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14.1.16

Memorabilia: Revistas / Magazines / Fanzines (151) - Pop-Clube #8


Pop-Clube
(Trap-Magazine)
Apartado 54 Almada
Director: Juvêncio Pires
Nº 8
Dezembro 76 / Janeiro 77

15$00

Director: Juvêncio A. Pires
Administrador: Luís Vieira
Propriedade: Juvêncio Pires e Luís Vieira
Chefe de Redacção: Carlos Lobo
Redacção: Rua Luís António Verney, 19 1º-Dto. - Cova da Piedade
Administração: Rua Dr. Julião de Campos, Nº 9 R/C, Almada

36 páginas A4 - papel fino um pouco brilhante p/b. A excepção é a capa que é de papel brilhante mais pesado e a cores.




AREA
Ao Vivo Na F.I.L.E A Boa Música Ao Serviço Do Povo
De entre os muitos artistas de renome internacional que participaram activamente na realização da grandiosa festa do Avante, saliente-se o grupo italiano - «AREA».
A sua actuação era aguardada com grande expectativa. Dadas as qualidades musicais por eles demonstradas através dos seus trabalhos em disco, colocando-os como um dos grandes na música rock contemporânea. Assim ansiava-se a todo o momento a chegada da hora prevista, mas eis que o tempo foi passando e os «AREA» não apareciam, enquanto um enorme coro de vozes gritava: «Area! Area! Area!...», e o palco permanecia vazio até que alguém veio esclarecer o imenso público sobre o que se passava. Foi então anunciado que era impossível a actuação dos «AREA» nesse dia (sábado dia 25 de Setembro). Devido ao facto de não ter havido tempo suficiente para transportar o material que os acompanhava, como também para o instalar devidamente em palco. Perante tal situação foi pedida a maior compreensão por parte do público, que apesar de tudo se manifestou decepcionado e desiludido. No entanto, no dia seguinte seriam dados dois espectáculos pelos «AREA» como estava programado. Diferindo apenas nos dias e os esclarecimento estava dado.
Parte do público que estava presente abandonou o recinto. Apesar de a festa ter continuado com outros artistas, mas a realidade é que os «AREA» eram a grande atracção para o público mais jovem que compareceu em massa a esta festa.
No dia seguinte, pouco antes do início da primeira actuação dos «AREA» marcada para as 15 horas, deparávamo-nos com um ambiente extenuante, onde milhares e milhares de pessoas vindas de todas as partes do país, enchiam por completo todo o recinto interior da F.I.L. e zonas exteriores de acesso às entradas, criando um clima pesado e tenso, quase irrespirável e intransitável, mas tudo decorria sem quaisquer problemas dentro dum sentido cívico digno de realce.
A hora desejada aproximava-se e o local onde se encontrava o palco, sobre o qual o grupo actuaria, estava repleto de gente de todas as idades, cuja participação na festa era transmitida por uma vivacidade, uma força, um sentimento de luta e uma unidade digna de um povo que quer libertar-se definitivamente das amarras da opressão e da exploração, sobre o palco podia-se ver todo o enorme conjunto de colunas, amplificadores, instrumentos musicais, microfones, fios, etc.... como uma amostra exterior e ao mesmo tempo a certeza de que os «AREA» iriam lá estar presentes.


Depois de uma breve apresentação sobre o grupo e a sua música, feita pela sua compatriota Io Apoloni, os elementos dos «AREA» entram em palco um por um, tomando as perspectivas posições junto dos seus instrumentos por entre as palmas e assobios, e o ruído ensurdecedor dos «AREA» em terras de Portugal.
Os instrumentos são afinados e em seguida dá-se início à sua exibição que, de exibicionismo nada teria, pois o grupo actuando como um todo homogéneo não punha em evidência qualquer um dos seus elementos. Não utilizava quaisquer artifícios comerciais para conquistar um público como a maior parte dos grupos rock fazem uso em festivais alienatórios e burgueses. Antes, demonstram sim a consciencialização de um trabalho positivo e válido dentro duma linha revolucionária, assente na plena liberdade de execução em que o rock progressivo da sua música é acentuado pelas palavras progressistas dos textos. Os «AREA» tentaram fazer desta nova música uma poderosa arma de luta, em prol das classes menos privilegiadas, que aqui correspondiam activamente com aplausos incansáveis que só por si demonstravam a sua extraordinária actuação, mesmo perante o insólito incidente surgido na bancada central - devido à elevada potência da música que provocou alguns distúrbios auditivos nos ouvidos de um assistente, o qual se exteriorizava através de gestos de dor, sendo alvo das atenções e de especulações da maior parte do público. Não quebraram no entanto a boa harmonia em que se desenrolava a actuação. Actuação em que a música do grupo é elaborada através da pesquisa de novos sons electrónicos com base essencialmente nos instrumentos de teclas (órgão, moog, sintetizador), reforçados pela guitarra eléctrica de P. Tofani que em «Setembro Negro» obtém solos magníficos e pela voz inconfundível do grego D. Slatos que por entre as mais variadas simulações vocais transmite-nos um sentimento de revolta, de dor, e de angústia de um povo oprimido, atingindo o seu mais alto valor em «Comgta» cantada em grego e dedicada a este povo.
A determinada altura os instrumentos param e D. Slatos com P. Farizgllo, põem-se a comer maçãs em frente aos microfones produzindo sons estranhos o que cria um ambiente invulgar e ao mesmo tempo interessante, mas o seu gesto posterior quer consistiu em partilhar estes frutos com o público, enviando-os para a assistência, exemplifica a sua tomada de posição, revelando um espírito de camaradagem e de solidariedade com o povo português. Ao terminar executaram um arranjo extraordinário da «Internacional» que teve o acompanhamento do público, sob um clima vivo e revolucionário, no auge de uma festa em que demonstraram a força que os une e ao mesmo tempo a solidariedade para com todos os povos oprimidos e para com o movimento internacionalista proletário.
Em resumo assistiu-se à presença de um grupo em que a sua qualidade musical e criatividade conseguem erguer uma estrutura musical servindo simultaneamente as necessidades e os objectivos tanto dos jovens como das massas trabalhadoras. O que é importante!!
Domingos Manuel Santana




Rock Alemão
Tangerine Dream
Este é um dos grupos que podemos considerar iniciadores do chamado «Rock Alemão».
As formas musicais por eles exploradas alguém chamou de espaciais ou cósmicas, decerto devido ao ambiente de misteriosa serenidade que compõem.
As influências principais destes músicos andam à volta dos trabalhos dos Pink Floyd, principalmente de «Ummagumma».
Os Tangerine Dream iniciaram-se em 1970 com a apresentação do álbum «Electronic Meditation». Nota-se neste primeiro trabalho uma procura de recursos musicais que os seus aparelhos electrónicos podem emitir em número quase infindável.
Nesta obra encontrámos Klaus Schultz que prefeiru uma carreira a solo, diga-se em verdade prometedora e convincente. Restou na formação dos T.D. os seus actuais elementos: Edgar Froese, Chris Franke e Peter Baumann.
O seu segundo trabalho foi «Alpha Centaury» saído em 1971 e a sua sonoridade base é idêntica ao anterior. O mesmo som planante apoiado em acordes harmoniosos mas pouco melódicos, o que torna difícil a sua audição.
O álbum seguinte foi um duplo de nome «Zeit» que ocupa uma faixa completa. O padrão musical é na essência o mesmo dos anteriores acetatos e do seguinte: Os efeitos sonoros, de maior ou menor evocação natural, de calma, suscita visões de sonho ao ouvinte atento. No ano seguinte, o de 1973, gravam «Atem» que termina esta fase de pesquisa musical e simples emissão sonora. É a partir daqui que nos aparece o álbum que chamou a atenção os T.D. - «Phaedra», em que a criação de melodia base, própria ao devaneio dos Moog Synthesizer perfeitamente dominados pelos executantes, torna-a admiravelmente agradável às primeiras audições.


Esta característica é aperfeiçoada e aumentada na produção do ano posterior - 1975.
Em «Rubycon», obra referida, as oportunidades concedidas aos Synthesizers e violas eléctricas «VCS3» até aí despercebidas, acentuam-se.
A criação de um ritmo bem compassado a apoiar a livre instrumentalização mantém um clima de paz interior e leveza espiritual que cativa o ouvinte menos receptivo a esta forma musical. Entretanto, chegou-se ao ano de 76 e, até aqui, os T.D. apenas possuíam obras de estúdio, aliás compreensível pois a produção destes sons ao vivo é tarefa muito difícil, exigindo um domínio perfeito das aparelhagens e uma compenetração bem apurada. Mas os T.D. iniciaram e levaram à prática uma gravação ao vivo já este ano. E curiosamente é um trabalho de excepcional técnica e grandeza musical.
Os T.D. puseram em palco o mesmo, ou melhor até, que tinham posto em estúdio. Nesta produção nota-se contudo a aproximação a uma som mais tradicional, a saliência do piano e por vezes da viola é maior que nos trabalhos anteriores. O álbum não se denomina «Line» mas sim «Ricochet» aludindo ao balanço sonoro conseguido, por vezes lembrando ecos e repercussões sonoras.
Desta escola musical podemos salientar Edgar Froese que pôs no mercado dois álbuns a solo. O primeiro é um trabalho experimental e que é limitado à produção de efeitos aquáticos essencialmente. Saído em 74, é um trabalho bastante curioso mas sem grande interesse musical. Tem o nome de «Aqua», simplesmente!
O segundo lançamento «Epsilon in Malaysan Pale» vindo a público este ano, é diferente em relação ao primeiro. Possui uma estrutura simples mas com situações de exuberante suavidade, uma melodia constante e muito bem harmonizada. Uma obra-prima dentro da música erudita que facilmente entrará no gosto dos mais sensíveis apreciadores da mesma.
Os Tangerine Dream, um dos grupos mais importantes dentro da música erudita, tem um largo horizonte a descobrir e mostrar a todos aqueles que a aceitem. E serão muitos!
José M. Abreu






Jimi Hendrix
O Homem, O Músico, O Mito
Local - Seattle, Washington.
Ano - 1942.
Lucille Hendrix, esposa de James Hendrix, dá à luz aquele que viria a ser um dos expoentes máximos da música americana contemporânea - James Marshall Hendrix, conhecido entre nós como Jimi Hendrix.
Passando grande parte da sua infância em Vancouver, onde frequentou a escola primária, James foi guiado nos primeiros passos musicais, por seu pai, organista na Dunlap Baptist Church.
Com doze anos de idade já Jimi James toca guitarra acústica, notando-se no adolescente, tendências para tocar com a mão esquerda.
Em Seattle Jimi frequenta a Garfield High School, embora nunca ponha a música de lado.
Em 1959, quando tinha 17 anos, Jimi convence o pai a assinar os papéis do alistamento militar voluntário.
Assim entra para a 101ª Divisão de Páraquedistas. Parte o pé e algumas costelas no seu 26º salto, sendo por isso afastado do serviço militar.
Entre 1963 e 1964, depois de uma longa convalescença, Jimi desloca-se ao sul da América fixando-se então em Nova York.
Em 1965 já tinha trabalhado com Ike e Tina Turner, Little Richard, Joey Deee, Jackie Wilson, James Brown, Wilson Pickett, B. B. King, The Isley Brother e Curtis Knight and the Squires.
É então que ele forma o seu próprio conjunto ao qual dá o nome de «The Blue Flames».
Em 1966 Jimi James aceita um lugar como principal guitarrista de John Hammond Jr., o que o levou a criar nome, mesmo entre a «elite» dos grandes músicos, a qual incluía Bob Dylan, The Beatles e The Animals.
Foi este lugar que o levou a ter uma visita fortuita de Bryan «Chas» Chandler, o baixo dos Animals, que depois de uma longa conversa o presenteou com um bilhete para Londres, algum dinheiro e a promessa de um encontro com Eric Clapton.
Alguns dias depois da partida do filho, o Sr. Hendrix, recebe um telefonema em que aquele lhe dizia que ia ser transformado numa super-estrela, e que a partir daí iria ser conhecido como Jimi Hendrix.
É em Londres que Jimi grava o seu primeiro álbum «Experience», que tendo o nome do conjunto formado por Jimi Hendrix nessa cidade, obteve grande êxito na Europa, principalmente com as canções «Hey Joe» e «Purple Haze».
Também nos E. U. o grupo não se manteria desconhecido, assim nos dias 16 e 18 de Junho de 1967, actua no Monterey Pop Festival. É aqui que pela primeira vez, Jimi se apercebe de tudo o que pode fazer com uma guitarra eléctrica.
Ainda em 1967 o grupo «Experience» fez uma tournée pelos E. U. com os «Monkees», o que não foi uma ideia brilhante, pois os fans dos «Monkees» não estavam preparados para a sensualidade selvagem da música de Jimi Hendrix.


Depois de 12 espectáculos, o grupo desiste da tournée e Jimi volta para Inglaterra onde a sua popularidade se mantinha.
Em 1968, com Buddy Miles na bateria e Bill Cox como baixo, Jimi forma outro conjunto: «The Band of Gypsys», tendo actuado no Filmore East em New York.
Em 1970 Jimi Hendrix atravessa um período de grande revalorização para a sua música:
Na Primavera e Verão fez várias tournées na companhia de Mitch Mitchel e Billy Cox, em Agosto tocou em Inglaterra no «Isle of Wight Festival», depois de ter estado acordado toda a noite com Eric Barrett para a abertura do seu próprio estúdio de gravação: Electric Lady Sutdios em Nova York.
Na Ilha de Wight a sua actuação foi bastante má, o que foi tomado como indicativo de depressão ou de declínio das suas habilidades.
Tentamos com esta pequena biografia dar vida àquilo que apelidámos de Jimi Hendrix - O Homem, O Músico, O Mito.
Quem foi Jimi Hendrix?
O que é que ele representava para as pessoas que trabalharam e viveram com ele? O que era para Jimi a música que ele tocava?
É a tudo isto que vamos tentar dar resposta nos próximos números.
Judite Cid






Cascais Jazz 76

1º Espectáculo
Sexta - 21,30
Com uma reduzida afluência de público esta primeira noite do Cascais-Jazz, revelou-se «fria» (o habitual), apesar do bom «naipe» de músicos. Com os Swing Machine, aliás experientes músicos, o ambiente não se modificou, a não ser na actuação «a solo» do baterista Sam Woodyard, que trouxe um toque de bateria, carregado dos melhores sentimentos de jazz. Com Swing Machine; Gérard Badini - saxofone tenor; Raymond Fol - piano; Michel Gandry - contrabaixo e Sam Woodyard - baterista, o público não reagiu.
Com Martial Solal, que veio substituir o grupo brasileiro Index de Marcos Resende, que à última hora cancelou o contrato, ressentiu-se fortemente a indiferença do público.
Com problemas técnicos, Gil Evans demonstrou uma virtuosidade pianística, mas a orquestra de que é leader, não se encontrava a si própria, pouco homogénea.
Com a onda de tédio que se tinha generalizado, a noite fria tornou o jazz frio.

2º Espectáculo
Sábado - 21,30
I - O Espectáculo
Passavam alguns minutos das 21,30 quando Luís Villas-Boas deu início à 2º sessão do VI Cascais-Jazz. O público ocupava quase por completo o pavilhão.
O programa compunha-se de Rao Kyao c/ trio, Betty Carter c/ seu trio e a completar a sessão actuaria o quinteto do saxofonista Sonny Rollins.
Embora o programa da 1ª sessão tenha sofrido algumas modificações este foi rigorosamente cumprido neste capítulo, já que na fase inicial a coisa não «andou» lá muito bem e já veremos porquê.
Rao Kyao com trio iniciou a sua actuação. Formavam o trio, António Pinho da Silva em piano acústico e eléctrico; Jean Sarbib em contrabaixo e George Brown - bateria. Rao no sax confirmou em absoluto a sua classe de músico conseguindo «solos» de muito boa qualidade e desenvolvendo magnificamente os temas. António Pinho da Silva teve bons apontamentos embora não demonstrasse aquela exuberância que tem de existir no som afro-americano. Sarbib teve uma participação discreta. Mas no tocante a George Brown tudo foi nau, revelando-se um bateria sem a menor capacidade de execução, não procurando acompanhar o trabalho dos seus companheiros, Brown parecia que estava a tocar só para ele quando o trabalho a realizar era de conjunto.
Este pormenor teve o condão não só de estragar a actuação de Rao como também provocar no público uma certa frieza que se veio a manter durante toda a sessão. Até onde iria Rao se tivesse tido músicos de qualidade a apoiar o seu esforço?
Seguiu-se depois um pequeno intervalo e foi a vez de surgir em cena Betty Carter acompanhada por: John Hicks - piano; Dennis Irwin - contrabaixo e Clifford Barbaro - bateria. A actuação de Betty fez com que parte do ambiente frio que existia no Pavilhão. Ela revelou uma capacidade interpretativa muito pessoal conseguindo expressar na sua voz todas as «nuances» existentes nos temas, chegando ao ponto de imitar o som de um instrumento. Ao contrário do primeiro grupo Betty contou com o apoio dos seus músicos os quais revelaram para além duma técnica de execução bastante apurada demonstraram uma perfeita ligação de esforços prova bem evidente de um trabalho seguido conscientemente pois só assim é que se poderá construir algo de positivo.
Pouco passava das o horas quando começou a actuação do prato forte da 2ª sessão deste VI Cascais-Jazz era ele: Sonny Rollins e o seu quinteto composto por: Michael Blieden Wolff - piano acústico e eléctrico; Aurell Ray - guitarra eléctrica; Donald C. Pate - contrabaixo; Fender e Edward Moore bateria.
E na verdade a expectativa não foi iludida Sonny Rollins em sax-tenor demonstrou em Cascais a sua inegável classe construindo temas e desenvolvendo-os magnificamente conseguindo efeitos de rara beleza, aqui o jazz a brotar límpida e objectivamente numa execução correcta. Um excelente trabalho dos restantes elementos com especial destaque para Edward Moore que na bateria foi excepcional.
O certo ar frio que durante a maior parte do concerto existiu, dissipou-se completamente com a actuação de Sonny o qual executou extra-programa um outro tema que foi bem a apoteose final desta 2ª sessão da 6ª edição do Festival Internacional de Jazz de Cascais o que de certo modo não deixou frustrada a molde imensa de público que se deslocou ao Pavilhão para ouvir o som afro-americano, que teve altos e baixos.
II - Nota À Margem
Cada Cascais-Jazz passa por ser uma luta contra tudo e todos e sobretudo denota a «teimosia» de Luís Villas-Boas em divulgar a música afro-americana em Portugal.
É certo, é normal e sobretudo humano que esta realização encerre algumas limitações, mas qual será a realização que não as tenha isto mesmo em países com melhores condições do que nós para se efectuarem acontecimentos do género.
Só é de lamentar que certas pessoas confundam (?) Música com snobismo e que aproveitem estas reuniões para dizerem aos amigos ou amigas que também no Jazz em Cascais e «que aquilo foi porreiro pá» quando efectivamente a  música que ouviam não lhes dizia nada. Aliás quando perguntamos a uma certa pessoa como estava a achar o festival, a resposta foi esta «sabem, eu não gosto de jazz»! É triste, não acham? Até quando continuarão a existir casos destes?
José Salvador





Música Portuguesa
Coordenação de: Artur Vaz

Banda do Casaco - Autobiografia
Começámos há pouco mais de dois anos e parecem passados dois séculos.
É o fruto que teremos de trincar pelo caminho que escolhemos, mesmo que seja verde o fruto.
De início logo se pressentiram as dificuldades, grupo formado para registar em disco grande uma obra previamente escrita: «Dos Benefícios Dum Vendido No Reino Dos Bonifácios».
Éramos de procedências tão diversas e distintas, cheios todos de boas intenções, o que nem sempre é tudo como é sabido.
Do Plexus vinham o Carlos Zíngaro, o Celso de Carvalho e o Nélson Portelinha.
Da Filarmónica Fraude, o Luís Linhares e o António Pinho.
Da Música Novarum, a Judo Brennam e o Nuno Rodrigues.
Da Gulbenkian, a Helena Afonso.
Da casa de seus pais, o José de Campos e Sousa.

 Muitos, fizémos muito num LP que nos agradou especialmente fazer. Um erro neste trabalho (entre outros que haverá por certo) reconhecemos agora ao olhar para trás: No excesso do gozo de realizar fomos levados - inconscientemente é facto - a formas de música e texto menos fáceis, mais «invulgares» no nosso nacional panorama de música popular, se acaso este existe.
Se por um lado, tal proporcionou à crítica palavras que nos agradou sobremaneira ler e ouvir, já no público, por outro, causou estranheza e distanciação que em nada beneficiaram a banda.
Um de nós disse uma vez sobre isto... «Dos Malefícios Dum Vendido No Reino Dos Bonifácios».
Junte-se ao exposto contra a posição marcadamente anti-partidária do grupo (como grupo), posição que, aliás, é princípio que se mantém e manterá enquanto a banda for do Casaco.
Tudo isto conduz à receita ideal para atingir o ponto mais alto no gráfico instituído das dificuldades caseiras.
Não há lamentos: Se assim quizemos, como poderia havê-los?
Há apenas pena, é pena que assim cá seja.
Mas teimosia era connosco e acreditámos. (Já é preciso ser-se teimoso para acreditar!...).
E as dificuldades pressentidas foram-se concretizando.
Alguns saíram, quase todos.
Luís Linhares forma o «Pedra e Cal» e grava.
Helena Afonso, além da Gulbenkian tinha agora aos «Segréis de Lisboa».
Nélson Portelinha, desaparece.
Carlos Zíngaro segue no Plexus e nos «Cómicos».
Judi Brennam regressa a Londres.
António Pinho e Nuno Rodrigues (excessivamente teimosos nos seus propósitos de acreditar), vão escrevendo, entretanto, novo álbum - «Coisa Do Arco Da Velha» - e voltam a perguntar-se: com que Banda?
Restavam eles, restava o Celso. José Campos e Sousa vagueava Europa adentro.
Apesar de tudo, com as preciosas ajudas de vários músicos, volta-se ao estúdio e o LP vai tomando forma.
É então que se encontrava nova constituição para o grupo.
António Pinho, Nuno Rodrigues, Celso de Carvalho.
Cândida Soares, surgida a cantar nos ensaios lá em casa.
Mena Amaro, vinda duma sinfónica qualquer coisa e sequiosa de fazer algo.
José Campos e Sousa, o bom filho a casa torna.
Armindo Neves, revelado excelente guitarrista tem passagem meteórica pelo grupo;
Aqui descoberto, daqui o levam para o «1111» onde o «Roque» proporcionará o vil metal.
E persistem sempre os problemas. Como actuar? Como estarmos «vivos»?
Sabemos que há que exigir de nós próprios condições técnicas que não defraudem seja quem for: nós, a música, o público.
Que aparelhagem? Que dinheiro? Que ajudas?
Dificuldades caseiras de quem não faz «Roques» ao fim-de-semana.
Até que tudo se resolva será preferível a Clausura por mais triste que a nossos olhos nos apareça.
Seguimos, sofrendo as consequências, mas como queremos, na desvantajosa viagem que margina a partidarite. Mas acreditar em nós próprios é já vantagem, como o é acreditar na saída que terá de haver. Caso contrário confirmar-se-á: a anti-cultura está instituída e estatuída.
Simplificámos os processos de trabalho, temas de maior acesso e adaptámos de tradicionais portugueses: desejo que vinha desde a Filarmónica Fraude à Música Novarum.
Não é, ainda (não será a nossa meta), um álbum fácil, mas, seguramente, estável e tal importa para que seja, ao menos, eficaz - mais próximo de quem ouve.
Como nos «Benefícios...» ficam nele respostas por dar. É intencional.
Competirá ao ouvinte «Compor» o que falta como se um jogo fosse.
E é-o de facto. A música popular terá de ser como um jogo onde todos participem: quem a faz, quem a divulga, quem a ouve, quem a critica.
Banda do Casaco





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