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26.4.13

Livros sobre música que vale a pena ler (e que eu tenho, lol) - Cromo #28: Ana Cristina Ferrão - "Nirvana - Kurt Cobain"


autor: Ana Cristina Ferrão (Organização, Tradução, Textos e Notas); Prefácio: António Sérgio
título: Nirvana - Kurt Cobain
editora: Assírio e Alvim (colecção Rei Lagarto - 25)
nº de páginas: 141
isbn: 972-37-0171-5
data: 1995


sinopse:


O Dono Da Dor
Kurt Cobain (que bem se pode conhecer como K.C. para os amigos) e os seus dois companheiros Krist Novoselic (guitarrista baixo) e Dave Grohl (baterista) tornaram-se durante algum tempo os portadores na Terra do testemunho da grande Dor.
Dor tão profunda, quão citada do pensamento de Iggy Pop, «... as suas feridas são tão profundas que chegadas à superfície, após filtradas pela alma, se tornam incorpóreas e assim se insinuam nas pessoas.»
Nirvana, assim se chamava o fenómeno saído duma Seattle claustrofóbica e desamada. Se bem que com os outros dois protagonistas, a estrela passava a ser Kurt Cobain, o vocalista, letrista, guitarrista e compositor de quase toda a música que Krist e Dave engrandeciam.
Porque é que se continua a falar em Nirvana?
O que é que vale um simples nome duma banda rock no imaginário de milhões de pessoas mundo fora?
Tudo ou quase tudo!
De tempo a tempo há um artista, seja de que área cultural ou estética que consegue abrir as cerradas fileiras uniformizadas do rock com rajadas de melodia e loucura, de paz e conflito, de encanto e desencanto, silêncio e ruído. Um abrir de alas na turba silenciosa.
«Nirvana era um abanar de estruturas, primeiro com certa timidez e muito no seio do metal, depois descaradamente nos territórios comercialões do rock e porque não da pop?
Era um conto de fadas que teria um final de film noir.
Como verão num capítulo deste volume, muita gente da música e do espectáculo em geral expressou a sua admiração pela proposta sonora de Cobain, Novoselic e Grohl; era afinal o regresso glorioso do formato power-trio, actualizado, com novas forças, afinal o formato que tantas saudades deixara nas linguagens comuns do rock e dos blues.
E depois, que mente atormentada e retorcida a daquele menino Cobain, repleto de feridas fundas e interiores.
Em 1990 a Sub-Pop editava um pequeno single que marcava a estreia do fenómeno, incluindo os temas «Sliver» e «Dive», objecto que logo começou a ser ciosamente guardado por fãs dos primeiros tempos, dj’s de college radios e outros coleccionadores. Pressentia-se que ali havia algo de especial que transcendia o conceito roto de «mais uma banda de rock».
O que era preciso para se conseguir marcar uma década como simples músico? Claro que muita coisa! Capacidade de inovação, força para ser influência, imaginação, integridade. Especialmente ter algo para dizer ou então gritar às pessoas.
O single Sliver tinha tudo isso com o seu refrão teimoso e atormentado «Avó leva-me para minha casa» ou o terrivelmente profético «Dive» com a repetição insistente de «Dive in me, dive in me».
Para os mais ascetas, o Nirvana de «Bleach» seria sempre uma banda underground que granjeava as simpatias de todos os incompatibilizados com o Mundo; sucedeu que o número de gente, naquele estado, era bem mais do que se previa e, principalmente, o talento do nosso Kurt levava-o inevitavelmente a querer «beijar o Céu», tal qual décadas antes o fizera James Marshall Hendrix.
Os Nirvana conseguiram, como por magia, traduzir afinidades marginais em música, em mensagens massivas. Para Kurt tudo era pop, mesmo que alguém lhe chamasse indie punk ou retro classic rock; para ele as canções que compunha eram um bálsamo pop, um prazer privado no encontro com uma linguagem nova, uma libertação via arte, de alguns fantasmas que o perseguiam.
A ilusão do estrelato pacífico chegou com Nevermind e os hinos da juventude «Smells Like Teen Spirit», «Come As You Are» ou «Lithium».
Foi nessa altura que Cobain confessou a um jornalista: «Quem me dera ter tirado um curso de como ser rock star, talvez isso me poupasse uma boa parte dos horrores porque tenho passado.»
Na realidade, no seu caso, a vida não foi fácil. Os papparazzi passaram a persegui-lo e à mulher (Courtney Love do grupo Hole) como se fossem membros de uma família real. Quando o casal teve a primeira filha (Frances Bean) uma reportagem da revista Vanity sobre o envolvimento de Courtney com a heroína, levou a que o Ministério Público lhes retirasse a custódia da criança durante meses.
O Mundo que sempre fora violento para Kurt Cobain, tornava-se intratável.
Felizmente, algumas das feridas seriam saradas com a composição e gravação de In Utero com Steve Albini na produção, o homem que Courtney Love rotularia de «grande sacana», mas que deu a Cobain e aos Nirvana a grande chance de soarem como realmente queriam e de fazer de In Utero um disco repleto de negativas ao fácil e ao previsível.
Na companhia de discos Geffen, as demos de In Utero tinham posto os executivos em pânico, mas a onda Nirvana tornara-se avassaladora e, até um tema com a violência explícita de «Rape Me» se conseguiria tornar num hit-single. Por escassos momentos, Kurt curava-se In Utero, tal qual o fazia constantemente na catarse dos shows ao vivo.
Mas, por pouco tempo.
António Sérgio.



 




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