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12.6.17

Livros Sobre O Post-Punk: "'Pós-Punk' Para Ler" - Artigo de Opinião -


DN-SONS

‘PÓS-PUNK’ PARA LER

Entre ensaios sobre o período 1978-84 e álbuns de fotografias, este é um espaço da cultura pop em fervilhante actividade editorial nos meios livreiros ingleses e norte-americanos.

No texto que agora apresenta no disco nascido do sucesso do seu livro Rip It Up (And Start Again), o jornalista Simon Reynolds sublinha que “estamos neste momento profundamente mergulhados num ressurgimento pós-punk”. E acrescenta que “não há ainda sinais de travagem”, tal é “a infindável procissão de novas bandas que procuram inspiração nessa era, colidindo com bandas veteranas que se reuniram, uma maré de reedições, compilações e antologias”. Quando, há um ano, o publicou, o fenómeno de concentração de atenções de novas bandas e públicos no legado pós-punk era já visível. E foi então sua a intenção de “mostrar a verdadeira diversidade” associada a este fenómeno, que considera menos uma questão de género, mas antes todo um conjunto de espaços e possibilidades que se abriram nos finais da década de 70.
Para Simon Reynolds, o punk “rejuvenesceu o rock, mas por alturas do Verão de 1977 o movimento tinha-se transformado numa paródia de si mesmo”. O livro explica, detalhada e claramente como bandas como a Joy Division, Gang Of Four, Talking Heads, The Fall, Associates ou Cabaret Voltaire, entraram em cena para cumprir a revolução incompleta lançada pelo punk alguns anos antes. “experimentando as electrónicas e os ritmos maquinais, adaptando ideias do dub, reggae e disco, tinham a certeza de que podiam inventar um novo futuro para a música”, explica no livro.
“Num tempo de tensão e ameaças”, que aponta num reaparecimento de figuras políticas de direita (nomeadamente Thatcher e Reagan), as bandas pós-punk “tentaram construir uma cultura alternativa através do nascimento de novas editoras independentes como a Rough Trade, Factory ou SST e a proliferação de uma política do it yourself”. Como retrata no seu livro, uma ideia de mudança constante morava entre os projectos desse tempo. Fala de intermináveis inovações “brilhantes” não apenas na música, mas também na escrita das letras, no desenvolvimento de novos conceitos performativos, nas ideias de estilo e design. Este é o espírito que Reynolds identifica e projecta como natural herança na nova pop de inícios de 80, em bandas como os Human League, Adam Ant, ABC, Madness, Dexy’s Midnight Runners ou Frankie Goes To Hollywood, “todas elas nascidas no punk, mas que a dada altura abraçaram um sentido de glamour e o vídeo de forma a projectar as suas ideias no coração da cultura mainstream”. O livro revela informação e reflexão, retrato exigente e claro de um tempo que, mais de 25 anos depois, volta a estar na ordem do dia.
Como complemento nas leituras ao fundamental livro de Simon Reynolds podemos ler um A a Z, sistematizando, não só o pós-punk, como o próprio punk em Up Yours!: A Guide to UK Punk, New Wave and Early Post Punk, de Vernon Joyson (Borderline Productions). Igualmente sistematizado, Post-Punk Diary (1980-82), de George Gimarc (Saint Martin’s Press), propõe um diário dos acontecimentos, citando 900 bandas e três mil gravações (com um CD como complemento à leitura).
A lista de livros sobre este período é vasta, podendo uma pesquisa mais profunda pedir leituras sobre o punk britânico em England’s Dreaming, de John Savage (Faber & Faber) ou o punk nova-iorquino em From the Velvets to the Voidoids: A Pre-punk History for the Post-punk World, de Clinton Heylin (em edições pela Helter Skelter e pela Penguin Books). Um retrato do punk em declarações na primeira pessoa lê-se em Please Kill Me, de Legs McNeil e Gillian McCain (Penguin Books).
Para o documentários visual deste período dois livros podem merecer algum destaque, ambos disponíveis em lojas online. Um deles, Made In The Uk: The Music Of Attitude, 1977-83 (Powerhouse Cultural Entertainment Books), reúne uma série de fotos de Janette Beckman que, em 132 páginas, documentam factos e rostos dos dias do punk e os que se lhe seguiram, abarcando diversas culturas pós-punk em solo inglês sem esquecer o movimento 2-Tone, os novos mods e os skinheads. Essencialmente centrado na cultura neo-romântica, Duran Duran Unseen é, apesar do que o título possa sugerir, um magnífico retrato da cultura nocturna (e seus protagonistas) na Birmingham de finais de 70, através de fotos de Paul Edmond, sob design de Malcolm Marrett e Kaspar de Graaff.
NG




George Gimarc
Post Punk Diary, 1980-1982
Saint Martin’s Press
374 páginas



Vernon Joynson
Up Yours! – A Guide To UK Punk...
Borderline Productions
450 páginas



Paul Edmond
Duran Duran: Unseen
Reynolds & Hearn
144 páginas




THE FACE
A “Bíblia Da Moda”  Dos Anos 80


Sem Internet, a propagação das boas novas que as descendências do punk projectavam na música e periferias (leia-se, sobretudo, o mundo da moda) fez-se através da publicações especializadas. E nenhuma serviu tão bem os primeiros anos da década de 80 como a revista mensal The Face, (1980-2004), valor acrescentado ao jornalismo musical sobre o fenómeno pós-punk que, desde o seu aparecimento em1978, se lia nas páginas dos há muito extintos semanários Melody Maker e The Sounds, e do ainda sobrevivente (mas descaracterizado) New Musical Express.
A The Face surgiu em Maio de 1980, sob o comando de Nick Logan, um antigo editor do NME nos anos 70 que, pouco tempo antes, criara a mais juvenil Smash Hits. Com um design revolucionário (durante os primeiros anos a cargo de Neville Broudie) e uma divisão de atenções entre a música, a moda, uma ideia discreta de club culture (ainda na sua proto-história) e espaços de cultura alternativa em geral, rapidamente conquistou leitores, em pouco tempo carinhosamente rotulada como a “bíblia da moda dos anos 80”.
O número um deu capa aos Specials, o segundo entrevistava Paul Weller (então nos The Jam), o terceiro assinalava a morte de Ian Curtis. No sexto revelavam-se os Spandau Ballet e, um mês depois, olhava-se cautelosamente para o emergente movimento neo-romântico, então apresentado como “o culto sem nome”... Vivienne Westwood, Bow Wow Wow, Ultravox, Human League, a implantação do teledisco, Julian Cope, Yazoo ou Haircut 100, Smiths ou a fotografia de Bruce Webber, entre muitos, passaram pelas páginas da Face nos seus primeiros anos de vida, quando não tinha rival à altura, estatuto que perdeu na segunda metade da década.

NG






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