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3.12.16

Memorabilia: Revistas / Magazines / Fanzines (262) - Blitz - Jornal Musical


BLITZ 
(Jornal Musical)
Ano VI
Nº 285
17 de Abril de 1990
Sai às Terças-Feiras
Director: Rui Monteiro
Preço: 75$00
28 páginas
Capa a 3 cores e interior a preto e branco


+ Poster:


Ficha Técnica (parcial)
Redacção, administração e serviços comerciais: Rua Sacadura Cabral, 26, Dafundo, 1495 Lisboa
Director: Rui Monteiro
Chefe de Redacção: António Pires
Direcção Gráfica: Cândida Teresa
Colaboradores:
Belino Costa
Cristina Duarte
Cristina Peres
Eduarda Martins Ferreira
Eugénio Teófilo
Fátima Castro Silva (Porto)
Fernando Magalhães
Fernando Santos Marques
Fernando Sobral
Fred Somsen
João Correia
João Bugalho
João Vaz
Jorge Dias
José António Moura
José Guedes
Luís Maio
Luís Peixoto
Miguel Cunha
Miguel Francisco Cadete
M. Nuno Figueiredo (EUA)
Miguel Santos
Miguel Somsen
Miguel Telhinhas
Paula Bach
Paulo Somsen
Pedro Cardoso
Pedro Portela (Braga)
Rafael Gouveia (Paris)
Sílvia Alves
Tiago Baltazar
Vasco Fernandes

Manifesto (suplemento):
Ana Cristina
António Sérgio
Nuno Diniz
Jorge Lima Barreto
Manuel Dias

Fotografia:
João Tabarra
Carlos Didelet

Tiragem média do mês anterior: 22 256 exemplares





Entrevista

IN THE NURSERY
UMA OUTRA ODISSEIA

Os In The Nursery, abriram a nova década com um sopro quase total de classicismo, em «L’Esprit». Mas será que podemos chamar «clássica» à música feita com «samplers»? E para onde caminham os gémeos Humberstone que, em quase dez anos de actividade, renegaram totalmente o rock tradicional, para ssumirem, de disco para disco, a grande aventura épica e heróica da epopeia? Sem abrandarem o passo, Nigel e Klive Humberstone prestaram-se a todos os esclarecimentos pretendidos pelo BLITZ, em mais uma entrevista histórico-exclusiva.



- Começando obviamente pela vossa evolução, nós pensamos que a vossa música mudou bastante desde a origem. Antes utilizavam mais o baixo e a guitarra e tinham uma formação inicial muito mais rock. O que acham?...
Klive – Sim, sim. Já nem usamos guitarras.
Nigel – Para construir o tipo de música que idealizamos, precisamos mais dos «samplers» e das percussões – nomeadamente os tímbales e as tarolas...
- Foi uma grande evolução, não? O vosso som inicial, de «When Cherished Dreams Come True» era muito fechado, nada comparável às sonoridades grandiosas de agora!
K – Provavelmente. Pois quando começámos, usávamos um pequeno quarto de sótão. Mas foi também uma fase de exploração das guitarras, tentando tirar delas tudo aquilo que queríamos – o som de um violoncelo ou de uma orquestra.
- Com uma guitarra!?
K – Acabei por ficar frustrado com a guitarra porque não conseguia o que queria dela. Foi preciso procurar os verdadeiros instrumentos ou melhores alternativas. Usámos então principalmente os teclados. É claro que uma orquestra seria bastante melhor...
- Esse primeiro disco, praticamente desconhecido pela actual maioria dos vossos seguidores, foi especialmente concebido – uma capa estudada, um vídeo... Foi um grande investimento?
K – Acho que sim, mas só porque foi fácil realizar tudo isso, uma vez que na altura éramos todos estudantes da Escola de Artes. Eu estava ligado ao vídeo e tive todas as facilidades financeiras e de equipamento; o mesmo se passou com a impressão.
N – No nosso primeiro disco as capas foram feitas por meio de trama. Foi uma edição de mil cópias, mas posteriormente já houve uma outra de mais 750.
- Como é que se estabeleceu a ligação com a editora Paragon?
N – Eles contactaram-nos depois de nos verem num concerto em Sheffield. Já tinham feito alguns discos e andavam à procura de bandas da zona.
K – Foi muito estranho, porque nunca tínhamos estado num estúdio antes...
- Como surgiu então Douglas P. (Death In June) e o vosso disco para a sua editora New European Recordings (NER)?
K – Ele apareceu num concerto nosso em Londres e depois abordou-nos, mesmo no final.
Quanto às gravações, fomos nós que as pagámos. No entanto, continuámos com total controlo das faixas, ele apenas as lançou.
- Nessa mesma altura, em «Sonority», o som era extremamente militarista. Seria a influência dos D.I.J.?
N – Não, foi somente um período em que pretendíamos ter um som poderoso, embora quando actuamos ao vivo o nosso som seja ainda mais potente. Acho que os discos são mais complexos e delicados.
- E quanto a «Elegy»? A sonoridade é militarizada e a letra totalmente antimilitarista. Talvez nem tanto a música, mas mais o modo como utilizam a percussão.
N – O problema é que as pessoas associam os tímbales aos sons militares. O tímbale é um instrumento utilizado nas orquestras, porém não da mesma forma que nós o fazemos, por isso não tem a mesma conmotação.
- Mas vocês saíram da NER bastante depressa. Não ficaram satisfeitos?
K – Fizemos apenas esse EP e mais duas faixas que surgiram na compilação «From Torture To Conscience». Nós estávamos satisfeitos, mas ele apenas lançava o nosso material, não nos financiava nem existiam quaisquer compromissos. Nessa altura conhecemos Rob, da Sweatbox, que quis produzir um disco nosso. Ele deu-nos dinheiro para entrar de novo em estúdio, e foi essa a diferença, pois estávamos já a compor novos temas.
- Na Sweatbox, o vosso som mudou bastante. Foi o início da teatralidade e da pompa actual!
K – Julgo que sim! Tudo cresceu com a nossa experiência e de sabermos aquilo que queríamos fazer. Além disso, os novos estúdios proporcionaram-nos melhores condições técnicas.
- Mas desde a frustração inicial de não conseguirem o som pretendido, até às sonoridades de agora, parece ter havido uma ideia exacta de como prosseguir. O LP «Twins» é afinal um disco de pura transição.
K – Sim, é verdade. Esse foi o primeiro disco feito só por nós dois – os gémeos (the Twins). Tudo o que foi feito antes era mais baseado na prática dos instrumentos em conjunto. O resultado, era depois concretizado no estúdio. «Twins» é o primeiro disco criado essencialmente em estúdio – é mais solitário, mais conceptual, baseado não na convivência mas na tecnologia.
- Para o facto poderá ter contribuído a frequência de Klive em diversos eventos clássicos? Isso é mútuo?
N – Sim, é o tipo de música que desejamos criar. Fomos a concertos e descobrimos os sons fantásticos que se podem obter sem PA. Nós queremos recriá-lo, ainda que usemos «samplers» e sintetizadores.
- Achas que é mais fácil utilizando os «samplers»?
N – Nós não escrevemos música, portanto... De certa forma compomos música clássica de uma maneira nova.
- Nesse aspecto achas que têm algo a ver com os Dead Can Dance?
N – Eles utilizam instrumentos verdadeiros... apesar de nós ocasionalmente já o termos feito, mas agora limitamo-nos aos «samplers».
- As pessoas, por vezes, já têm comparado os ITN a Wagner. Opinião?
K – Mas não deviam!... Isso deve-se sobretudo a um folheto promocional em que Wagner era citado mais como uma analogia, ou mesmo uma referência. Isso queria dizer que podemos ser o equivalente a Wagner, no campo da música clássica e no Séc. XX.
- Qual o significado, ou melhor, o conceito que vocês entendem como clássico?
K – Algo que define um período.
- Nesse sentido, o Acid é a música clássica dos anos 80...
K – Talvez isso até seja possível daqui a uns 15 ou 20 anos, quando ouvirmos a música da década de 80.
- Só o que permanece é clássico!?
K – Toda a música permanece!... Mas quando ouvimos, por exemplo, um tema de Acid-House, ligamos logo ao Verão de 88. Connosco isso é mais difícil.
- Então não são uma banda clássica! Pois pelo vosso raciocínio, os ITN são dificilmente referenciáveis a um ano concreto.
K – Talvez seja melhor então chamá-la de orquestral. Porque com a música clássica não se consegue realmente definir um período de tempo. Talvez orquestral seja realmente melhor.
- Uma banda orquestral, que não usa orquestra!!!
K – Ah... Orquestral, é um termo para um som. Para mim, orquestral quer dizer um som grandioso, enorme, o que não exclui as partes mais calmas. Como não temos uma orquestra de 20 pessoas ao nosso dispor, somos só nós, tentando criar um som orquestral. Então temos de recorrer À tecnologia, é o único caminho.
- Como é que utilizam os «samplers»? Têm de possuir o som original?
N – Sim, o som original, que é oriundo de instrumentos autênticos.
- Então vocês têm de tocar o instrumento!
N – Não, existe uma espécie de biblioteca de sons que podemos dispor para trabalhar.
- O facto de vocês serem gémeos deve repercussões especiais na vossa música?
N – Possuímos um sentimento comum muito forte. É muito mais fácil trabalhar a dois do que com o grupo inteiro, do mesmo modo, é mais fácil para duas pessoas do que para uma só. Nós somente pensamos que connosco isso resulta.
- Achas que o poderias fazer com outra pessoa qualquer, que não o teu irmão?
N – Não.
- Então a ligação é bastante forte...
N – Sim, nós temos pensamentos e conceitos semelhantes. Possuímos ideias distintas mas depois unimo-nos e construímos em conjunto.
- Esse pode ser um dos motivos que levou Ant Bennett, o vosso colaborador inicial, a sair?
N – Ele poder-se-ia ter sentido um pouco à parte, mas penso que tinha projectos diferentes dos nossos que queria concretizar. Acho que Ant pensava que o grupo não teria futuro. Afinal, foi melhor assim.
K – Ele teve um bebé recentemente. Assentou...
- E como surgiu a colaboração posterior de Gus Ferguson, dos Test Dept que já tocou com os Dead Can Dance e Heavenly Bodies?
N – Penso que foi Rob, na Sweatbox, que o trouxe. E como nós procurávamos na altura alguém para tocar violoncelo, ele ajudou-nos... Aliás, já o conhecíamos dos Heavenly Bodies, com os quais costumávamos tocar.
- E quanto ao aparecimento dos actuais colaboradores – o percussionista Q e a vocalista Dolores Marguerite? Foi pela necessidade ou apenas porque se apresentava como interessante trabalhar com eles?
K – Nós precisávamos realmente de um percussionista. Q era um velho conhecido da Escola de Artes que, além de estar disponível, era nosso amigo. Ele nem sabia tocar quando se juntou a nós. A sua progressão foi notável.
Quanto a Dolores, também era nossa amiga, logo pedimos-lhe que aperfeiçoasse o seu francês para começar a cantar.
- E porquê o uso do francês e não do alemão, por exemplo em «Elegy»?
N – O francês é uma língua muito emotiva, condizendo melhor com a nossa sonoridade. O alemão é muito rude, brusco...
- Qual é a nacionalidade de Dolores? O nome sugere-nos a Espanha...
K – Ela tem ascendência grega e espanhola, porém a sua nacionalidade é inglesa.
N – Ela estudou francês mas também fala alemão...
- A propósito das línguas, existe alguma mensagem especial a transmitir?
N – Não, não há uma mensagem específica. É como um artista que se deseja exprimir. Nós exprimimo-nos através da música, pois é o que sabemos fazer melhor. Nem temos qualquer tipo de slogan ou de mensagem política, o que não quer dizer que sejamos apolíticos. Apenas não queremos forçar nada.
- E então «Elegy» e «Profile 63», com o discurso de Kennedy?
N – Não queríamos dizer nada de especial. Tenho um disco com discursos dele e acho que são muito poderosos, pelo que os usei. Só algum tempo depois percebi que era sobre o Vietname, sobre o qual estou muito interessado. O discurso foi apenas utilizado como trecho musical, apenas para enfatizar a música.
- Os In The Nursery têm separado a carreira em singles (maxis/EPs) e álbuns, quando o habitual é os singles servirem de suporte e promoção, com outras versões, desses mesmos LP. É uma questão de atitude, presume-se?
K – Por exemplo, «Trinity» foi feito com um determinado sentido... não funcionaria como um álbum, digamos que foi encarado como um pequeno projecto. A música que se escolhe para um single normalmente não funciona bem num LP. É diferente!
- Mas tem que haver uma conexão. Porque a música que se apresenta em álbum e em single pode ter sido feita na mesma altura, tal como aconteceu agora com o formato CD, no qual se agregaram singles e álbuns do mesmo período. Em vinil existe uma separação, e agora em CD está tudo junto!
K – Isso deve-se sobretudo ao facto de ser mais fácil, e também de tr todo o nosso material em CD. Eu encaro um disco de vinil mais como um objecto, e os CD mais como uma peça de documentação sonora de qualidade desses mesmos objectos.
- Sendo assim, os discos de vinil são mais importantes?
K – Sim, sim. Penso que os CD’s são óptimos, mas são como um álbum de fotografias. São um documento compacto de momentos soltos.
- Como encaram o vosso material mais recente? É o sucessor natural de «Koda»?
K – É a progressão natural, sim. Mas levou-nos muito mais tempo e é muito mais complexo.
N – Neste novo álbum há temas semelhantes a alguns de «Koda». Pois nós ainda somos muito influenciados pelas mesmas coisas que nos rodeiam, pelos mesmos autores, por frases preferidas ou trechos musicais que teimam em retomar o nosso espírito.
- Mas com certeza muitas coisas mudaram!
N – Usamos muitas mais sequências de computador, daí que o som seja mais... digamos... cíclico.
- No princípio vocês mudava, muito as vossas sonoridades, mesmo dentro do mesmo disco. Agora estão mais estáveis. Significa isto que já atingiram as metas pretendidas ou um qualquer ponto de equilíbrio?
N – Sabemos o tipo de música que realmente queremos construir. Talvez seja difícil progredirmos daí. Esta é a música de que nós ainda gostamos e não vamos mudar só porque as pessoas estão à espera.
- E como se poderá reproduzir ao vivo «L’Esprit»?
K – Provavelmente só tocaremos ao vivo três das novas faixas. O resto ficará como material de estúdio que não se pode reproduzir em palco. É demasiado difícil.
- Isso foi pensado para ser já assim?
K – Há certas faixas que nem é necessário recriar em palco porque nunca o conseguiríamos fazer melhor.
- Então quando vão para um palco pretendem ainda fazer melhor do que em disco?
K – Não é bem isso. Mas existem faixas antigas, como por exemplo, «Deus Ex Machina», de «Sonority», que resultam sempre melhor ao vivo. Nunca ficámos satisfeitos com a gravação desse tema, por isso, ao vivo é sempre muito melhor.
- O local das vossas actuações precisa de alguma acústica especial, ou pode ser numa sala qualquer, como um vulgar concerto de rock?
K – Por vezes, tem mesmo que ser. Numa «tournée» não podemos ser esquisitos, senão ficamos em casa. No entanto, todo o nosso som funciona pelos amplificadores, o que se aproxima bastante de um simples concerto de rock.
- Há alguma particularidade nos vossos concertos? Slides, vídeo...
N – Sim, temos slides e, ocasionalmente, vídeo. Normalmente são excertos de filmes ou imagens que nos interessam dos mais variados modos... clips, capas... é uma atmosfera que se cria com a música.
- Existe algum elo com a vossa música nessas imagens?
N – Há uma sequência que procuramos manter.
- Estão também interessados em tocar em Portugal, não é verdade?
N – Sim, nós gostaríamos de tocar aí, só é necessário que exista uma organização.
- E quais as condições? Cachet, estadias, etc...
N – Só queremos que organizem os espectáculos conjuntamente com a Espanha, pois para virmos com os camiões só para Portugal custa bastante dinheiro.
- E em relação a música para um filme? Alguém vos contactou?
N – Não, mas gostaríamos.
- Dentro do mesmo tema, porquê a necessidade de criar um cenário visual? Precisam de imagens para compor? Afinal «Stormhorse» é a banda sonora para um filme inexistente...
K – A razão por que dissemos isso foi para levar as pessoas a pensar que existia realmente um filme e de imaginarem como seriam essas imagens.
- Mas não é preciso afirmar que é uma banda sonora para que isso aconteça.
K – Talvez! Mas nós sempre quisemos fazer uma banda sonora. Se o filme não vem até nós, não é razão para que deixemos de fazer a música para um qualquer filme, apesar de ele nem existir.
- Mas depois as pessoas querem ver o filme...
K – Eu sei. É chato!... O objectivo é só o de levar as pessoas a pensar como seriam as imagens que o disco sugere. Pela imaginação e por tudo aquilo que se vê, quando se fecham os olhos e se ouve a música.
- Que tipo de música costumam ouvir?
N – Gavin Friday... gosto muito das suas últimas produções.
K – Actualmente, Gavin Friday...
- Recentemente, abandonaram a Sweatbox, porquê?
N – A Sweatbox deixou de fazer discos. O Rob aconselhou-nos a procurar outra editora.
- E porquê a Third Mind?
N – Porque é uma pequena empresa e gostamos do modo como organizam as coisas, além diso já tínhamos tido a experiência de trabalhar com eles, aquando da edição da compilação «Life At The Top (Abstract Magazine 4)».
- E, para terminar, qual o significado do vosso nome?
K – O nome surgiu em 81 e foi escolhido depois de o encontrarmos em diversas frases e sítios. Escolhemo-lo porque muitas das nossas letras têm a ver com a infância, com os sentimentos e a inocência desses tempos. Quando demos o nosso primeiro concerto na escola de Artes de Sheffield, foi preciso escolher um nome, e então usámos esse. Mas agora, temos estado lentamente a transformá-lo no logotipo ITN.
- É quase o meso, não?
K – É que «In The Nursery» já não significa nada para nós, actualmente, para além de ser um pouco embaraçosos aqui em Inglaterra.
- Nós não nos importamos...
Eugénio Teófilo
Fred Somsen
João Correia

Críticas 

VÁRIOS
«OIHUKA 89»
De Espanha chegou-nos mais uma amostra daquilo que poderíamos considerar como um pseudo pós-rock ibérico. Tem todas as características epidérmicas daquela movida que nos assaltou no princípio da década passada – música conservadora, chata, com a mania que é a maior e que engata muita gente com aqueles solos de perder a língua por entre os dentes – à qual avança uma página num imaginário diário de transmisões aero-deterioráveis com um rock’n’punk’n’roll de três minutos de fama, com uma daquelas fugazes passagens por cima de um palco de metro-e-meio-de-largura-por-dois-de-comprido e com uma assistência de meia dúzia de distraídos adolescentes pingados.
Mas, embora o som praticado adiante algo a essa nossa vã movida, a idade dos grupos vem tornar quase inútil uma possível esperança de recuperação, pois todos eles são de formação recente (de 1986 em diante). Com efeito, as repercussões de viver num estado ditatorial podem provocar reflexos lentos numa evolução que se desejava promissora (a maioria dos grupos presentes vem da terra do charmoso duo de olheiras bem rasgadas pela moda da pomada – estou a falar dos bascos Duncan Dhu) e causar grandes «pasmadeiras», daquelas de estar meia hora com os olhos fechados e a boca aberta.
Oito grupos fazem parte de «Oihuka 89»: Los Bichos, Tahures, Delirium Tremens, Hertzainak, Tijuana In Blue, La Polla Records, Ancha Es Castilla e Jotakie. Vale a pena reter os nomes de Los Bichos, La Polla Records e Delirium Tremens pois ficou-nos a ideia de que nem tudo o que é punk é rock e vice-versa. Qualquer destes três grupos passou a infância a trabalhar para ajudar a família a combater a miséria social e o desemprego, além daquelas reivindicações próprias lá dos bascos. A sua música passa pelo melhor punk de 89 e pelo melhor rock de 77. O que já não é nada mau... Em relação aos outros, vão desde o pior Doutores e Engenheiros (Tahures) a um aparecido mas desmanchado piropo a Lena D´Água (Jotakie).
«Oihuka 89» será um bom detergente para os frágeis dedos das senhoras donas-de-casa que, enquanto varrem a sala das arrumações, dispersam com suaves contorsões abdominais as pobres baratas que pacatamente se entretinham a imaginar o apresentador do «Haja Música» num relato de futebol com cinco galinhas. Limpeza contundente!
(LP, Oihuka 0-181, 1989)
*** (3 estrelas)
Miguel Santos

CLOCK DVA
«BURIED DREAMS»
Há ano e meio, e depois de cerca de 5 anos e meio de interregno, os Clock DVA regressaram às lides musicais para perturbarem as mentes dos mais desprevenidos. Foi o (re)início de mais uma viagem assustadora às paisagens mais obscuras da cena independente britânica, primeiro com três 12” - «The Hacker», «Hacked» e «The Act» - e, mais recentemente, com «Sound Mirror» (também máxi single) e o álbum «Buried Dreams».
Para os mais familiarizados com o som dos Clock DVA fica o aviso: em «Buried Dreams» o velho quarteto saxofone / guitarra / baixo / bateria foi dispensado para ser substituído pela tecnologia de ponta (i.e. computadores, sequenciadores, samplers, etc.), estando, por isso, a única semelhança entre os velhos DVA de 85 (ou mesmo 80) e os de agora, no line-up, no nome do projecto e na filosofia.
«Buried Dreams» é o despontar para um mundo novo, dominado pelas comunicações e tecnologia. Neste álbum vamos encontrar todas as sonoridades ligadas aos movimentos mais marginais e obscuros, no entanto, à semelhança dos outros discos, somos atraídos por algo misterioso e inexplicável.
A voz de Adi pouco mudou. O seu tom grave, rouco, vem dar um toque peculiar Às melodias electrónicas. Em «Buried Dreams» abundam as caixas de ritmos e os sintetizadores, mas de modo algum estes instrumentos atribuem um ambiente dançável ao disco. Talvez em temas como «The Hacker» e «Sound Mirror» sejamos forçados a movimentar o corpo (e a alma), mas não é esse o objectivo de Adi e os Clock DVA. Esta não é uma produção para as pistas de dança, é sim uma gravação para acompanhar exposições de Peter Witkin, documentários sobre Auschwitz, filmes de Cronenberg ou David Lynch, livros de De Sade ou Lautréamont, filosofias Crowleyanas, etc., etc., etc.
«Buried Dreams» combina o Punk Progressivo dos velhos DVA com a violência electrónica. É um assassino digital, um terrorista matemático, a álgebra do mal, a tecnologia oculta.
Estão avisados. A escolha é vossa. Cuidado com «Velvet Realm», «The Unseen» e «The Reign». Será que à terceira os planos de Adi vão por diante?
(LP/CD, Interfisch Records, 90, Imp. Por Contraverso)
**** (4 estrelas)
Fred Somsen



TELECTU
«DIGITAL BUIÇA»



Eis que é editado um novo longa-duração de originais do duo Telectu. A maioria de vocês deve ficar surpreendida com esta tamanha profusão de edições, pois ainda há pouco mais de um mês foi editado a aventura «Live At The Knitting Factory, New York City» pela MC – Mundo da Canção.
Mais uma vez me vou repetir ao dizer que essa proliferação de trabalhos editados pelo duo, em oito anos de colaboração, é uma prova (mais que provada – basta referir dois ou três diferentes nomes do conjunto da sua discografia) da sua ecléctica criatividade sonora.
«Digital Buiça» é editado por uma outra novel editora portista. Depois da MC – Mundo da Canção abrir as suas portas à edição de projectos portugueses merecedores de tal testemunho (degrau natural na evolução de um grupo), agora é a vez da Tragic Figures ajudar a implantar um verdadeiro sistema de edição e distribuição independente. Escolheu também para a sua estreia um trabalho dos Telectu e promete várias surpresas (que não o são assim tanto, pois o BLITZ já divulgou algumas delas) para um futuro próximo.
Se «Live At The Knitting Factory» (local de passagem frequente de artistas como John Zorn, Fred Frith, Bill Frisell ou Joey Baron, recentemente dados a conhecer ao público português numa apresentação ao vivo no Forum Picoas) representava um laço apertado, numa perfomance ao vivo, em volta de vários temas que abraçavam tipologias tão diversas e que se queriam registadas, de forma a que uma nova liberdade de composição se pudesse seguir, «Digital Buiça» vem manifestar vinilicamente esse novo estádio musical que os Telectu recentemente têm vindo a divulgar nos nossos palcos.
São dois conjuntos estruturais - «Hotel Lisboa» (15’072) no lado A e «Laribau» (23’24”) no lado B – representativos de uma maior acessibilidade por parte dos Telectu (ou será nossa?), onde Vítor Rua e Jorge Lima Barreto abordam ambientes naturais com uma sensível aproximação instrumental (reparar na sequência em que Vítor Rua faz deslizar pelas cordas da sua guitarra um arco de violino, em «Laribau»), ambientes de puro cuidado técnico (maior destaque no princípio de «Hotel Lisboa») ou ambientes miméticos de várias correntes musicais contemporâneas de vanguarda. Jorge Lima Barreto explora o computador rítmico com uma metodologia pós-moderna, no sentido de «decoração» estética, dá completa liberdade de voo ao seu saxofone digital. Por seu lado, Vítor Rua mostra subtilmente o virtuoso criativo que ele é nas várias metodologias de abordagem de uma guitarra (tema em que está actualmente a fazer um estudo, para futura edição).
Como nota final, acrescento que a capa é um poema visual de Ernesto M. de Melo e Castro, que esta edição é de apenas 500 exemplares e que está disponível para além das boas discotecas de Lisboa, Porto, Braga e Coimbra, através dos serviços de correio, à cobrança (sem acrescento de portes). Façam as encomendas (Tragic Figures, Apartado 2137, 4202 Porto/Codex) e devorem avidamente as espiras daquele que em breve se tornará, devido ao seu valor estético geotemporal, um disco de coleccionador.
(LP, Tragic Figures TF001, 1990)
4* (4 estrelas)
Miguel Santos


PSYCHIC  TV
«LOVE WAR / RIOT»
«KONDOLE / DEAD CAT»
Nunca o «acid-sond» dos Psychic TV se aproximou tanto da descontracção e da boa disposição como neste «Love War Riot». Em vez da rigidez perfeccionista e obcecada das anteriores produções, este novo maxi, também disponível numa versão limitada e alternativa de 10”, tem o seu quê de semidisco-sound, policial de acção, 007, acid-pop, ou até mesmo de New Beat...! Sobretudo, tem muito menos de simples alucinação e muito mais de emotividade.
«Love War Riot» é mais um exercício louco de Acid, mas não tão fastidioso e comprometido com os ideais, como os anteriores «Tune in» e «Joy». Aqui, sobre a inconfundível e monótona batida Acid, há lugar para a diversidade que os «samplers» permitem, através da arte da pirataria indiscriminada, que se traduz na prática, sobre o vinil, em sons loucos de sirenes, vozes e alucinados pseudo-solos de bateria – estes talvez até genuínos. ‘Love War Riot’ é essencialmente, o que não deixou de me surpreender, um disco tragável e pouco indigesto, tendo em conta as últimas produções cegamente Acid dos actuais Psychcic TV. O que afinal, não pode deixar de constituir um elogio!
Passando agora à frente, o assunto chama-se «Kondole / Dead Cat» e é de longe muito mais sério, principalmente porque reúne a música para dois filmes de David Lewis. A primeira peça, que corresponde ao filme «Kondole (The Whale)», e tem originalmente 23 minutos de duração. A segunda, pertence ao filme «Dead Cat» e foi gravada novamente a 23 (Janeiro de 89), exactamente um ano mais tarde. O que existe de comum entre as duas, isto para além de estarem ligadas às produções visuais de David Lewis, é o facto de ambas marcarem o regresso dos Psychic TV às temáticas ritualistas e mágicas (bem hajam, obrigado, eu é que agradeço!), que tão longe os levaram num passado já algo longínquo.
Reza a lenda que «Kondole», o único possuidor do fogo, acabou um dia por ser atingido em plena cabeça (!!) por uma lança, transformando-se em seguida numa baleia. A música para este momento trágico transmite sobretudo o sofrimento do processo, no qual a água abraça a baleia, cujos gemidos fazem tremer as profundezas e a dor perturba a terra. Na atmosfera, os trovões desta mutação ecoam sobre a angústia inconformada de uma criança que chora, perdida para sempre, no tempo. No outro lado está «Dead Cat»: este «É o filme de um sonho! Materializa em imagens a transição dolorosa de uma mudança de sexo (...) as imagens são intencionalmente violentas (...) não é um filme para se apreciar!» (adaptado das palavras de David Lewis). O som de ‘Dead Cat’ assenta ainda mais num ambiente ritual e cerimonial, baseado em sons irreais, infinitas percussões e construções melódicas orientais, com flautas e outros instrumentos acústicos. As baleias, ou os golfinhos, assumem aqui, uma ligação da qual nem nos damos conta, entre a sua inteligência e memória, e toda uma série de pesquisas sobre a origem das espécies, pois, para os Psychic TV, a pesquisa da realidade (objectivo primeiro da sua existência) sempre se fez com todas as dimensões do conhecimento. Mesmo com aquelas que a ciência não reconhece.
«Kondole / Dead Cat» é divino, apocalíptico, desumano e irreal – em resumo, excelente! Aproveitem bem este rápido e fugaz regresso dos Psychic TV Às suas ideias originais, é o meu conselho, porque as sua spróximas produções serão: «Towards Thee Infinite Beat» (LP/CD), «Beyond Thee Infinite Beat» (12”/CD) e «Je T’Aime» (12”). Está tudo dito, não?
(12”/10” miniLP, Temple Records, 1989)
**,5 (2 estrelas e meia)
(LP, Temple Records, 1990)
**** (4 estrelas)
João Correia

TRISOMIE 21
«PLAYS THE PICTURES»
Saber envelhecer é essencialmente saber amadurecer e estar apto para suportar com à-vontade os desígnios e impiedades dos tempos. Saber envelhecer é, paradoxalmente, estar consciente de que, com mais anos em cima, poderemos conservar um mínimo de saúde e juventude mental. Passe o clichá, saber envelhecer é saber dominar a juventude dentro de nós. Estas afirmações são tão pirosas e vistas como reais e presentes. E é isso que os Trisomie 21 têm sabido fazer durante os cerca de oito anos da sua existência e acção neste mundo.
Através de um processo evolutivo capaz e sem tropeços os Trisomie 21 trabalharam até alcançarem uma sonoridade competente e profissional, por alturas do surpreendente «Chapter IV». Para trás haviam ficado discos hesitantes que, posteriormente, viram a sua re-comercialização traduzida em dois discos: «First Songs Vol. I & II», respectivamente com os subtítulos «Passions Divisées» e «Le Repos Des Enfants Hereux». O auge conseguido com «Million Lights» possibilitou-lhes uma liberdade substancial para arrancarem com outras inspirações mais originais, visando o afastamento das obras prévias. Assim, assustaram alguns com «Works», fazendo um disco inicialmente decepcionante – desde a concepção da capa ao som – mas, com o passar dos tempos, solene e bonito. Mais uma vez, o passar dos tempos sempre a ditar a sua lei.
O problema actual dos Trisomie 21 é que, não prometendo nada, acabam por colocar os seus fãs numa posição de expectativa indesejável e acidental. Isso sucedeu a partir de «Million Lights» quando se esperavam maravilhas do grupo. O que afinal não se concretizou, permanecendo fiel à discrição e trabalho. E mais uma vez, «Plays The Pictures», sendo à primeira audição altamente decepcionante, acaba por atrair e por marcar, uma segunda vez, uma perigosa mudança.
Seja como for, perigosos ou não, os T21 continuam fabulosamente inspirados. «Plays The Pictures», como o nome indica, testemunha um fascínio do grupo pelos filmes, pelo Cinema, e se «One Last Play» (um dos dois temas cantados) revela uma confrangedora falta de qualidade – pelo meio gritam 31 vezes por New York – já o mesmo não se pode dizer dum disco «para filme» composto por onze magistrais hinos de dois-três minutos de inspiração minimal/instrumental. Uma surpresa... após seis audições.
E se têm paciência para esperar até lhe adquirirem o gosto, não caiam na esparrela de comprar o disco em vinil, quando o CD tem mais dez – 10 – dez temas. Se o álbum é uma obra (e é!), não é justo que se venda essa obra com dois preços diferentes. É exactamente o mesmo que comprar um filme-vídeo mais barato porque a versão está encurtada...
(LP/CD, Play It Again Sam, 90)
**** (4 estrelas)
Miguel Somsen


SOULSIDE
«HOT BODI-GRAM»
Na terra da esperança não há Invernos. Por que será que os Soulside fazem música para aquecer Invernos?
«Hot Bodi-Gram» é o segundo LP do grupo, depois do muito (!) aclamado «Trigger». Foi gravado no Verão passado, em Eindhoven (Holanda) e pretende representar convenientemente o stress psicológico ao qual os quatro membros do grupo têm vindo a ser submetidos, desde a sua formação em 1985. É mais uma ou, melhor, uma outra  ramificação do hardcore de Washington DC, uma antimúsica-diversão de insvestidas rápidas, de saltar com os pés para o ar, por entre «slows» assassinos de dias estragados por falsas dignidades. O velho baixo de Johnny Temple galga, de língua de fora e saliva a escorrer-lhe pelas cordas, os compridos membros do seu dono – reparae-se em «Pembroke» e nos acordes finais, onde o vocalista beija o que lhe resta da vida com um «don’t disappear» misecordioso. Em «New Fast Fuck», a guitarra fora de moda de Scott McCloud sussurra-nos ao ouvido, já previamente precavido contra desleixadas descargas fora-de-ordem, o quanto tem em apreço os três acordes básicos aprendidos quando estudava a gramática da segunda classe, por volta de 77, mais ano menos ano. Bobby Sullivan, com umas vocalizações confidentes – como o sabor doo bagaço nas afiadas lâminas da sua garganta seca – dá o que pode na versão de «Crazy» (original de Willie Nelson), o melhor tema de «Hot Bodi-Gram» (e uma excepção num álbum que, sem dúvida, é uma decepção, depois do excelente 7” «Bass/103»). Do baterista dispenso-vos os comentários. «I’m crazy for trying, I’m crazy for crying, but I’m crazy for loving you?» Tenho as minhas reticências!
(LP, Dischord DISCHORD 38, 1989)
**,5 (2 estrelas e meia)
Miguel Santos


BIOTA
«TUMBLE»
Chris Cutler continua a surpreender os seus fãs com as suas magníficas edições no catálogo da Recommended, editora recomendável, quer pela qualidade e originalidade dos projectos que representa quer pela coerência que tem mantido na sua já longa existência (o Magalhães que o diga).
Em finais de 89 surge esta edição, assinada por um colectivo exímio em rasgos de criatividade, caracterizada por um conjunto de blocos acústicos empilhados segundo uma estrutura muito peculiar.
Os BIOTA (Mnemonists para os amigos), com larga experiência no campo das sonoridades irreverentes, iniciaram-se em 1979 quando lançaram o LP «Mnemonists Orchestra». Há quem os tenha comparado, na altura, ao radicalismo dos seus compadres Residents, isto apesar de, na realidade terem pouco a ver com eles.
Hoje, os BIOTA trabalham segundo moldes ligeiramente diferentes. Duas operações fundamentais descrevem o método utilizado pelos seus elementos (William Sharp, Gordon Whitlow, Mark Piersel, Tom Katsimpalis, Steve Scholbe, Larry Wilson e Randy Yeats): Primeiro, a fase criativa, de curtos trechos desenvolvidos em pequenas estruturas instrumentais. Depois a fase de mistura, onde estas peças sofrem alterações drásticas, quer ao nível dos timbres, quer ao nível das frequências e das modulações.
No caso concreto desta edição, surgida em formato compacto, os BIOTA foram mais longe. Sem utilizar a voz humana, criaram ambientes equivalentes através do uso do «sampling» e da digitalização de sinais analógicos.
Com funções específicas programadas, os BIOTA filtram e reordenam o material tratado, obtendo um todo de difícil caracterização.
«Tumble» são 74 minutos da vida que não podem ser vividos de outra forma. Personifica uma excelente experiência de duas correntes, a priori, incompatíveis. Deslumbrante.
(CD, Recommended Records, 1989, Imp., Contraverso)
****,5 (4 estrelas e meia)
Paulo Somsen


NOX
«LIVE AT THE MANUFACTURE»
Sessão ao vivo, gravada no «Theatre de la Manufacture» em Nancy.
A tríade Nox, Cecile Babiole, Laurent Perrier e Gerome, prossegue o seu desejo no seio da música progressiva. Nesta experiência seguem rumo por um campo cuja aceitação por alguns escutantes pode ser difícil.
Do eixo das compilações pelos diversos continentes, os Nox acautelaram um nome e deram-se a conhecer a um auditório sucessivamente mais amplo. E não escondem a sua admiração pela vanguarda alemã, nomeadamente pelo Neu e Faust.
De regresso à terra-mãe encontraram em Nancy um projecto editorial, a tempo inteiro, de superior qualidade e encetaram então um relacionamento suficientemente estreito para que fosse lá a sede do seu primeiro trabalho de originais em 33 rotações, o Lp «Crowd». O segundo Lp, «Acte 1», reavalia e reformula o conceito tradicional dos Nox: uma bateria enérgica, por vezes extenuante, um ritmo suficientemente frenético, sempre tribal, um anseio de criar um mito, sem rito, e ofertar a mensagem a quantos for possível, assim se estabelece o comensalismo editora-grupo.
Como no próprio espectáculo ao vivo, o compacto não possui demarcações dos vários temas e tenta transportar quem o escuta à noite em que foi gravado, mostrando os instrumentos no seu trabalho mais rude, menos estilizado.
Não se encontra na sua música uma uniformidade sonora, daí que os possam comparar a projectos de índole suficientemente dispare para suscitar a curiosidade de qualquer um.
Contacto: KERNERSTRASSE 15, D-7156 WUNSTENROT, WEST GERMANY.
(CD, Permis de Construire Deutschland)
*** (3 estrelas)
Eugénio Teófilo











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