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18.7.15

Memorabilia: Revistas / Magazines / Fanzines (105) - Monitor #42


Monitor
Nº42

Ano V
Fevereiro de 98
III série

24 páginas - p/b - A5 landscape, papel fino tipo jornal

Assinaturas - 12 números - 2000$00
Tiragem 500 exemplares


Editores
Rui Eduardo Paes
Paulo Somsen
Colaboradores neste número

Pedro Ivo Arriegas
Jorge Lima Barreto

Vasco Durão
Gonçalo Falcão
Ivo Martins
Pedro Santos
Jorge Saraiva

Rui Eduardo Paes
«A Orelha Perdida De Van Gogh»

[Livro Hugin, 1998]
O jornalista musical Rui Eduardo Paes editou na Hugin o seu segundo livro, «A Orelha Perdida De Van Gogh», um título trivial, talvez depois de «Ruínas» só exista uma orelha, faltando a outra essencial para a normal audição de música. Num livro que prima pela citação de nomes fica-nos inatingível um índice onomástico. Uma colectânea de textos variegados na índole cultural, da análise conspícua à referência encomiástica, da banalidade ao rasgo inventivo, numa leitura copiosa dificultada pela desarrumação de matérias ou assoberbada pela ubris da torre informativa; devemos entender este tomo como a recuperação fractal e indiferenciada de edições prévias, algumas delas interessantes.
O erotismo do livro está numa epísteme imutável das mamas equacionadas com certa lei da invariância, nos erros semânticos, documentalistas e tipográficos. Um exemplo retumbante está nos considerandos precipitados sobre a guitarra portuguesa onde o manipulador se confunde com o virtuosismo ou o rizoma está indistinto da raiz. O génio fica tu-cá-tu-lá com o bricoleur oportunista.
O livro é uma alegoria mediológica que nos fornece pistas para uma codificação desconexa do texto sumptuoso nas suas recolhas.
Sem remissão, as glosas que dizem respeito às diversas matérias são alinhadas numa série de clonagens (elípticas e metamusicais) de alhos e bugalhos, ciência e técnica, dogma e anedota, das artes visuais e da literatura afloradas de passagem à rápida e inconclusiva reflexão filosófica, do recrutamento arbitrário de músicos ao sabor da afectividade ou da manobra cultural; seio túrgido de uma cicciolina musemática.
O texto iminentemente jornalístico pelos componentes do sensacionalismo eruditão e pelo relato aparentemente fiel aos factos é um documento cyberpunk, pois formula-se entre a aberração e a meditação. Como literatura pós-moderna realiza-se na galimácia, na hibridação, no simulacro, no plágio e na elocubração com que retoma o livro anterior, «Ruínas».
A temática é «música a metro», «sem palavras com...», «super-po limão», «da efemeridade», «elogio da ambiguidade», «falsificação da história», «operação rizoma», ou finalmente «com pés e cabeça», um caudal generoso de ideias acerca do mundo e da ecologia cultural de certa música de hoje.
Este livro funciona como uma sequência de flashes, é procura experimental cuja finalidade está em colocar uma prótese na orelha (perdida) de um mito: nesta operação imaginária, Van Gogh estaria apto a ouvir o que se faz hoje na Nova Música, entre outras ruínas, outras derivas literalmente coligidas a partir de uma informação abundante senão prodigiosa. «A Orelha Perdida De Van Gogh» é um trabalho singular na nossa musicografia.
[JLB] - Jorge Lima Barreto



 




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