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11.3.19

Memorabilia: Audion #39 (feat.) Brian Barritt - Cosmic Couriers - Jokers


AUDION
Nº 49
Dezembro de 1997
Revista com 44 páginas, em papel brilhante de elevada qualidade
Formato A4
Capa a 2 cores - restantes páginas a preto e branco

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AUDION
Steben & Alan Freeman
P.O.Box 225
Leicester
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ULTIMA THULE
1 Conduit Street
Leicester
LE2 0JN







MEMÓRIAS DE UM "COSMIC JOKER"
por Brian Barritt

Eu entendo o Krautrock como o acid-rock germânico. Quando eu entrei na cena, em 1971, Berlim era uma ilha cercada pela Rússia, e a juventude, brutalizada pela geração dos seus pais e bombardeada pelas ideias Inglesas e Americanas, estavam a ter problemas de identidade. O Krautrock foi inspirado por uma raiva divina que foi espremida em guitarras, batida em baterias e fumada em drogas, até que o protesto que inspirou toda a coisa implodiu e a Alemanha encontrou a sua identidade de novo.
Quando o Krautrock apareceu estava nascida a Música Cósmica. Não há um protesto óbvio na Música Cósmica. Hartmut Enke chamou-lhe a "Música do Paraíso", de acordo com Julain Cope ela é a "Música que faz tábua-rasa de toda a miséria"! A Música Cósmica é música transcendente, música que acaba em transe, o fim do transe, o fim da magia materialista que existiu não apenas na Alemanha mas em todo o mundo, é um protesto contra a realidade - o maior protesto de todos!

Rebobinando 25 Anos
Estamos em 1972, Time Leary e eu próprio encontramo-nos na Suiça a lutar contra a CIA, que tenta extraditá-lo de modo a cumprir uma pena de prisão de 10 anos nos Estados Unidos. Tim havia fugido da prisão nos Estados Unidos e tinha agora uma postura discreta na Suiça. O Presidente Nixon apelidou-o de "O mais perigoso homem do mundo" e ofereceu uma recompensa de $5,000,000 pela sua cabeça.
Com a ajuda de um exilado francês traficante de armas chamado 'Goldfinger' ele conseguiu evitar os caçadores de recompensas e manter-se ao largo, mas o 'Goldfinger' chantangeou-o para obter os direitos do seu próximo livro "Confessions Of A Hope Fiend" e nós apressámo-nos a finalizá-lo.
Foi com este pano de fundo que conhecemos Rolf-Ulrich Kaiser, da Ohr Records, e um grupo de músicos chamado Ash Ra Tempel, e ficámos apaixonados pela Música Cósmica. Não conseguíamos ouvir mais nada, o que agora é conhecido como música dos anos 60 deixáva-nos frios, vivíamos uma vida aventurosa e necessitávamos de sons apropriados para a acompanhar., que decerto não era o sabor manso e suave que estava na altura a agitar o Reino Unido e os Estados Unidos.

A minha vida foi salva pela Música Cósmica, algo terrível aconteceria decerto se eu não ouvisse estes sons inspiradores. Sentia-me como o Conan o Cimeriano com a Red Sonia e sem música para fazer amor com ela! Uma manhã estava eu a contemplar o lago de Zug, ouvindo um som Zen japonês ao mesmo tempo que desfrutava da vista de picos de montanha gelados, os pássaros e a agitação, quando Rolf e Gille Kaiser voaram como morcegos saídos do inferno e afogaram o meu som japonês com um brutal ataque de Klaus Schulze - Nunca mais recuperei.
A presença de Tim funcionou como uma espécie de íman, e assim rapidamente Rolf e Gille estavam a gravar outros Gurus psicadélicos; assim como Tim, havia o M.P. e místico Sergius Golowin, e o artista de  Gypsy Folk, Walter Wegmüller. Designámo-nos a nós próprios como "Cosmic Couriers".
Cosmic Courier é uma atitude da mente que começa nos inícios dos anos 60. O termo foi pela primeira vez utilizado pela juventude idealista que atravessou a distribuição global do LSD 25, não por razões monetárias mas com o objectivo de expandir o mundo da sua consciência. Eu tornei-me Cosmic Courier em 1963, mais ou menos na mesma altura que Timothy Leary, tendo sido ambos levados a isso por Michael Hollingshed, o courier original e autor do livro "The Man Who Turned-On The World".
Com os Ash Ra Tempel gravámos um disco conceptual, para ilustrar os sete níveis de consciência em que estávamos a trabalhar com o ácido: um lado chamou-se "Time", o outro "Space". Quando era tocado em ácido, o tempo e o espaço juntavam-se para criar o extrasensorial TimeESPace.
TimESPace foi uma fórmula que trabalhámos depois de uma trip de ácido no Deserto do Sahara antes de chegarmos à Suiça. Tim e eu tínhamos ido para o deserto para tripar: recebíamos informações de um outro tempo e sentiamo-nos como se estivéssemos a revivar a história, de forma a obter todas as sincronicidades, coincidências, falhas-no-tempo, etc. Utilizámos o termo TimESPace. Descobrimos um ano mais tarde que tripámos num local chamado Bou Saada, onde, no ano de 1909 Aleister Crowley teve uma série de trips de mescalina.
O Bern-Fest era uma acid-rave gravada nos estúdios que ficavam numa rua chamada Munstergrasse, um teste eléctrico e ácido nada cool - um hino pobremente controlado. Com a ajuda de Kaiser e Gille tentámos colocar TimESPace na forma de disco. Metemos algum ácido "Operation Julie" numa garrafa de 7 UP para ilustrar os sete níveis.
Tim e eu próprio não estávamos principalmente interessados na música como forma de arte, apenas no contexto de ajudar a manter elevados estados de consciência - para esticar a nossa eternidade, da forma que ela era. Não estávamos a tentar fazer música mas mais à procura de caminhos para permanecer "high" e estender os nossos horizontes. Tudo isto aconteceu há muito tempo, de acordo com o relógio do tempo, mas há três níveis acima do tempo-do-relógio - o tempo Extendido (nível 5), o tempo Simultâneo (nível 6), Todo-o-tempo (nível 7), e um lugar que não é um nível, chamado Não-tempo. O nível 7 é aquele onde vês arquétipos e memórias raciais, e era esta a área que pretendíamos atingir com a Música Cósmica.
O ácido fez-nos conhecer os ancestrais nos nossos genes; memórias genéticas e arquétipos lutaram num Armagedão de sensações, as nossas mentes voaram como machados tecnológicos sobre oceanos de estática brilhante. Mais tarde conectámos um novo super-grupo chamado The Cosmic Jokers, uma entidade de cabeça única flutuando sobre os músicos e tocando os seus instrumentos com centenas de dedos que deixavam rastos coloridos quando gesticulavam e estilhaçavam em cacos à medida que atingiam um acorde. Era um puzzle - todos os músicos eram génios e estavam todos em ácido!
Entreatanto; à medida que caminhávamos para a Alemanha um adolescente em Tamworth, Inglaterra estava a par de tudo isto.

Fast-Forward 25 Anos
Refrescado à sombra do círculo de pedras de Avebury, Julian Cope, possuído pelo espírito de um antigo Krautrocker, explodiu na minha casa respirando entusiasmo cósmico como um dragão, com sicronicidades, acidentes e coincidências ligando como lianas através do cérebro.
Eu fiquei deliciado que a música na qual eu toquei algumas partes tenha pelo menos vindo de novo à luz do dia, quando eu finalmente ouvi que a 'música drogada' dos Cosmic Jokers. Rolf Kaiser e Gille Lettmann não foram autorizados a editá-la, a polícia alemã estava interessada em me localizar, e tudo acabou por ficar na obscuridade.
Cope colocou um quadro à volta de uma peça do passado e tornou-a num pedaço de história, o seu livro teve um efeito estranho em mim, e que me levou algum tempo a apagar as minhas memórias negativas, opiniões, etc., antes que eu conseguisse novamente relacionar-me com aquelas leviandades antigas quando, com a ajuda do LSD e da Música Cósmica, nós estávamos convencidos que iríamos mudar o mundo.
Tim Leary ficou também muito satisfeito com o revivalismo da Música Cósmica: Quando o visitei em Los Angeles em 1996, um mês antes da sua morte, a primeira coisa que ele disse foi "Aterrámos junto das pessoas certas na altura certa". "É bem verdade, Tim", disse eu, não fazendo a mínima ideia do que ele estava a falar - mas depois vi que ele estava a ouvir Manuel Göttsching e os Ash Ra Tempel!
A combinação de ácido, música e divertimento actuou como um catalisador para os poderes visionários de Kaiser, ele viu a divindade na sua parceira Gille e ultrapassou o inferno levando consigo a sua filosofia. Rolf-Ulrich detonou uma bomba relógio psíquica dedicada à Deusa, mesmo no meio da Terra dos Pai.
No primeiro ano do revivalismo da Música Cósmica, saíram três livros, "Krautrocksampler" de Julian Cope, "Cosmic Dreams At Play" de Dag Erik Asbjornsen, e "The Crack In The Cosmic Egg", de Steve a Alan Freeman, o que deu muito mais estrutura áquela época.
Ao longo de uma década os irmãos Freeman foram um oásis de sanidade num mundo de ignorância e incompreensão. Enquanto trabalhavam no seu monumental catálogo "The Crack In The Cosmic Egg" uma "enciclopédia de Krautrock e Música Cósmica", a sua loja de discos e o seu magazine "Audion" manteve a luz acesa através dos dias de obscuridade até ao renascimento que aconteceu nos meados dos anos noventa.
Os sons dos The Cosmic Jokers permaneceram hibernados durante um quarto de século - o tempo permaneceu parado, tamborilando os seus dedos com tédio - e então, de repente, no tempo predestinado, a Spalax Records de Paris começou a produzir CDs brilhantes e do passado emergiram os sons sublimes da Música Cósmica, e uma vez mais as Valquírias e heróis, monolitos e stereolitos, super-mitos na forma de arqueosons quadrifónicos, começaram a soprar como túneis de vento através da nossas mentes. Mais uma vez o tempo e o espaço juntaram-se e saíram para a rua, flutuando no nirvana, o espírito de Tim Leary atinge através de um estampido no TimESPace, imprime 7 UP num CD cósmico e com um sorriso perverso, prime o botão de...
PLAY!









30.1.19

Memorabilia: Audion scrapbook (feat.) Asmus Tietchens





Quem quiser imagem com maior resolução, para se conseguir ler bem, peça por email, por favor.


4 from
   ASMUS
      TIETCHENS

Musik Aus Der Grauzone (Auricle AMC 024) CAS.
Musik An Der Grenze (Auricle AMC 025) CAS.
Geboren, Um Zu Dienen (Discos E.G. EG.003) LP.
Zwingburgen Des Hedonismus (Multimood MRC 003) MLP.

Asmus Tietchens deve ser um dos mais inovadores e interessantes compositores/músicos na área da música electrónica experimental e tudo à volta. Se quisermos ter pontos de referência então eu acho que Conrad Schnitzler terá de ser mencionado, assim como, suponho, Peter Frohmader e Boyd Rice. Contudo, estas referências não devem ser tomadas literalmente pois a música de Asmus tem realmente um carácter que é muito só seu. Passagens de post-industrialismo alternam com atmosferas suaves e peças de um abstraccionismo gelado, apesar de trabalhos mais rítmicos e até melódicos (de um certo tipo) ocorram aqui e acolá.
As suas publicações têm sido muito prolíficas (cerca de quinze álbuns até à presente data), mas ainda assim a sua música é relativamente pouco conhecida. Esta obscuridade pode ser possivelmente devida aos seus álbuns serem editados principalmente em pequenas editora independentes, apesar de eu ter a certeza que a maioria de vocês conhecem os seus trabalhos editados na Sky e na Egg. Tlvez seja apenas porque as pessoas sejam um pouco hesitantes e dar-lhe um pouquinho da sua atenção e audição? Há toda uma riqueza de música interessante e intrigante à espera daqueles que têm ainda não lhe prestam a devida a atenção e podem fazê-lo através de algum dos álbuns que analisamos neste artigo.
Os quatro novos álbuns (bem, dois são reedições) listados acima foram todos editados nos dois últimos meses e assim podemos concluir que no presente a sua música está numa onda mais meditativa e sombria. A música contida nestes álbuns está entre a mais interessante que Asmus alguma vez fez e cada um dos discos tem muito em que nos podemos basear para os recomendar vivamente.
As duas reedições da Auricle são bem-vindas, é bom ver de novo acessíveis estes discos há muito esgotados. Ambos pareceram originalmente sob  a bandeira da YHR, a etiqueta de Neumusik de David Elliot e reaparecer agora nas suas capas originais.
MUSIC AUS DER GRAUZONE (originalmente editada como YHR 019 em 1981) tem oito faixas de peças meditativas sendo ambientais obscuros. Muitas não ficariam deslocadas se utilizadas num qualquer filme surrealista. De facto, as paisagens frias, holocáusticas e desvastadas invocam-nos frequentemente na nossa mente as cenas desérticas de "Eraserhead". Uma ou duas são mais abstractas no seu carácter apeasr de na sua globalidade a aura sinistra seja mantida ao longo de todo o álbum. Não vou destacar qualquer faixa em particular porque todas são extremamente boas. A real "Música Post-Atómica"? Um álbum altamente recomendado.
MUSIK AN DER GRENZE (originalmente editado como YHR 024 em 1983) possui inclinações mais rítmicas e ligeiramente mais acessível que MUSIK AUS DER GRAUZONE. Tem duas longas faixas de cada lado. KONSTRUCT 2 é muito ao estilo de Schnitzler, rígido e clínico e apesar disso contendo um tudo nada de ar desenvolto. ELEKTRAUMA é muito rítmico e densamente estruturado com uma base de sequenciador (?) insistente utilizado com grandes resultados. O lado 2 ostenta o maravilhoso "Austria est in orbis ultimo" (Austria será o último lugar na Terra - predito por Nostradamus) aqui disfarçado sob o igualmente "pitoresco" título de KULMUSIK FUR EIN ALTES LANDLE. Esta é uma peça magnificamente hipnótica com a predição eternamente entoada numa voz que carrega a desgraça em si contra um fundo de uma música do tipo órgão de funeral quase sem som, bateria abafada, percussão de um tilintar esparso, efeitos corais etéreos e uivos. Material de arrepiar a espinha que não pode deixar de ter um efeito permanente em qualquer ouvinte. Ele tem uma devastadora e compulsiva beleza estranha associada. Este excelente álbum é rodeado com beleza pelo som de certo modo espacial da peça TITANIC que é o mais próximo do tipo de música cósmica que eu jamais ouvi Asmus produzir. Reminescente, por vezes, dos primeiros Tangerine Dream, a música por vezes flutua gentilmente e doutras atinge uma alta velocidade no seu voo através do Cosmos.
Saltamos três anos (é 1986 para aqueles que não estão a contar!) para chegarmos a GEBOREN, UM ZU DIENEN, editada pela etiqueta espanhola Discos Esplendor Geométrico. Este é um álbum de música totalmente descomprometida que exige muito do ouvinte. É composto por nove faixas que vão do 1/2 minuto aos 9 1/2 minutos. A música é dura, poderosa, alta, implacável e percorrendo uma mistura de baterias, percussão, cortes, electrónica, colagens e toda uma infinidade de sons de origem inindentificável. ZU VIELE DICKE KINDER (7'30") aparece de embate nos altifalantes transportando imagens de uma locomotiva benzida pelo inferno, troando através da noite. LANGER ANLAUF (6'17") soa como um concerto para (por?) trabalhadores de uma fundição, uma mistura densa de percussão metálica e electrónica trovejante. GLIM (6'48") é esta palavra repetida à exaustão numa voz muito assustadora contra um fundo de sons de sintetizador demoníacos e chilreados electrónico malevolentes (uma outra versão desta faixa aparece como SYSIPHOS GLIIM em MUSIK AUS DER GRAUZONE - ED.). ZWEITES MASCHINENTRAINING (9'32") é uma peça com um ritmo pesado com um motivo de bateria latejante do tipo ferro a vapor, sintetizadores a produzirem um estranho gorgolejo e electrónica dissonante. O estilo das outras faixas mais pequenas está algures entre o daquelas quatro faixas mais longas mencionadas e a impressão geral dada pelo álbum é uma das duas entre a beleza e a fealdade das máquinas e do industrialismo, dependendo do ponto de vista de cada um. A pequena faixa final DEUTSCHES KINDERLIED com o seu humor malicioso é uma pérola de sagacidade sardónica. Para ser honesto, eu não gostei deste álbum quando o ouvi pela primeira vez, mas ele acabou por vencer-me. A pequena fotografia na capa também é muito bonita.
O mini LP ZWINGBURGEN DES HEDONISMUS foi editado este ano numa edição limitada a 500 cópias e mostra-nos mais uma nova faceta da música de Asmus. Consiste apenas no tema-título, de 21 minutos e é quase música clássica moderna na forma e na estrutura. O piano é o instrumento omnipresente, com coros, e alguns efeitos "orquestrais". A peça consiste essencialmente em pequenas mudanças de motivos repetidos (quase variações) e possui uma riqueza surpreendente de coloração e tonalidade dada a natureza simplista a instrumentação e do material usado. A atmosfera geral é sombria com uns pequenos nacos de dificuldade e tensão aqui e ali. Faz-me lembrar muitas vezes Bartok mas isso será, com certeza, apenas o meu sentimento pessoal. Há também um piscar de olho na direcção de Robert Haigh / Sema. Esta é uma peça altamente prazenteira, não tendo eu a certeza se tal como a conexão com o hedonismo é de per si, mas é certamente muito agradável de ouvir.!
(MUSIK AUS DER GRAUZONE, MUSIK AN DER GRENZE e ZWINGBURGEN DES HEDONISMUS  estão disponíveis a patir da Audion; GEBOREN, UM ZU DEINEN está disponível a partir dos Discos Esplendor Geométrico - ED.)

Audio #5, July 1987  -  from PAGE 13 & 14                       AUDION SCRAPBOOK Page 11



















14.1.19

Memorabilia: Audion #40 (feat.) Igor Wakhevitch







Igor Wakhevitch
"então..." inovação!

Alan abre uma pequena e curiosa caixa vermelha e mergulha nela...
Um talento inclassificável, Igor Wakhevitch será um nome novo para a maioria dos leitores da Audion, apesar de ser muito celebrado por aqueles que conhecem as músicas que desafiam categorizações o betwixt rock e o avantgarde. Igor poderá ser visto como o equivalente francês de alguém como Ralph Lundsten, ou um explorador como Battiato, um pioneiro que proliferou nos anos 70 com uma série de álbuns altamente originais e inusitados.

As raízes de Igor são obscuras, apesar de o seu nome indicar que ele é obviamente de ancestralidade Russa, e aparentemente o seu pai foi um célebre cenógrafo teatral. Foi obviamente no meio do teatro que Igor viu novas potencialidades para a música. Ele era uma espécie de génio como jovem músico. Com a idade de 17 anos já tinha ganho o primeiro prémio para piano no Superior Conservatoire de Paris. Mas, não contente por se manter no mundo da clássica, ele saiu desse meio. As suas qualificações académicas serviram-lhe bem. Em 1968 trabalhou no Groupe Recherchés Musicales (então dirigido por Pierre Schaeffer) onde teve acesso a alguns dos mais sofisticados equipamentos de estúdio do mundo. Aí aprendeu a sua arte como designer de som, como mestre de truques de estúdio e técnicas de música concreta. O perfeito ambiente para os seus inúmeros talentos musicais, e como forma de jogar com as possibilidades do som e outras formas musicais. Este ambiente fértil, em estúdios que eram regularmente visitados e/ou utilizados por músicos como Pierre Henry, François Bayle, Bernard Parmegiani, etc., foi a mola ideal para a criação de uma nova forma de música.
Pierre Henry era já célebre pelos seus trabalhos combinando o rock  a electrónica na primeira parte dos anos 60, e particularmente a sua música para os ballets avantgarde de Maurice Bejart. Igor viu isto como a sua obra, ficando fascinado pelas novas formas de rock psicadélico que estavam a fazer autênticas ondas de choque em França. Com o pseudónimo "Ballet For The 21st Century" ele trabalhou com Bejart numa tentativa de tornar esta cultura pop underground em bela arte. A inspiração veio dos Soft Machine e dos Pink Floyd, e de facto Igor trabalhou duma forma extensa com Robert Wyatt e os Soft Machine durante um período.
Nesta altura, Igor també trabalhou com terry Riley aprendendo truques especiais acerca de tape delays e técnicas de looping. Toda esta experiência formou uma mistura que se tornou numa música única, com um foco que se baseava em instrumentos de processamento, usualmente num quadro melódico, misturando rock e diversas formas clássicas, juntando diferentes e improváveis músicas, frequentemente das formas mais esquisitas e perplexizantes. Igor, assim, estabeleceu-se nos Pathé Marconi Studios e também produziu trabalhos para outros estúdios e etiquetas/editoras, e em resultado disso entrou em contacto com a emergente cena rock francesa. As sementes estavam lançadas para uma forma de música nova, radical e única.



LOGOS
Com um tal background, e um conceito baseado na lenda grega, LOGOS «Rituel Sonore» revelou-se uma criação revolucionária para uma edição de 1970. Mesmo que se conhecessem os trabalhos como The Green Queen de Pierre Henry, que era esquisitamente um compromisso entre o rock e o avantgarde, músicas fundidas em conjunto, ficar-se-ia ainda assim surpreendido por este trabalho de Wakhevich. Ele apresenta aqui uma cantora soprano, texturas orquestrais estranhas e misturas de percussões (baterias, címablos, gongs, etc.) tudo misturado com efeitos vários e processamento. à medida que a ominosa percussão decai com rolamentos de bateria e tensão ritualística, o sentimento é uma antecipação do que estava para vir. Aqui nós passamos por fases de efeitos rotativos, reverberação e atmosfera vívidas. A tensão torna-se superpoderosa, e apesar disso nós acompanhamos com prazer. Aqui tenmos a chave do som de Igor, numa tensão que se torna superinspiradora.
O climax de todao o opus vem com Danse Sacrale, um instrumental psicadélico extraordinário, tocado pelos Triangle (uma das primeiras bandas psicadélicas francesas) que tem de ser ouvida para se acreditar. Uma grande banda nos seus inícios, isto prova que os Triangle não eram apenas imitadores Pink Floyd versão Traffic. Tudo isto forma uma única obra de fusão de psicadelismo e avantgarde a uma experiência impressionante

DOCTEUR FAUST
Este é o mais obscuro álbum do lote. Nunca chamei a atenção para ele antes deste artigo, e de facto não conheço ninguém que tenha o original. Adequadamente em sintonia com o título, é um dos mais estranhos. Docteur Faust foi criado para um festival em Avignon, e foi posteriormente coreografado. Apesar disso a mente espanta-se como é que alguém consegue dançar isto. "Cheio de fúria e energia" para citar um crítico presente no festival de Avignon, e certamente o é!
Por um lado este trabalho é mais balanceado e entrosado de músicas clássica e dramática, mas apesar disso não deixa de ser muito mais radical. Há uma quantidade de colagens sonoras, música concreta densa e músicas bizarras que colidem e se fragmentam contra estrutura rock. Há também momentos de pura clássica avantgarde movendo-se em peças para ensemble numa espécie de Henze encontra-se com Ligeti ou Xenakis. A utilização de electrónica é também muito vívida. Não há regras nem fronteiras no que toca às composições de Wakhevitch! Os elementos rock regressam através deste álbum e, apesar de  não creditado, eu adivinharia que, de novo, membros dos Triangle tocam nesta obra. A guitarra relembra Alain Renaud, e a percussão é muito distintiva, formando-se ainda um fundo sonoro com órgão tratado. Apesar de ser um álbum de curta duração, ele é tão cativante e esquisito que seria demais se fosse mais longe do que vai.



HATHOR
Datado de 1973, pouco tempo depois de ter trabalhado com Terry Riley na sua banda sonora Happy Ending, há uma notória grande evolução em Hathor "Liturgie du Souffle Pour La Réssurrection des Morts", com uma muito maior utilização dos teclados, sintetizadores e técnicas de loop. Mas hathor não é um mero álbum de sintetizadores, muito longe disso, mas é a mais poderosa opus de Igor, uma valente exploração musical do mito Egípcio. Fazendo uso do Coro da Paris Opera (nem menos), ao lado de vocalizações estranhamente processadas, a sua habitual electrónica ao longo de toda a parede e ainda tudo isto conduzido por bateria/sequenciador, o que faz desta uma obra sem precedentes em qualquer forma de música até à data da sua edição. É outra viagem sónica costa a costa, na quual experimentamos uma ominosa voz berradora do tipo Divina, uma voz que marca algo de visionário.
Tal como nos seus álbuns precedentes, Hathor contém um determinado número de faixas separadas mas em sequência umas com as outras, o que perfaz aquilo que sentimos como um trabalho único e coeso. Aqui, temos a surgir a electrónicas e percussões a conduzir, um clímax faíscado por trovões e raios, uma riqueza de vozes esquisitas contorcidas, e muito mais. Aqui a tensão abre caminho a um resultado poderoso e intenso, resultando numa espécie de Vangelis negro - no fio da navalha! Com um estranho número coral gótico e outra peça de rock electrónico esta obra realmente voa a seguir Hathor! Apenas a última faixa/coda oferece algum alívio, com uma reflexão com óbvias influências de Terry Riley, e dando pistas para o álbum que se seguiu.

LES FOUS D'OR
Isto é muito simples, o mais estranho de todo o lote! Feito para ballets do muito celebrado coreógrafo avnatgarde Carolyn Carlson. Um grande passo de afastamento do rock, este álbum de 1975 é o início desafiante da segunda fase da carreira de Igor Wakhevitch. Uma ópera muito avantgarde, em partes, começando por um trepidante sorano e violoncelo, nunca conseguimos adivinhar onde este álbum nos pode levar. Sintetizadores (com loops de padrões) levam-nos perto do sentir de Ralph Lundsten desta vez, o que não nada surpreendente pois Ralph também trabalhou com carolyn. Colagem de fitas magnéticas são também utilizadas de forma extensiva, acompanhadas por cornetas ritualísticas (a soar como Jac Berrocal), ondas de pasta sónica, e um total desregramento no que toca à continuidade da música convencional. Admitimos que este levou muito tempo pra que conseguíssemos penetrar nele!

NAGUAL
Apesar de ser um conceito por direito próprio, Nagual «as ... da percepção» (de 1977 contém novamente música para um bailado de Carolyn Carlson. Indiscutivelmente, é o mais próximo de Ralph Lundsten, como um imenso trabalho cósmico, com padrões de sintetizador em loop, colocando a melodia contra a dissonância, movendo-se para o lado mais escuro da "new age". O formato é diferente ao de todos os anteriores álbuns, no aspecto que possui 12 faixas (desde 30 segundos a 8 minutos) e tem a participação de músicos que nunca tinham colaborado com ele anteriormente, como os trabalhos do piano de uma construção estranha (lembrando Ron Geesin) e aquilo que se sente como uma bizarra jig céltica, entre esses temas. O ambiente musical é geralmente misterioso e enigmático, largamente baseado em padrões cíclicos de teclados e outros instrumentos. A temática musical é bem diversa entre temas e surpreendente. Mas, isto dito, é na mesma um trabalho tipicamente à la Igor Wakhevitch - como um equlíbrio difícil que cativa - ainda assim mantendo-se enigmático e fresco!

LET'S START
Este álbum final, de 1979, foi criado para a Batsheva Dance Company (para o festival de Jerusalem), e musicalmente é a soma das muitas ideias dos dois álbuns anteriores, mas numa ambiência mais atmosférica. A grande opus aqui, os 21 minutos e meio de Let's Start, o tema título, é um tratado para aqueles que conhecem os trabalhos pioneiros de Terry Riley e Steve Reich pois combina o uso de linhas de delay nos teclados a-la Riley com técnicas de desfasamento nas vozes, o que foi primeiramente explorado por Reich. Não são realmente sistemas musicais, pois o desenvolvimento do trabalho não é previsível, e até o final é uma surpresa onde frases confusas se auto-organizam numa afirmação lógica! Extremamente inteligente, de facto! Os restantes trabalhos são Igor no seu modo mais restrito e low profile, largamente baseados em sintetizadores e teclados e parecem-se mais com um híbrido dos Deuter com Peter Michel Hamel, com um tipo de ambiência de banda sonora de filme.



DONE...
(Fractal 002) 6CD box 270m
Tão longe quano eu consigo atingir Igor vê Let's Start como um retorno a um início/fim de um círculo, um regresso às origens, apesar desta progressão ou conexão seja dificilmente baseada na lógica. Há características e estilismos que conseguimos agarrar na música de Igotr, mas que são de difícil aceitação. Apesar e ter ouvido rumeores e outros trabalhos, esta parece ser a lista inteira da sua obra completa e publicada. No seu todo é uma bizarra e fascinante viagem com um dos verdadeiros revolucionários na nova música, e é um conjunto definitivo, todo reunido para coleccionador. O conjunto é apresentado numa pequena caixa vermelha, inclui um poster (com as capas dos discos) e um booklet de 24 páginas (em Francês, com um certo número do fotos a acompanhar), para além dos 6 CDs individualmente encapados. A edição inicial é de 500 exemplares, e não fazemos ideia se há alguma ideia de o reeditar/repress. Assim, se está interessado, é melhor não se atrasar!
As edições originais de Igor Wakhevitch em Lp, apesar de terem sido feitas em grandes editoras como a EMI e a Atlantic, são, hoje em dia, objectos muito raros e coleccionáveis (a maioria vale reputadamente mais de £30, com Docteur Faust sendo reconhecido como valendo £100), o que significa que o conjunto/box que tem um preço abaixo dos £50 é dinheiro bem empregado. Para quem estiver interessado, aqui fica a lista dos vinis originais editados.

Discografia
LOGOS (LP: Pathjé EMI 2C 064-10934) 1970
Logos: Homo Sapiens / Danse Sacrale (7": Pathé EMI 2C 006-11086)
DOCTEUR FAUST (LP: Pathé EMI 2C 072-11537) 1971
HATHOR (LP: Atlantic 40533) 1973
LES FOUS D'OR (LP: EMI 2C 068-1????) 1975
NAGUAL (LP: EMI 2C 068-14430) 1977
LET'S START (LP: EMI 2C 068-14770) 1979

Um Ponto Curioso
O Lado B do LP Hathor tem uma versão diferente da versão em CD. particularmente, a faixa 1 apresenta vocalizações diferentes, a faixa 2 é muito mais longa no CD, enquanto a faixa 3 é uma versão diferente mais curta! Tendo apenas na nossa posse os LPs de Hathor e Nagual, pode haver diferenças em outros discos em relação aos originais,, mas como não temos maneira de verificar, quem sabe? Aqui ficam os detalhes...
LP Lado B: 5'04", 7'57", 3'20"; faixas do CD: 5'26", 9'47", 2'37"

Para mais informações, contactar: Fractal, 26 rue Garnier, 92200 Neuilly/Seine, France. (Fax: +33 1 474 51702)

Toda a Discografia pode ser descarregada a partir daqui.




14.6.17

Livros sobre música que vale a pena ler (e que eu tenho) - Cromo #67: Steve Freeman & Alan Freeman - "The Crack In The Cosmic Egg Encyclopedia Of Krautrock, Kosmische Musik & Other Progressive, Experimental & Electronic Musics From Germany"


OK, neste caso não é bem um livro mas sim a edição em CD-ROM do  livro, já aqui listado. 
Como versão digital que é, possui muito mais informação e outros conteúdos audiovisuais do que o  livro, como é óbvio.
Uma compra que vale a pena.
Nesta data havia muito poucos exemplares disponíveis mas estava prevista uma reedição / actualização ainda para o decurso de 2017...



The Crack In The Cosmic Egg
Encyclopedia Of Krautrock, Kosmische Musik & Other Progressive, Experimental & Electronic Musics From Germany

CD-Rom edition
Cetificate of ownership
Standard issue, revised insert June 2011
Purchaser...

The Crack In The Cosmic Egg
PC CD-Rom
Special features...
Simple menu & icon system
Separate articles pages for all artists
Rare press & concert photos
Colour pictures of album covers
Fully functional index
No special set-up or software installation needed, all you require is a htmlbrowser!
ISBN 0-09529506-0-CDROM





O crescimento da música experimental na Alemanha desde os anos 60 não tem rival, a sua influência pode ser encontrada em todas as formas da música moderna, desde os trabalhos pioneiros de Eimert, Sala e Stockhausen, até às formas mais estranhas e inovadoras do rock, popularmente conhecidas como Krautrock, tornadas famosas pelos Amon Düül II, Can, Faust, Kraftwerk e Neu!, para além de dezenas de outros nomes menos conhecidos mas não menos importantes.
A riqueza desta era de finais dos anos 60, princípios dos anos 70, com novas formas de fusão, músicas do mundo e música cósmica anunciadas pelos Ash Ra Tempel, Klaus Schulze e Tangerine Dream, estão cheias de delícias inesperadas e surpresas agradáveis. Uma cornucópia (como uma dessas bandas alemães, inteligentemente, se denominou a si própria) de delícias, quase todas inovadoras e originais novas formas de música que começaram na Alemanha, e que não pararam de aparecer passados esses anos 70. Há muito mais para conhecer nesta história, tal como uma riqueza de música conhecida que é de audição essencial.
Mas isto é apenas a chamada ponta do proverbial iceberg. "The Crack In The Cosmic Egg" mergulha nas profundezas desta cana musica, de forma exaustiva neste CD-ROM. Ele é um guia essencial para todos os coleccionadores e aficionados. O CD-ROM agora apresentado é uma versão vastamente revista do livro publicado em 1996, com dez anos adicionais de trabalho de aprofundamento em todos recantos do Rock Alemão e outras músicas experimentais da cena musical desse país. Completado com milhares de imagens adicionais, um álbum compilação, montes e montes de apêndices como bónus, e carradas de características extra, secções dedicadas à Áustria, Suiça, antiga República Democrática Alemã (DDR), "Cuckoos & Scrambled Eggs" olha para esses estrangeiros relacionados com o Krautrock, análises especializadas ao Beat, avant-garde, Folk, New-Wave, Synth Music e outros géneros relacionados, etc., etc.
Tudo isto e mais, entregando-vos um mundo de informação ao alcance de um clique de rato. Coloque o disco no leitor de CDs do seu computador, abra a pasta correspondente a esse suporte e clique em run html - É mesmo fácil!

The rise of experimental music in Germany since the 60’s is unrivalled, its influence can be found in all forms of modern music, from the pioneering works of Eimert, Sala and Stockhausen, onto the weird groundbreaking rock forms populary known as Krautrock, as made famous by Amon Düül II, Can, Faust, Kraftwerk and Neu!, and dozens of lesser-known but no-less important names.
The richness of this late-1960’s and early-70’s era, with new forms of fusion, world-musics, and kosmische musik heralded by Ash Ra Tempel, Klaus Schulze and Tangerine Dream, is full of unexpected delights and surprises. A cornucopia (as one German band wisely called themselves) of delights, almost every groundbreaking new form of music started in Germany, and didn’t stop with the 1970’s. There’s much more to this story, as there’s a wealth of unknown music that is essential listening.
But, this is only the tip of the proverbial iceberg. “The Crack In The Cosmic Egg” delves deep into this scene, exhaustively so with this CD-Rom edition. It’s the essential guide for all collectors and aficionados.
This CD-Rom is a vastly revised version of the book published in 1996, with an additional ten years work delving into every nook and cranny of the German rock and experimental music scenes. Complete with thousands of extra pictures, an albums worth of music samples, loads and loads of bonus appendices, and lots of other extra features, sections on Austria, Switzerland, the former DDR, “Cuckoos & Scrambled Eggs” looking at those foreigners related to the scene, specialised looks at the Beat, Avant-Garde, Folk, New-Wave, Synth Music and other related genres, etc., etc.
All this and more, giving you a world of info at the click of a mouse button. Just put the disc, open your drive folder and click on run.html – it’s that easy!.

The Crack In The Cosmic Egg
By Steve Freeman & Alan Freeman
All contents copyright 1996 & 2007.

Audion Publications, P.O. Box 225, Leicester, LE2 1DX, England

www.ultimathulerecords.com








13.8.14

Krautrock - A Lista (quase) Definitiva... (Partes 23, 24, 25 e 26/26: letras W, X, Y e Z) - FIM -


Segundo a melhor enciclopédia do género, recenseada em post anterior:

The Crack in the Cosmic Egg - Encyclopedia of Krautrock, Kosmische Musik, & Other Progressive, Experimental & Electronic Musics From Germany

. Quando o formato não é indicado, corresponde a LP.
. Esta lista (todas as partes) será actualizada com as indicações das obras que possuo e que poderei disponibilizar para audição (as de fundo colorido);
. Só estão listados os dados referentes às primeiras edições. A maioria das obras possui outras edições (em LP e, sobretudo, em CD.
. Existem artistas e bandas que se mantiveram, e alguns deles ainda se mantêm, em actividade, com novas edições, que não estão incluídas na Enciclopédia (nem aqui), mas que são acrescentadas no final da tabela - uma linha de intervalo (essas também tenho, obviamente).
Se quiserem ajudar... vão indicando erros, lapsos, obras ausentes, etc. para o email habitual. Grato.


Waldron Jackson Weber Braceful
The Call
Japo
1971
60001
Wallenstein
Blitzkrieg
Pilz
1972
20 29064-6

Mother Universe
Pilz
1972
20 291113-8

Cosmic Century
Kosmische Musik
1973
KM 58.006

Stories, Songs & Symphonies
Kosmische Musik
1975
KM 58.014

No More Love
RCA
1977
PL 30010

Charline
RCA
1978
PL 30045

Blue Eyed Boys
RCA
1979
PL 30061

Frauleins
Harvest
1980
1C 064-45 932

Sssss... Top
Harvest
1981
1C 064-46 307
Walpurgis
Queen Of Saba
Ohr
1972
OMM 556 023
Die Walter H. C. Meier Pumpe
Unterwegs
Der Andere Song
1975
25795

... Pumpt Den Skiffle Aus Dem Boden
Songbird
1976
1C 062-31140
Die Wand An
Kein Name + Kein Titel
Trikont
1982
US-0097

Tanzania / Vaseline / Electric (12”)
Schneeball
1985
1042
Waniyetula
A Dream Within A Dream
Klangkunst
1983
KK 2811-018-12
Warlock
Warlock
Lava
1983
LV 83501
Eberhard Weber
The Colours Of Chloe
ECM
1974
1042

Colours – Yellow Fields
ECM
1976
1066

The Following Morning
ECM
1976
1084

Colours – Silent Feet
ECM
1978
1107

Fluid Rustle
ECM
1979
1137

Colours – Little Movements
ECM
1980
1186

Later That Evening
ECM
1982
1231

Chorus
ECM
1985
1288

Orchestra
ECM
1989
1374

Pendulum (CD)
ECM
?
519 707-2
Weckers Uhrwerk
Krawattnleichn
Trikont
1977
US-0033
Weed
Weed...!
Philips
1971
6305 096
Walter Wegmüller
Tarot (2xLP)
Die Kosmischen Kuriere
1973
KK 2/58.003
Harald Weiss
Schlagzeugwerkstatt
Schott
1980
T 207

Trommelgeflüster
ECM
1983
1249

Arche
Wergo
?
SM 1060

Wintergesange (CD)
Wergo
?
SM 1066-50

Ade (CD)
Wergo
?
SM 1077-50
Klaus Weiss
I Just Want To Celebrate (2xLP)
?
1971
?

Drum Box
Philips
1974
6370 207

Open Space Motion
Coloursound
?
CS 56
Welcome




Weltklang
Klangwelt (K7)
self-release
1982

Werwolf
Creation
self-release
1984
F 667.943
Manfred Wieczorke
Transfer (CD)
Inak
1988
8808
Klaus Wiese [suggested listening...]
Samarkand (K7)
Aquamarin
?
5023

Baraka (K7)
Aquamarin
?
5025

Maraccaba (K7)
Aquamarin
?
5026

Qumra (K7)
Aquamarin
?
5027
Wind
Seasons
+Plus+
1971
3

Morning
CBS
1972
65007

Josephine / Puppet Master (7”)
CBS
1973
1303
Wired
Wired
Deutsche Grammophon
1974
2563 300
Wirtschaftswunder [selected discography...]
So Allein (7”)
Das Buro
1980
WR 006

Salmobray
Zick Zack
1981
ZZ 20
Witthüser + Westrupp
Lieder Von Vampiren, Nonen Und Toten
Ohr
1970
OMM 56 002

Einst Kommt Die Nacht / Wer Schimmt Dort (7”)
Ohr
1970
OS 57 002

Trips + Traume
Ohr
1971
OMM 56016

Der Jesus Pilz
Pilz
1971
20 21098-7

Bauer Plath
Pilz
1972
20 29115-4

Bauer Plath / Das Lied Der Liebe (7”)
Pilz
1972
05 19134-0

Live *68-*73 (2xLP)
Kosmische Musik
1973
KM 2/58.004
Wolfhound
Live
Jeton
1981
600.6601

Hallelujah
Jeton
1982
100.3326

The Never Ending Story
Jeton
1983
300.5503
Wonderland Band
NO. 1
Polydor
1971
2371 125

Rock ‘n Roll People / King Of America (7”)
Polydor
1972
2041 197
Wutpickel
--> Eroc 3



Wyoming
Wyoming
Bacillus
1971
6494 010

In Prison
Bacillus
1972
BLPS 19079

Indian Wardance / I’m Wheeping (7”)
Bacillus
1972
BF 18066
Xhol (Caravan)
Planet Earth / So Down (7”)
Hansa
1969
14 371 AT

Electrip
Hansa
1969
80 099 IU

Hau-Ruk
Ohr
1971
OMM 56 014

Motherfuckers GmbH & CO KG
Ohr
1972
OMM 556.024
Yatha Sidhra
A Meditation Mass
Brain
1974
1045
Yatra




Yavanna
Bilder Aus Mittelerde
Lord
1984
33545
Yello [selected discography...]
Solid Pleasure
Vertigo / Do It
1980
6435 094 / RIDE 4

Clara Que Si!
Vertigo / Do It
1981
6435 123 / RIDE 8
Yggdrasil
Out Along The Highway / Tango Blackout (7”)
self-released
1976
SYD 030 AB

--> Live Nürnberger Szene 76



You
Electric Day
Cain
1980
CL 5803

Time Code
Rock City
1983
RCR 88002

Wonders From The Genetic Factory
Rock City
1984
RCR 88004

Laserscape
Racket
1986
RRK 15.031

Era (5xCD)
Cue
1996
CUE-4000
Zabelka & Smekal
Somateme
Edition RZ
1987
parallèle 2
Gerd Zacher
Orgel
Deutsche Grammophon
1970
139 442
Zarathustra




Zarathustra
Zarathustra
Metronome
1971
MLP 15.421
Zarathustra
Also Spielt...
self-released
1982
1-682 TSM
Zara-Thustra
Eiskalt
Weryton
1982
6.25406

Psychopoly
Weryton
1983
6.25665

Ritter Der Neuen Zeit
Weryton
1985
6.26065
Zenamon
Zenamon
Polydor
1984
821 309-1

Promendade
Theta
1988
834 106
Zenit
Stimmungswechsel
WEA
1981
58.436
Ziguri




Zippo Zetterlink
In The Poor Sun
Orschakowski
1979
ZAS 1+2
Zomby Woof
Riding On A Tear
Jupiter
1977
25.231 OT
Zweistein
I’m A Melody Maker / A Very Simple Song (7”)
Philips
1970
6003 106

Trip / Flip Out / Meditation (3xLP)
Philips
1970
6630 002
Zyma
--> Proton 1

1974


Brave New World
self-released
1979
151079





Yello
The Eye (digipak)
Motor Music (Europe)
2003
0602498658635
Yello
You Gotta Say Yes To Another Excess
Stiff Records (UK)
1983
SEEZ 48
Yello
Essential (comp.)
Mercury (UK & Europe)
1982
512 390-2






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