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21.12.15

Memorabilia: Revistas / Magazines / Fanzines (129) - Música & Som #80


Música & Som
Nº 80
Março / Abril de 1983

Publicação Mensal
Número Duplo
Esc. 150$00

Música & Som publica-se à 5ª feira, de quinze em quinze dias.
Director: A. Duarte Ramos
Chefe de Redacção: Jaime Fernandes
Propriedade de: Diagrama - Centro de Estatística e Análise de Mercado, Lda.
Colaboradores:
Ana Rocha, Carlos Marinho Falcão, Célia Pedroso, Fernando Peres Rodrigues, Hermínio Duarte-Ramos, Humberto Boto, João David Nunes, João Freire de Oliveira, João Gobern, João de Menezes Ferreira, José Guerreiro, Miguel Esteves Cardoso, Nuno Infante do Carmo, Manuel Cadafaz de Matos, Pedro Ferreira, Raul Bernardo, Ricardo Camacho, Rui Monteiro,Trindade Santos.
Correspondentes:
França: José Oliveira
Holanda: Miguel Santos e João Victor Hugo
Inglaterra: Ray Bonici

Tiragem 16 000 exemplares
Porte Pago
72 páginas A4
capa de papel brilhante grosso a cores
interior com algumas páginas a cores e outras a p/b mas sempre com papel não brilhante de peso médio. Neste número, também as 16 páginas centrais a cores e papel brilhante, como a capa.


A Vibração Do Ar
por Eduardo Pais Mamede
Num país pequeno como o nosso, com uma produção musical e uma actividade artística mínima, é natural que as pequenas quezílias estético-musicais ganhem um certo fôlego entre os simpatizantes das diversas correntes musicais, denotando todo o provincianismo que é inerente a este país que, além de situado na cauda da Europa, sofreu, infelizmente, 45 anos de isolamento forçado, acontecendo as coisas, por esse motivo, com dezenas de anos de atraso. Vem isto a propósito de uma certa "guerra" generalizada, aberta ou encoberta, que se instalou desde há uns anos entre os simpatizantes, consumidores e produtores de diversos estilos musicais. Tal como se viveu em política após a legalização democrática, com a partidarização de tudo e todos - só com paralelo com a "clubite" futebolística, sempre moldada por paixões extremas - o ambiente musical é, especialmente após a explosão da "nossa" onda Rock, marcado por um mau-estar provocado pelos sectarismos, invejas, etc., que se manifesta até dentro da mesma área musical. Creio que posso afirmar que não existe nenhum domínio, desde a Música Erudita ao Rock, passando pela Música Popular, o Jazz e a Música Ligeira, em que o ambiente seja de cooperação e ajuda mútua, quanto mais na relacionação destes domínios entre si. Esta situação, aliás, reflecte-se muito bem nos "mass-media", em que cada um "puxa a brasa à sua sardinha", como se "mandar abaixo" este ou aquele fosse fundamental para vender mais ou criar obras melhores. Por mim, sou da opinião que em cada estilo musical se pode fazer boa ou má música e que, quanto mais pessoas houver a fazer música, editoras, estúdios, espectáculos, etc., melhor qualidade haverá, pois esta provém, também, da selecção da quantidade.
E eis-me chegado ao ponto fundamental deste meu artigo - a qualidade. Muito se fala desta palavra, toda a gente a utiliza, usufruindo a seu bel-prazer o peso mágico que este termo encerra. Qualidade... Mas o que é que isto quer dizer ao certo? Tomemos, por exemplo, o caso de um disco. Para se dizer se ele tem ou não qualidade, independentemente do seu género musical, é preciso em primeiro lugar analisá-lo nos seus aspectos técnicos e artísticos. A captação de som com a reprodução fiel dos instrumentos sem saturações nem distorções (corte do acetato), assim como uma prensagem silenciosa e uma impressão correcta e definida das cores e acabamentos da capa, são importantes na definição da qualidade técnica do disco. Em relação à parte artística, temos ainda alguns factores a levar em conta.
Em primeiro lugar, na análise detalhada do material registado, no caso de serem canções, examinaremos inicialmente a unidade letra/música, sua conjugação, a coincidência na tónica palavra/música, etc., e, seguidamente, debruçar-nos-emos sobre os seus elementos. A qualidade poética, a construção dos versos, as palavras utilizadas e a inserção cultural da temática são pontos de análise importantes no que diz respeito à letra. Sobre a música, teremos que apreciar a sua construção tonal, a riqueza ou ausência de modulações, a dinâmica (mudança de andamento, alternância de volumes), a complexidade ou simplicidade rítmica e a harmonização. De seguida, examinaremos a interpretação vocal do(s) artista(s) em relação aos aspectos de afinação, expressividade, timbre, colocação de voz, utilização de portamentos, etc. Um conjunto de pontos cuja leitura é muitas vezes subjectiva, pois tem a ver com a estética de cada um, ou, por outras palavras, com o bom ou mau gosto das pessoas. A produção e os arranjos ou orquestrações são também definidores importantes duma qualidade artística. Assim, teremos que notar que tipo de instrumentação foi escolhido para canção, os contracantos, a dose de utilização da reverberação, os efeitos (delays, harmonizadores, etc.), o equilíbrio dos instrumentos / vozes (mistura), etc. Finalmente, veremos a embalagem do disco (capa), a harmonização com o conteúdo, o arranjo gráfico, as indicações técnicas, as notas explicativas, etc., também importantes para a qualidade artística da obra. Enfim, só depois de toda esta análise detalhada poderemos falar de qualidade ou da ausência dela em relação a um disco.

Entrevista
TELECTU
Jorge Lima Barreto Diz Dos Telectu
"A Linguagem Mais Avançada Que Se Faz Por Aqui!"
Texto e Fotos: Manuela Paraíso




Telectu - subitamente, uma proposta arrojada na predominante mediania da música nova feita em Portugal. Resultante do encontro de dois músicos - Vítor Rua (ex-GNR) e Jorge Lima Barreto (criador da Anar Band) - o projecto TELECTU teve as suas primeiras apresentações na III Bienal de Vila Nova de Cerveira e no II Festival de Vilar de Mouros, após as quais se procedeu à gravação de um álbum, "Ctu Telectu", editado nos fins de 1982. Portador de esquemas construtivos absolutamente inéditos no nosso meio musical, "Ctu Telectu" revela-se como uma alternativa ao cliché da música plastificada, assentando bases na pesquisa sonora por intermédio de esquemas repetitivos. Acerca do disco e do própiro projecto do grupo, registámos as opiniões dos seus autores, numa conversa informal.

M&S - Como é que se proporcionou a gravação deste álbum?
Vítor Rua - Eu e o Jorge convidámos o Tóli e o Dr. Puto - o vocalista - para a gravação do disco. Em Vila Nova de Cerveira, onde ganhámos o prémio da Bienal, fizemos a demonstração de como se preparava um LP. Depois, fizemos a primeira apresentação em Vilar de Mouros, como quarteto, gravámos o disco para a Valentim e agora estamos em duo.
M&S - Portanto, o Tóli e o Dr. Puto funcionaram como convidados para a gravação do álbum... como é que vocês trabalham a nível de composição?
Jorge Lima Barreto - Nós agora mudámos completamente, éramos um quarteto e passámos a duo. Entrámos noutra estética, alterou-se tudo, e não há relação possível entre as duas coisas. O que se fez, foi uma coisa trabalhada durante quase um mês, em Cerveira, todos os dias nós trabalhávamos perante o público, fomos desenvolvendo programas de sintetizadores. O Vítor tocava baixo e preparava estruturas rítmicas com o Tóli... e depois, no estúdio, escolheram-se diversas sobreposições, usando-se vários canais. Em todos os temas, nós utilizámos seis canais cada um. Aliás, há dois temas que são quase metade do disco... a batida é dada por um computador de ritmos, e não pelo baterista.
M&S - Reparei que no disco há duas partes distintas e complementares - uma dada por uma acentuada secção rítmica, a outra por uma pesquisa a nível sonoro...
JLB - ...tímbrica... Claro, essa é a nossa parte principal. De resto, o disco também tende para o rock, porque era mesmo para se encaixar dentro de uma estética rock - utilizava um baterista rock, um cantor... senão, nós nem sequer tínhamos recorrido a isso. Nós agora estamos a desenvolver a outra parte, dentro de uma estética repetitiva...
M&S - Menciona-se no disco que todos os títulos são extraídos das obras do escritor Philip Dick. Isso é relativo a alguma espécie de influência?
JLB - Olhe, por exemplo, a capa do primeiro disco da Anar Band é uma pintura do Abel Mendes e chama-se "Science Fiction". Acabei um volume (que deve estar aí a sair), e estou a fazer um segundo, ambos sobre ficção científica. O Vítor também se interessa, e nós achamos que toda a música electrónica tem relação com a ficção científica. Entretanto, o ano passado morreu Philip Dick, que tem um certo peso como escritor de vanguarda de ficção científica, e nós fizemos-lhe um memorium. Os títulos foram escolhidos também em relação a isso.
M&S - Voltando à gravação do álbum, quando entraram em estúdio vocês já tinham determinados esquemas preconcebidos em relação àquilo que fizeram em Vilar de Mouros, ou tudo funcionou mais numa base de interpretação?
VR - A diferença fundamental entre a actuação em Vilar de Mouros e o disco, é que em Vilar de Mouros as secções rítmicas e os sintetizadores já estavam programados. Na gravação do disco, por exemplo, cheguei a dobrar seis vezes a guitarra, e o sintetizador foi também dobrado. Nas últimas composições somos só nós os dois, eu toco baixo e guitarra e o Jorge toca sintetizadores, em seis pistas para cada um; por isso é como se fossem doze instrumentos; e, além disso, o Dr. Puto duplicava ou triplicava a voz.
M&S - Em relação aos seus trabalhos antigos, acha que têm alguma coisa a ver com o tipo de linha que os Telectu estão a seguir agora?
JLB - Claro, há a própria evolução de um artista. Tal como um pintor, se fizer hoje uma coisa e tiver feito outras anteriormente, com certeza há uma evolução. Ou então não há, simplesmente, evolução. Neste caso acho que houve, nós estamos mais avançados neste momento, até pela tecnologia que temos, que é mais avançada.



M&S - Aliás, vocês propõem-se criar algo absolutamente novo em relação à música que se faz em Portugal...
JLB - Não é propormo-nos... nós já fizemos alguma coisa, não é? Aliás, qualquer disco dos meus é assim - e mesmo em relação ao Vítor, também - o GNR era uma coisa muito nova em relação ao que se fazia aí em matéria de rock. E acho que estávamos indicados para nos encontrarmos os dois.
M&S - Em relação às letras, elas têm algo a ver com as obras de Philip Dick?
JLB - Não, nada. As letras são do Dr. Puto, que teve total liberdade para as escrever. Há uma faixa que é cantada em italiano, outra em inglês...
M&S - Haverá algum tipo de música que vocês ouçam e que, de uma forma ou de outra, vos possa influenciar?
JLB - (apontando uma bela e comprida colecção de discos) Ali está electrónica, daquele lado, etnográfica; depois, música clássica, jazz; além, rock; e ali, jazz clássico. Ouvimos de tudo. Quando nos conhecemos, o Vítor tinha um tipo de audição muito específico de rock - porque ele era um músico 100% de rock - e foi-se abrindo... agora estamos os dois a incidir numa estética repetitiva. No disco há dois temas assim, o "Valis" e um outro, que nós achamos que é a melhor coisa que se fez aí, e que só tem dois minutos - "Martian Time - Slip". Queríamos fazer quase um lado inteiro com essa faixa, mas não nos foi permitido.
Uma coisa que eu gostava de focar, é que os discos de rock que se fazem em Portugal normalmente não são rock: ou são pop ou música ligeira. E, no nosso caso, apresentam-se solos de sintetizador e particularmente de guitarra eléctrica, em que o Vítor Rua se mostra como um caso ímpar no nosso nível instrumental, e no rock não há nenhum que tivesse atingido este nível de qualidade. E ele, particularmente neste disco, está na forma mais exemplar que se pode imaginar. Quem possuir um disco destes tem, com certeza, um exemplo da linguagem mais avançada que se faz aqui, quer mesmo a nível de produção; também a voz, que normalmente é tratada directamente, aqui surge filtrada, incluímos diversos panos de voz... e mesmo os arranjos electrónicos são casos aqui invulgares, nesse aspecto. Mas este disco não é experimental, é formalista, porque nós adoptámos a forma de rock. Claro que há improvisação, como houve em todo o rock, mas a partir de dados iniciais que vieram quer de programas de sintetizador, quer de composições melódicas que n´so adoptámos.
M&S - A vossa música parece-me ter muitos pontos de contacto com a música planante alemã...
JLB - Sim, o rock alemão, pois claro que isso se reflecte, foi o tipo de posição adoptada. Mas a nossa música está mais avançada e tem um sentido mais vanguardista do que a música alemã, porque não é uma coisa só mecânica... é um disco muito mais emocional. Há, por exemplo, improvisações jazzísticas da minha parte, que são incluídas.
M&S - Qual o verdadeiro sentido do nome do grupo, TELECTU?
JLB - TELECTU não tem sentido, é uma palavra semântica. Foi de um poema concreto de Melo e Castro que nós tirámos o nome, CTU TELECTU... como um jogo de palavras, Telectu Ctu... e a palavra em si também não é vazia, tem um sentido poético.
M&S - ...e até pode ser conotada com outras palavras, como por exemplo, INTELECTO...
JLB - Pois, pode-se conotar com diversas coisas, por exemplo, TELE, TELEVISÃO... mas realmente cremos que a palavra tem uma carga tecnológica muito grande. Por exemplo, "água doce" não tem qualquer carga tecnológica, não é? E além disso, "Telectu" tem também uma carga mental, que é importante.
M&S - Acha que as pessoas poderão ser motivadas a pensar, ouvindo este tipo de música?
JLB - Acho que sim, pois claro, e serão motivadas para a procura de outro tipo de música. Você falou em rock alemão, há pessoas que falam em música electrónica, outras em jazz mais avançado... o disco está cheio de referências, é uma obra rica, em si. Qualquer obra que esteja bem organizada convida as pessoas a consultar outras coisas; e coisas superiores, nunca é uma chamada para coisas inferiores. A partir disto, as pessoas só poderão ter o prazer de ouvir coisas efectivamente melhores.

Ouvir TELECTU. Um convite que poderá ou não ser aceite, correndo-se, neste último caso, o risco de deixar passar ao lado um trabalho importante porque inédito no nosso país. "Ctu Telectu" - um trabalho inteligente e ousado e, acima de tudo, DIFERENTE.



Concertos
Durutti Column
Tonight's The Night




Como era de esperar, o público que enchia a sala da Aula Magna da Reitoria, ocupando calmamente sentados, era constituído por adeptos incondicionais das melopeias dos Durutti Column. Não havia curiosos. Só entendidos. Fãs convictos. Cúmplices de um repertório sobejamente conhecido que, num ambiente cool, se começavam a impacientar ligeiramente com os 10 minutos que passavam das 21e 30. Sem grandes alaridos.
A organização preocupava-se com as condições em que o som seria transmitido. E com razões de sobra, dado que a fragilidade extrema, a sensibilidade comovente e as melodias mandraxizadas deste duo não permitem distorsões de sons, brincadeiras na mesa de mistura ou processos tipo vê-se-te-vias tão característicos na maioria dos concertos.
Já há sete meses, em Vilar de Mouros, os Durutti Column tinham constituído um dos momentos-chave do Festival. Vini Reilly, o seu guitarrista solitário, separado de todas as modas ou correntes, transportando atrás de si uma reputação misteriosa, autor de um som de guitarra sublime e de uma música angélica que manipule os sentimentos mais depressivos em nome de uma melancólica sabedoria, e o veterano Bruce Mitchell, responsável por um drumming modelo de concisão espantoso, seriam os nossos guias na histórica noite de um concerto perfeito, cujo único defeito pareceu consistir no set demasiado curto, seguido de dois parcos encores.
Céus, como Vini parecia sobre o palco! Tal uma gazela assustada e receosa, anunciava despretensiosamente os seus temas que ele próprio definia como "maçadores"!... Desde a sua aparição, foi saudado com delirantes ovações por parte de um público incondicionalmente rendido.
E os temas líquidos e cheios de mágoa de album LC começaram a desfilar, em momentos hipnóticos, atravessados por flashes e alucinações, testemunhando a conjugação raríssima de uma força elementar e de uma inspiração extraordinária, sombria, lúgrube e lastimosa. Há noites em que eu gostaria de ter a força de um Gulliver. Para empurrar montanhas. De desventuras, de adversidades, de infortúnios. Mas a guitarra minimalista e lancinante de Vini Reilly tal como uma renitentíssima cicatriz mal fechada, impelia-me a permanecer neste universo de sons sedativos e fascinantes, envolvida naquela perfomance mística e fria no exterior, mantendo paradoxalmente uma chama férvida no seu interior.
Um dos grandes acontecimentos musicais deste ano ainda agora iniciado. E já sabem: o missal é o LC o missal é o LC, o missal é o LC...
Ana Rocha


Entrevista
Vini Reilly
por Manuela Paraíso

A primeira vez que vi Vini Reilly foi no ano passado, em Vilar de Mouros. A impressão que desde essa altura guardei dele, não se modificou muito neste segundo encontro. Reservado mas cordial, oferecendo a ideia de uma profunda fragilidade e vulnerabilidade a par de uma total ausência de vaidade e presunção, Vini não é, afinal, muito diferente da sua própria música, maravilhosamente bela e sensível, emotiva, como uma lágrima morna, e suave, esbatendo-se na névoa clara e delicada de um instante eterno, cinzento.



M&S - Gostaria que começasses por falar sobre o concerto que deste na Aula Magna.
V.R. - Gostei bastante dele, mas houve muitos problemas com o PA, porque não era adequado para a amplificação de uma guitarra, de uma bateria e do piano. O som estava absolutamente terrível... E além disso nós utilizamos amplificadores de som dirigidos para o palco, de modo a que possamos ouvir o que o outro toca, e esses amplificadores estavam em condições ainda piores, e por isso não ouvíamos o que se estava a passar... não tocámos muito bem, juntos. O som estava realmente péssimo, e agora toda a gente nos pede desculpa por esse facto, mas nós já tínhamos explicado o que pretendíamos, bastante antes do concerto. De qualquer forma, e apesar disso tudo, eu gostei do concerto, porque as pessoas se sentaram e OUVIRAM verdadeiramente... gostei disso, foi óptimo. O público tornou o concerto verdadeiramente bom.
M&S - Preferes este público ou aquele que tiveste em Vilar de Mouros?
V.R. - Havia uma mistura maior, no festival. Não me importei com isso, mas acho que preferi o público desta vez. Talvez isso tenha acontecido por causa do lugar ser mais íntimo e o público mais jovem... Senti que me podia expressar melhor assim do que para pessoas mais velhas. Porque essas pessoas são provavelmente apreciadoras de jazz, e não consigo imaginar que elas gostem do que nós fazemos, porque a nossa música não é tecnicamente brilhante ou inteligente... por isso acho que para essas pessoas, a nossa música deve ser bastante maçadora, enquanto para as pessoas mais novas é muito melhor. Elas não se preocupam se tu és um tecnicista, ouvem a música.
M&S - Preferes tocar em clubes pequenos ou em algum lugar específico?
V.R. - Em qualquer lugar. Aborda-se sempre lugares diferentes de maneira diferente. Se estiver num clube pequeno, toco de modo diferente do que toquei, por exemplo, no festival. É sempre diferente. Mas eu não me importo com os sítios onde toco.
M&S - Gostas mais de tocar ao vivo ou de trabalhar em estúdio?
V.R. - São coisas muito diferentes, não prefiro uma nem outra. O trabalho de estúdio é mais criativo e há mais oportunidades de pesquisa sonora, etc. Mas eu também gosto de tocar em concertos, especialmente quando sou só eu e o Bruce, porque todas as notas têm que estar certas, tem que se tocar o melhor que se pode... porque se estás num grupo que tem mais quatro pessoas e tocas uma nota errada, não se nota tanto como se notaria se eu ou o Bruce o fizéssemos... connosco seria demasiado óbvio.






M&S - Mas tu utilizas uma certa improvisação em palco... o Bruce disse que às vezes não sabe que nota vais tocar a seguir...
V.R. - Isso é verdade, nós só ensaiámos duas vezes durante todo este tempo em que tocamos juntos... nunca ensaiamos. Por exemplo, uma das canções que tocámos neste concerto foi escrita três horas antes de termos vindo para Portugal, por isso nunca a tinha tocado ao vivo, e obviamente o Bruce nunca a tinha ouvido... Mas isso é giro porque é espontâneo e o Bruce sabe sempre exactamente o que tocar, sente-o. Nós nunca sabemos o que vai acontecer a seguir. Isso é muito melhor do que ensaiar o tema várias vezes.
M&S - Isso acontece possivelmente porque tu utilizas gravações de caixas de ritmos...
V.R. - Esta foi a primeira vez que utilizei uma gravação de fundo, e provavelmente foi também a última, porque não resultou... Especialmente quando se trata de uma gravação de fundo, é necessário ouvi-la através dos amplificadores, e tal como já expliquei, nós não nos conseguíamos ouvir a nós próprios, e por isso não sabíamos em que parte da gravação nós íamos. Por isso foi desastroso. Nós tocámos seis temas utilizando a gravação de fundo, e depois desligámo-la e continuámos sem ela. Por isso decidi não voltar a utilizá-la.
M&S - Vocês tocaram muito poucos temas de "LC", o único trabalho que foi editado em Portugal. Não te parece que o público português teria gostado que vocês tocassem mais temas desse álbum?
V.R. - Não sei. Há duas formas de encarar isso. Pode-se pensar que, se as pessoas querem ouvir temas de "LC" ou de outro álbum qualquer, podem ouvir o álbum em casa. E se querem ouvir algo diferente e novo, vêm aos concertos, porque muito do material que nós tocamos ao vivo jamais será incluído em discos - quando eu começo a pensar em fazer outro álbum, vão aparecendo novas canções.
M&S - Vocês vão gravar algum álbum brevemente?
V.R. - Acabámos de gravar um, que se tudo correr bem vai ser editado durante o próximo mês, e chama-se "Another Setting". Utilizámos um trompetista em duas faixas, um oboé noutras duas, e parte do material tem um som um bocado clássico, outra parte é experimental, e além disso há também uma sonoridade forte. É muito variável e bastante diferente de "LC". Eu sempre senti que "LC" é um álbum maçador, devido sobretudo ao facto de grande parte dele ter sido gravado no meu quarto de dormir, em casa, com o meu próprio gravador. Utilizei apenas uma caixa de ritmos e duas pistas de guitarra, e não há muito que se possa fazer nessas condições. Não me parece que "LC" seja muito bom... e o primeiro álbum, "The Return Of The Durutti Column" é horrível. Por isso espero que este terceiro álbum seja um pouco melhor, estou um bocado mais satisfeito com ele. Não sei o que o público irá achar dele.
M&S - Tu tiveste um tema teu incluído num disco editado pela companhia belga "Disques Du Crepuscule", mais precisamente "Lips That Would Kiss". Como é que aconteceu o contacto com essa editora?
V.R. - Bem, o Tony Wilson quis arranjar uma distribuidora da Factory Records na Bélgica, e encontrou lá algumas pessoas interessantes... assim, eu gravei esse disco. O trabalho de estúdio foi feito em cerca de meia hora, foi extremamente rápido. "Lips That Would Kiss" foi tirado de um poema de T.S.Elliot, e foi encontrado escrito numa das cartas que Ian Curtis deixou... foi a minha homenagem a Ian Curtis, o vocalista dos Joy Division, que morreu. Foi talvez essa a razão principal porque eu fiz esse disco.
M&S - Conhecias bem Ian Curtis?
V.R. - Não muito bem, mas começámos a conhecer-nos um ao outro e planeámos comprar uma casa juntos para nela fazermos um estúdio.
M&S - Achas que existem algumas semelhanças entre a tua pessoa e Ian Curtis? Tu tens declarado que é suma pessoa depressiva...
V.R. - Não sei, acho que é impossível afirmar-se isso.
M&S - Em que ocasiões costumas compor? Talvez quando estás deprimido?
V.R. - Estou sempre a compor. Posso escrever canções todos os dias, e por isso elas são diferentes porque reflectem a minha disposição momentânea.
M&S - Normalmente, preferes escrever sobre que temas?
V.R. Quase sempre sobre a minha vida pessoal, as coisas que me rodeiam e aquilo que me acontece, e tudo o que é importante para mim. É uma maneira de se dizer coisas que não podem ser ditas às pessoas em circunstâncias normais. Não podes ir ter com as pessoas e dizer-lhes determinadas coisas, é muito mais fácil escreveres uma música sobre isso, porque a ideia é melhor transmitida assim. E, para mim, é mais natural.
M&S - Acreditas que a música é ainda um forte meio de comunicação?
V.R. - Sim, sem dúvida, isso é o ponto fulcral da música. Quando ela deixa de comunicar algo às outras pessoas perde o seu objectivo... não há justificação para ela. E isso estende-se também a qualquer forma de arte.
M&S - Fundamentalmente, o que representa para ti criar música?
V.R. - É o meu meio de expressão, algo de muito natural. Não é nada que eu faça com o objectivo de lucrar alguma coisa com isso, é simplesmente algo que eu não posso evitar de fazer, porque TENHO que o fazer. Porquê? não sei. Acho que é como ter que comer ou que beber, é uma necessidade.



M&S - Creio que declaraste uma vez que ouves sobretudo música clássica e muito pouca música moderna. Sentes-te influenciado pelos clássicos?
V.R. - Não sei ao certo. Acho que nós somos influenciados por tudo, seja de uma forma positiva ou negativa. Se ouvirmos um disco pop absolutamente idiota, até por isso somos influenciados, porque dizemos a nós próprios "Eu não vou fazer nada como aquilo". Portanto, de certo modo, somos influenciados por isso. E eu acho que sou influenciado por tudo. Mas se há vestígios dos elementos, que existem na actual música clássica, na minha própria música, eu sentir-me-ei orgulhoso por isso, embora me pareça que eu não sou suficientemente bom para poder afirmar uma coisa dessas. Acho que a minha música é muito simples e básica, porque os meus conhecimentos de música são muito básicos. Os actuais compositores clássicos fazem-me sentir envergonhado, porque parte da música que eles escrevem é incrível. Mas pelo simples facto de ser apresentada de uma forma particular, utilizando violinos e orquestras inteiras, as pessoas rejeitam essa música. E isso é devido ao facto das pessoas encararem a música pela sua forma e não pelo seu conteúdo. Se se orquestrasse a música que eu faço, as pessoas não a ouviriam sequer. Mas como eu utilizo a guitarra e o piano, isso permite uma audição mais fácil.
M&S - Mas tu disseste que neste teu último álbum resolveste incluir um oboé e outros instrumentos. Será que isso não significa uma espécie de contacto com a música clássica?
V.R. - Bem, parte deste último álbum é como que meio clássico. Eu nunca seria pretensioso ao ponto de afirmar que se trata de música clássica, porque de modo algum é tão bom como isso. Simplesmente, tem um som um bocado clássico, mas de maneira nenhuma é suficientemente inteligente para ser considerada música clássica.
M&S - Preocupas-te, de algum modo, com os problemas sociais em Inglaterra ou em qualquer outra parte do mundo?
V.R. - Sim... por exemplo, é estranho estar aqui a dar esta entrevista ou fazer um concerto.. é bom quando as pessoas nos dão atenção, toda a gente gosta de ser alvo de atenções, mas às vezes gostaria de pedir às pessoas que não levassem a música tão a sério... Embora seja bom ter-se a atenção das outras pessoas, por um outro lado é também chato. Às vezes apetece-me dizer: "Meio mundo está a morrer à fome, e afinal de contas isto é só música." O que é mais importante afinal? As pessoas deviam preocupar-se mais com o facto de meio mundo estar a morrer por falta de comida, e a distribuição do poder económico ser absolutamente estúpida, por exemplo, em Inglaterra, qualquer coisa como 2% da população detém 70% da riqueza do país, e esse tipo de coisas é totalmente absurdo. Eu preocupo-me com o que se passa à minha volta, mas não me parece que eu possa fazer muito contra isso. Afinal o que é que nós podemos fazer? A única coisa que se pode fazer é dizer isso às outras pessoas. Mas sempre que eu tento escrever letras de carácter político ou social, as palavras parecem tropeçar umas nas outras e tudo soa um bocado atabalhoado e a "slogan", e parece que estou a tentar impor as minhas ideias às pessoas... Cada um devia estar consciente dessas coisas ele-próprio. E eu acho que sou bastante egoísta e obcecado com os meus próprios problemas, e por isso escrevo sobre mim e sobre as coisas que me acontecem.
M&S - Acabaste de dizer que a música não é tão importante como diversos problemas sociais - por exemplo, o de tanta gente estar a morrer à fome. Mas disseste também que, para ti, compor música é algo tão importante como comer e beber. Não te parece que para as outras pessoas a música pode também ser tremendamente importante? Por exemplo, ouvir os teus discos pode ser um tipo de estímulo quase vital...
V.R. - ... Esse é um bom argumento... Eu penso que sim, mas não percebo porquê. Talvez isso aconteça porque, por exemplo em Inglaterra existe muita gente jovem que prefere comprar um disco a comer, e por isso não comem durante uma semana para juntarem dinheiro. Por isso acho que deves ter razão. Mas eu não sei porque é que isso acontece.
M&S - Achas que pode existir uma certa identificação da parte das pessoas que ouvem e sentem a tua música, para contigo?
V.R. - Era óptimo pensar isso. Não sei se será ou não verdade, mas se isso acontecesse seria óptimo.
M&S - Falou-se há pouco dos Joy Division. Acreditas na possibilidade de um dia aparecer um grupo capaz de retomar o espírito da música deles?
V.R. - Bem, é difícil de dizer, porque no momento actual (e eu estou a falar unicamente da situação em Inglaterra, obviamente porque é com ela que eu tenho contacto), há muitos imitadores dos Joy Division, e são todos muito, muito maus. Não se pode imitar pessoas como eles. Nunca haverá outro Ian Curtis, e essa foi uma das razões porque os Joy Division mudaram o nome para New Order quando Ian morreu. O que eles hoje fazem é totalmente diferente do que faziam os Joy Divison. Os New Order actualmente têm muito êxito e estão muito distantes do estilo e espírito original dos Joy Division. T~em um tipo de música muito própria e válida. São pessoas únicas e muito talentosas... e também há muitos imitadores deles. No último álbum dos New Order, que vai ser editado possivelmente dentro de um mês, eles mudaram de direcção uma vez mais, e consequentemente todos os imitadores ficaram para trás, e hão-de estar sempre um passo atrás. Não deixa de ser divertido. Mas ao mesmo tempo é deprimente ver que as pessoas têm necessidade de imitar porque não conseguem criar algo próprio. E isso é justamente o que está a acontecer em Inglaterra, no music business. A música continua a estar nas mãos dos "businessmen", e isso é muito triste. A única coisa que eu vi, e que me pareceu interessante, foi, para dar um exemplo, um disco de Marvin Gaye chamado "Sexual Dealing", que está a ter um enorme sucesso. Esta música é do último álbum do Marvin Gaye e de certo modo tem muito a ver com a música de um grupo que são os Orchestral Manoeuvres In The Dark, que são um grupo post-punk de música electrónica. O que parece estar a acontecer agora é uma fusão entre a músic apost-punk electrónica feita em Inglaterra baseada na soul-disco americana. Há agoar um tipo de música baseado em sintetizadores programáveis por computador, e para além disso utilizam-se técnicas de estúdio que se costumavam usar na música reggae, e obtém-se esta estranha combinação de coisas que agora está a evoluir e a dar lugar a uma forma de música bastante excitante. É a única coisa nova, que ainda dá algum sinal de vida, que eu ouvi de há algum tempo para cá. E uma das coisas mais excitantes é que um dos melhores produtores deste tipo de música, nos Estados Unidos, é um homem chamado Arthur Baker, e os New Order foram a Nova Iorque para trabalhar com ele. Talvez daí apareça alguma coisa nova. Estou bastante curioso para ouvir o resultado. Para além disso, não há nada de novo na música inglesa. Na minha opinião, é tudo bastante maçador.
M&S - Porque é que deixaste de trabalhar com o produtor Martin Hannett?
V.R. - Fundamentalmente porque eu pretendia um maior controlo. O novo álbum foi produzido por mim e por um engenheiro, porque eu queria obter maior controlo sobre o som total. Muito frequentemente acontece que entre o que é gravado e o que se ouve no fim, após a mistura, não há grandes semelhanças. O produtor pode mudar tudo. O que está errado. O Martin Hannett é muito bom nisso, mas eu não queria que as coisas se processassem dessa maneira. Pretendo uma maior honestidade, de modo a que o que as pessoas ouçam no fim seja o mesmo que eu gravei. Foi por isso que eu deixei de trabalhar com o Martin.
M&S - Bruce Mitchell disse-me que a capa de "LC" é a reprodução de uma pintura da mulher dele. Achas que existe uma identificação entre a tua música e as capas de "LC" e de "The Return Of The Durutti Column"?
V.R. - Acontece que eu gosto de artes visuais, especialmente de pintura, mas sou ignorante a esse respeito. O meu pintor preferido é um francês de quem usei três quadros na capa de "The Return Of The Durutti Column". Quando eu fui a casa de Bruce para lhe pedir que tocasse bateria comigo, reparei nos quadros pendurados na parede dos quais eu gostei muito, mas não fiz nenhum comentário a esse respeito, nem lhe perguntei de quem eles era. Mais tarde soube que a Jackie, a mulher dele, que tinha deixado de pintar algum tempo antes, recomeçou a pintar quando ouviu a minha música, porque isso fê-la ter vontade de pintar outra vez. Houve como que um encontro das duas mentes, e eu pedi-lhe imediatamente que fizesse a capa de "LC". Além disso, ela também fez a capa de um disco editado na Bélgica, "Two Triangles", e está a fazer a capa do novo álbum. Há realmente um relacionamento espiritual, e isso é óptimo.
M&S - Tu referiste-te à pintura. Tens algum tipo de interesses, para além disso e da música?
V.R. - Sim, eu gosto muito de ler. Provavelmente o meu autor preferido é Graham Greene. Gosto também de fotografia, e acabei de comprar um carro, porque adoro guiar. Mas essencialmente, o que aprecio mais é a música. Sou realmente obcecado por música.
M&S - Achas que existe relação entre a música e outras formas de arte?
V.R. - Sim, sem dúvida. Uma das coisas que eu espero poder fazer é escrever o guião de um filme, o qual está agora a ser estudado. E acho que a música completa um filme. A imagem faz com que a música soe melhor, e a música faz com que a imagem pareça melhor. Complementam-se uma à outra. E isso acontece também no caso do teatro, da pintura... Uma das coisas que eu gostava de fazer era realizar uma exposição dos quadros de Jackie, utilizando a minha música como complemento sonoro. Tenho montes e montes de música que nunca será editada em disco, é o material que eu componho no meu quarto. Por isso gostaria de gravar todo esse material que nunca há-de ser editado, numa bobina, e utilizar essa gravação numa exposição das pinturas de Jackie. Acho que isso resultaria muito bem, foi uma ideia que nós tivemos recentemente.
M&S - Gostarias de fazer um filme ou vídeo para ilustrar a tua música?
V.R. - Sim, mas não saberia como fazê-lo (ri-se). É uma ideia gira, mas para isso teria que trabalhar com especialistas de vídeo.
M&S - Gostava que me falasses sobre o teu trabalho com Bruce. Como é que aconteceu o vosso encontro?
V.R. - Foi bizarro, porque ele vive a curta distância das instalações da Factory Records e eu nem sabia disso. Um dia, quando eu estava na Factory, queixei-me de não conseguir encontrar um baterista com quem eu pudese trabalhar, e que fosse original. O único baterista que me ocorria era Bruce, que tocava na banda Alberto Y Los Trios Paranoias, e eu achava-o um músico incrível. Pensava que nunca haveria possibilidades de ele vir tocar bateria comigo. Aconteceu que eu mencionei isto, nesse dia, quando estava na Factory, e Alan, um homem que trabalha lá, telefonou imediatamente ao Bruce e disse-lhe "Vini Reilly vai aí agora. Vais ficar em casa?". Então eu dei a volta ao quarteirão e fui a casa dele, e quando lhe perguntei se queria trabalhar comigo ele disse-me imediatamente que sim. Desde essa altura tudo tem sido perfeito, não há outro baterista com quem eu possa trabalhar.
M&S - Não achas que é espantoso como duas pessoas tão diferentes uma da outra, como são tu e Bruce, podem trabalhar juntas de uma forma tão harmoniosa?
V.R. - Acho que é precisamente por causa dessa diferença que tudo resulta tão bem. Eu estou a viver em casa do Bruce até ter a minha própria casa. Por isso, além de trabalharmos juntos, nós vivemos juntos, e mesmo assim de maneira nenhuma nós temos discussões ou rixas. E eu acho que isso é devido precisamente ao facto de nós sermos tão diferentes e de ele   Acho que essa é a única explicação. Há uma grande ligação entre nós.
M&S - Que idade tens?
V.R. Idade? (ri-se) A isso não respondo...
M&S - OK, é tudo. Obrigada.
V.R. - Obrigado eu.
Manuela Paraíso 


Alguns artigos interessantes, para futura transcrição:
. Blancmange - "Galinhas Computorizadas", artigo por Fernando Neves
. Altered Images - "A Reinvenção Do Pop", artigo por Célia Pedroso
. Laurie Anderson - "A Ciência Da Iniciação", artigo por Amílcar Fidélis
. ABC - entrevista por José Maria Corte-Real
. Syd Barrettt - artigo por Manuel José Portela
. Japan - "(Un)quiet Life", artigo por Manuela Paraíso
. Discos em Análise:
.. Blue Oyster Cult - «Extraterrestrial Live" [CBS 22203], por Nuno Infante do Carmo
.. Depeche Mode - «A Broken Frame» [MUTE 609302], por Célia Pedroso
.. Peter Hammill - «Enter K» [Mercury 6302215], por Carlos Marinho Falcão
.. Go-Go's - «Vacation» [Illegal Records ILP 85961], por Célia Pedroso 




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