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15.1.16

Memorabilia: Revistas / Magazines / Fanzines (152) - Option #27


Option
Music Alternatives
JUL/AUG  1989  No. 27
$3.00

USA
132 páginas
interior - papel brilhante fino profusamente ilustrado com imagens e fotografias e com muitos textos de artigos de fundo, críticas, etc.
papel interior a p/b
capa e contracapa a cores.
Publisher And Executive Editor: Scott Becker




Sound On Sound
On Track With Wolfgang Press

by Andrew Jones
"O Acid House está moribundo. O Verão do Amor acabou."
Mick Allen, o guitarrista, vocalista e letrista, de 30 anos, dos Wolfgang Press, profetiza acerca das tendências actuais da música Britânica enquanto beberica um Molson, uma calorosa cerveja Canadiana, que lhe foi fortemente recomendada por Mark E. Smith. Allen encontra-se em Montreal com os seus companheiros de banda, Mark Cox e Andrew Gray, e esta tarde estão a puxar-se mutuamente para cima. Estás a ver, estes três Dukes de dança funk altrada vão abrir para os concertos de Nick Cave que está em digressão pela América do Norte, e estão a promover o seu quarto álbum, Bird Wood Cage (4AD / Rough Trade), por outro lado.


Apesar de o prospecto indicar que entram em palco antes do São Nick não seja nada comparado com a situação musical potencialmente perigosa agora encarada por Allen. Sentando-se muito perto do grande piano no hall do hotel, parece que a sua atenção é atraída por um velho bafiento que está a meio de aniquilar esta tarde. "Conheces algum filho de Duke Ellington?" , pergunta, inundando-nos com o hálito de um ou mais amarettos. "Oh, possivelmente não conseguirei tocar sem a minha pauta musical", diz Allen com um sorriso maroto na sua cara.
"Tem de ser posto no contexto certo," continua Allen depois do nosso jazzman ter terminado. "Não podes ouvir Acid House sentado numa cadeira. Vais a um clube e tens o teu hit, e isso é porreiro para mim, parece ser como era o punk. As pessoas querem algo. Ver-se livre deste nonsense e tentar que alguma coisa de interessante aconteça, algo excitante. É uma situação terrível quando tens 16, 17 anos, e está a acontecer apenas porcaria."
Nascidos em 1983 a partir do tédio dos subúrbios do lado Este de Londres a a partir das cinzas de 2 bandas post-punk, Rema Rema e Mass, os Wolfgang Press eram inicialmente compostos por 5 músicos nómadas que tinham um ódio comum por música a partir de pautas musicais.O teclista Mark Cox, que já tinha tido o seu quinhão de "não fazer puto" no que toca à música e que manipulou maliciosamente a sua idade em "20-10", encontrou Allen na altura em que este último estudava pintura na escola. Assinaram por uma etiqueta recém criada pelos ex-críticos musicais Ivo-Watts Russell e Nick Kent (4AD), e o duo editou um álbum ainda como Mass, "You and I". Foi de imediato surrado na imprensa britânica como uma "carga de droning opressivo e berraria".
Tentando um novo caminho, recrutaram o guitarrista Andrew Gray, que até aí trabalhava como "escravo" numa loja tipográfica, o baterista Richard Thomas, e Richard Thomas, dos Dif Juz, para os loops de percussão, piano e flauta.. "Quando iniciámos os Wolfgang Press não nos víamos como uma banda", recorda Cox. "Apenas nos víamos como uma espécie de Wolfgang Press, e quem fazia o quê não era particularmente importante. Eram apenas umas experimentações". "The Burden Mules" (1983) foi o primeiro resultado dessas experiências. Atmosférico e extremo, o álbum é uma espécie de saco de recolha de batidas e ondulações ao estilo PIL ("Complete & Utter"), pancada contundentes e abrasivas ("Journalists"), e peças ambientais assustadoras com letras decididamente retorcidas ("Slow As A Child").
Desde "The Burden Of Mules, os Wolfgang Press nunca mais utilizaram um baterista. O leve trio composto por Allen, Cox e Gray manipulam agora todas as percussões e baterias, e tornaram os ritmos fora de ordem como uma forma de semente para novas canções. "Nós gostamos de ter bateria ao vivo sobre o som dos padrões da máquina mecânica de ritmos, de modo a obtermos aquela temporização imperfeita", diz Cox. Aperfeiçoando as suas imperfeições também significa que são amaldiçoados com sons esporádicos, apesar de um que inclui a série de EPs de 12" que são autênticas obras-primas: "Scarecrow", "Water", "Sweatbox" (colectados no LP "The Legendary Wofgang Press and Other Tall Stories") e "Big Sex". Nós não nos retemos numa fórmula que tenhamos acordado e escrevemos uma canção," explica Cox. "O material que produzimos é orgânico, e é feito através de uma abordagem lenta e demorada".


Sons descartados, o lixo sonoro dos dias normais da vida quotidiana, são talvez as coisas mais importantes atiradas para a pilha de materiais de composição dos Wolfgang Press. Vinda de uma banda cujo saco de instrumentos musicais contém coisas tão exóticas como carrilhões, pixiphone, apitos, correntes, e clarinete, isso não é de forma nenhuma surpreendente. "Eu sempre gostei e utilizei instrumentos e sons estranhos," diz Cox de forma excitada. "Estou sempre à procura de coisas para gravar e samplar. Para nós, essas são as coisas que nos mantêm interessados na música. E eu penso que estamos a ficar cada vez melhores nesse aspecto. Porque as coisas em Bird Wood Cage estão muito mais simples, há espaço para ouvir o que está a acontecer. No passado nós usávamos bons sons, mas usávamo-los em tão grande quantidade que se confundiam uns aos outros.."
O assunto da samplagem e poluição sonora captou a atenção de Gray. Até ao momento ele tinha estado imerso nas texturas das linhas que pendiam de um buraco no joelho das suas calças. "Uma das melhores coisas que comprámos ultimamente foi um pequeno teclado Casio que nos custou 80 £," diz ele, com um brilho nos olhos. "E está por todo o álbum. É um sampler muito barato, na verdade é um brinquedo. Mas devido ao modo como os seus samples soam, eles não surgem do modo como os ouviste da primeira vez; dá-te uma nova interpretação. A maioria das vezes isso é mais interessante. "O que foi samplado para as canções de Bird Wood Cage? "Louis Armstrong. Pessoas. Amigos nossos perpassam por esses sons. Mas eles não fazem a mínima ideia que estão lá," diz Allen secamente.
Lembro-me de uma parte de uma cassete Tellus que ouvi cedo nessa manhã. "16 Great Turn-ons" consiste nos sons de 16 electrodomésticos a serem ligados uns a seguir aos outros. Cox ri-se. "É isso - as possibilidades são infinitas. Podes gravar uma amostra de 3 segundos de uma máquina de café a ser ligada, extrair daí 0,2 segundos e tens uma batida de baixo.
Seguindo os conselhos dos King of Ping, Brian Eno, que deitam cá +ara fora manuais de instruções e deixam os seus sintetizadores cair em elevados estados de irreparação, Cox descobriu alguns sons fortes e acidentes felizes. "O som de teclas principal em 'Shut That Door' (de Bird Wood Cage) é uma antiguidade, um ARP Odissey que eu tenho há 11 anos. Eu comprei-o quando ele estava mesmo velho, e tinha cancro terminal. Alguém deixou cair umas gotas de cerveja sobre ele há cerca de 4 anos atrás e agora está mesmo morto de poder. Mas por causa disso, ele consegue sons particulares, que não era suposto fazer, o que é bom. Tanto quanto é nossa preocupação não interessa o modo como obténs os teus sons e ruídos, é o som/ruído que é importante."
Com uma dezena de melodias nos seus inícios e os seus ruídos favoritos a reboque, os Wolfgang Press começaram a procurar um produtor compreensivo.Eles sentiram que o estilo de produção do seu Standing Up Straight, pelo produtor da casa - 4AD -, John Fryer, era um pouco densa, fria e húmida. Então fizeram uma audição com Simon Rodgers, que tinha passado algum tempo com os The Fall, e com Flood, que se tinha sentado por detrás da mesa de produção para trabalhos de Nick Cave, New Order, U2 e Anna Domino. Eles encontraram-se com os dois, gostaram de ambos, e gravaram duas faixas com cada um deles. Com Rodgers a coisa não funcionou. De acordo com Cox, Flood é que tinha o dom; uma combinação inusual de um elevado grau de sapiência técnica com uma empatia artística.
"Muitas das nossas ideias vinham-nos em casa, porque labutávamos na confusão e encontrávamos uma combinação particular de sons de que gostávamos. Por vezes o som de que gostávamos era o resultado de um processo que usávamos para o gravar.
Assim, o que fizemos em casa de modo a obter uma coisa acabada é diferente do que tínhamos feito no estúdio. Flood era mais capaz do qualquer outra pessoa com quem havíamos trabalhado, em ultrapassar esses problemas técnicos. Ele era muito bom em compreender que as coisas importantes para nós eram alguns dos sons, em vez da composição. Muitos produtores apenas querem misturar tudo com os acordes e nós não sabíamos nenhum. Apenas sabíamos o que soava bem."
"Eu sei um acorde," confessa Allen. "Eu toco-o na guitarra. É o G, não é?" pergunta ele a Gray.
Allen expande o seu acorde único juntando-lhe algumas bonitas letras , as quais são onomatopeicas, ominosas e, em geral acrescentadas em último lugar.. "Não é fácil escrever letras, tu sabes. Eu nunca me vi como um contador de histórias, no sentido de pessoas como Tom Waits. Eu faço-o numa espécie de sons, em certa medida. E têm de ter um certo significado. Para mim, pelo menos. Poderão não fazer muito sentido para outras pessoas. Pensando agora nisso, tenho reparado que as outras pessoas ficam um pouco confusas."
"Mas é a natureza abstracta das tuas letras aquilo com que eu me divirto mais," protesta Cox. "Não há muitas pessoas que utilizem as letras dessa forma. A maioria das pessoas limita-se a descarregar letras que são autênticos 'clichés', tipo 'I reaaly love you baby'. Quantas vezes escrevem as pessoas 'I love you baby'? suspira ele, cansado. Ok, então que tal coisas do Allen como "ela tem um meio, exactamente como o da sua mãe / Ela tem um meio, governado centralizadamente," ou "abençoa o meu irmão / escondido no caixote do lixo"? Se houvesse uma banda sonora necessária para o mundo caprichoso e repugnante filme de Raymond Briggs, Fungus the Bogeymanou para os contos góticos subtilmente cáusticos de Edward Gorey, os Wolfganag Press encarregar-se-iam eficaz e plenamente da tarefa.

Na Primavera passada os Wolfgang Press iniciaram a sua primeira grande digressão pelos Estados Unidos, e adoraram as coisas excelentes do corrupto modo de vida Americano - sanduíches de clubes, comida japonesa, canais religiosos 24 horas por dia. A sua recepção foi entusiástica, mas ainda assim eles foram cautelosos na tentativa de recriar o seu som em palco. "Parece que encontrámos pessoas que pareciam pretender que gravássemos os nossos espectáculos ao vivo, em disco, o que é interessante, porque nós nem sempre temos uma opinião muito positiva sobre as nossas actuações ao vivo., revela Cox. "Nós estamos realmente muito determinados em alterar essa situação e começar a executar tudo ao vivo. O problema é sempre o mesmo, tu sabes. Precisamos de duplicar em tamanho de imediato. Como ter mais três pessoas na bateria, baixo e percussões. E nós não estamos interessados em contratar nenhum daqueles velhos músicos do tipo Sindicato, queremos pessoas que estejam interessadas realmente naquilo que nós fazemos.."
Em palco os Wolfgang Press rockam como três dissidentes Russos a aquecer-se numa manhã fria em Smolensk. Com calças largas e apenas uma ligeira sugestão de pêlos na sua cabeça, Gray parece a toda a hora um doutor do ruído, pois dispara wahh-wah solos ensurdecedores desde o início. Vestido de cabedal e com um boné, Cox tem ao seu dispor uma bateria de sintetizadores primitivos enquanto Allen se arrasta à volta do microfone como o idiota da aldeia, abanando o seu corpo atarracado e as rastas prateadas. "Tirem o cu das cadeiras e dancem," pede ele, e o concerto termina com uma remistura cavernosa de "Sweatbox".
Ao vivo, o material de Bird Wood Cage também revela o funk escondido dos Wolfgang Press. Ouça-se "Hang On Me", uma remistura reggae atravessada com uma guitarra distorcida, ou o retorcido som tipo Motown de "King of Soul". "Raintime" tem uma batida de fundo lenta, tipo James Brown, enquanto o ponto alto da sua actuação, uma versão esteroizada de "Respect", que até faz abanar o chão. "Algumas pessoas pensam que essa canção é uma porcaria," nota Allen, "mas não é. É uma das nossas canções favoritas. Não há qualquer desrespeito para com Aretha".
Como que por magia, Stevie Wonder aparece no grande ecrã do bar, e todos nós paramos para relembrar os "setentas", quando as gravatas eram largas, Carter estava no poder, Burt Reynolds fazia furor a facturar, e o "disco" tresandava.
"Eu penso que é muito subconsciente, na verdade," diz Cox. "Mas nessa altura, eu entusiasmava-me realmente com James Brown e algumas importações Americanas de discos funk, no início dos anos setenta. Havia uma série de grupos de que gostava do primeiro e/ou segundo LPs, como os Fatback Band e os Ohio Players, que eram realmente crus e excitantes no seu início. Mas depois ficaram grandes, e começaram a produzir "papel de parede". Até Roy Ayers, eu tenho um álbum dele chamado Mystic Voyage que é brilhante".
Mesmo com tons leves explícitos de funk, Gray sente que a nova batida dos Wolfgang Press os trouxe a um ciclo vicioso. "Com Bird Wood Cage pensoq ue regressámos mais às raízes do nosso som e começámos a despojar-nos novamente, enquanto Big Sex tinha... como direi... mais groove nele. Era mais complicado, estava a começar a ficar um pouco faustoso, no mau sentido da palavra."
Allen mostra-se horrorizado. "Poderíamos ter começado a soar como os Kool & The Gang".



Reading Matters
by Richie Unterberger
Books

The Real Frank Zappa Book, by Frank Zappa with Peter Occhiogrosso.


Desde meados da década de sessenta, Frank Zappa tem sido um dos músicos mais populares e premiados, à falta de uma frase menos banal, iconoclasta. Ele derrubou convenções e atacou os standards públicos no que à música diz respeito, mas também na imprensa, e no seu discurso chave na American Society of University Composers (com as frases de abertura, "Não pertenço à vossa organização. Não sei nada sobre ela. Não estou sequer interessado nisso"). E finalmente, em 1985, os seus pontos de vista foram finalmente reconhecidos pela America mainstream como ele testemunhou antes de um congresso de um subcomité investigar a imoralidade na música rock. Como poderíamos esperar, a sua autobiografia não é muito linear, documentação linear dos seus feitos, mas uma visão anedótica e altamente pessoal dos seus altos e baixos, com muitas digressões pelo comentário social. As primeiras cerca de 100 páginas são dedicadas à sua infância, onde tudo começou, e à sua subsequente ascenção a rei da pop satírica nos anos sessenta e início dos anos setenta, e são ricas em factos pouco conhecidos, fascinantes, e, por vezes pequenas cócegas e petiscos para o público. Algumas preciosidades encontradas: o jovem Frank fez uma chamada telefónica de longa distância para o estrangeiro, para Edgar Varése, como presente do seu 15º aniversário ("Deduzi que uma pessoa que se parecia como um cientista louco só poderia viver num local chamado Greenwich Village"); recolecções de histórias sobre a produção para Captain Beefheart do seu Trout Mask Replica, no qual o Sr. Van Viet não conseguia cantar sincronizadamente com o fundo musical que lhe eram disponibilizados nos seus auscultadores, preferindo cantar através da ligação com "a conexão áudio que lhe vinha através de três painéis de vidro a que distava a janela da sala de controlo"; a abertura dos Simon & Garfunkel para os Mothers em Nova Iorque em 1967 disfarçados sob a capa do seu grupo original, o duo de doo-wop Tom & Jerry; a abertura para Vanilla Fudge e ser-lhe gritado pela audiência, "Vocês não prestam para nada! Tragam os Fudge!".
Depois entramos numa parte muito detalhada, com descrições quase filosóficas de como cada membro de um grupo rock funciona; como ele grava no estúdio; as imensas dificuldades em tocar e gravar trabalhos orquestrais; as imensas chatices legais e burocráticas do negócio da música e dos seus "patrões" (completado com um longo excerto de uma transcrição de um julgamento num tribunal britânico em que todos acusavam Zappa de tocar material obsceno). Os últimos capítulos são de crítica social, como Frank entende a PMRC, a família nuclear, e o nosso governo. Zappa é um homem cínico, mas tem uma inteligência aguçada, e, bem, é engraçado, na maioria do tempo. Não concordo com tudo o que profere, mas o que ele escreve faz-me põe-me quase sempre a pensar - seja acerca do complexo militar-industrial, a guerra às drogas, ou a banalidade das canções de amor. Gostaria que o livro contivesse mais material sobre como ele escreveu e produziu alguns dos seus álbuns - Ainda não consegui encontrar uma explicação plausível de como uma banda de R&B/blues chamada Mothers rapidamente se transformaram na melhor banda satírica da cena pop-rock de todos os tempos. Detalhes sobre clássicos como We're Only In It For The Money são surpreendentemente esparsos - será porque Zappa compreendeu, no seu coração, que os seus últimos discos dos finais da década de sessenta são de longe mais inovadores, e muito superiores às suas actuais produções? Apesar de tudo, esta é uma leitura compensadora que vai muito para além da biografia standard de músico rock, embora os não fanáticos por Zappa devam esperar pelo livro de bolso devido ao elevado preço a pagar por esta edição. (Poseidon, 352 pp., $19.95).






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