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13.4.13

Livros sobre música que vale a pena ler (e que eu tenho, lol) - Cromo #27: Alexandre Vargas - "Peter Hammill - Camaleão Na Sombra Da Noite"


autor: Alexandre Vargas (versão, selecção, introdução, entrevista, poema, biblio-discografia e notas)
título: Peter Hammill - Camaleão Na Sombra Da Noite
editora: Assírio e Alvim (colecção Rei Lagarto - 19)
nº de páginas:117
isbn:972-37-0251-7
data: 1990


sinopse:
Peter Joseph Andrew Hammill nasceu no seio de uma família irlandesa, no País de Gales, no dia 11 de Novembro de 1948 (dia de S. Martinho), tendo pois, hoje em 1990, quarenta e um anos feitos. Uma data de nascimento que surgiria posteriormente explicitada na canção «Darkness (II/II)», escrita e gravada muitos anos depois: «Voando em grupo, voando com medo....... perverso Escorpiãozinho...» Tal é então o signo do zodíaco do seu ex-libris, sendo o outro seu signo, o oriental, o do Rato, encontro que, como esclarece Suzanne White no seu livro A Astrologia Chinesa, predispõe um tal nativo a intensa sabedoria...
Falar de Peter Hammill é também falar dos Van Der Graaf Generator, o grupo que, nos finais da sua adolescência, ele haveria de fundar com alguns amigos, quando estudavam na Universidade de Manchester, cidade mais a norte do País de Gales, no condado de Lancashire, com actividade industrial, comercial e marítima intensa, estando ligada por não muitos quilómetros de canal artificial, o Ship-Canal, ao porto de Liverpool, outra cidade obviamente importante para a música popular.
Manchester, com a sua catedral gótica, as suas fábricas de seda, as suas indústrias de algodão e de maquinaria, seria o berço da banda de «The Aerosol Grey Machine», que dava os seus primeiros passos no ano de 1967, constituída já por Peter, na escrita de canções, voz, guitarra acústica e piano, Nick Pearn, Guy Randolph Evans na bateria, e Chris Judge Smith, o qual, tendo sido o primeiro membro do grupo a abandoná-lo, lhe tinha dado o nome, juntamente com P.H. Os dois faziam estudos científicos, Física, Química, Matemática, e nesse ano, tendo falecido, aos sessenta e seis anos, Robert J. Van Der Graaf, o físico inventor de um gerador electroestático que tem o seu nome, resolveram baptizar assim o conjunto em homenagem àquele.
O gerador de Van Der Graaf consegue produzir até quinze milhões de volts e provocar uma faísca de seis metros de comprimento. Um tal epíteto para um grupo de rock não era facilmente assimilável, mas exprimia bem a energia electrizante que os rapazes queriam transmitir na sua música.
A formação original, entretanto, desfez-se no ano seguinte, tendo gravado um single com o tema «Boat Of Millions Of Years», posteriormente incluído na primeira compilação do grupo, «68-71». Peter Hammill viu-se assim, em 1968, a ter de cumprir, a solo, contratos angariados em nome do grupo e arranjando ainda mais alguns. Depois, surge-lhe uma oportunidade de gravar, para a etiqueta Charisma de Jonathan King, um primeiro elepê seu. Encontra-se então com os amigos no estúdio, ara o registo, e propõe-lhes: «Porque é que não nos voltamos a reunir?» Os outros aceitam e assim nasce o primeiro álbum do grupo, «The Aerosol Grey Machine». Na contracapa, Peter explica: «Em Junho, desfez-se a formação original dos Van Der Graaf Generator, por um certo número de razões, entre as quais não se encontrando qualquer conflito de personalidades». E mais adiante: «Não é o mesmo que o velho Van Der Graaf... Por altura de irmos de novo para a estrada, a composição do grupo terá mudado também». Estas mudanças seriam uma constante na vida do conjunto. Com efeito, os músicos eram agora Peter, Hugh Robert Banton nos teclados, Keith Ellis no baixo, e o mesmo Guy Evans. Posteriormente, seria a Keith Ellis que o primeiro dedicaria a canção «Not For Keith», no álbum «ph7», assim como continuaria, até hoje, a compor com Chris Smith, o que mostra que nunca se desligou completamente de alguns dos seus velhos amigos, apesar daquilo que observa no álbum «Chameleon», na canção «Easy To Slip Away». O novo agrupamento separa-se em 1969 e reforma-se pouco tempo depois no mesmo ano, tendo Nic Potter substituído Keith Ellis no baixo, e nele tendo também ingressado David Jackson, nos sopros (saxofones e flautas). Este tinha sido apresentado aos outros elementos por Chris Smith. A banda grava o eu segundo álbum «The Least We Can Do Is Wave To Each Other» (frase que Peter Hammill, nas notas da capa, revela citar de um certo John Minton), que sai no início de 1970. Esta formação contém já os elementos que gravaram o seus mais importantes elepês, embora, no espírito do grupo, desde sempre os seus membros tenham preferido uma posição associativa sem relevância especial para qualquer deles, excluindo mesmo Peter a ideia geralmente aceite de ser ele o líder efectivo, apesar da sua natural posição de destaque devida ao facto de escrever canções, tocar instrumentos a solo, cantar, e a ter muitos discos com o seu nome. Também a banda se habituava a trocar ideias e a fazer uma vida muito próxima entre si. Aquando da dissolução final, em 1978, P.H. afirmou que já não era possível continuarem, devido não apenas às suas idades respectivas, mas também ao facto de o grupo lhes ocupar o tempo todo,para além de as coisas não poderem continuar eternamente. Este segundo álbum continua e aprofunda a saga do primeiro, os seus temas torturados,o que lhes valeria, ao longo das suas sucessivas formações, o serem abundantemente adjectivados por todos aqueles que acerca deles foram escrevendo: «Banda dos Pesadelos», «Antecipação-Loucura-O Cosmos Sonoro», «Motivos de alienação, paranóia, solidão e loucura, sobre uma música furiosa, aterradora e gelada», «Espírito de Ficção Científica», «Música cósmica, angustiada, planante, eléctrica, abissal, dançante, aventurosa, bela, etc., etc...» «Darkness», o belíssimo «Refugees» (onde a voz de Peter se apura até à mais extrema sensibilidade), «White Hammer com a sua ambiência pesadamente medieval e a sua corneta king-crimsoniana ou o lúgubre «After The Flood», também com David Jackson a disparar um solo-citação de tema principal do «twenty-First Century Schizoid Man» do primeiro elepê dos mesmos King Crimson (para além da citação de Einstein), são temas inesquecíveis e clássicos da banda. Entretanto, esta vai dando concertos, o que sempre fizera regularmente, de início inclusivamente inspirados pelo show-happening de Arthur Brown. E, mais para o fim do mesmo ano de 70, é editado o terceiro álbum «H To He, Who Am The Only One», com a fórmula química da transformação do hidrogénio na contracapa junto dos poemas de Peter. Este último escreverá, até ao final de 78, quase sempre os temas musicais das canções e praticamente todos, senão mesmo todos, os poemas delas, interpretadas pelo agrupamento. Nic Potter apenas toca baixo em dois dos temas do disco, «House With No Door» e «Pioneers Over C», tendo abandonado a formação a meio da gravação do mesmo. Nesta, participa pela primeira vez Robert Fripp, guitarrista fabuloso e um dos líderes dos King Crimson, com um solo majestático em «The Emperor InHis War-Room». E em «Killer» David Jackson começa a tornar-se um executante cada vez mais controladamente estridente, evolução que continuaria pelos anos e discos fora, e que a alguém faria dizer que a banda se orientava para uma espécie de delírio free das sonoridades, que seria acentuada especialmente depois da reformação de 75. Aquando da separação definitiva de 78, Hervé Picart escreveria na Best: «Este grupo era o mais belo símbolo dessa violência apaixonada que a poesia e o rock gostam de transmitir.» Realmente «H To H» é espantoso e será seguido em 71 pela, em geral, unanimemente considerada obra-prima da primeira fase, senão de toda a carreira do grupo, o célebre «Pawn Hearts» e os seus três temas magníficos: «Lemmings» (os roedores suicidas das regiões setentrionais), «Man-Erg» e a suite-de-lado-inteiro (muito em voga nos elepês da época.
 
 
 
 
 
«A Plague Of Lighthouse Keepers». Todo o disco é de um nível fantástico, em todos os aspectos, e trata do princípio ao fim da tragédia e divindade da condição humana. Isto é o que a banda sempre fizera, mas nunca, como aqui, levara os paradoxos e os dramas a uma expressão tão inaudita. Todos os músicos ultrapassam o que de melhor se poderia esperar deles: Guy Evans, o baterista de sempre, apura os rufares do tambor e as batidas com precisão milimétrica, tudo isto sem nunca se mostrar tecnicista nem frio. Apenas «gelado», quando os temas a isso se prestam. Hugh Banton, para além dos acordes vertiginosos, é, como de costume, a eminência parda da tessitura sonora desta fase do grupo. Assegura agora o baixo, não só com guitarra mas também com pedais, uma vez que a formação, a quarta, não conta já com a presença de Potter.

Não muito tempo depois, no mesmo ano de 1971, Hammill grtava o seu primeiro álbum a solo, «Fool’s Mate», também com a presença de Fripp e dos restantes elementos do grupo. Aquele será, excepcionalmente, o único músico exterior à banda a ter alguma vez participado nos seus elepês. Aqui, delineia Peter os seus primeiros temas solitários (mas não o terão sempre pacientemente sido as peças dos Van der Graaf?), como «Happy», «Child», «Candle», «Imperial Zeppelin».
Ao longo do ano, o grupo continua nas suas digressões, mas no ano seguinte, 1972, depois de uma actuação no Olympia de Paris, os seus membros decidem dissolver o grupo, enquanto tal, por não considerarem a formação da altura capaz de evoluir.
E assim, durante quase três anos, deixa de existir aquele que, no contexto dos grupos da voga então do «Rock Progressivo», tinha sido o mais estranho e devastador, que (tal como Peter Hammill a solo) manteve, até ao seu desmembramento último, no fim dos anos setenta, um público sempre muito fiel, mas nunca conseguindo impor-se junto de uma audiência mais alargada.
O  mais estranho e devastador, para além do caso especial dos já citados King Crimson, a cuja galáxia agregadora são adjuntos, um pouco, então, como uma espécie de outra face dos Genesis, grupo muito britanicamente interessante na altura, estando os dois Peters, Hammill e Gabriel, como que a um espelho gerador de imagens e sons. aliás, este último, depois de abandonar a banda de «The Lamb Lies Down On Broadway», afirmaria, num tom algo vandergraafiano, que «estar nos Genesis era toda a minha vida e é por isso que eu me integrava neles».
Dois anos depois, em 77, noutra entrevista, interrogado num blindfold test acerca de «Refugees», declararia também: «Vejo muito bem de quem se trata. Conheço bem o Peter Hammill; quando eu estava com os Genesis, nós fazíamos tournées juntos, com ele e os Lindisfarne. É um artista que aceita tomar riscos e que é muito honesto consigo mesmo. Aprecio uma parte daquilo que os Van der Graaf fizeram, mas uma boa parte não me diz assim muito. Digamos pois que gosto deles a 50%... É engraçado, recentemente Johnny Rotten, o cantor dos Sex Pistols, foi entrevistado e escolheu como disco do mês um disco de Peter Hammill, o que decerto ninguém esperaria... Ainda não vi os novos Van der Graaf, mas creio que, em público, os prefiro a Peter sozinho. Nos discos isso não tem uma grande importância; os textos de Peter são muito interessantes; já há bastante tempo que não o vejo, gostava de estar com ele um dia destes...»
Mas, no princípio dos anos 70, a «Galáxia Crimsoniana» incluía grupos fortemente empenhados em explorar as virtualidades dos sons dos novos instrumentos que se iam criando, e dos aperfeiçoamentos dos estúdios e das concepções de mistura que iam evoluindo. Grupos como os Yes, Gentle Giant, Jethro Tull, Third Ear Band, Emerson Lake & Palmer, etc., etc.... constituíam a vanguarda de então.
Em meados de 1973, Petrer Hammill encontra-se a fazer a primeira parte dos concertos de uma tournée dos Genesis, enquanto espera a saída do seu segundo álbum a solo, «Chameleon In The Shadow Of The Night», gravado em Fevereiro e Março desse ano. O disco pormenoriza os interesses do autor na altura. Uma poesia conseguida e apurada na linguagem, um órgão de catedral, um diálogo voz-instrumento (guitarra acústica de cordas de metal-guitarra eléctrica/piano) constante e mostrando intenso drama, uma preferência marcada pelos acordes perfeitos e pelo tratamento sinfonizante dos arranjos, seja, por vezes, acompanhado dos amigos habituais, seja com um acompanhamento simples, o que levou a que alguém apelidasse certas canções suas de «baladas dramático-sinfónicas». A voz continua as costumeiras variações de timbre, do tenor ao barítono, com facilidade enorme. O canto também revela uma mudança camaleónica, ao modificar-se da recitação para a declamação, desta para o murmúrio, o grito e o «chilrear tesserasquizóide»... Uma música altamente expressiva, mas contida, teatral e encenada, ao fim e ao cabo, a sua manifestação artística evoluiu sempre, mas, de certo modo também sempre se manteve em parâmetros assim. Peter fala muitas vezes de si como que ilustrando um exemplo das situações da vida levadas ao extremo do arquétipo e, entre as suas influências principais, podemos encontrar o sentimento trágico de Nietzsche, Beckett e o seu teatro poeticamente absurdo, Shakespeare e Jorge Luis Borges, a quem, já nesse ano de 1973, ele se referia numa entrevista, muito antes daquele estar na moda. Esta fase do «quarto fechado», que aqui se delineia e se irá, de certo modo, aprofundar nos elepês imediatamente posteriores, já a poderemos encontrar também me «The Least We Can Do» e «H To He», especialmente. Tal como nos dois álbuns-solo seguintes, «The Silent Corner And The Empty Stage» e «In Camera», publicados ambos em 74, o quarto fechado começa por perder a sua dimensão cúbica, ao nele se instalar a escuridão, a «Darkness», ficando assim uma casa sem porta. é aqui que encontramos a noite do grande cavaleiro, em que o camaleão irá mudar de cor até esgotar todo o espectro e se revelar branco de Amor na sua síntese quase clownesco-bowiana.
Aqui, a relação com jogos tradicionais, como o Tarot (que se harmoniza) e o xadrez, é fundamental e borgesiana. No labirinto da escuridão do quarto, as casas brancas mostram-se em relação com os cósmicos peões-piões do jogo. Pertencem a uma estrutura aleatória que se bifurca, na obscuridade, através da investida da visão divergente do camaleão-peça que se transfigura, na sua ânsia de luz, em todos os peões-torres fechados, avançando ao longo do salto imóvel do cavalo cavaleiro da noite e dia. Este camaleão de Camelot estende a língua como uma espada e captura o inimigo, as palavras criam o sentido da queda da torre que perfura o negro. Tal como os joyceanos partem, todos os anos no bloomsday, da Torre de Martello (um farol, de certo modo) situada na baía de Dublin, para seguirem depois, acompanhando as horas, a peregrinação cometária de Leopold, a sua odisseia até junto da cama leonina de Molly-Penélope.
Cada casa branca se revela como a abertura de uma objectiva, ao deixar passar a luz por via do tempo que se mostra no quarto escuro dos peões-infantes (quarto fechado onde encontramos tantas vezes as personagens de Samuel Beckett, um Hamm, de Endgame, que fosse o rei Mill da Irlanda). A paragem da queda da luz, a fixação na ponta da língua, a lavagem, são feixes da recepção. O peão muda-se no bispo oblíquo e sabedor, na rainha capturadora e no rei imperador, e projecta a revelação da imagem no escuro, um daguerreotipo bélico, rejeitando a interrogação Hamletiana do negativo.
Gravado seis meses depois de «Chameleon», «The Silent Corner» é publicado três meses depois daquele, sendo P.H., nele, acompanhado também por Randy California, guitarrista dos Spirit.
Entretanto, os outros membros dos Van der Graaf não se perdem de vista entre si e, no mesmo ano de 74, gravam em Itália, com alguns maigos locais (entre os quais Pietro Messina – que Peter Hammill revelou não ser ele mesmo), o álbum «The Long Hello» (trocadilho com o título do romance de Raymond Chandler, «The Long Goodbye»). São Banton, Nic Potter, David Jackson e Guy Evans, que produz as gravações de um free-jazzrock na mesma linha de sempre.
Por sua vez, Peter regista o quinto álbum-solo «Nadir’s Big Chance», assumindo o papel de uma personagem punk que lhe surge, uma espécie de segunda personalidade. É este um álbum mais directo, talvez, que o habitual. Pouco depois, no início de 1975, os Van der Graaf Generator reformam-se. Peter declara: «É a altura apropriada, não só em termos de posição global, como também em termos das nossas próprias posições, não só na medida em que isso nos vai fazer sentir mais realizados, mas na maneira como nos é possível tirar coisas uns dos outros, nesta altura, o que não aconteceu durante os dois últimos anos». Gravam o álbum de regresso, «Godbluff», quatro faixas de um rock-jazz em que o som se tornou mais duro, mais metálico e eléctrico, mais peso e com m ais impacto, perdendo os momentos de evanescência da fase anterior. Um, som muito mais livre se exprime aqui, mais conciso, integrando-se eles cada vez melhor entre si. Hugh Banton perdeu um pouco o seu papel excessivamente globalizante, David Jackson hesita entre um academismo «sui generis» e um som estridente ainda mais eficaz. Peter assume a composição habitual dos textos (menos evidentes, mais densos) e das músicas, e perde o seu receio da guitarra eléctrica que executa agora de uma maneira única, com um limite fluido entre rítmica e solos, a voz ainda mais eriçada.
Esta formação é a mesma que se tinha separado em 72. «Godbluff» sai no fim de 75 e, no início do ano seguinte, outro álbum, «Still Life», por muitos considerado uma obra-prima, equilíbrio perfeito de todas as tendências que, até ele, tinham percorrido o grupo. No fim de 76 é a vez de «World Record», em cujo segundo lado, em «Meurglys III», a banda toca de uma maneira mais dançante que o costume. No entanto, este álbum desilude um pouco alguns, quanto a nós sem grande razão.
A formação altera-se outra vez no início de 77, mais ou menos na altura em que sai o sexto álbum de Peter, «Over», que integra os músicos que irão ser agora os Van der Graaf, embora o álbum tivesse sido gravado no Verão do ano anterior, um mês depois de «World Record». Saíram Jackson e Banton, Evans manteve-se e Potter regressou. Aparece nesta altura Graham Smith, violinista, que toca em duas faixas do disco. É um antigo elemento dos String Driven Thing (com os quais esteve já em Portugal). Numa das canções, «This Side Of The Looking-Glass», Peter utiliza uma orquestra sinfónica, o que fez dizer a Hervé Picart, da Best, que «era a mais bela utilização de uma orquestra jamais realizada por alguém vindo do rock». O álbum é marcado por grande solidão e intimismo e é considerado como um dos seus melhores.
O grupo grava o disco «The Quiet Zone / The Pleasure Dome», onde a presença do violino substitui o sax de Jackson (de modo diferente) e Nic Potter acompanha, como fazia Banton. Evans conjuga-se perfeitamente, como sempre, o que fez alguém uma vez dizer que «basta olhar para a cara dele para se ver logo que é um grande baterista».
Sem Jackson, a música está reformulada, é mais rock, e trata-se de um muito bom álbum. Depois dele, a formação é acrescida de um elemento que cumpre aproximadamente a função de Banton, tocando teclados e violoncelo: Charles Dickie. É esta considerada a formação mais intrigante do grupo.
Em Março de 1977, quando sai «Over» e o grupo com a nova constituição dá espectáculos (onde integra imagens visuais pela primeira vez), Peter afirma: «Dá-me prazer que as pessoas estejam prontas a fazer centenas de quilómetros para vir ver-nos actuar, mas gostaria também que, ao menos, alguns espectadores tenham vindo só para ver o que se passava, e não porque já tivessem decidido que os Van der Graaf eram o seu grupo».
É esta nova e final composição da banda, que se designa agora apenas Van der Graaf, que regista o seu último álbum, o duplo «Vital», gravado ao vivo no «Marquee» de Londres, em Janeiro de 78. Há cinco novos originais e todo ele é tocado com intensidade.
Depois, o grupo separa-se em Setembro do mesmo ano, tendo acabado o seu contrato com a Charisma e estando em situação financeira difícil.
A partir desta altura, Peter prosseguiu a sua carreira a solo, continuando a registar os seus álbuns, por vezes com a ajuda dos seus velhos companheiros e, recentemente, fazendo novas experiências sonoras. Esteve duas vezes em Portugal, com os grupos que foi constituindo, mutavelmente, com os mesmos membros de sempre.
Participou em gravações de Peter Gabriel, de quem é amigo, concretiza actualmente o velho sonho de realizar uma ópera e vive em Bath, no sudoeste do Reino Unido.




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