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6.1.15

Memorabilia: Revistas / Magazines / Fanzines (13) - Mondo Bizarre - Nº 17 - Novembro de 2003


Mondo Bizarre
Nº17
Novembro de 2003 (80 páginas)
Revista Trimestral - Portugal

Prosseguindo com a divulgação da Mondo Bizarre...

A apresentação deste fanzine / magazine / revista já foi feito neste post.

Desta vez ficamos com uma entrevista aos Loosers.

Este número é muito rico e, entre outras coisas (se quiserem ter acesso a alguma(s) dela(s), é só apitar por email), contava também com:
. Johnny Cash 1932 -2003 (artigo + discografia seleccionada)
. X-Wife - Electrónica de Garagem (entrevista)
. Matmos - Micrografias Sónicas (entrevista)
. Animal Collective - Ou Neve, Tanto Faz... (entrevista)
. The Silver Mt. Zion Memorial Orchestra & Tra-La-La Band With Choir - Este É O Punk Rock Deles (entrevista)
. Stealing Orchestra - Uma Orqeustra Na Twilight Zone (entrevista)
. Crammed Discs - Para Acabar De Vez Com Os Anos 80 (artigo)



LOOSERS

Números, Cigarros e Disco

Primeiro foi o passa palavra. Depois, um pequeno sururu. Em seguida, o nome Loosers transbordou para fora do limitado círculo de eleitos que acompanha as vanguardas e as últimas sensações. Depois um punhado de concertos electrizantes, os Loosers, trio sediado em Lisboa, edita "6 Songs EP", disco que se revela um falso EP. Tiago Miranda (Voz, sintetizadores) e Rui Dâmaso (baixo) levantam a ponta do véu.

. O vosso nome intrigou-me e tenho uma teoria acerca dele. Como sabem, os computadores não abarcam a derrota pois são feitos de 0 e 1. Não existem sinais negativos. Enquanto que o ser humano tem essa capacidade. Era essa a vossa ideia ao escolherem o nome?
TM - Sabes que este "Loosers" não é o loser comum da falha. É o intermédio entre um e outro. É mais oo desleixe e o relaxe. Mas nunca foi nada pensado, filosófico. Sabes foi tipo... havia propostas... mas como qualquer nome de banda quando as pessoas se reúnem para escolher, cada um trouxe um nome e depois saiu...
RD - Andamos imenso tempo a brincar com isso... com nomes...
TM - Tipo... Blazers, Lazers, Loosers... e ficou.
. Lançaram o "6 Songs EP" com 6 canções e três de bónus. Porquê a denominação EP e não álbum?
TM - A ideia desde o princípio era gravar um EP e pouco mais que isso. Mas depois batalhamos um pouco, mas sempre nos chateamos por não registarmos as coisas. Mesmo gravando os ensaios havia sempre temas que ficavam de fora e de que nós gostávamos muito e tínhamos pena de não editar. E esses três temas são o exemplo disso, entre muitos outros. Entre várias que ficaram gravadas de ensaios, uma foi mesmo retirada de um ensaio, sem grande captação, através de uma câmara de vídeo. E como esse temos outros, temos ensaios completos. Temos álbuns inteiros feitos aí e não nos desagrada por inteiro o tipo de som.
RD - Foram retalhos que nós quisemos aproveitar. O som da sala de ensaio...
TM - Não é uma afirmação tipo "estávamo-nos a cagar para o estúdio". Mas queremos mesmo dar isso ao público. Pois isso faz parte do espírito. De como as coisas surgem para nós. Em termos de gravação e criação. Porque nos ajuda a fazer coisas. Pois ouvimos e vemos o que gostamos ou não.
. Como é que surgiram realmente os Loosers? Algumas pessoas sabem que o Tiago é DJ na Discoteca Lux, que faz (fazia?) parte dos Pop Dell'Arte. Mas em relação ao resto da banda existe um desconhecimento quase total para o público em geral.
TM - Esse trabalho que temos extra-banda acho que tem muita relevância. É tão importante eu ser DJ, como o Rui trabalhar no Teatro Nacional ou o outro elemento não ter emprego.
RD - Nós já tocamos há muito tempo juntos, fosse em outros projectos, mas sempre tivemos afinidades uns com os outros. Mas Loosers é recente, apareceu de repente.
TM - Mas querias saber como surgiu?
. Sim. Como aparecem os Loosers.
TM - Eu não sou de Lisboa, vim para cá há 10 anos e para aí na segunda ou terceira noite conheci-os, e no dia seguinte fomos tocar juntos. E desde aí fomos tocando juntos, sempre a partilhar esta vontade de fazer coisas.
RD - Loosers veio na sequência de umas alterações que houve na banda, na formação. Um vocalista que tínhamos foi-se embora... e nós queríamos sempre continuar. E às tantas surgiu isto. E isto surge numa certa descontracção, este som... quase sem rótulos.
. Pelo que dá para perceber a vivência nocturna influenciou a vossa postura e até a ligação entre os elementos. Como foi chegar ao ponto de terem alguns temas e...
RD - Não houve um trabalho para atingir. Numa altura decidimos mudar. Tomámos uma decisão e mudámos. Eu passei a tocar baixo, o Tiago a tocar guitarra e a cantar. Como se fosse começar do princípio. E a partir daí as cosias começaram a surgir. E a tocar com um amplificador de guitarra ainda, o Tiago com um piano de brincar e as coisas começaram a surgir.
. Como chegaram ao "6 Songs EP"? Sentiram a necessidade de pôr as coisas em disco?
TM - É um pouco como te disse. Íamos gravando as coisas e tínhamos dado muitos concertos. Mas o convite surgiu porque trabalhávamos ali todos e as coisas surgiram por proximidade. E por interesse das pessoas. E nós aceitámos. Porque queríamos fazer isso. Era uma nova etapa, uma nova experiência.
RD - Conseguimos orientar as coisas que era preciso. Fomos gravar a um estúdio, com muitos favores de muita gente, mas lá conseguimos gravar e depois editar e está feito.
. Os Loosers têm um som que facilmente é associado a uma "moda". Acho que vocês p´roprios não fogem a isto. Como gerem isto? Estas ligações? Estes rótulos?
TM - O principal é que eu acho que isto não vai durar muito tempo no sentido em que não quero ser um dinossauro com esta banda. Não me preocupo se estou na moda ou deixo de estar. Faço aquilo que me apetece, o que sentimos vontade. Aquilo que também acontece é que existe uma abertura do público para aceitar outro tipo de coisas e vê-las como canções. As coisas estão a ser aceites de outras formas. Se é moda ou não, não sei. Mas espero que isto possa avançar e não estagnar na fórmula. E daqui paratir-se para outro ponto qualquer.
RD - Mas quando as pessoas nos vêem acho que se baralham um bocado. Quando tocamos ao vivo variamos um bocado e acho que os rótulos se dissolvem.
TM - Não me chateia nada ser rotulado com isto ou com aquilo. Acho que as pessoas precisam disso para te conhecer e identificar. É porreiro quando andam com uma t-shirt dos Nirvana, acho salutar. Todos precisam de se identificar. Mas também não temos procurado aquele som de baixo do disco de 2003. Espero que as pessoas se divirtam a ouvir as coisas e que principalmente as sintam, seja moda ou deixe de ser.
. As pessoas realmente precisam de uma identificação. Como um elo de ligação entre os vários gostos de cada pessoa. Quando falei em moda também gostava de falar em relação ao Tiago como DJ do Lux, que vai servindo como pistas para uma relação entre a banda... Tu sentes o peso da responsabilidade?
TM - Sinto isso a outros níveis que me preocupam mais do que este. Assusta-me esta cidade ser muito pequena e toda a gente saber quem tu és, quem é a tua namorada. Isso acontece em tudo. Mas acho que não tem de haver uma ligação muito directa a isso porque eu posso pôr música, posso ser pintor, ser escritor... não digo que posso ser um fascista e um comunista ao mesmo tempo... se calhar até posso... Mas acho que somos livres de fazer uma data de coisas mas sem que haja uma ligação tão profunda entre umas e outras. Neste caso há que é a música, claro. Mas não deixam de ser coisas distintas, pois aquilo que sinto a fazer uma é diferente daquilo que sinto a fazer a outra. E as duas são boas e gosto de as fazer, mas chateia-me um bocado só no sentido em que... sei que há-de chegar a hora e quando as pessoas fizerem essa pergunta hão-de dizer "é a banda do Rui Dâmaso" e as pessoas hão-de saber... ou espero... espero que isso aconteça.
. Uma das vossas características é a presença em palco. A vossa energia e alegria... É isso que sentem?
RD - É!
TM - Eu acho que sim, que tem sido, porque é verdade que gostamos tanto de o fazer ali, como em salas de ensaios. Gostamos de partilhar essas coisas.
RD - É mesmo o som. Ele transmite-nos imenso. Nós tocamos mesmo muito alto e com os amplificadores altos e a bateria. E mesmo nos ensaios. Aquilo tem muita potência, e o pessoal vibra com isso, provoca algum arrepio...
TM - Mas é um bocado relativo, [há bandas] que tocam muito alto e não dizem absolutamente nada...
RD - Não estou só a falar do volume... O volume conta mas até chegar ao arrepio. Não sei o que quer dizer mas eu sinto-o.
TM - No palco isso passa para nós, mais do que passa o público. Siceramente quando estou a tocar ainda não senti o público assim a vibrar. Mas eu sinto quando olho para os outros elementos e se calhar isso sai para fora.
Gonçalo Castro.





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