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12.3.15

Memorabilia: Revistas / Magazines / Fanzines (47) - Die Neue Sonne - Nº 2 - Abril de 1988


Die Neue Sonne
Nº 2 - Abril de 1988
32 páginas A5 a p/b
Colaboram neste número: Jorge Pereira, Hansel, Gretel, Barbarian




Einstürzende Neubauten
Há um início do fim! Se há momento em que realmente vale a pena compenetrarmo-nos de que não passamos de míseras peças de uma maquiavélica engrenagem social, a audição da música do EINSTURZENDE NEUBAUTEN torna-se na verdade um potencial catalizador de acções mentais que apontam para essa ideia.
O grito assume um papel determinado. Quase fatal. Tudo é dor e desespero e torna-se-nos impossível mantermos hipóteses de que acções gratuitas povoem um trabalho tão belo e radical. Claro que, quando me refiro à beleza, não a rebusco em imagens estereotipadas e pré-construídas. Apoio-me simplesmente em estruturas mentais próprias: a beleza da dor, do suspiro confidente da criança hospitalizada, da martelada final, do bater ritmado de um trémulo coração em cadência finita...

Nos sons criados pelos E. Neubauten, tudo é terrivelmente cuidado. Mas é de salientar, porém, a presumível posição caótica de "o ruído". É que ele não é facilmente audível na sua perfeição: exige, pelo contrário, uma forçosa tomada de posição por parte do ouvinte. Ou se se afunda no sofá, arrasado, cansado, destruído, mas visivelmente bem para consigo próprio; ou numa atitude perfeitamente antagónica, se se começa a destruir tudo o que nos rodeia num gesto de fácil compreensão para quem lê a misteriosa e pertinente máxima ditada pela banda: "A DESTRUIÇÃO NÃO É NEGATIVA. TEMOS QUE DESTRUIR, PARA CONSTRUIRMOS! Para quem nunca com eles, a primeira audição provoca, como num acto de iniciação, um quase não conseguir abrir a boca ou activar o cérebro, que nesses momentos se torna nalgo de perfeitamente inútil. De seguida as emoções transmitem-se, por amor, para o pedaço de vinil... "Prédios novos desabando" - eis a tradução literal de EINSTURZENDE NEUBAUTEN. Não podia compreendê-lo! Noto agora que é mesmo necessário desligarmo-nos das coisas, mesmo que muito gostemos delas, para que de seguida possamos construir algo de suficientemente válido.
O idioma alemão, frio, cruel, torna-se numa arma poderosa. Aliás, uma das nove armas com as quais os E.N. prometem destruir aquelas novas estruturas que presumivelmente se sentem fortalecidos nos tempos que correm. As palavras são articuladas lenta e dolorosamente. Os estilhaços de vidros partidos continuam a pefurar-me a carne e os tímpanos. É terrivelmente apaixonante esta dor que me fere sem perdão. Nada de masoquismo: só o direito à verdade!
BLIXA respira e às marteladas sucedem-se sons metálicos estridentes transportando-nos até uma dimensão perfeitamente alucinante que não é mais a realidade que se prentende simular. Caos total. Nada gratuita, pois tudo é fruto de uma dor que parte do nada, do sentimento... Nada é pensado, porque a dor não se pensa. Sente-se!...

E a serra mecânica continua a dilacerar-me o cérebro. Rio-me tresloucadamente. Choro: torno-me paradoxal, incompreensível. Na rua olham-me com faces ameaçadoras e simultaneamente desiteressadas.Da janela continua a sair o desespero. Frio, niilista, mesmo radical. Os extremos tocam-se e facilmente se compreende assim o facto de na música dos NEUBAUTEN, a loucura e a frieza se misturarem cruelmente com a felicidade, a razão e o desejo. Pelo meio, ficam inúmeros vidros estralhaçados, metais amassados, sons cortantes capazes de violentar ouvidos ao mais surdo dos surdos e muitos, muitos sentimentos perdidos.
Há quem diga que a música dos NEUBAUTEN só é possível graças à constante busca de novas coisas. A tal "the next big thing"... Não acredito: A pop está morta, já o sdabemos. Cheira até mal, pois há anos que se arrasta em putrefacção. A arte dos E.N. desde há muito que era exigida, pois é das poucas coisas que ainda têm a coragem e a frieza de não nos mentir. Afinal ainda há quem nos diga: "oiçamos o barulho do coração a bater..."
Tudo indica que esta banda tivesse que surgir mais tarde ou mais cedo. Fê-lo em 1980. Para trás e para a frente, ficam-nos résteas de desesperos semelhantes: Test Department, Birthday Party, Lydia Lunch, Nick Cave & The Bad Seeds, Sonic Youth, Swans, Prunes, 23 Skidoos, Butthole Surfers, Crime & The City Solution... Tudo pérolas deitadas a porcos que não as sabem ou souberam reconhecer. Gastam-se energias e tempo com modas e esquece-se de restaurar a verdade, a força do grito dilacerante. Assumem-se atitudes incompreensíveis de rejeição à primeira audição, mas ignora-se que o amor e alegria sabem melhor quando pensados e reencontrados em algo realmente válido.
Afinal passeamo-nos sobre uma frágil corda instalada sobre um precipício e quem tiver coragem e força para olhar para baixo, duma coisa poderá ter a certeza: cairá, primeiro, mas pelo menos compreenderá o porquê da queda. Do fim...
A formação inicial dos EINSTURZENDE NEUBAUTEN, Blixa Bargeld; N. U. Unruh; Alexander Hacke; Marc Chung e finalmente F. Mufti Einheit, manteve-se ao longo destes sete anos de existência sem rupturas, apesar do interregno criativo da banda a que os seus próprios elementos se auto-impuseram, em inícios do ano de 1986. Porém, dia 7 de Setembro de 1987 foi a data de reencontro da banda com o seu público. Local escolhido: London Kilburn National, em Londres, claro... Os Showaddywaddy, banda que curiosamente se entrega à elaboração de um rock 'n' roll renascido e espectacularmente excitante, procuraram e de certa forma conseguiram reter os ânimos, mas não sem que tivessem incentivado anteriormente 4 pessoas do público a subir ao palco para mostrarem como se reage ao rock 'n' roll... Subiram 6 punks 2adarkalhados"! A tradição gótica (eh! eh! eh!) manteve-se: gerou-se ali tamanha pancadaria que só mesmo com a entrada e restantes elementos dos E.N. cessou Depois foi o delírio. "THIS WAS MADE TO END ALL PARTIES" - vociferou.
E cumpriu-se.

Marc Chung e Einheit, antigos elementos dos AbWarts são dois dos principais impulsionadores da "técnica" do "metal no meta". O espancamento dos instrumentos torna-se incessante. Unruh acompanha. Blixa, o líder, desde cedo se empenhou noutras "lutas": ele faz parte integrante dos BAD SEEDS, banda que acompanha Nick Cave nesta sua actividade após a dissolução dos B. Party.
A discografia dos Einsturzende Neubaute é já relativamente extensa. Em 82 lançam Kollaps, seguindo-se-lhe, no ano seguinte Zeichnungen des Patienten OT / Drowings on OT. Em 1984, editam uma compilação retrospectiva dos seus quatro anos de existência. 80-83 Strategien Gegen Architekture / Strategies Against Architecture é o título desse álbum, que incluía entre temas do primeiro LP e um single antigo dos tempos de início da banda, algumas faixas inéditas, ao vivo e em estúdio. Ainda em 84, sai também o 12" EP Yu Gung, acabando por ser lançado no ano seguinte Halber Mensch, último trabalho de longa duração anterior à já citada paragem. É a partir deste período que a banda se começa a abrir um pouco mais a "estrutura-canção", concretamente até pelo uso de teclados nas mesmas.
1987: novo álbum!
Após o auto-imposto exílio, o jogo de sombras sonoras é retomado, agora mais fortalecido e talvez mais coerente do que nunca. O raio de acção foi, sem dúvida, alargado. Não lhes procurem fugir, pois encontrá-los-ão sempre onde menos se espera. Serão a personalização desse memorável colapso arquitectural ou não se apelidassem eles o início do fim do suicídio.
1987: novo álbum: "FUN AUF DER NACH OBEN OFFENEN RICHTERSKALA".
1987: edição, pela Roir UK, York UK, de uma cassete não pirata, chamada "2x4", sem dúvida excelente, com gravações de registos de vários concertos e perfomances dadas pela banda. Para além disto, a K7 tem uma apresentação magnífica com uma composição deveras interessante...





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