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14.12.13

Livros sobre música que vale a pena ler (e que eu tenho, lol) - Cromo #40: Simon Reynolds - "Rip It Up And Start Again - Post-Punk 1978-1984"


autor: Simon Reynolds
título: Rip It Up And Start Again - Post-Punk 1978-1984
editora: faber and faber
nº de páginas: 577
isbn: 978-0-571-21570-6   ou   0-571-21570-x
data: 2005



sinopse: 



'Nunca esperei que fosse escrito um livro acerca deste tema; Tendo sido, nunca ousaria esperar que fosse tão bom como este é'
Nicholas Lezard, Guardian Book of the Week

O Punk revitalizou o Rock nos meados da década de 70, mas o movimento rapidamente degenerou numa auto-paródia. Rip It Up And Start Again é o primeiro livro de fôlego a celebrar o que aconteceu a seguir:
bandas post-punk que se dedicaram a prencher a interminada revolução musical. 1978-1984 rivaliza com os anos 60 pela imensa quantidade de música fabulosa criada, o espírito de aventura e possibilidades que lhe
infundiu, e o modo como os sons se ligaram inextrincavelmente à turbulência política e social daquela era. Simon Reynolds, o aclamado autor de Energy Flash, recria uma época caracterizada pela extrema urgência
e idealismo na música pop. Juntando relatos de episódios e texto opinativo, preenchido por personagens carismáticas e dissidentes, Rip It Up and Start Again fica como um dos mais inspirados e inspiradores livros
sobre música popular de todos os tempos.

'Um tributo fantástico a um período de criatividade musical maravilhoso... Um clássico pop instantâneo, merecedor de um lugar nas vossas estantes ao lado dos poucos livros sobre música popular que realmente
interessam'.
John McTernan, Scotland on Sunday


Introdução
O Punk passou-me quase completamente ao lado. Com treze anos, a caminho dos catorze na altura, tendo crescido numa cidade de passagem como Hertfordshire, tenho apenas memórias sumidas de 1977 e
tudo-isso. Recordo vagamente fotos espalhadas de punks de crista num suplemento a cores do Sunday, mas apenas isso.
Os Pistols juravam na televisão, 'God Save the Queen' versus o Silver Jubilee, uma cultura inteira convulsionada e tremendista - Eu simplesmente não me dei conta. Como eu estava acima e dentro disso tudo em vez disso - bem, era um bocado tapado.
Foi em 1977 o ano em que eu queria ser cartonista? Ou, tendo ficado obcecado pela ficção científica, será que passei todo o meu tempo a trabalhar na biblioteca local , lendo Ballard, Pohl, Dick? O que tenho a
certeza é que a música pop dificilmente se imiscuiu na minha consciência.
O meu irmão mais novo, Tim, entrou no punk primeiro, uma horrível balbúrdia trespassando a parede do meu quarto. Numa das muitas ocasiões que lá entrei para me queixar, deverei ter desistido. A blasfémia
apanhou-me primeiro (eu tinha catorze anos, ao fim e ao cabo): As frases de Johnny Rotten ' Foda-se isto e foda-se aquilo / Foda-se tudo e foda-se aquele fedelho fodido'. Mais do que as asneiras em si, pensando
bem, era a veemência e virulência com que Rotten as proferia - aqueles progressivos foda-ses, o grunhido demoníaco dos r's rolantes 'brrrrrrrrr'. Houve mil razões/teses a realçar a importância sócio-cultural do
movimento, mas se alguém realmente honesto, o puro monstruoso diabólico do punk foi uma parte importante do seu atractivo. A moléstia dos Devo, por exemplo - nunca ouvi nada tão rastejante e arrepiante e fora de contexto como no seu single de estreia para a Stiff 'Jocko Homo' b/w 'Mongoloid', trouxe para a frequência da nossa casa um amigo muito mais avançado.
Quando entrei a sério nos Pistols e no resto, por volta de meados de 1978, não fazia ideia que estava tudo oficialmente 'morto'. Os Pistols já se tinham separado; Rotten já tinha formado os Public Image Ltd. Devido a ter estado ocupado com outras coisas e ter perdido completamente o aparecimento, vida e morte do punk, também saltei naturalmente a desolação posterior - aquela experiência doentia de queda, em 1978,
experimentada por quase toda a gente que "esteve lá" e acompanhou a par e passo aquele emocionante ímpeto. A minha descoberta tardia do movimento coincidiu com a altura em que as coisas começavam a subir de novo, num movimento que se tornou conhecido como "post-punk" - o tema deste livro. Assim, escutava Germ Free Adolescentes dos X-Ray Spex, mas também o primeiro álbum dos PiL, o Fear of Music dos Talking Heads e o Cut das Slits. Era tudo o mesmo brilho, um surgimento explosivo de excitação.
Os historiadores musicais celebraram ter estado no local certo à hora certa: aqueles momentos e locais críticos quando e onde as revoluções são germinadas. O que é duro para o resto de nós, presos nos
subúrbios ou na província. este livro é para - e acerca - das pessoas que não estiveram lá no tempo e locais exactos (no caso do punk, Londres e Nova Iorque, por volta de 1976), mas nunca recusaram acreditar que
tudo estava acabado e feito antes de terem uma chance de se lhes juntar.
Os jovens têm um diReito biológico de ficarem excitados com os tempos em que estão a viver. Se tiverem sorte, essa urgência hormonal coincidirá com a insurgência de uma era - a tua necessidade adolescente inata
por diversão e crença coincide com um período de objectiva abundância. Os primeiros anos do post-punk - a meia década entre 1978 e 1982 - foram tempos desse tipo: uma fortuna. Eu fiquei muito próximo dela
depois, mas nunca fiquei tão excitado como fiquei nessa altura. Certamente, nunca mais voltei a ficar tão focado nos tempos presentes de cada época posterior.
Da forma que me lembro agora, nunca comprei nenhuns discos antigos. Porque faria isso? Havia tantos discos novos a sair que tu tinhas de ter que não havia nenhuma razão terrena para investigar o passado. Tinha cassetes dos melhores temas dos Beatles e dos Stones, gravadas por amigos meus, uma cópia da antologia dos Doors Weird Scenes Inside The Goldmine, mas era só isso.
Em parte isso devia-se ao facto de a indústria das reedições que nos invade hoje não existia na altura; as companhias discográficas até eliminavam álbuns. como resultado, grande parte dos discos relativos ao
passado estava virtualmente inaceSsível. Mas principalmente isso deveu-se a não haver tempo para olhar para trás, para algo que tu nunca tinhas vivido. Havia tantas coisas a acontecer agora.
Eu não pensava assim na altura, mas, retrospectivamente, como uma época de cultura pop completamente distinta, 1978-82 rivaliza com aqueles anos enfabulados entrte 1963 e 1967, comummente conhecidos
pelos "sixties". A época post-punk certamente rivaliza com os "sixties" em termos de grande quantidade de grande música que foi nesses períodos criada, no espírito de aventura e idealismo que infundiu, e do
modo como a música parecia inextrincavelmente ligada à turbulência política e social desses tempos. Houve uma mistura de ambientes similares, de antecipação e ansiedade, uma mania por todas as coisas novas e
futuristas, acompanhado por um medo do que o futuro nos reservaria.
Não que eu seja especialmente patriota, ou coisa do género, mas é também espantoso como os períodos dos sixties e do post-punk foram PEríodos durante os quais a Grã-Bretanha liderou as ondas da pop. E é essa a razão porque este livro se foca no Reino Unido, mais aquelas cidades americanas onde o punk teve mais impacto: as cidades gémeas e boémias de Nova Iorque e São Francisco; As pavorosas áreas de Cleveland e Akron, no Ohio; cidades universitárias como Boston, Massachussets, e Atenas, Georgia. (Por razões de sanidade e espaço, decidi não sem alguma infelicidade, não lidar com o post-punk Europeu ou a cena profundamente underground mas fascinante da Austrália, com a excepção de alguns grupos chave como os DAF, Einstuerzende Neubauten e The Birthday Party, todos eles com impacto significativo na cultura rock Anglo-Americana). Na América, o punk e o post-punk foram muito menos mainstream do que no Reino Unido, em que se conseguia ouvir os The Fall e os Joy Division na rádio nacional, e onde grupos tão extremos como os PiL chegaram a ter hits no Top 20 os quais, via o programa Top Of The Pops, foram transmitidos para milhões de lares.
Tenho razões objectivas e subjectivas para escrever este livro. Entre as últimas está principalmente o facto de o post-punk ser um período que foi severamente negligenciado pelos historiadores. Há montes de livros
sobre o punk rock e os eventos de 1976-7, mas virtualmente nada sobre o que aconteceu depois.
As histórias convencionais do punk geralmente acabam com a sua 'morte' em 1978, quando os Sex Pistols se auto-destruíram. No extremo mais desleixado - as histórias da TV sobre o rock são particularmente
culpadas - está implícito que nada de consequente aconteceu entre Never Mind The Blocks e Nevermind, entre o punk e o grunge. Mesmo depois do recente boom de nostalgia dos anos 80, aquela década ainda
tende a ser olhada como um desperdício redimida apenas por dissidentes como Prince ou os Pet Shop Boys, e também os REM e Springsteen. Os anos iniciais da década, particularmente, são ainda vistos como
uma época de comédia levada ao exagero - uma era caracterizada por pretensiosos desajeitados, coisas como o vídeo-como-forma-de-arte, por tipos Inglese com olhos pintados e cortes de cabelo ridículos.
Fragmentos da história do post-punk emergiram aqui e ali, habitualmente em biografias de bandas específicas, mas ninguém tentou ir para além da grande fotografia e capturar o post-punk como ele realmente foi: uma forma de contra-cultura que apesar de fragmentada partilhou uma crença comum de que a música podia e devia mudar o mundo.
Sendo tão imparcial e isento quanto possível, parece-me que o longo post do punk até 1984 foi musicalmente muito mais interessante do que aconteceu em 1976-7, quando o punk abancou com o seu
'back-to-basics' do rock 'n'  roll, numa atitude revivalista. Mesmo em termos da sua influência cultural mais abrangente, é argumentável que o punk teve as suas mais provocativas repercussões muito depois de ter
'acabado'. Isso é parte do argumentário deste livro: a noção de que movimentos revolucionários na cultura pop têm o seu maior impacto depois do 'momento' ter alegadamente passado, quando as ideias se espalham a partir das eleites boémias das metrópoles e das cliques hipsters que originalmente são os seus 'donos', e atingem os subúrbios e a província. Por exemplo, a contra-cultura e a ideias radicais dos sixties tiveram
muito maior exposição no mainstream durante os primeiros anos da década de 70, quando os cabelos compridos e o uso de drogas se tornaram comuns, quando o feminismo filtrado através da cultura popular com filmes e programas de TV sobre 'mulheres independentes'.
Outra razão objectiva para escrever este livro é que houve uma grande ressurgência de interesse por este período mais tarde, com compilações e reedições de post-punk que apodrecia em arquivos, e uma série de
novas bandas que tiveram como modelos os próprios sub-géneros do post-punk, como a No Wave, punk-funk, mutante disco e o industrial. Uma nova que não tinha memória de nada disto geração emergiu finalmente - alguns ainda não eram sequer nascidos em 1984, ano em que este livro acaba a sua análise - e acharam o período extremamente intrigante. Apesar de negligenciado por tanto tempo, o post-punk tornou-se um dos poucos períodos de recursos inexplorados para a indústria do retro, inspirando um frenesi de mina de ouro.
Razão subjectiva #1 para este livro é a minha memória dele como superabundante, uma idade de ouro de novidade e originalidade que nos fazia sentir como se viajássemos a alta velocidade em direcção ao futuro. A razão subjectiva #2 relaciona-se mais com o presente. Como crítico de rock, quando atingimos uma certa idade, começamos  a questionarnos se toda aquela energia mental e emocional que investimos naquela
música foi uma coisa sensata. Não exactamente uma crise de confiança, mas uma crise de certezas. No meu caso, isso levou-me a questionar-me quando, exactamente, tomei a decisão de embarcar numa vida em
que levava a música muito a sério. O que me fez acreditar que a música era assim tão importante? Claro que isso foi crescente na era post-punk. Aquela proximidade e simultaneidade apetitosa dos Bollocks dos Sex
Pistols e do Metal Box dos PiL levou-me ao que sou hoje. Mas foi também a escrita na imprensa musical britânica da época desses discos, e de outros como esses, que me formaram - escrevendo sobre a matéria
semana após semana, explorando e testando quão seriamente tu podias levar a audição de música (um debate que continua nos dias de hoje em formas diferentes e outros lugares).
Assim, este livro é em parte uma avaliação do meu eu jovem. E a resposta a que cheguei é...






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