias de Antonin Artaud, Friedrich Nietzsche, Aleister Crowley e Julius Evola (para só referir alguns), pelo surrealismo e por realizadores como Kenneth Anger, Jean Cocteau ou Alejandro Jodorowsky (que realizou o filme "Santa Sangre", que inspirou a faixa com o mesmo título, incluída na compilação Im Blutfeuer), Kadmon vê a sua arte como magia, considerando esta como o triunfo do espírito sobre a matéria e, consequentemente, sobre a estagnação.
Kadmon considera-se um trovador "tecnosófico", um trovador que faz uso das possibilidades tecnológicas do mundo moderno, de forma a reatar as cosmologias da antiguidade e da Idade Média. Para ele, uma atitude marcial, totalitária é essencial em todas as áreas da vida: é uma ética essencial para os artistas, para os Homens que buscam a espiritualidade, para todos aqueles que pesquisam debaixo da superfície, sobreviverem no nosso mundo decadente.
No mundo musical e cosmológico de Allerseelen há o encontro do mito com o mundo moderno, da tradição com o "avantgarde", do arcaísmo com a idade nuclear. Tanto o trabalho musical, como o desenvolvido nas suas publicações (que são duas expressões que se completam e enriquecem) fazem parte de um "avantgarde conservador" que projecta uma vitória sobre o materialismo plutocrático por uma nova religiosidade panteísta como existia na antiguidade pagã. Para Kadmon, a arte do futuro, a arte da sobrevivência, consiste em unir de novo os mundos da matéria e do espírito, da natureza e da cultura, do materialismo e da espiritualidade, mundos estes que estão separados há diversos séculos.



Discografia:
1994 "Cruor" CD
1995 "Gotos = Kalanda" CD
1997 "Sturmlieder" CD

Participações em compilações:
"Death Odors 1" com Santa Muerte
"Taste This 3" com Cruor
"Taste This 5" com Konnersreuth
"In Stahlgewittern" com Eiserne Avantgarde
"Im Blutfeuer" com Santa Sangre
"Onore Alle Arti" com Wintersonnenwende
"Knights Of Abyss" com Gibhard In Stahlgewittern
"Mysteria Mithrae" com Bluttaufe
"L'Ordre Et Le Chaos" com Brachmond

Nota: Recentemente, encontrei num catálogo uma compilação de nome "Rieffenstahl" com a participação de Allerseelen, só que não consegui descortinar com que tema participa. Há ainda a acrescentar as quatro cassetes referidas (que, com certeza, já estão todas esgotadas), um split 7" com Blood Axis (que se já não está esgotado, está a caminho de se esgotar) no qual participa com a faixa "Ernting" e a faixa "Sturmlieder" no CD de Mental Measuretech - "Songs From Neuropa".









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