19.12.13

Krautrock - A Lista (quase) Definitiva... (Parte 6/26: letra F)


Segundo a melhor enciclopédia do género, recenseada em post anterior:

The Crack in the Cosmic Egg - Encyclopedia of Krautrock, Kosmische Musik, & Other Progressive, Experimental & Electronic Musics From Germany

. Quando o formato não é indicado, corresponde a LP.
. Esta lista (todas as partes) será actualizada com as indicações das obras que possuo e que poderei disponibilizar para audição (as de fundo colorido);
. Só estão listados os dados referentes às primeiras edições. A maioria das obras possui outras edições (em LP e, sobretudo, em CD.
. Existem artistas e bandas que se mantiveram, e alguns deles ainda se mantêm, em actividade, com novas edições, que não estão incluídas na Enciclopédia (nem aqui), mas que são acrescentadas no final da tabela - uma linha de intervalo (essas também tenho, obviamente).
Se quiserem ajudar... vão indicando erros, lapsos, obras ausentes, etc. para o email habitual. Grato.



Faithful Breath
Fading Beauty
self-released
1974
FB AA 6693 233

Back On My Hill / Stick In Your Eyes (7”)
self-released
1977
FB RRF 45003

Back On My Hill
Sky
1980
038
Falckenstein
Falckenstein
Nature
1979
60.179

Feuerstuhl
Nature
1980
60.268

Illusion
Nature
1982
60.428
Family Of Percussion
Family Of Percussion
Nagara
1975
MIX 1010-N

Message To The Enemies Of Time
Nagara
1978
MIX 1016-N

Sunday Palaver
Nagara
1979
MIX 1018-N

Here Comes The Family
Nagara
1980
MIX 1021
Faust
Faust
Polydor
1971
2310 142

So Far / It’s A Bit Of Pain (7”)
Polydor
1972
2001 299

So Far
Polydor
1972
2310 196

Outside The Dream Syndicate
Caroline
1972
C1501

The Faust Tapes
Virgin
1973
VC 501

Faust IV
Virgin
1973
V2004 / 87.739-1T

Extracts From Faust Party 3 (7”)
Recommended
1979
RR 1.5

Faust Party 3 Extracts #2 (7”)
Recommended
1980
RR 6.5

Munic & Elsewhere
Recommended
1986
RR 25

The Last LP
RèR
1988
36 #1988

71 Minutes Of Faust (CD)
RèR
1988
F1CD

--> Chemical Imbalance, Vol. 2 #3 (7”)
Chemical Imbalance
1992
CI 008

The Pyre Of Angus Was In Kathmandu / The Death Of The Composer Was In 1962 (7”)
Table Of Elements
1993
LITHIUM 3

The Faust Concerts, Vol. 1: Prinzenbar Hamburg 1990 (CD)
Table Of Elements
1994
FE 26

The Faust Concerts, Vol. 2: Marquee, London 1992 (CD
Table Of Elements
1994
CO 27

Rien (CD)
Table Of Elements
1995
CHROMIUM 24
Feuerrote
--> Unknown Deutschland: Volume 1



Firehorse
On The Wind
Ariola
1980
201 735
Flame Dream
Calatea
Philips
1979
6326 067

Elements
Vertigo
1980
6326 976

Out In The Dark
Vertigo
1981
6367 016

Supervision
Vertigo
1982
6435 144

Travaganza
Vertigo
1983
6435 197
Flight
Flight
Noa
?
1005811
Floh De Cologne
Vietnam
Plane
1968
S 33101

Fliessbandbabys Beat-Show
Ohr
1970
56000

St. Pauli, Dumein Loch Zur Welt / Bruno-Lied (7”)
Ohr
1970
OS 57.001

Rockoper Profitgeier
Ohr
1971
OMM 56 010

Emil In Erkenschwick / Zahlen Musst Du (7”)
Ohr
1972
OS 57.009

Lucky Streik Live (2xLP)
Ohr
1973
OMM 2/56 029

Der Lowenthaler / Bayrisches Heimatlied (7”)
Ohr
1973
OS 57.012

Geyer-Symphonie
Ohr
1973
OMM 556 033

Dieser Chilenische Sommer Was Suss (7”)
self-released
1973
21174

Mumien
Plane
1974
S 99201

Tilt!
Plane
1975
S 99202

Rotkappchen
Plane
1977
K 20905

Prima Freiheit
Plane
1978
G 90239

Koslowski
Plane
1980
88230

Faaterland
Plane
1983
88319
Florian Geyer
Candle Of My Burial / Monday Afternoon (7”)
self-released
1974


Beggar’s Pride
self-released
1976
66.21284
Flute & Voice
Imaginations Of Light
Pilz
1971
20 21088-2

--> Heavy Christmas



Frame
Frame Of Mind
Bacillus
1972
BLPS 19107
Chris Franke




Franz K.
Sensemann
Philips
1972
6305 127

Rock In Deutsch
Zebra
1973
2949 014
Free Orbit
Free Orbit
MPS/BASF
1970
15 22517-8
Matthias Frey
Ziyada
Concept
1979
CC 001679

Colibry
VeraBra
1981
No. 2

Onyx
Rillenwerke
1982
8206

Inversion
Rillenwerke
1983
8308

Art Profiles
Sonoton
1989
SON 304
Florian Fricke
Die Erde Und Ich Sind Eins
self-released
1975

Friedemann
Songs For A Beginning
Stockfish
1977
SF 5013

The Beginning Of Hope
Zweitausendeins
1979
23640

Voyager
Zweitausendeins
1983
26100
Friedhof
Friedhof
Sound Star Ton
1971
SST 0103
Jürgen Fritz
Es Ist Nicht Leicht, Ein Gott Zu Sein (CD)
CBS
1990
466250
Edgar Froese
Aqua
Brain / Virgin
1974
1053/ V2016

Ypsilon In Malaysian Pale
Brain
1975
1074

Macula Transfer
Brain
1976
60.008

Ages (2xLP)
Virgin
1978
25756 XBT / VD2507

Stuntman
Virgin
1979
201 036-320 / V2139

Solo 1974-1979
Virgin
1982
204 574-320 / V2197

Kamikaze 1989
Virgin
1982
204 864-320 / V2255

Pinnacles
Virgin
1983
205 594-320 / V2277
Peter Frohmader
Nekropolis ’81, Vol. 1 (K7)
Nekropolis
1981
NC-1

Nekropolis ’81, Vol. 2 (K7)
Nekropolis
1981
NC-2

Nekropolis ’81, Vol. 3 (K7)
Nekropolis
1981
NC-3

Nekropolis ’81, Vol. 4 (K7)
Nekropolis
1981
NC-4

Nekropolis: Musik Aus Dem Schattenreich
Nekropolis
1981
RP 10122

Nekropolis 2
Hasch Platten
1982
KIF 002

Two Compositions (10”)
Nekropolis
1983
220171

Nekropolis Live
Schneeball
1983
1037

--> Musik Für Dich (LP+7”)
Hasch Platten
1984
KIF 006/7

The Forgotten Enemy (mLP)
Hasch Platten
1984
KIF 008

Cultes Des Goules
Nekropolis
1985
220172

Orakel / Tiefe (K7)
Auricle
1985
AMC 011

Ritual
Multimood
1986
MRC-001

Jules Verne Cycle (K7)
Auricle
1986
AMC 018

Homunculus, Vol. 1
Nekropolis
1987
220173

Homunculus, Vol. 2
Multimood
1987
MRC-004

Wintermusic (mLP)
Multimood
1987
MRC-006

Through Time & Mystery-Ending (2xLP)
Nekropolis
1988
220174

Spheres (K7)
Nekropolis
1988
NC-7

--> Arcana Coelestia
Multimood
1989
MRC-007

Miniatures (CD)
Nekropolis
1989
NCD 001

Macrocosm (CD)
Cuneiform
1990
RUNE 23

3rd Millenium’s Choice – Vol. 1 (CD)
Nekropolis
1990
NCD 002

Armorika (CD)
Nekropolis
1991
NCD 003

3rd Millenium’s Choice – Vol. 2 (CD)
Nekropolis
1991
NCD 004

--> Attenti Al Treno! (CD)
Nekropolis
1992
NCD 005

Advanced Alchemy Of Music (CD)
Nekropolis
1994
NCD 007

Cycle Of Eternity (CD)
Cuneiform
1994
RUNE 59

Gates (CD)
Atonal
1995
12761
From
“0611” Cat Quarter
CBS
1971
S 64616

Power On
CBS
1972
S 65254
Frumpy
--> Pop & Blues Festival ‘70




All Will Be Changed
Philips
1970
6305 067

Roadriding / Time Makes Wise (7”)
Philips
1971
6003 174

Frumpy 2
Philips
1972
6305 098

By The Way
Vertigo
1972
6360 604

Live (2xLP)
Philips
1973
6623 022

Now!
Mercury
1990
842 517
Limpe Fuchs
Via
Dom
1987
V 77-10

--> Ohren Des Kaiser Hirohito




Muusiccia (CD)
Streamline
1993
1004
Führs Fröhling
Ammerland
Brain
1978
60.105

--> Brain Festival Essen II




Strings
Brain
1979
60.223

Diary
Brain
1981
60.333
Funky Bone & The Gang
--> Umsonst Und Draussen Vlotho 1977


















Faust
Ravvivando (digipak)
Klangbad (Germany)
1999
none
Faust
Faust Wakes Nosferatu (gatefold)
Klangbad / Think Progressive (Germany)
1997
none
Faust
Patchwork 1971 – 2002 (digipak)
Staubgold (Germany)
2002
staubgold 37
Faust
Something Dirty (digipak 3-fold)
Bureau B (Germany)
2011
bb65
Faust
You Know Faust
Klangbad (Germany)
1996
none
Floh De Cologne Live
Profitgeier
Ohr Today (Germany)
1999
OHR 70011-2
Faust
BBC Sessions +
ReR Megacorp (UK)
2001
ReR F5
Faust
Edinburgh 1997
Klangbad (Germany)
1997
Klangbad 5
Faust
Faust Redux – The Faust Party Tapes II
bootleg ???


Faust
Live Paris Nouveau Casino, 7.11.2006
bootleg


Faust
Live Paris Nouveau Casino, 7.11.2006
bootleg (repetida)


Faust & Henry Cow
Live In London Rainbow Theatre 1973
bootleg


Nurse With Wound + Faust
Disconnected (limited edition)
Art-errorist (Germany)
2007
D/DIS1/07
Christopher Franke [Tangerine Dream]
Pacific Coast Highway
Virgin (UK)
1991
CDV 2661
Franz K.
Wir Haben Bock Auf Rock
Aladin / EMI Electrola (Germany)
1977
1C 056-32 663






14.12.13

Livros sobre música que vale a pena ler (e que eu tenho, lol) - Cromo #40: Simon Reynolds - "Rip It Up And Start Again - Post-Punk 1978-1984"


autor: Simon Reynolds
título: Rip It Up And Start Again - Post-Punk 1978-1984
editora: faber and faber
nº de páginas: 577
isbn: 978-0-571-21570-6   ou   0-571-21570-x
data: 2005



sinopse: 



'Nunca esperei que fosse escrito um livro acerca deste tema; Tendo sido, nunca ousaria esperar que fosse tão bom como este é'
Nicholas Lezard, Guardian Book of the Week

O Punk revitalizou o Rock nos meados da década de 70, mas o movimento rapidamente degenerou numa auto-paródia. Rip It Up And Start Again é o primeiro livro de fôlego a celebrar o que aconteceu a seguir:
bandas post-punk que se dedicaram a prencher a interminada revolução musical. 1978-1984 rivaliza com os anos 60 pela imensa quantidade de música fabulosa criada, o espírito de aventura e possibilidades que lhe
infundiu, e o modo como os sons se ligaram inextrincavelmente à turbulência política e social daquela era. Simon Reynolds, o aclamado autor de Energy Flash, recria uma época caracterizada pela extrema urgência
e idealismo na música pop. Juntando relatos de episódios e texto opinativo, preenchido por personagens carismáticas e dissidentes, Rip It Up and Start Again fica como um dos mais inspirados e inspiradores livros
sobre música popular de todos os tempos.

'Um tributo fantástico a um período de criatividade musical maravilhoso... Um clássico pop instantâneo, merecedor de um lugar nas vossas estantes ao lado dos poucos livros sobre música popular que realmente
interessam'.
John McTernan, Scotland on Sunday


Introdução
O Punk passou-me quase completamente ao lado. Com treze anos, a caminho dos catorze na altura, tendo crescido numa cidade de passagem como Hertfordshire, tenho apenas memórias sumidas de 1977 e
tudo-isso. Recordo vagamente fotos espalhadas de punks de crista num suplemento a cores do Sunday, mas apenas isso.
Os Pistols juravam na televisão, 'God Save the Queen' versus o Silver Jubilee, uma cultura inteira convulsionada e tremendista - Eu simplesmente não me dei conta. Como eu estava acima e dentro disso tudo em vez disso - bem, era um bocado tapado.
Foi em 1977 o ano em que eu queria ser cartonista? Ou, tendo ficado obcecado pela ficção científica, será que passei todo o meu tempo a trabalhar na biblioteca local , lendo Ballard, Pohl, Dick? O que tenho a
certeza é que a música pop dificilmente se imiscuiu na minha consciência.
O meu irmão mais novo, Tim, entrou no punk primeiro, uma horrível balbúrdia trespassando a parede do meu quarto. Numa das muitas ocasiões que lá entrei para me queixar, deverei ter desistido. A blasfémia
apanhou-me primeiro (eu tinha catorze anos, ao fim e ao cabo): As frases de Johnny Rotten ' Foda-se isto e foda-se aquilo / Foda-se tudo e foda-se aquele fedelho fodido'. Mais do que as asneiras em si, pensando
bem, era a veemência e virulência com que Rotten as proferia - aqueles progressivos foda-ses, o grunhido demoníaco dos r's rolantes 'brrrrrrrrr'. Houve mil razões/teses a realçar a importância sócio-cultural do
movimento, mas se alguém realmente honesto, o puro monstruoso diabólico do punk foi uma parte importante do seu atractivo. A moléstia dos Devo, por exemplo - nunca ouvi nada tão rastejante e arrepiante e fora de contexto como no seu single de estreia para a Stiff 'Jocko Homo' b/w 'Mongoloid', trouxe para a frequência da nossa casa um amigo muito mais avançado.
Quando entrei a sério nos Pistols e no resto, por volta de meados de 1978, não fazia ideia que estava tudo oficialmente 'morto'. Os Pistols já se tinham separado; Rotten já tinha formado os Public Image Ltd. Devido a ter estado ocupado com outras coisas e ter perdido completamente o aparecimento, vida e morte do punk, também saltei naturalmente a desolação posterior - aquela experiência doentia de queda, em 1978,
experimentada por quase toda a gente que "esteve lá" e acompanhou a par e passo aquele emocionante ímpeto. A minha descoberta tardia do movimento coincidiu com a altura em que as coisas começavam a subir de novo, num movimento que se tornou conhecido como "post-punk" - o tema deste livro. Assim, escutava Germ Free Adolescentes dos X-Ray Spex, mas também o primeiro álbum dos PiL, o Fear of Music dos Talking Heads e o Cut das Slits. Era tudo o mesmo brilho, um surgimento explosivo de excitação.
Os historiadores musicais celebraram ter estado no local certo à hora certa: aqueles momentos e locais críticos quando e onde as revoluções são germinadas. O que é duro para o resto de nós, presos nos
subúrbios ou na província. este livro é para - e acerca - das pessoas que não estiveram lá no tempo e locais exactos (no caso do punk, Londres e Nova Iorque, por volta de 1976), mas nunca recusaram acreditar que
tudo estava acabado e feito antes de terem uma chance de se lhes juntar.
Os jovens têm um diReito biológico de ficarem excitados com os tempos em que estão a viver. Se tiverem sorte, essa urgência hormonal coincidirá com a insurgência de uma era - a tua necessidade adolescente inata
por diversão e crença coincide com um período de objectiva abundância. Os primeiros anos do post-punk - a meia década entre 1978 e 1982 - foram tempos desse tipo: uma fortuna. Eu fiquei muito próximo dela
depois, mas nunca fiquei tão excitado como fiquei nessa altura. Certamente, nunca mais voltei a ficar tão focado nos tempos presentes de cada época posterior.
Da forma que me lembro agora, nunca comprei nenhuns discos antigos. Porque faria isso? Havia tantos discos novos a sair que tu tinhas de ter que não havia nenhuma razão terrena para investigar o passado. Tinha cassetes dos melhores temas dos Beatles e dos Stones, gravadas por amigos meus, uma cópia da antologia dos Doors Weird Scenes Inside The Goldmine, mas era só isso.
Em parte isso devia-se ao facto de a indústria das reedições que nos invade hoje não existia na altura; as companhias discográficas até eliminavam álbuns. como resultado, grande parte dos discos relativos ao
passado estava virtualmente inaceSsível. Mas principalmente isso deveu-se a não haver tempo para olhar para trás, para algo que tu nunca tinhas vivido. Havia tantas coisas a acontecer agora.
Eu não pensava assim na altura, mas, retrospectivamente, como uma época de cultura pop completamente distinta, 1978-82 rivaliza com aqueles anos enfabulados entrte 1963 e 1967, comummente conhecidos
pelos "sixties". A época post-punk certamente rivaliza com os "sixties" em termos de grande quantidade de grande música que foi nesses períodos criada, no espírito de aventura e idealismo que infundiu, e do
modo como a música parecia inextrincavelmente ligada à turbulência política e social desses tempos. Houve uma mistura de ambientes similares, de antecipação e ansiedade, uma mania por todas as coisas novas e
futuristas, acompanhado por um medo do que o futuro nos reservaria.
Não que eu seja especialmente patriota, ou coisa do género, mas é também espantoso como os períodos dos sixties e do post-punk foram PEríodos durante os quais a Grã-Bretanha liderou as ondas da pop. E é essa a razão porque este livro se foca no Reino Unido, mais aquelas cidades americanas onde o punk teve mais impacto: as cidades gémeas e boémias de Nova Iorque e São Francisco; As pavorosas áreas de Cleveland e Akron, no Ohio; cidades universitárias como Boston, Massachussets, e Atenas, Georgia. (Por razões de sanidade e espaço, decidi não sem alguma infelicidade, não lidar com o post-punk Europeu ou a cena profundamente underground mas fascinante da Austrália, com a excepção de alguns grupos chave como os DAF, Einstuerzende Neubauten e The Birthday Party, todos eles com impacto significativo na cultura rock Anglo-Americana). Na América, o punk e o post-punk foram muito menos mainstream do que no Reino Unido, em que se conseguia ouvir os The Fall e os Joy Division na rádio nacional, e onde grupos tão extremos como os PiL chegaram a ter hits no Top 20 os quais, via o programa Top Of The Pops, foram transmitidos para milhões de lares.
Tenho razões objectivas e subjectivas para escrever este livro. Entre as últimas está principalmente o facto de o post-punk ser um período que foi severamente negligenciado pelos historiadores. Há montes de livros
sobre o punk rock e os eventos de 1976-7, mas virtualmente nada sobre o que aconteceu depois.
As histórias convencionais do punk geralmente acabam com a sua 'morte' em 1978, quando os Sex Pistols se auto-destruíram. No extremo mais desleixado - as histórias da TV sobre o rock são particularmente
culpadas - está implícito que nada de consequente aconteceu entre Never Mind The Blocks e Nevermind, entre o punk e o grunge. Mesmo depois do recente boom de nostalgia dos anos 80, aquela década ainda
tende a ser olhada como um desperdício redimida apenas por dissidentes como Prince ou os Pet Shop Boys, e também os REM e Springsteen. Os anos iniciais da década, particularmente, são ainda vistos como
uma época de comédia levada ao exagero - uma era caracterizada por pretensiosos desajeitados, coisas como o vídeo-como-forma-de-arte, por tipos Inglese com olhos pintados e cortes de cabelo ridículos.
Fragmentos da história do post-punk emergiram aqui e ali, habitualmente em biografias de bandas específicas, mas ninguém tentou ir para além da grande fotografia e capturar o post-punk como ele realmente foi: uma forma de contra-cultura que apesar de fragmentada partilhou uma crença comum de que a música podia e devia mudar o mundo.
Sendo tão imparcial e isento quanto possível, parece-me que o longo post do punk até 1984 foi musicalmente muito mais interessante do que aconteceu em 1976-7, quando o punk abancou com o seu
'back-to-basics' do rock 'n'  roll, numa atitude revivalista. Mesmo em termos da sua influência cultural mais abrangente, é argumentável que o punk teve as suas mais provocativas repercussões muito depois de ter
'acabado'. Isso é parte do argumentário deste livro: a noção de que movimentos revolucionários na cultura pop têm o seu maior impacto depois do 'momento' ter alegadamente passado, quando as ideias se espalham a partir das eleites boémias das metrópoles e das cliques hipsters que originalmente são os seus 'donos', e atingem os subúrbios e a província. Por exemplo, a contra-cultura e a ideias radicais dos sixties tiveram
muito maior exposição no mainstream durante os primeiros anos da década de 70, quando os cabelos compridos e o uso de drogas se tornaram comuns, quando o feminismo filtrado através da cultura popular com filmes e programas de TV sobre 'mulheres independentes'.
Outra razão objectiva para escrever este livro é que houve uma grande ressurgência de interesse por este período mais tarde, com compilações e reedições de post-punk que apodrecia em arquivos, e uma série de
novas bandas que tiveram como modelos os próprios sub-géneros do post-punk, como a No Wave, punk-funk, mutante disco e o industrial. Uma nova que não tinha memória de nada disto geração emergiu finalmente - alguns ainda não eram sequer nascidos em 1984, ano em que este livro acaba a sua análise - e acharam o período extremamente intrigante. Apesar de negligenciado por tanto tempo, o post-punk tornou-se um dos poucos períodos de recursos inexplorados para a indústria do retro, inspirando um frenesi de mina de ouro.
Razão subjectiva #1 para este livro é a minha memória dele como superabundante, uma idade de ouro de novidade e originalidade que nos fazia sentir como se viajássemos a alta velocidade em direcção ao futuro. A razão subjectiva #2 relaciona-se mais com o presente. Como crítico de rock, quando atingimos uma certa idade, começamos  a questionarnos se toda aquela energia mental e emocional que investimos naquela
música foi uma coisa sensata. Não exactamente uma crise de confiança, mas uma crise de certezas. No meu caso, isso levou-me a questionar-me quando, exactamente, tomei a decisão de embarcar numa vida em
que levava a música muito a sério. O que me fez acreditar que a música era assim tão importante? Claro que isso foi crescente na era post-punk. Aquela proximidade e simultaneidade apetitosa dos Bollocks dos Sex
Pistols e do Metal Box dos PiL levou-me ao que sou hoje. Mas foi também a escrita na imprensa musical britânica da época desses discos, e de outros como esses, que me formaram - escrevendo sobre a matéria
semana após semana, explorando e testando quão seriamente tu podias levar a audição de música (um debate que continua nos dias de hoje em formas diferentes e outros lugares).
Assim, este livro é em parte uma avaliação do meu eu jovem. E a resposta a que cheguei é...






8.12.13

Descoberta bandcamp da semana 01.12.2013 a 08.12.2013 - Chapel Yard


Desta vez não venho falar de uma banda, mas de uma editora. Uma editora suis-generis mas ainda assim uma editora.
Trata-se da Chapel Yard, que, tanto quanto sei apenas edita em formato digital e vende através da Bandcamp.
Até ao momento estão lá para descarga uma dúzia de trabalhos, embora o último tenha o número de catálogo REV023 - mistérios...
Todos os álbuns são vendidos pelo método "name your price", o que quer dizer que poucos euros ficamos com a discografia completa da editora.
E ela vale bem a pena. Dentro do género (tags: alternative drone electronica experimental instrumental lo-fi noise York) é do melhor que tenho encontrado por lá.
Deixo aqui um exemplo, mas através dele podem ir até à página da editora e usufruirem de todas as obras lá expostas.
Boas audições!






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