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19.4.17

DN - Série: Discos Pe(r)didos (17)



DN - Diário de Notícias
13 Julho 2002

Discos Pe(r)didos



Os cenários de explosão rock que os portugueses viveram entre os finais de 70 e inícios de 80 representaram, por si, as razões fundamentais pelas quais se explica o fraco desenvolvimento dos fenómenos de ligação das electrónicas à música pop entre nós. Com uma cultura pop/rock a viver, em jeito de concentrado de acontecimentos, 20 anos de desenvolvimento atrasado, os primeiros dias da década de 80 conheceram um estranho efeito de salada russa na produção discográfica nacional, juntando estéticas já antigas a fracções mais discretas de modernidade.
E é entre alguns destes mais ousados projectos que irrompem as electrónicas, usando-as uns como mero tempero para uma refeição pop/rock com guitarra, baixo e bateria, poucos tendo sido os que apostaram de facto numa identidade «electro pop», que então conhecia messias não só nos alemães Kraftwerk, mas na interessante multidão de projectos que entrava em cena em Inglaterra (Human League, OMD, Depeche Mode, Yazoo, entre outros, todos eles com considerável exposição na rádio portuguesa de então e grande aceitação entre os mais novos). Nesta localização temporal convém ainda recordar que, na época, os teclados e electrónicas eram olhados de soslaio pelos partidários das guitarras, estes acusando as novas tecnológicas de ser música fácil, automática, o que conferia às bandas electrónicas uma espécie de alvo imediato do gozo dos espíritos mais duros de ouvido... Birra hoje resolvida, naturalmente.
É certo que os Tantra usavam já sintetizadores (particularmente no derradeiro «Humanoid Flesh», de 1980). O mesmo se verificava nos Salada de Frutas («Robot», 1980), nos Heróis do Mar («Brava Dança dos Heróis» / «Saudade», single de estreia em 1981), assim como em alguns outros mais projectos. As electrónicas tomaram até protagonismo evidente em «Foram cardos Foram Prosas» de Manuela Moura Guedes (produção de Ricardo Camacho para um belo single em 1981).
Em 1982, uma série de projectos exclusivamente electrónicos entram em cena no panorama português, reflectindo não só uma maior abertura da rádio e editoras a estas estéticas, como sublinhando o que fora a adesão dos portugueses a canções como «Just Can’t Get Enough» dos Depeche Mode ou «Open Your Heart» dos Human League no ano anterior. Com «Lisboa Ano 10 Mil» e «Fantasmas», os Da Vinci apresentam-se com um projecto esteticamente coerente e musicalmente apoiado pela experiência de um ex-Tantra e de um músico de Jazz. No mesmo ano apresentam-se ainda Tó Neto (o Jarre português, com o álbum «Láctea»), Carlos Maria Trindade (Heróis do Mar) edita, a solo, «Princesa», Frodo lança «Zbaboo Dança»... Mais tarde haverá ainda que ter em conta o single «Estou Além» de António Variações (1983), «Como Um Herói» (1984) do projecto Stick (de Sérgio Castro e António Garcês), os Poke, de Quico, que em 1984 editam o fundamental máxi-single de pop electrónica «Digitalmente Afectivo», e a aventura pop de Ana Paula Reis «Utopia» (1984).
Formados também em 1982, os Ópera Nova começaram por ser um trio constituído por Luís Beethoven, Manuel Andrade Rodrigues e Pedro Veiga, todos eles estudantes, entre os 18 e 20 anos. Com imagem apurada pelo costureiro Zé Pedro apresentam-se em 1983 com o máxi-single «Sonhos», que juntamente com o disco dos Poke e o álbum «Caminhando» (1983) dos Da Vinci, representa a essência do breve movimento electro pop português de 80. Os Ópera Nova apresentam uma música tecnicamente apurada, na qual se cruzam referências dos OMD e Visage (atenção ao «lettering» na capa). Braunyno da Fonseca substitui, pouco depois, Manuel Rodrigues. Luís Beethoven afasta-se mais tarde. Editam ainda «México», single menor de 1984, e desaparecem do mapa.
N.G.

ÓPERA NOVA 
«Sonhos» 
máxi-single, Polydor, 1983

Lado A: «Sonhos» (versão longa); 
Lado B: «Luar», «Palavras» 
Produção: Carlos Maria Trindade









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