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15.6.22

DDD60M - descobri mais uma k7 de 90 minutos com um programa completo


 Esperem pela pancada, isto é, pela digitalização

Apresentado por Paulo Somsen, com excelente som e uma selecção musical de arromba: The Wire, Nox, Shamen, Little Nemo, Asylum Party, Philip Boa & The Voodoo Club, FRONT 242, New Fads, e muitos, muitos mais.

EXCELENTE!

RARÍSSIMO: NADA DISTO EXISTE NA NET

(Se houver, ou alguém tiver em casa emissões gravadas deste programa seminal, digam, por favor... Alô Fred Somsen e Paulo Somsen)

(pequeníssima) amostra: tem estas, acho - 







7.5.20

WIRE #323 (aspectos) - Stephen Thrower on Peter Christopherson


Stephen Thrower on Peter Christopherson

(Stephen Thrower pays tribute to the Throbbing Gristle and Coil founder who died in November 2010)





5.5.20

WIRE #332 (aspectos) - Chris & Cosey Jukebox -


WIRE #332
(aspectos)

332

Out. 2011

Christian Marclay

Hieroglyphic Being

Bill Orcutt

Militant tuning, From JS Bach to La Monte Young

Raime

Shabaka Hutchings

Ed Atkins

(cross plataform)

Sun Araw in Jamaica

Chris & Cosey

(by Mike Barnes)

- The Primer: Militant tuning – A field guide to the war on equal temperament, from Bach’s Well-Tempered Clavier to La Monte Young’s Well-Tuned Piano. By Philip Clark.

- Collateral Damage: Robin Rimbaud aka Scanner celebrates social networking for pleasure and profit.

- Global Ear: Portmore – Jamaica

- Epiphanies: How performance artist Anat Ben-David found liberation through improvisation with Kaffe Matthews, Chicks On Speed, Eddie Prévost and more.


Destaques:

Chris & Cosey - Invisible Jukebox
(by Mike Barnes)
+
- The Primer: Militant tuning – A field guide to the war on equal temperament, from Bach’s Well-Tempered Clavier to La Monte Young’s Well-Tuned Piano. By Philip Clark.
+
Robin Rimbaud aka Scanner celebrates social networking for pleasure and profit.


Fica aqui a capa, a contracapa e as 4 páginas do Invisible Juke box com Chris & Cosey

(se fizer o download / gravação das imagens e depois fizer zoom, acho que se consegue ler bem... Se não conseguirem, enviem um email que eu envio as imagens com melhor resolução))






31.1.20

Nurse With Wound (Steven Strapleton) - Invisible Jukebox na Revista Wire Nº 263


The Wire
Nº 263
Janeiro de 2006
Invisible Jukebox
por (tested by) Jim Haynes











26.12.19

Wire - Nº 160 - Junho de 1997: Nurse With Wound (Steve Stapleton) / Pierre Henry / The Electric Cinema





Nº / Data
Capa
Grupos / Bandas / Músicos
Invisible Jukebox
Rubricas

160
Jun. 1997
Steve Stapleton
(Nurse With Wound)
Pierre Henry
John Russell
As One
Ivor Cutler
Global Ear: Malibu
The Electric Cinema
“Epiphanies”: David Toop






2.8.15

Memorabilia: Revistas / Magazines / Fanzines (117) - Monitor #54


Monitor
Nº 54

Ano V
Março de 99
III série

24 páginas - p/b - A5 landscape, papel fino tipo jornal

Assinaturas - 12 números - 2000$00


Editores
Rui Eduardo Paes
Paulo Somsen
Colaboradores neste número
Vasco Durão
Carlos Branco Mendes
Gonçalo Falcão
Pedro Santos
Vítor Rua
Jorge Saraiva


As profecias de Giovanni Freschi: O regresso ou a síndrome de uma Wire Culture
por Vítor Rua

É no final do filme «2010» (sequela da obra «2001 Odisseia no Espaço»), que HAL (o computador) transmite repetidamente uma importante mensagem para toda a Humanidade: todos estes planetas são vossos. excepto Europa: não tentem aterrar nunca aqui.
Uma ordem parecida tinha sido dada por Deus, no Paraíso, a Adão e Eva: tudo isto é vosso, mas não comam do fruto proibido.
Ao desrespeitarem esta ordem, Adão e Eva estavam de certa maneira a trocar o conhecimento pelo prazer.
Vem isto a propósito da revista «The Wire» e do tipo de informação por ela vinculada: uma informação que, quanto a mim troca a importãncia histórica do conhecimento pela mensagem fútil, massificada e filtrada de um pseudo-input musical, que em nada ajuda a situar (antes pelo contrário) certas ideias/teorias num saudável contexto histórico-musical.
A revista «The Wire», mostra-nos um mundo musical virtual, em que músicos, compositores, improvisadores, maestros, intérpretes, musicólogos nos aparecem mesclados / deturpados / distorcidos, numa enganosa sopa de pedra, dando-nos uma visão tipo história-da-música-pós-moderna, ou fique-a-saber-tudo-sobre-música-em-10-fascículos.
A «The Wire», numa atitude necrófaga, aproveita-se do aparente estado moribundo pós-modernista (em que se perderam todos os valores musicais) para nos impor, sem regras nem critérios, um cenário de cocktail musical psudo-intelectual, desprovido de qualquer contextualização histórico-musicológica: não se está aqui a pôr em causa a qualidade de alguns dos seus artigos, mas sim a forma travestida e por vezes simplificada para as massas com que nos são apresentados.
É desta forma que nos surgem conceitos por vezes altamente complexos, mesclados com bolinhas pop, ou teorias ridículas do género idiomático / não-idiomático na improvisação, em contraponto com outras não menos enganosas e irrisórias do tipo Webern era nazi. Ou seja, no fundo a «The Wire» aproveita esse pequeno mundo virtual, onde todos se andam a enganar a todos e não-músicos tentam enganar não-críticos e vice-versa; um mundo onde se atropelam as mais elementares noções de historicidade musical (que se lixe Beethoven se temos Zorn); um sítio onde pululam psudo-teorias revolucionárias sem qualquer sustentação musicológica, em que o conhecimento musical é desrespeitado a favor do prazer infantilóide de dizer disparates disfarçados de inentonas de uma nova verdade musical pela qual se iria hipoteticamente refazer a História.
É assim que encontramos um qualquer artigo sobre Milton Babbitt ao lado de outro sobre os U2; sobre Derek Bailey ao lado de Varése; Cage ao lado de DJ Spooky; Fátima Miranda ao lado de Morton Feldman; tudo sob o estandarte de um Admirável Mundo Novo Musicológico, onde tudo é permitido, em favor de uma nova maneira de interpretar a História.
Alguns dirão que esta é a maneira de um número grande de pessoas, de diferentes gostos e culturas, tomarem conhecimento de tipologias musicais que de outra forma não teriam acesso: um amante do rock fica assim a saber quem é Helmut Lachenmann; um estudioso da música clássica inteira-se do mundo de Eugene Chadbourne; o ouvinte de músicas etnográficas encanta-se com o mundo macabro de Diamanda Galàs. Só que o problema está na maneira deformada, impunemente acéfala, enganadoramente perversa, historicamente incorrecta, com que nos são transmitidas essas mensagens, servidas na bandeja do puro e verdadeiro usufruto musical, a única livre dos antiquados métodos com que observamos o devir ao longo dos tempos da música: ou seja, no fim trata-se tão somente do pôr de lado a incómoda História da Música.
Vem tudo isto a propósito de um artigo publicado na última «Monitor», de minha autoria, intitulado «As Profecias de Giovanni Freschi». Nesse artigo (vou tentar fazer um resumo para aqueles que não tiveram a oportunidade de o ler) apresentei um ensaio sobre a vida e a obra de um desconhecido compositor (Giovanni Freschi), descoberto ocasionalmente por um musicólogo (Robert Nestrovski), na biblioteca de um tal Duke Vincenzo, chefe da Corte de Gonzaga, em Mãntua. Esse desconhecido compositor teria escrito uma centena de obras, grande parte delas composta para uma inusitada instrumentação (pelo menos para aquela época), como sendo o caso de «Le Nozze», para 23 percussionistas; «Selva Sprrituale», onde era usado o instrumento turco zarib; mas acima de tudo um conjunto de peças intituladas «Extravaganzas» para gravecimbalo col piano forte, em que Freschi teria recorrido a utensílios de cozinha para preparar o piano forte de Bartolomeu Cristofori e o intéprete usaria baquetas de tímpano para percutir o interior do piano, antecipando assim em quase 300 anos o piano preaparado de Cage; teria também escrito vários ensaios sobre notação em que nos apresentava novos símbolos por ele inventados para descrever novos métodos e técnicas de composição. Freschi (aluno do mestre renascentista Marc'Antonio Cesti) teria vivido entre 1653 e 1739 e apresentava-se-nos, desta forma, como um visionário, um profeta, um Júlio Verne da música, que teria despertado o interesse dos mais consagrados intérpretes contemporâneos como Pierr Ives Artaud, as Percussões de Estrasburgo ou Irvini Arditti. E que magnífico seria se na realidade este revolucionário músico e a sua obra tivessem de verdade existido!!!; mas não, tudo se tratou de um ensaio de ficção, uma personagem por mim criada num mundo de semi-verdades (os nomes dos compositores, as datas, os locais, tudo verdade, mas truncados e mesclados de maneira a criarem um mundo onde esta personagem pudesse nascer, envolta num manto de realidade - o inventado musicólogo Nestrovski deu-nos o lado científico q.b. -, bem como o interesse manifestado por uma série de reputados intérpretes em gravar a obra de tão exótico compositor, para uma prestigiosa e bem real editora discográfica, a Col Legno.
Não quis com estes artigos ferir as sensibilidades de quem coordena, dirige ou colabora neste boletim (eu próprio já por várias vezes colaborei nele, e considero o «Monitor» uma importante arma independente capaz de divulgar uma mensagem inexistente de outra forma no panorama musical português), muito menos chocar ou enganar os leitores deste mesmo boletim, por quem tenho a máxima estima (uma vez que representam uma forma de contra-poder no mercado comercialista existente no mundo capitalista musical actual); pelo contrário, é o meu respeito por toda esta instituição que me fez escrever estes artigos, no sentido de alertar os perigos deste mundo virtual, onde tudo é possível e permissível, e aonde nos foi possível por momentos criar uma personagem virtual que de certa maneira nos ajudasse, desta forma, a desmascarar que a falta de uma sólida base histórica musical e um desejo libidinoso de querermos acreditar no Cálice Sagrado (que nos são vinculados pelos às vezes falsos e erróneos evangelhos como a «The Wire») nos pode transportar para a serpente do Paraíso que nos diz constantemente: comam esta maçã, ela é a Verdade.
Comecei o artigo com uma citação do filme «201», transmitida pelo HAL para toda a Humanidade; seria bom que alguém (de preferência de uma raça alienígena) nos viesse dizer, através de uma mensagem semelhante à dada pelo HAL, qualquer coisa como: Estudem e venerem a História da Música e todos os seus grandes criadores - Gesualdo, Palestrina, Monteverdi, Bach, Mozart, Beethoven, Wagner, Schoenberg, Stockhausen, Lachenmann; só com uma compreensão total dessa mesma história pode a Humanidade entender e interpretar os fenómenos musicais mais recentes - o rock, a pop, a electrónica, a concreta, a minimal, a improvisada, a dance music -, e dessa forma unir o conhecimento e o prazer musicais num todo.
Que a música esteja convosco!

P.S.: Pelo preço de duas «The Wire» já se compra uma boa História da Música!





21.2.12

NWW List: Cromo #40 - Cupol - "Like This For Ages"


Um 12" de 1980, da era post-punk, na sua variante mais experimental e electrónica, com elementos dos Dome e dos Wire, só para vos situar um pouco. Uma faixa pequena, de cerca de 4 minutos, a rodar em 45 rpm e outra imensa, de cerca de 20 minutos, instrumental e experimental, repetitiva mas sem ser sensaborona, a rodar a 33 rpm.



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29.7.11

John Maus - follow this man



Poupar na Abominação

O músico de synth pop John Maus afina pelo espírito retroactivo da época enquanto resiste à tentação de viagens nostálgicas de fácil acesso.

Por Joseph Stannard



Enquanto preparava a minha entrevista telefónica com o erudito pop do Minnesota John Maus, descobri que partilhamos o mesmo entusiasmo por dois filmes de terror de 1982: o anti-corporativo Halloween III: The Season of the Witch, de Tommy Lee Wallace, e o repugnante, apesar de imensamente inventivo, Xtro, de Harry Bromley Davenport.
Insistindo excitado nestes dois artefactos, por volta das duas da manhã, em Los Angeles, Maus refere a sua crença na capacidade da cultura pop romper a sua própria pele. “A banda sonora de Halloween III é realmente um momento sublime, não é? Uma família vê a cabeça do seu filho a explodir quando pega num saco de insectos e serpentes e é comido vivo, tudo ao som do jingle de Silver Shamrock... É um momento de pop radical.”
Xtro – uma das raridades genuínas do cinema de terror Britânico, apresentado a impregnação alien, nascimento de adultos, um boneco Actionman em tamanho natural e, sem razão aparente, uma pantera – impele Maus para ainda maiores encómios e êxtase retórico. “Foi [amigo de Maus e seu colaborador ocasional] Ariel Pink quem primeiro me mostrou Xtro. Ele trouxe-o para casa um dia, dizendo que viu a caixa quando era miúdo e que ela o impressionou bastante, e quis ver o filme. Não fazíamos ideia do que se tratava! O consenso era que talvez fosse o filme mais estranho de sempre a ser feito. Como Lars Von Trier, ou coisa do género, tipo ‘come o teu coração e deita-o fora’! É uma abominação! Eu gostaria de o justapor com estes filmes de hoje que pretendem ser abomináveis, mas que não têm comparação possível. Com Xtro, qualquer que fosse a intenção, é-nos atirado tudo à cara.”
A par de uma carreira académica que tem na música, filosofia e ciência política, John Maus editou música quer como colaborador quer a solo, durante 15 anos, antes de editar o seu primeiro esforço para as massas, Songs, de 2006. Num barítono lúgubre, ele dispara slogans tocando o escatológico (“Oh, a minha avó mijou nas cuecas de novo/E eu tenho isso nas minhas mãos”), o mundano adormecedor (“Preciso de dinheiro para pagar as contas e outras coisas/É tempo de arranjar um emprego”) e o apocalíptico (“Toda a gente sabe que é tempo de morrer”) sobre um synth pop lo-fi cheio de tensão e nuances maleáveis e enganadoras, com pinceladas ocasionais de Barroco. Maus prosseguiu depois com Love Is Real, de 2007, uma obra-prima desamparada mas focada, introspectiva, ainda mais pungente devido aos seus momentos vacilantes de assertividade face à solidão abjecta.
O seu terceiro álbum, We Must Become The Pitless Censors of Ourselves, levou dois anos a completar. Maus confessa que o seu processo de escrever e gravar é muito difícil e penoso – Songs foi elaborado ao longo de cinco anos – e, desta vez, devido a essas dificuldades encontrou o seu caminho nas composições, que frequentemente descambam para latitudes motivacionais de desespero (“Keep Pushing On”, “We Can Break Through”). “Tem sido sempre uma luta, sentar-me em frente ao teclado, ou mesmo afastado dele, tentando que surja alguma coisa que pareça resultar. Fica-se ali a tentar uma e mil vezes, para no final o resultado ser nulo. Eu penso que é essa a dificuldade – tentar o mesmo imensas vezes, e falhar sempre, o que te deixa completamente abatido. Mas eu cometi o erro de dedicar-me por completo a esta tarefa, e se eu tivesse tido qualquer outro tipo de vida fora deste empreendimento, as coisas não seriam tão difíceis. Poderia tirar alguma inspiração disso também. Mas, sabes como é, dedicarmo-nos apenas ao trabalho... é um cliché, bater com a cabeça contra as paredes.”

Álbum 1: Songs - 2006


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Talvez apropriadamente, Maus olha para o seu trabalho mais recente com um grau de ambivalência. “Eu esperava que este disco fosse uma espécie de transição para um período médio, sabes, um género de ‘[sinfonia] número três’. Eu tinha a Eroica do Beethoven na cabeça, no meu modo caricatural e patético. Mas não, acabou por ser mais uma clarificação ou uma consumação do que eu tinha feito nos dois outros álbuns. Mas suponho que isso é bom, pois assim consigo ver os resultados desta coisa esquisita em que me meti, que é fazer pop acerca da pop. Torná-la mais poppy. Seja o que for que isso significa. Mas o erro é que eu tenho uma resposta para isso, em vez de deixar estar a interrogação, em vez de perceber que muitos dos de trabalhos canónicos na nossa tradição são muito experimentais, em sentido literal.”
O título do álbum não denota apenas a angústia ou frustração do perfeccionista. Ele oferece também uma cápsula crítica da tendência da nossa época digital, de ir na direcção de uma autoexpressão livre. A Web 2.0 deu-nos a possibilidade e persuadiu-nos de que não apenas as nossas vozes podem ser ouvidas, mas também de que devem ser ouvidas. A relação sinal-ruído daí resultante continua a alimentar esse debate. Maus admite a sua própria contribuição, mas mantém que está mobilizado para resistir a esse charme. “O título é de um filósofo francês, Alain Badiou, da sua obra Fifteen Theses on Contemporary Art, que me impressionou bastante quando era mais jovem; parecem fazer muito sentido há muito tempo. Foi uma filosofia que me guiou nos dois últimos anos, apesar de eu ter também ossos para aguentar com ela. Mas sim, eu penso que a ideia geral é que numa situação em que tudo é encorajado e permitido, uma das maneiras de ultrapassar isso é lutar para fazer algo para além disso. Lutar para se autocensurar, como oposto a juntar-se à avalanche. Isso requer algum esforço, é uma luta para não se ser arrastado. E claro que eu não reclamo sequer que o tenha conseguido, mas é o meu objectivo.”
Então será que Maus se abstém de tuítar e participar em chats renegando as redes sociais? “não, não, não, eu tenho aqui um telemóvel, tenho página no Facebook e outras coisas. Porque, por outro lado, há esta ideia de misturar tudo e aproveitar ao máximo a situação e as tecnologias, sabes o que quero dizer, de modo a conseguires partilhar a tua experiência única de ser um ser humano aqui a agora. Isso requer que bebas toda esta frutose e comas Doritos e curtas todos os géneros de filmes e música pop. Se queres fazer uso dessa linguagem, tens de estar familiarizado com ela.”

Álbum 2: Love Is Real - 2007


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Maus refere a ‘subtracção’ como um método de trabalho chave, levando a pop até às suas particularidades, em ordem a ganhar proximidade com a sua verdade particular. Mergulhar num kit de ferramentas sónico que eleva a reverberação e o eco a um estado instrumental por direito próprio, enquanto evoca as tropas harmónicas e floreados melodramáticos da synth pop dos anos 80. Maus viu-se colocado no movimento da pop de vanguarda, comprometido com o passado e de peito aberto a descargas de nostalgia, até solipsismo. Apesar de estranha, a sua pop opaca resiste a categorizações, juntando-se um brilho beatífico de onda chill. Provavelmente, o criador refuta firmemente a acusação de que está simplesmente a revisitar os velhos sons da sua juventude. “Não vejo isto como um regresso, vejo-o antes como uma palete com a qual temos de trabalhar. Estes sons já fazem parte do vernáculo. Eu resisto muito à ideia de que, de uma forma qualquer, nós temos de nos mover para sons ‘melhores’. Não é acerca de nostalgia ou qualquer rememoração, pelo menos não de forma consciente, no meu caso; é o que o trabalho que faço precisa. É parte desta linguagem e assim podemos explorar as possibilidades expressivas trazidas por estes sons chamados de nostálgicos ou retro. Eles são simplesmente os que melhor se adaptam ao tipo de trabalho que quero fazer, sabes?”.
De outro artista qualquer, este argumentário pode parecer um passo em falso. Ainda assim a música de Maus desafia a auto-satisfação do retro servil, e a sua convicção é firme. “Penso que é supremamente contemporâneo usar estes assim chamados efeitos ‘nostálgicos’, no sentido em que contemporâneo é ser algo fora do comum num determinado momento. Há certos tipos de ideias harmónicas que ouviste muito nos anos 80 que eu penso justificarem uma exploração neste momento, aqui, hoje. Podemos manter-nos a explorar essas ideias, por isso não é uma questão de nostalgia reminiscente acerca desses tempos, é uma questão de recomeçar de onde se parou e levá-lo mais longe.
Apesar de, até certo ponto, ser cúmplice da sua própria mercantilização, Maus é instado a desfigurar as superfícies polidas da pop, pressionando cuidadosamente as ilusões de suave continuidade, como sublinha no seu amplamente disseminado e discutido artigo These On Punk Rock. Ele exprime ambivalência sobre o assunto em entrevistas, por exemplo, vendo-as (talvez acertadamente) como outro tijolo no edifício monolítico da representação. A nossa melhor esperança, sugere, é corromper intencionalmente esses canais dos media, na esperança de que a fricção possa fazer emergir uma verdade de algum tipo. “Estas identidades que nós destruímos... Em entrevistas, as pessoas perguntam-te de que tipo de música tu gostas e não podes deixar de sentir que estás a praticar todo o jogo económico de ‘Isto é o que eu sou, eu ouço isto e aquilo.’ Não estás, na realidade, a dizer nada sobre ti, estás a definir-te. É um cliché, claro, apontar tudo isto, todos sabemos como é. Por isso eu penso que podemos tentar – e sei que isto parece ridículo – trairmo-nos a nós próprios através destas máscaras. Nunca te vês livre delas, mas talvez possas colocar algum tipo de ruído na sua superfície, um tipo de fantasma vago. ‘Graffitis assombrados’, certo? O regime de representações fodido, todas as conversas estúpidas... São assombradas pelo espectro da subjectividade, não é? De certa forma? Algures, no meio desse tornado, há algo que se dá de si próprio de tempos a tempos.”

We Must Become The Pitless Censors Of Ourselves foi agora editado na Upset The Rhythm

Álbum 3: We Must Become The Pitiless Censors Of Ourselves - 2011



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