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30.4.17

DN:música - Série: Os Melhores Álbuns De Sempre (8)


DN:música
Os melhores álbuns de sempre
17 de Junho de 2005


[44] HERÓIS DO MAR

HERÓIS DO MAR


No meio da euforia editorial que caracterizou o Portugal Pop/Rock de inícios de 80 um álbum destacou-se dos demais e fez história. Apresentou os Heróis Do Mar e com eles conhecemos um verdadeiro sentido de portugalidade em regime pop que ainda hoje tem herdeiros na cena musical nacional

TÍTULO Heróis do Mar
ALINHAMENTO Brava Dança dos Heróis / Amantes Furiosos / Magia Papoila / Salmo / Bailar / Olhar No Oriente / Mar Alto / Saudade
ANO 1981 (edição Philips / Universal)
PRODUTOR António Pinho

T: Nuno Galopim

O Portugal musical de 1980/81 era um caldeirão em ebulição, entusiasmado com a descoberta da composição (e viabilidade no mercado) de uma música pop/rock feita em português. Depois dos sucessos iniciais de Rui Veloso, UHF, GNR, Táxi e Salada de Frutas, novas bandas, novos singles, surgiam a um ritmo alucinante, respondendo a uma procura igualmente ávida. Contudo, entre discos que denunciavam essencialmente um sentido de urgência prático, um acabou por se destacar pela inteligência formal, pela musicalidade atenta, actual e oportuna, pela ousadia estética, inscrevendo definitivamente um real sentido de portugalidade numa linguagem pop/rock. Chamou-se Heróis do Mar e revelou, em 1981, uma das mais marcantes bandas da história da música popular portuguesa.
Já havia antecedentes esteticamente estimulantes entre os elementos do grupo, alguns deles recém chegados da discreta (mas temporalmente consequente) aventura punk nos Faíscas e sua descendência natural nos Corpo Diplomático, banda cujo único e histórico álbum (Música Moderna, de 1979 e ainda por reeditar em CD) apresentava um título que sugeria a chegada de uma ideia de modernidade à pop portuguesa.
Firmes numa intenção política (leia-se ideário filosófico prático e não manifestação partidária) de dotar o país e uma nova geração de uma música “sua”, o disco nasce de longo período de reflexão durante o qual a atenção dos músicos pelos acontecimentos mais recentes da pop internacional se cruzou com leituras sobre a História de Portugal, preparação conceitual para um manifesto que desejou mudar a música portuguesa. E como mudou!
Num tempo ainda ecoando excessos revolucionários e receios perante inevitáveis e marcantes símbolos nacionais, numa altura em que se falava do futuro e parecia esquecer o passado, a música e atitude dos Heróis do Mar catalisou uma verdadeira revolução de mentalidades. Cruzou raízes da música portuguesa (e inclusivamente de África, como se escuta em Saudade) com a linguagem pop do momento, despertando um sentido de orgulho pela identidade cultural que fez carreira depois em diversos projectos musicais nacionais, da Sétima Legião aos Madredeus (vida posterior de Pedro Ayres Magalhães e Carlos Maria Trindade, respectivamente baixista e teclista dos Heróis do Mar).

Musicalmente arrebatador perante o restante cenário pop imberbe da época, ideologicamente consequente, colocou no mapa pop uma nova forma de ouvir Portugal). O terror perante certos símbolos (a cruz de Cristo, as fardas), valeu-lhes as suspeitas de alguns. Derrubadas, um ano depois, pelo êxito transversal de Amor.








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