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7.12.14

Memorabilia: Revistas / Magazines / Fanzines (7) - Mondo Bizarre - Nº 5 - Novembro de 2000


Mondo Bizarre
Nº5
Novembro de 2000
Revista Trimestral - Portugal

Consegui obter a quase totalidade dos números da revista Mondo Bizarre, que se publicou entre 1999 e 2006, aquando das minhas frequentes visitas à discoteca Carbono. Foi uma revista / magazine gratuita mas muito interessante do ponto de vista do conteúdo. Publicada, a preto e branco, em appel de jornal, formato A4, contava entre os seus colaboradores algumas das maiores luminárias jornalísticas do rock e pop alternativo / indie.
Pela capa que abaixo publico, do seu número 5, poderão aquilatar da variedade de géneros musicais tratados, que eram todos os que se movimentavam nas margens. Cada número, além de inúmeras recensões aos discos que iam saindo, publicava ainda artigos de fundo e entrevistas com bandas / artistas de renome nacional e internacional. Foi uma pena o seu desaparecimento, que só não foi total pois foi mantido um blog: http://mondobizarremagazine.blogspot.pt/, que também já não está muito activo, sendo agora a sua intervenção, muito mais pobre (sem desprimor), feita através do facebook, em: https://www.facebook.com/mondobizarremagazine

Como é habitual, escolhemos sempre um conteúdo para ilustrar o magazine em apreciação, neste caso uma interessante entrevista de Ann Shenton, dos Add N To (X).



ADD N TO [X]
Sexo Analógico e Rock ‘n’ Roll

Este podia muito bem ser o lema dos ADD N TO [X] já que compreende três dos principais interesses dos seus elementos. A propósito do novo álbum “Add Insult To Injury”, marcaram encontro com a imprensa no “Peep Show” da Calçada da Glória. À Mondo Bizarre calhou a sorte de falar com Ann Shenton, a princesa do sexo analógico.

. Até que ponto é que a pornografia influencia a vossa música? Ou será que tudo não passa de um “great rock ‘n’ roll swindle”?
- Sempre tivemos interesse sobre a dualidade homem/máquina, numa perspectiva sexual, e decididamente subscrevemos essa palavra com os nossos concertos. Para nós a sexualidade, o rock ‘n’ roll e a maneira como lidamos com o nosso equipamento analógico não são coisas forjadas. São coisas naturais. No entanto, há tanta gente que se limita a ficar atrás das suas racks de material digital e não faz nada... Tentamos fazer mais do que isso e interagir com as máquinas. Isso pode ser uma experiência bastante sexual. Nós queremos foder com as máquinas.

. Mas quem toma o papel activo?
- É como no vídeo de “Metal Fingers”, a mulher é que está a foder o robot até ele rebentar. Isso é fantástico...

. Por falar nos vídeos, quem é que os faz?
- Somos nós que os dirigimos. Eu tinha uma amiga que era animadora. Nós tínhamos a ideia geral do vídeo, eu desenhei o cãozinho e o resto, ou seja, a mulher com o robot na cama, fomos buscar a uma revista que encontrámos no lixo, em Bruxelas perto do “red light district”. Foi instintivo. Decidimos logo que era isso que queríamos fazer no vídeo. Esse tipo de coisas acontecem-nos com frequência. Por exemplo, um dia, enquanto vagueávamos pela rua, encontrei um Korg MS20 no lixo e se isso não tivesse acontecido, talvez a banda não existisse e eu não estaria aqui. Nós levámo-lo para casa e usámo-lo e achámos que tinha um som fantástico. Se não fosse ele talvez não tivéssemos tentado procurar mais material analógico.

. Alguma vez vos chamaram sexistas, apesar de terem uma mulher na banda?
- Nunca. Só na Internet é que falaram sobre isso por causa da capa do “On The Wires Of Our Nerves”, em que estou deitada numa maca com um sintetizador analógico a sair da barriga, numa situação semelhante à de um parto por cesariana. Houve algum burburinho sobre isso, mas nunca nos chamaram sexistas, exactamente por eu fazer parte da banda e ter consciência do que é certo ou errado. Não sou daquelas mulheres que nega qualquer tipo de sexualidade, mas se acho que as coisas estão a tomar um rumo pobre e estúpido, então não são concretizadas.

. Neste caso, pode dizer-se que é a censora?
- Não propriamente a censora. A banda sou eu, o Barry e o Steve e todos nós temos sentido de humor, mas as coisas seriam diferentes se a banda só tivesse homens.

. As pessoas compreendem o sentido de humor que tentam aplicar ao projecto?
- Pelo facto de haver uma mulher na banda é saudável haver este elemento sexual e, convenhamos, toda a gente está interessada em sexo. Não é só sensacionalismo, toda a gente é programada para ter interesse nisso quer goste ou não. É como estarmos aqui numa sex shop, é o único sítio aberto a esta hora do dia onde podemos mostrar o nosso novo vídeo sem ninguém se escandalizar. (risos)

. A banda já existia antes de se juntarem à Mute. Como é que o Daniel Miller vos descobriu?
- Ele foi ver um dos nossos concertos. Enquanto tocávamos, eu estava sempre a ver se conseguia descobrir ou cheirar o fumo dos seus cigarros, o que queria dizer que ele estava lá e que estava a gostar. Depois ele esteve em minha casa para falarmos um pouco e eu nem sabia que ele era o tipo dos Normal e que tinha escrito o “Warm Leatherette”. Quando ele saiu liguei ao Barry e foi aí que ele me disse que o Daniel Miller era dos Normal. Eu tenho esse disco e adoro-o, mas nem associei a pessoa. Pensei para mim: “Oh meu Deus, ele esteve em minha casa e eu nem sabia...”.

. Aliás, alguma da vossa música vai beber muito a esse tema. Concorda?
- Temos o mesmo feeling. Até certo ponto não podemos fugir muito a isso pois não?... No entanto a Mute veio numa altura importante para nós. A Satellite teve muita coragem em apostar em nós e por um lado sentimo-nos mal em abandonar o barco, mas era um passo que tínhamos de dar para andarmos para a frente.

. Gravaram parte de “Add Insult To Injury” em Sheffield. Também vos interessam todas aquelas bandas míticas dessa cidade – como os Cabaret Voltaire ou Huma League -, que foram pioneiros na utilização dos sintetizadores e material analógico antes de passarem ao digital?
- Sim, aliás Sheffield era a casa dessas bandas. Há uma história engraçada passada lá durante as gravações. Num dos intervalos fomos a um pub e estava lá o Phil Oakey (líder dos Human League) a olhar para as pessoas do tipo “sabem quem eu sou?” e depois apareceu a loira, que se chama Susan, e começou a olhar exactamente da mesma maneira. É impressionate a maneira como ela tem o cabelo da mesma maneira há anos. Parece que pararam no tempo. (risos)

. No entanto, as vossas influências não se ficam apenas por Sheffield...
- Claro que não. Nós ouvimos um pouco de tudo, desde Scott Walker, Wagner, Beethoven, Pierre Henry, Edgar Varese, Country & Western... Eu não gosto muito quando as pessoas são “especializadas” e só ouvem um determinado tipo de música, só vão a um determinado local, só saem com um determinado tipo de pessoas.

. Vocês também tentam transmitir uma imagem gráfica bastante forte. No entanto, a capa deste novo disco é bem menos “analógica” que as anteriores.
- Esta capa tem uma história estranha por trás. Imagina quando encontras no meio da rua uma luva perdida ou um sapato de bebé, ou quando aconteceu um acidente e ainda se podem ver alguns destroços na beira da estrada. Começamos a pensar o que é que aconteceu ali, o que é que se passou. Neste caso, eu e o Steve íamos por uma estrada no meio da noite, eu tinha uma pala na cabeça e de repente o Steve arranca-ma e diz: “tira isso, odeio isso”. A pala voou para os arbustos e ficou um quadro como aquele que te descrevi, do tipo: o que é que aconteceu aqui, será que alguém foi atacado ou...

. Tipo o “Blair Witch”?
- É isso, mais ou menos. O filme é um bocado desapontante, mas depois de o vermos tentámos assustar-nos para ver o que acontecia. Nós vimos o filme o ano passado no dia de Halloween. Fomos até Hamsterkeith, em Londres, e começamos a andar pelo bosque, e eu e alguns dos meus amigos ficámos perdidos, enquanto outros dois amigos estavam a tentar assustar-nos. Essa experiência foi mesmo assustadora, porque se estás num bosque, à noite, e andas normalmente, tudo bem, mas se começas a correr perdes a direcção e aí a ficar petrificado. Mas sentes-te bem. É como nós quando vamos para cima do palco, ficamos sempre petrificados, mas sabe tão bem... O nervosismo e o entusiasmo são coisas semelhantes, depende de como se lhes queira chamar. Quando vou para cimo de um palco fico tão nervosa que me tenho de auto-convencer que estou mesmo entusiasmada. Faço isso e bebo umas quantas vodkas. (risos)

. Como é que transportam o material dos discos para os concertos?
- Mantemo-nos fiéis a nós mesmos. A única diferença é que ao vivo temos que utilizar um sampler, porque muito do material é escrito num Mellotron e não o podemos levar em digressão porque é muito antigo. O nosso pertencia aos Procol Harum, Marillion, e agora pertence aos Add N To (X). Nós até somos membros do Mellotron Worlwide Club. Mas não o podemos levar para os concertos, porque seria a mesma coisa que levar a nossa avó em digressão. Daí que temos que samplar essas partes.

. Hoje em dia está muito na moda os elementos de bandas electrónicas colocarem discos em clubs. Alguma vez fez de DJ?
- Temos um amigo nosso que tem um clube em Londres chamado The Score. Eu fiz lá uma sessão há seis meses atrás e o bar ficou vazio em cerca de 5 minutos... (risos)

. O que é que passou, que fez assustar os clientes dessa maneira?
- Cânticos da Mongólia, Abba, Sex Pistols e a finalizar Black Sabbath, que foi quando a última pessoa saiu...

Hugo Moutinho





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