26.7.15

Memorabilia: Revistas / Magazines / Fanzines (111) - Monitor #48


Monitor
Nº 48

Ano V
Agosto de 98
III série

24 páginas - p/b - A5 landscape, papel fino tipo jornal

Assinaturas - 12 números - 2000$00


Editores
Rui Eduardo Paes
Paulo Somsen
Colaboradores neste número
Pedro Ivo Arriegas
Vasco Durão
Jorge Mantas
Carlos Branco Mendes
Gonçalo Falcão
Miguel Santos
Pedro Santos
Jorge Saraiva

Em Defesa Dos Executores
por Pedro Ivo Arriegas
(acho que estive lá)

Vem isto a propósito da passagem dos turntablists X-Ecutioners pelos Armazéns Abel Pereira da Fonseca na noite de Agosto para Setembro, assinalando o término do Festival Mergulho no Futuro.
No pós-concerto de tudo se ouviu um pouco. Eis alguns exemplos:
«Pena não terem deixado os discos tocar!»
«Mas diz-me, não tocaram nenhum instrumento, pois não?»
«Virtuosismo por si só não me interessa!»
«Aquilo de música não tinha nada!»
«Não penses fazer aquilo com os meus discos!»
Pois...
O que eu vi e ouvi deve ter sido algo diferente, e para melhor.
Os rapazes não estavam ali para mostrar que compram bons discos, que possuem as novidades de cuja existência ainda ninguém sequer suspeitou, que são ecléticos ou que detêm um insuperável bom gosto na
escolha dos temas que se encadeiam harmoniosamente ou aquela suprema sensibilidade que lhes permite conduzir as hostes dançantes, mantendo-as em contínuo movimento ao longo de toda uma noite. Aliás,
talvez nem fossem discos para serem passados por DJs. Os dedos (e os cotovelos, e os narizes) pousavam nos arquivos sonoros cujas gavetas se abriam para que o seu conteúdo jorrasse durante décimos de
segundo por sobre toda a assistência.
Vi serem manuseados instrumentos [8 x (vinil + prato)] onde uma panóplia disponível de sons era trabalhada, organizada e transmitida à assistência pela arte e inspiração dos tocadores. Não é isso que os
instrumentistas (sim, mesmo no sentido tradicional do termo) fazem? Virtuosos, assuma-se que sim. De qualquer modo, o que se ouviu ali não seria possível sem o virtuosismo demonstrado, para o que decerto
contribuem uma espantosa noção do tempo e do ritmo, muitas, muitas horas de prática e muito disco e agulha para o lixo.
Ouvi música que talvez não me predisponha a escutar no remanso do lar, mas tal é comparável à distância entre o prazer do contacto directo com a música improvisada e o desconforto que alguma desta estética
me provoca quando escutada em suportes fonográficos. É também uma questão de espaço, ocasião e disposição.
Quanto ao «don't try this at home», poupe-se o vinil que interessa e treine-se com o volumoso pacote «As 101 Maravilhosas Melodias de Todos os Tempos», que além do mais já serviu para obter a ambicionada
calculadora portátil e habilitou o comprador a um concurso cujo prémio maior é um T2 na Quarteira.

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