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13.4.17

DN - Série: Discos Pe(r)didos (12)



DN - Diário de Notícias
06 Abril 2002

Discos Pe(r)didos


Lisboa, 1984. Com quatro anos de vida, o Rock Rendez Vous (RRV) encetava um certame que se transformaria, em pouco tempo, numa espécie de ex-libris da «casa»: o Concurso de Música Moderna. Fruto de um momento de fervilhante agitação nos espaços da criação e divulgação de uma emergente ideia de música alternativa portuguesa. Resultado, por um lado, de uma natural resposta dos músicos à implosão do mercado mais «oportunista» de 1982 e, por outro, da solidificação de importantes espaços de divulgação na rádio (Comercial e Renascença) e imprensa («Sete» e, mais tarde, já em finais de 1984, a entrada em cena de uma publicação de especialidade: o «Blitz»), um novo mundo de bandas e conceitos aguardava a abertura de uma janela. E assim aconteceu, na Rua da Beneficência ao Rego.
Para a primeira edição do Concurso de Música Moderna do RRV inscreveram-se um total de 101 bandas, das quais 24 foram seleccionadas, seis delas apuradas, depois como finalistas... Na final eram jurados António Sérgio (Rádio Comercial), Ana Cristina (Rádio Comercial), Rui Pêgo (Rádio Renascença), Ana Rocha («A Capital»), João Gobern («Sete»), Amílcar Fidélis («Diário Popular»), António Manuel Ribeiro (UHF), Manuel Cardoso (Frodo), Zé Pedro (Xutos & Pontapés) e João Santos Lopes (RRV). Vencedores... os Mler Ife Dada.
Formados poucos meses antes, os Mler Ife Dada eram, nesta sua primeira formação, Nuno Rebelo (baixo), Pedro d’Orey (voz) e Kim (guitarra) e mostraram desde logo, nas eliminatórias e final do concurso do RRV, uma ideia de franca identidade e personalidade tanto no som como na imagem, deles nascendo (de facto), a mais sólida proposta em competição.
Como parte do prémio, coube ao grupo a hipótese de registar um primeiro disco, gravado pouco depois nos estúdios da Rádio Triunfo, com Paulo Junqueiro (hoje A&R nacional da EMI-VC) e produção de Nuno Canavarro (ex-Street Kids, tal como Nuno Rebelo).
«Zimpó», o máxi-single com o qual os Mler Ife Dada assinalam, em inícios de 1985, a sua estreia editorial, é um interessante representante da ponta do icebergue de uma multidão de projectos que procuravam então novas formas na vanguarda de uma «nova» música portuguesa (chamavam-lhe «moderna» na época).
O disco é constituído por apenas três temas, o primeiro dos quais (o tema-título)  ainda hoje recordado como uma das pérolas esquecidas da pop alternativa lusitana de 80, fluente na estrutura rítmica, animado e conduzido por uma guitarra que tanto citava os Durutti Column como parecia assumir a essência antiga da guitarra portuguesa. Na face B do máxi-single apresentavam-se dois temas cantados em inglês, cativantes, mas em nada comparáveis a «Zimpó».
Complemento fundamental às três canções apresentadas no disco, a capa do máxi-single é mais uma clara manifestação das intenções estéticas de um grupo com uma consciência de arte final invulgarmente apurada para o que era norma na época. Uma pintura de Mateus e Sérgio, sobre a qual se inscrevem (na contracapa) os créditos e fotografias é interessante expressão visual de um som novo, moderno, desafiante, avesso à prática d o «mais do mesmo».
O grupo não conheceu, contudo, vida longa com esta formação tanto que, alguns meses depois, apenas Nuno Rebelo se mantinha nos Mler Ife Dada, acompanhado por uma série de novos músicos, entre eles a vocalista Anabela Duarte, que se estreariam no single «L’Amour Va Bien Merci» (1986), ao que se seguiria, já em 1987, o clássico «Coisas Que Fascinam», álbum de estreia e um dos mais importantes registos da história do pop/rock lusitano.
N.G.


MLER IFE DADA 
«Zimpó»
Máxi-single, Dansa do Som, 1985 
Lado A: «Zimpó»; 
Lado B: «Stretch My Face», «Spring Swing» 
Produção: Nuno Canavarro








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