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9.10.24

Listas e mais listas - Audion #12


 Há a NWW List e há as listas das contracapas da Audion.

Aqui fica uma:







20.9.24

Audion #11 - Março de 1989


 





AUDION

The New-Music Magazine

Issue No 11. March 1989, £1.20

(ver conteúdos abaixo)

N/A

1989

(Março)

1ª Edição

N/A

Em Inglês

32


Audion #11

Contents:

Hello! (Editorial) – 3

Feedback  (Readers Letters) – 3

News – 3

Publications (Further Reading) – 3

Readers Poll Results – 4

Without Warning… David Torn! – 6

Better Days Distribution – 7

New Peter Frohmader Releases – 7

Lost Classics #1 – Friendsound – 7

Behind The Iron Curtain: Part 3 – East Germany – 8

Due – A Mail Interview – 10

Entrevista Con Eduardo Polónio – 11

Musea Records New Releases – 12

Pierrot Lunaire – Na Italian Rock Legend – 13

Classic Labels: #1 – The Brain 1000 Series – 14

Los Tiempos Modernos de Clonicos – 18

Turning Japanese With Circadian Rhythm – 19

Auricle Music Cassettes Catalogue (Advertisement) – 20

Audion Back-Issues And Subscriptions – 20

Reviews – 21

Inc. ICR Distribution – 21

Dawn Awakening – 23

Hearts of Space – 25

Rcommended Records & Distribution – 26

Miriodor – 27

Arcane Device – 27

Tonspur Tapes – 28

Discos Esplendor Geometrico – 28

Generations Unlimited – 29

New Release Bulletin – 30

Mail Order and Retail Contacts – 31

Advertisements – 32

 

Editors’ Recommendations

This list features our favourite Top 20 currently available items described in this issue, in order of preference (with review page no.)

1. Pierrot Lunaire: Gudrun (RCA) LP – 13

2. Arachnoid: Arachnoid (Musea) LP – 12

3. Peter Frohmader: Homunculus Volume 2 (Multimood) LP – 7

4. Uludag: Mau Mau (Review) LP – 26

5. Michael Stearns: Encounter (Hearts of Space) CD, MC – 25

6. Pierrot Lunaire: Pierrot Lunaire (RCA) LP – 13

7. Peter Frohmader: Spheres (Private) MC – 7

8. Jabir: Vuelo Por Las Alturas De Alhambra (Discos EG) LP – 28

9. Propeller Island: Hermeneutic Music (Erdenklang) LP, MC, CD – 22

10. Con-Hertz: Contrasts (Auricle) 2MC – 23

11. Constance Demby: Novus Magnificat (Hearts of Space) CD, MC – 25

12. Andrew Chalk: Harvest (ICR) MC – 21

13. Musci & Venosta: Urban And Tribal Portraits (ReR) LP – 26

14. “Re Records Quaterly Vol.2 No.3” (ReR) LP+Mag – 27

15. Context: Product 1 – Muzak For An Exhibition (Tonspur) MC – 28

16. Clive Bell & Max Reed: Kailash Mandala (Dawn Awakening) MC – 23

17. Robert Rutman: Steel Cello Ensemble (Rutdog) MC – 29

18. David Prescott: Studies In Static And Stasis (Tonspur) MC – 28

19. Terpandre: Terpandre (Musea) LP – 12

20. Clonicos: Figuras Espanolas (Grabaciones Accidentales) LP – 19

 

Audion

Editorial Adress

Steve & Alan Freeman, P.O. Box 225, Leicester, LE2 1DX, England

[telephone: (0533) 557489}

Editor / Typography / Layout

Steve Freeman

Assistant Editor / Artwork

Alan Freeman

Cover Art

Front cover of Thisty Moon’s first album (Brain 1021)

Artist: Gil Funcius

Photo-Screening

Clive Graham, Miniprints

Contributors

Cruz Gorostegui, Nigel Harris, Calvin Smith, Peter Tedstone

Reviwers

Kevin O’Neill, Carl Sugar, Dean Suzuki, Alan Terrill

Special Thanks…

Arcane Device, Better Days, Tim Boone, Canadian Music Centre, Cuneiform, Dawn Awakening, Deutsche Austrophon, Discos Esplendor Geometrico, Erdenklang Records, Fonix Music, Peter Frohmader, Generations Unlimited, Guardian Tapes, Hamster Records, Hearts of Space, ICR Distribution, Mensch Production, Multimood Records, Musea Records, New World Company, No Man’s Land, Poultry Productions, Reckless Records, Recommended Distribution, Henry Schneider, Sky Records, Synfinity, Tonsput Tapes, Toracic Tapes, Karl Von Horsten.





Aqui é para pôr as 4 páginas da lista de discos editados na Brain série 1000 verde

Quem quiser a revista toda telefone para aqui.





19.11.20

Memorabilia: Audion #44 (feat.) ZEUHL - PART IV


 

AUDION

explorations in sound and music…

issue #44

Spring 2001

Out Of Focus, Clearlight, Zeuhl part 4

Boheme, Electroshock, Empreintes Digitales, Endgame, Lars Hollmer, Multimood & other features, new releases, reissues, news, info, chat, etc.






 

CONTENTS

HELLO (editorial, etc.) - 3

DIVERSIONS (news, new releases, magazines, etc.) - 4

RESCUED RELICS (reissue reviews) - 8

BOHEME (label feature) -9

THE AVANT-GARDE SECTOR (reviews) - 10

IQ – Oakwood Centre, Rotherham, 16/12/00 - 11

ROEDELIUS & ALQUIMIA – York, 25/10/00 - 11

“MUSIC FOR THE 3rd MILLENNIUM – 14/10/00 - 11

CLEARLIGHT – The eternal symphony - 12

ENDGAME – “Catalyst” (review) - 15

THE SAMLA/ZAMLA/HOLLMER LEGACY (reviews) - 15

ELECTROSHOCK RECORDS (reviews) - 16

MULTIMOOD – (reviews) - 17

ZEUHL PART 4 – Zeuhl around the world - 18

OUT OF FOCUS (article & interview) - 21

KLAUS SCHULZE – “The Ultimate Edition” (review) - 28

“JAZZ-ROCK: A HISTORY” (book review) - 28

REVIEWS - 29

BORDERLAND (other news, short reviews, etc.) - 41

USEFUL CONTACT ADRESSES – 43

 

“Zeuhl”

part 4 – O Zeuhl em todo o Mundo

“Zeuhl”

parte 4 - Zeuhl pelo mundo

Importante - como o Zeuhl é um conceito abstrato, recomendamos fortemente que antes de ler este artigo leia os artigos anteriores sobre Zeuhl na Audion # 41, # 42 e # 43! Então, eventualmente, tudo fará sentido!

 Nos últimos três números da Audion, leu tudo sobre Zeuhl, e sendo do seu interesse, terá com certeza tem seguido a série de artigos com grande interesse, tendo lido na Audion # 43 acerca do legado francês deste campo único na nova música. De qualquer forma, também devem saber que o Zeuhl também permeou o campo RIO (verifique Audion # 30) e talvez você próprio conheça alguns outros cruzamentos, mas e o resto do mundo? Bem, você consegue encontrar referências de Zeuhl nos lugares mais improváveis, e há inúmeras dedicatórias bizarras ao espírito do Magma, à língua Kobaiana e ao Zeuhl em geral. Aqui, tentarei destilar o interessante e o curioso num tipo de viagem possível ao redor do globo.

BÉLGICA

As estrelas óbvias relacionadas com o Zeuhl na Bélgica são os Univers Zero e os Present  (ambos cobertos com alguns detalhes em nosso primeiro artigo RIO, na Audion # 30), ambas as bandas, inter-relacionadas, empurraram de forma contínua o modelo Zeuhl para formtos cada vez mais complexos, reescrevendo as suas regras à medida que iam avançando, ligando tudo, desde o rock pesado à música clássica.

Mas, talvez não conheça (os também relacionados) Cos. Começaram como Classroom (em 1966) tocando uma mistura de jazz e música clássica. O fundador Daniel Schell tinha a paixão pelas novas ideias na música, além de ser um grande fã de jazz. Uma “sala de aula” reformada, em 1970, apresentou o extremamente talentoso Pascal Son. Supostamente, a música dos Classroom mudou quando eles descobriram os Magma, tocando numa série de shows destes na Bélgica. Nessa época, os Classrooom incluíam Jean-Luc Manderlier, ex-Arkham (pré-Univers Zero) e mais tarde Magma. Demos da CBS dessa época foram incluídas no CD de estreia dos Cos, com uma mistura neoclássica e jazz-fusion, com um pé na psicadelia dos anos 60.

Mudando o nome para Cos, passaram a apoiar seus ex-amigos Magma ZAO em digressão, e em POSTAEOLIAN TRAIN ROBBERY combinaram muito mais do que elementos assimilados de Zeuhl, jazz, clássico e rock. A sua música intrincada combinou perfeitamente com as características de Zeuhl com os estilismos da cena Canterbury / RIO. Em VIVA BOMA, o caprichoso estilo de música de Pascale e o canto scat tornaram Cos instantaneamente reconhecíveis. Foi então que Monsieur "Aksak Maboul" Marc Hollander substituiu Charles Loos nos teclados (que formou então os Juleverne), deixando a música dos Cos tão confusa que às vezes parecia com que se os ZAO tivessem Phil Miller e Hugh Hopper nas suas fileiras, tudo encabeçado por uma música pop funky maluca! Tongue-in-cheek e mortalmente sério, era o paradoxo de Cos que mais tarde se tornou a causa da sua queda, mas com esses álbuns cada momento foi um sucesso.

Mais tarde, Daniel Schell formou outra banda, chamada Karo, explorando seu novo brinquedo, o Chapman Stick, com uma fusão instrumental que foi um retrocesso em relação aos primeiros Cos, sem tanta influência de Zeuhl. Juleverne de Charles Loos assumiu o lado sério da música de câmara dos Cos, praticando uma música que era mais Satie do que Zeuhl, mas ainda dentro do escopo do género. O seu segundo LP, A NEUF (“It’s new ”,em inglês) mergulhou o folk valão antigo num potpourri de fusão, semelhante aos Univers Zero mais suaves.

Mais recentemente, os Cro Magnon apareceram a tocar uma música que é uma mistura de todos os estilos e referências mencionadas acima, uma espécie de híbrido de camerística / clássico / RIO, e muito mais sério do que a sua imagem pode fazer transparecer. No essencial, o oposto de Cos, que projetavam uma imagem séria, mas eram totalmente excêntricos.


INGLATERRA

A primeira banda britânica a reconhecer os Magma como uma influência da sua música devem ter sido os Metabolist, embora eles se tenham inspirado também nos Can. Crescendo na esteira do movimento indie new-wave, os Metabolist nunca receberam a atenção que mereciam, e sua carreira foi perdida, fracassando antes que eles realmente revelassem todo o seu potencial. A mistura  dos Metabolist evoluiu através de muitas fases, duros cânticos do tipo Kobian, riffs de baixo brilhantes e bateria agitada, todos presentes em muitas de suas músicas. Um dia destes, gostaria de escrever um artigo sobre os Metabolist e também lançar uma coleção 2CD com toda a sua produção editada. Embora essenciais, os seus lançamentos estão ficando mais escassos à medida que o tempo corre. É uma pena que os Metabolist nunca tenham conseguido a atenção que os This Heat teve. Mas, em 1980, um híbrido Zeuhlian / Can não era a moda mais popular!

Tal é a importância da criação genérica única dos Magma que a mais improvável das bandas: Astralasia, lançou um EP de 12 "chamado" Univeria Zekt - uma oferta "(Magick Eye t11) em 1993, transformando samples dos Magma na sua própria música espacial-techno. Soleil d'Ork (do Udu Wudu dos Magma) é o loop fonte no repetitivo Kobian Love Chant, e em outras músicas os extratos menos identificáveis ​​de Magma fazem parte de loops usados pela banda. Os resultados são totalmente removidos de Zeuhl, mas é uma esquisitice curiosa!

A única outra relação de britânicos com o Zeuhl, que conheço, é uma banda chamada Groon (em homenagem à faixa dos King Crimson, e também conhecida como Grüne) que toca um híbrido ardente dos estilos King Crimson, Krautrock, Zeuhl e Canterbury, todos numa mistura instrumental . Apenas marginalmente Zeuhl, na verdade, e às vezes, como a Mahavishnu Orchestra, ficam mais impro-jazzística e não tanto Zeuhl.


ALEMANHA

Apesar do toque teutónico da língua kobiana, os Magma e a música Zeuhl não foram muito notadas na Alemanha. Havia uma banda da nova onda alemã que se autodenominava Mekanik Destruktiw Kommandoh, mas não eram nem um pouco Zeuhl!

O maior inovador neste campo foi Peter Frohmader. No início dos anos 80, inspirado pelo uso inovador do baixo, de Jannick Top, Peter gravou alguns clássicos instrumentais de Zeuhl no seu segundo LP, NEKROPOLIS 2. Também explorou outros caminhos que o levaram a esse género, mas mais na direção do Krautrock pesado, em NEKROPOLIS LIVE, deu um toque funky na fusão do estilo Magma com um toque de Miles Davis e Material em THE FORGOTTEN ENEMY, e depois para reinos mais abstratos com WINTER MUSIC e com as suas “sinfonias de baixo”. Não apenas interessado nos Magma, Peter também utilizou alguns maneirismos dos Art Zoyd e dos Univers Zero, movendo-se para uma música clássica dark que se assemelha aos Art Zoyd no álbum HOMUNCULUS.

O único outro artista alemão que encontrei neste campo é Uwe Ruediger, baterista e multi-instrumentista que lançou uma cassete chamada SHAPE ONE (1984) com influências new-wave e Zeuhl. Mais tarde tocou com Peter Frohmader na banda de free rock Peter Ström.


ITÁLIA

Os Banco foram a primeira banda italiana a atacar qualquer coisa parecida com Zeuhl, embora  ache que isso mais uma coincidência que consistiu no facto de os seus álbuns instrumentais possuírem um uso semelhante de piano percussivo, ao estilo Stravinsky, e influências clássicas dark e jazz. Mais perto estiveream os Nome, que só lançaram um single (que eu saiba) que era uma mistura bizarra de RIO, Zeuhl e prog operístico.

A maior parte da música Zeuhl italiana apareceu nos últimos 10 anos. Os Stick & String Quartet tiraram partido da música de câmara de Zeuhl (território dos Art Zoyd e dos Juleverne) e transformaram-na num estilo ágil próprio. Os Kraken In The Maelstrom misturaram todos os tipos de influências para uma mix complexa improvável de Zeuhl, Van der Graaf Generator e estilos italianos dos anos 70. Os mais prolíficos têm sido os Runaway Totem, uma banda bem peculiar, meio Magma no espírito, misturada com estilos de hard rock, jazz e ópera até! As suas vocalizações são um tipo de Kobian rock também, mas não são totalmente plagiadores, já que há muito mais em actividade na sua música, influências do vanguardista italiano, RIO e arestas clássicas, chegando a assemelharem-se aos Birdsongs Of The Mesozoic. Foram-se acalmando um pouco com cada disco que iam lançando ao longo dos tempos, mudando o foco para uma Universal Totem Orchestra muito mais sombria e estranha.

 

SUÉCIA

Penso que o ângulo sueco sobre o Zeuhl veio das actuações RIO tocadas em festivais no final dos anos 70 e 80. Não é assim tão surpreendente, julgo, que uma banda conectada com os Samla Mammas Manna funcionaria neste campo, embora os Ensemble Nimbus não sejam totalmente do estilo Magma, mas sim um toque moderno e animado de Zamla / RIO / Zeuhl tipo de som.

Uma série de actuações mais influenciados pelo Zeuhl envolvem pessoas da Bauta Records, como os Kultivator que tocaram uma fusão progressiva, Kinf de Hatfield's Meet Samla's com uma dose inebriante de Magma, e Myrbein que tocava uma fusão progressiva que misturava Zampla, Arbete e Fritid, Zeuhl, Henry Cow e muito mais! Vários projetos relacionados com Lars Jonsson (de Bauta, ou seja, Ur Kaos, J. Lachen, Na Margon, Songs Between, etc.) também actuaram um pouco neste campo, mas apenas de forma temporária.

Também relacionados com esta trupe está o principal explorador de Zeuhl da Suécia: Simon Steensland, que interpreta uma falsificação Zeuhl / RIO do mais alto calibre. O seu LONESOME COMBAT ENSEMBLE definiu o cenário com uma mistura sombria de estilos, do clássico ao rock, embora apenas parcialmente Zeuhl. THE ZOMBIE HUNTER possui uma riqueza de influências e texturas combinadas, e está cheio de motivos clássicos sombrios, texturas góticas, bombástica e energia furiosa tipo Zeuhl. Touches of When, J. Lachen, Art Zoyd, Shub Niggurath, o que quiserem, até mesmo o personagem do complexo esquizofrênico denominado King Crimson está lá. O mais recente LED CIRCUS é ainda mais bizarro, com alguns estranhos elementos operáticos e uma infinidade de novos ângulos atacados por toda lado. Simon também trabalhou com o vanguardista Sten Sandell, assim como Lars Jonsson; na verdade, todo o underground sueco recente parece estar interconectado!

 

MÉXICO

Parece uma possibilidade improvável, mas existem algumas bandas do México que cujo som era baseado no Zeuhl. Os primeiros e mais inovadores foram os Decibel, que era realmente mais parecidos um Henry Cow improvisado, embora era mais eletrónicos, e tinham algumas texturas tipo Magma na sua música. Semelhante, mas com uma base mais folk / jazz, os Banda Elastica formaram um caldeirão bizarro em que eu nunca realmente consegui penetrar.

Os mais Zeuhl dos anos 80 foram Nazca, que estavam mais relacionados com o género ficcional dos Juleverne, Vortex, Art Zoyd  e da Música de Câmara do Século 21! Eram na verdade incríveis na sua destreza e inventividade, especialmente por se tratar de uma banda essencialmente acústica, mas conseguiam criar uma tempestade, com uma interação complexa através de uma mistura de violinos, viola, piano, fagote, oboé, baixo, violão e percussão. Alguns membros da banda reapareceram mais tarde na banda gótica / medieval Culto Sin Nombre.

 

CANADÁ

Com a cultura franco-canadiana quebequiana, é óbvio que ocorreria sempre uma correlação na cena musical, especialmente porque já existia uma versão híbrida canadense dos ZAO a uma dada altura.

Os L'Infonie foram, de certa forma, uma espécie canadiana paralela aos Magma, inovadora na mistura de culturas e estilos tão abrangentes como o jazz, psicadelia e vanguarda. Eles também podem ser considerados verdadeiramente clássicos e são famosos pela sua versão Zeuhl rock de In C. de Terry Riley. No entanto, devem dar uma olhadela no LP1 de seu VOL duplo. 333, que capta um espírito muito próximo ao som do início dos Magma, mas agora em LP. O seu cantor Raoul Duguay tornou-se famoso na cena pop canadiana.

A banda canadiana Maneige, dos anos 70, também contou com Raoul Duguay como convidado no seu segundo álbum, LES PORCHES, e apresentava um leve toque de Zeuhl na sua música. Tudo o que está disponível do seu período clássico inicial (na altura) é LIVE MONTREAL 1974/1975, que é mais parecida com uma mistura Henry Cow / jazz / folk peculiar na sua maioria. Os herdeiros do trono dos Maneige foram os Miriodor, formados por volta de 1980 na cidade de Quebec, mudando-se para Montreal em 1985. Os seus primeiros álbuns eram como uma progressão lógica, diferente dos Maneige, com elementos de música sistémica (Michael Nyman, Lost Jockey) e Zeuhl / nova música de câmara (Art Zoyd, Univers Zero), mas desde então mudaram-se para outros poisos.

 

ESTADOS UNIDOS DA AMÉRICA

Na verdade, não existe realmente um Zeuhl EUA, embora várias bandas se tenham aproximado do género, nomeadamente os Birdsongs Of The Mesozoic dos seus primeiros tempos, com seu estilo único de fusão de rock vanguardista e de piano-percutido. Os Motor Totemist Guild (e por vezes os U Totem) aproximaram-se um pouco do lado mais sombrio dos Univers Zero, e um pouco de Zeuhl também se pode encontrar em alguns trabalhos dos Doctor Nerve, embora de forma um tanto efémera. Uma nova banda, os Yeti, são o que de mais próximo alguém, nos EUA, já conseguiu no que ao Zeuhl diz respeito, embora seu álbum THINGS TO COME deixe cair muitos dos movimentos clássicos do duo Vander-Top em favor de outros estilos progressivos franceses. Confira minha análise no Audion # 43.

 

JAPÃO

Todos nós sabemos que os japoneses adoram copiar e reinventar as coisas. Assim não é nenhuma surpresa que tenha havido muitas criações estranhas do tipo Zeuhl ao longo dos anos. Aqui está um resumo de alguns que encontrámos ao longo dos anos ...

Entre os primeiros exploradores: Os Il Berlione eram uma espécie de fusão RIO étnica / de câmara com laivos de Univers Zero e Art Zoyd. Os Lacrymosa também se encaixavam no mesmo lugar, embora seu álbum BUGBEAR tivesse um toque oriental muito mais forte.

Na ruidosa armada noise japonesa encontramos várias bandas inspiradas no Zeuhl. Os mais conhecidos (por terem sido apadrinhados por John Zorn e Derek Bailey) são os Ruins. Tocam uma fusão frenética que alterna entre o Zeuhl e o free-jazz, e quase tudo o mais que eles se lembrem de acrescentar, e que é muito. Os Koenji estão ligados aos Ruins e aplicam a ética “Japanoise” a uma fusão inspirada nos Magma. Ouvir o seu álbum HUNDRED SIGHTS OF KOENJI é como ser espancado, sobrepondo-se depois uns gritinhos furiosos ao estilo Magma, uma espécie de KOHNTARKOSZ e UDU WUDU híbrido, coberto com vocais selvagens. Imagine os Fushitsusha interpretando as músicas dos Shub Niggurath mais selvagens! Os Bondage Fruit pegaram num monte de estilos folk europeu e jazz-fusion, e adicionaram-lhe uma ponta maníaca de Magma, usando com multi-vocalizações femininas e apresentando um baixo dominante, juntando tudo isso com tudo o que possa imaginar, menos a pia da cozinha! Às vezes fazem lembrar os Eskaton com uma ponta de metal brilhante! Lançamentos posteriores lembram os Nekropolis e os King Crimson, e, mais tarde os Mahavishnu de rock / riff livre, ficando, é bom de ver, cada vez menos Zeuhl.

Os Happy Family são, sem dúvida, as estrelas da tradição japonesa RIO / Zeuhl, uma banda que se incorporou neste género complexo, mas criando seu próprio estilo furiosamente excessivo. Enquanto os  Bondage Fruit e os Koenji tendem a não manter um equilíbrio artístico, os Happy Family parecem ter tudo na proporção certa. Uma parte RIO (Henry Cow, Univers Zero, Present, The Muffins), uma parte Zeuhl (Weidorje, UDU WUDU era Magma), adicionando o tecnicismo japonês e uma pontinha de rock mais forte (um pouco daquele desenho animado, canto de pássaros do tipo mesozóico de estilo moderno), e teremos uma Família Feliz! Zeuhl liderado pela guitarra, uma música cheia de solos e furiosa complexidade. A sua primeira cassete ao vivo foi recebida com espanto, e o seu CD homónimo ainda mais. Em TOSCCO levaram seu estilo de fusão para um novo território, ainda mais complexo, ao estilo do rock progressivo, levando a questionar-me que caminho percorrerão em seguida.

 

 

DISCOGRAFIA

Banda Elastica – Banda Elastica (LP: Tiradero BE 1001) © 1986

Banda Elastica – Banda Elastica 2 (CD: Tiradero CDDP 1102) 1990 © 1991

Il Berlione – 3 tracks on: LOST YEARS IN LABYRINTH (CD: Belle Antique BELLE 9119) 4-5/90+5/91 ©1991

Il Berlione – IL BERLIONE (CD: Belle Antique BELLE 9229) ©1992

Il Berlione – IN 453 MINUTES INFERNAL COOKING (CD: Belle Antique BELLE 9483) ©1994

Bi Kyo Ran – GO-UN (CD: Belle Antique BELLE 95149) 9/95 © 1995

Birdsongs of the Mesozoic – Birdsongs of the Mesozoic (12” EP: Ace of Hearts AHS 1008) 8/81-12/82 © 1983

Birdsongs of the Mesozoic – MAGNETIC FLIP (LP: Ace of Hearts AHS 10018) 10/83-1/84 © 1984

Birdsongs of the Mesozoic – Beat Of The Mesozoic (12” EP: Ace of Hearts AHS 1018) 3-8/85 © 1985

Birdsongs of the Mesozoic – FAULTLINE (LP/CD: Cuneiform RUNE 19) © 1989

Birdsongs of the Mesozoic – PYROCLASTICS (CD: Cuneiform RUNE 35) 12/89-6/91 © 1992

Birdsongs of the Mesozoic – THE FOSSIL RECORD 1980-1987 (CD: Cuneiform RUNE 55) 5/80-8/87 © 1993

Birdsongs of the Mesozoic – DANCING ON A’A (CD: Cuneiform RUNE 69) © 1995

Birdsongs of the Mesozoic – PETROPHONICS (CD: Cuneiform RUNE 137) © 2000

Bondage Fruit – Bondage Fruit (CD: Isis ISI-0111) © 1994

Bondage Fruit – II (CD: Maboroshi No Sekai MABO-006) © 1996

Bondage Fruit – III – RÉCIT (CD: Maboroshi No Sekai MABO-009) © 1997

Cos – POSTAEOLIAN TRAIN ROBBERY (LP: IBC 4C 054-97.146) 8/74 © 1975 (CD: Musea FGBG 4028.AR) «plus 4 bonus tracks» © 1990

Cos – VIVA BOMA (LP: IBC 48 062-23.605) 7/76 © 1976 (CD: Musea FGBG 4159.AR) «plus 4 bouns tracks» © 1997

Cos – BABEL (LP: IBC 4C 058-23.794) © 1979

Cos – SWISS CHALET (LP: IBC 4C 064-23.902) © 1980

Cos – PASSIONES (LP: Boots 08 1804 or Lark INL 3539) © 1983

Cos – Hotel Atlantic (12” EP: GeeBeeDee 60-1815) © 1984

Cro Magnon – ZAPP! (CD: Het Verkeerde Been 9201) © 1992

Cro Magnon – BULL? (CD: Lowlands LOW 008) © 1996

Culto Sin Nombre – HALLAZGOZ NERICOSOS (CD: Eibon) © 19??

Decibel – EL POETA DEL RUIDO (LP: Orfeón LP-12-1113) 7-8/79 © 1980

Decibel – CONTRANATURA (CD: Momia 03) 1977-92 © 1992

Derek & The Ruins – SAISORO (CD: Tzadik TZ 7202) © 199?

Doctor Nerve – SKIN (CD: Cuneiform RUNE 70) © 1995

Ensemble Nimbus – KEY FIGURES (CD: APM 9403 AT) 1993-94 © 1994

Ensemble Nimbus – SCAPEGOAT (CD: Record Heaven RHCD12) ©1998

Peter Frohmader – NEKROPOLIS: MUSIK AUS DEM SCHATTENREICH (LP: Nekropolis RP 10122) © 1981 (CD: Ohrwaschl OW OW042) «plus 4 bonus tracks» © 1998

Peter Frohmader – NEKROPOLIS 2 (LP: Hasch Platten KIF 002) © 1982

Peter Frohmader – NEKROPOLIS LIVE (LP: Schneeball 1037) 25-27/7/83 © 1983 (CD: Ohrwaschl OW033) «plus 2 bonus tracks (14/1/83» © 1995

Peter Frohmader – THE FORGOTTEN ENEMY (MLP: Hasch Platten KIF 008) 1983-84 © 1984

Peter Frohmader – WINTERMUSIC (MLP: Multimood MRC-006) 1984 © 1987

Peter Frohmader – STRINGED WORKS (CD: Multimood MRC-006) 1982-84 © 1994 «WINTERMUSIC plus 2 unreleased works»

Peter Frohmader – THE AWAKENING: NEKROPOLIS LIVE ’79 (CD: Ohrwaschl OW035) © 1997

Groon – REFUSAL TO COMPLY (CD: Progressive Interntional PRO 050/Dissenter DIS 002) © 1994

Happy Family – FLYING SPIRIT DANCE (MC: Rotter’s Paper RPT001) 16/4/94 © 1994

Happy Family – HAPPY FAMILY (CD: Cuneiform RUNE 73) 1994 © 1995

Happy Family – TOSCCO (CD: Cuneiform Rune 93) © 1997

Julverne – COULONNEUX (LP: EMI 4B 58-99069) © 19??

Julverne – A NEUF (LP: Crammed CRA 274) © 1981

Julverne – EMBALLADE (LP: Igloo IGL 037) © 1983

Julverne – NE PARLONS PAS DE MAHLEUR (LP: Igloo IGL 042) © 1986

Julverne – LE RETOUR DU CAPTAIN NEMO (CD: Igloo IGL 089) © 1994

Koenji – HUNDRED SIGHTS OF KOENJI (CD: Good Mountain 2.800) © 199?

Kraken In The Maelstrom – EMBRYOGENESIS (CD: Mellow MMP 165) © 1993

Kultivator – BARNODENS STAGAR (LP: Bauta BAR 8101) 1980 © 1981 (CD: APM 9201) «plus 2 bonus tracks (9/6/79 + 1992)» © 1992

Lacrymosa – BUGBEAR (LP: ?) 8-10/84 © 1984 (CD: SSE-8201) «plus “Flash Back” single & 5 bonus tracks (6-8/83)» © 1993

Lacrymosa – Flash Back / Metamorphosis / Lacrymosa (7”: LLE-3004) 7+9/85 © 1985

Lacrymosa – JOY OF THE WRECKED SHIP (CD: SSE-4033) 10-12/93 © 1994

Metabolist – Drömm/Slaves/Eulam´s Beat (7” EP: Drömm DRO 1) © 1979

Metabolist – HANSTEN KLORK (LP: Drömm DRO 2) © 1980

Metabolist – Identify/Tiz Oz Nam (7”: Drömm DRO 3) © ?

Metabolist – GOATMANAUT (MC: Drömm) © ?

Metabolist – STAGMANAUT (MC: ?) © ?

Metabolist – Le Grand Prique (7”: Bain Total ?) © ? «B-side is by Die Form»

Miriodor – RENCONTRES (LP: Rio 43) 3/84-7/85 © 1986 (CD: Cuneiform RUNE 108) «plus 4 tracks from TÔT OU TARD» © 1998

Miriodor – TÔT OU TARD (MC: Rio 57) 3+5/84 & 12/86 © 1987

Miriodor – MIRIODOR (LP: Cuneiform RUNE 14) 1/88 © 1988 (CD: Cuneiform RUNE 14) «plus 5 tracks from TÔT OU TARD» © 1993

Miriodor – 3RD WARNING (CD: Cuneiform RUNE 32) 3/91 © 1991

Miriodor – JONGLERIES ÉLASTIQUES (CD: Cuneiform RUNE 78) 3/95 © 1996

Myrbein – MYRORNAS KRIG (LP: ?) 1980-81 © ? (CD: APM 9302) «plus 2 bonus tracks» © 1993

Na Margon – Death’s Angel (CDS: Bauta BAR 9302) © 1993

Nazca – NAZCA (LP: Naja NN 1001) © 1983

Nazca – ESTACIÓN DE SOMBRA (LP: Naja NN 1002) 7/86 © 1986

Nome – Marte Alla Volta/Trine (7”: GN 001) 4+9/89 © 1990

Uwe Ruediger – SHAPE ONE (MC: U.R.) 1984 © 1992

Ruins – STONEHENGE (CD: Shimmy Disc 037) © 199?

Ruins – HYDEROMASTGRONIGEM (CD: Tzadik TZ 7202) © 199?

Runaway Totem – TRIMEGISTO (CD: Black Widow BWRCD 004-2) © 1995

Runaway Totem – ZED (CD: Black Widow BWRCD 013-2) © 1996

Runaway Totem – ANDROMEDA (CD: Musea FGBG 4299.AR) © 1999?

Daniel Schell & Karo – IF WINDOWS THEY HAVE (LP/CD: Made To Measure MTM 13) © 1986/1988

Daniel Schell & Karo – THE SECRET OF BWLCH (CD: Made To Measure MTM 27) © 1992

Daniel Schell & Karo – GIRA GIRASOLE (CD: Materiali Sonori MASOCD 90057) © 1993

Songs Between – Cities & Waterholes (CDS: Bauta BAR 9303) 4/92 © 1993

Simon Steensland – THE SIMON LONESOME COMBAT ENSEMBLE (CD: Musea MP 3013.AR) © 1993

Simon Steensland – THE ZOMBIE HUNTER (CD: APM 9509 AT) 12/94-3/95 © 1995

Simon Steensland – LED CIRCUS (CD: Ultimae Audio Entertainment UAE DISC 11)) 1997-98 © 1999

The Stick & String Quartet – THE STICK & STRING QUARTET (CD: Kaliphonia KRC 005) 4/92+4/93 © 199?

Tipographica – TIPOGRAPHICA (CD: God Mountain GMED 005) © 199?

Tipographica – MAN WHO DOES NOT NOD (CD: Pony Canyon) © 199?

Tipographica – GOD SAYS I CAN’T DANCE (CD: Pony Canyon PCCR-00204) © 199?

Tipographica – FLOATING OPERA (CD: Sistema Records SICD-1) © 1997

Universal Totem Orchestra – RITUALE ALIENO (CD: Black Widow BWRCD 022-2) © 2000

Ur Kaos – A TERRIBLE BEAUTY IS BORN (LP: Bauta BAR 9002) © 1990

Yeti – THINGS TO COME… (CD: Two Ohm Bop 008CD) 10/99-2/00 © 2000

Zypressen – 2 tracks on: LOST YEARS IN LABYRINTH (CD: Belle Antique BELLE 9119) 4-5/90+5/91 © 1991

Zypressen – ZYPRESSEN (CD: Belle Antique BELLE 96195) © 1996





10.7.19

Memorabilia: Audion #46 (feat.) Karlheinz Stockhausen


Revista / Fanzine
Audion
Nº 46
Verão de 2002
44 páginas A4 (A3 dobrado e agrafado ao meio) - brochado
Muito boa apresentação
Capa e Contracapa a 2 cores Creme / Preto
Interior a Preto e Branco




Índice



Chris Conway assiste...

3 Concertos de Stockhausen

Karlheinz Stockhausen Electronic Festival
no Barbican Centre, Londres
13 a 18 de Outubro de 2001

Decidi tratar-me bem e assistir a um fim de semana completo de Karlheinz Stockhausen. Tinha falhado o Hymnen, devido a estar a trabalhar na altura, mas havia ainda muito para ouvir. Para começar, o foyer tinha uma instalação sonora pelo membro dos Can, o Irmin Schmidt, aqui com o Kuomo. Sons electrónicos filtrados sobre um enorme número de altifalantes, espalhados por todo o espaço, o que realmente funcionava beme colocava os espectadores na onda para o festival. Também tinham o filme "In Absentia", pelos Quay Brothers com música (Zwei Paare) do Stockhausen (recentemente exibido na BBC) em loop permanente, numa sala pequena, o que era excelente - Eu vi-o uma série de vezes enquanto esperava pelos espectáculos. Raramente tenho visto filme e música tão bem combinados entre si.

Fui a três concertos em dois dias...

Cenas Da Luz
Não era para ter ido ver este espectáculo, mas estava sem nada para fazer e em Londres... e o bilhete era barato, apenas 6£. Também queria ver o génio do trompete, Markus Stockhausen, pois já não o via actuar há algum tempo, e sou grande fan. Karlheinz Stockhausen apareceu e deu uma explicação sobre o que iríamos assistir - vestido num fato branco e algumas hesitações no seu inglês, mas as suas notas foram importantes para interpretar o que iríamos ver e ouvir.
A primeira peça era para um solo de entrada de Markus, Entrance and Formula, pequenas peças da obra THURSDAY FROM LIGHT. Markus estava vestido de uma forma negligente em veludo azul e com uma camisola com o símbolo do Michael estampado. Alternando 4 diferentes silêncios obtendo um belo efeito. Depois foi a vez da peça para piano Klavierstuck X, que não conseguiu manter o meu interesse por muito tempo. Consigo perceber o ponto em utilizar as cordas sustenidas e em grupo, mas penso que a duração foi demasiado longa e, talvez apenas para mim, pareceu-me um pouco datado. Depois do intervalo veio então o grande tratado da tarde - Mission e Ascension para trompete e trompa tocados por Markus e uma muito bela Barbara Bouman. Estas peças são também de THURSDAY FROM LIGHT e eu estava familiarizado com elas através da edição de MICHAEL REISE para a ECM. Os protagonistas tocaram as partes à medida que tocavam a música e houve uma grande interacção entre eles, o que encantou a audiência. A última peça era estilisticamente não muito dissimilar pois também era para trompa (tocada por Suzanne Stevens) e flauta (Kathinka Pasveer) e era de MONDAY FROM LIGHT. De novo os intérpretes apareceram com vestimentas exóticas e tocaram e actuaram as várias partes através da música. Eu cometi o erro de não ter lido antecipadamente o programa acerca desta peça o que tornou muito difícil o acompanhamento da história.

Música Electrónica
Nessa mesma noite com apenas um pouquinho de tempo para beber uma vodka ou duas no bar, começou a performance de música electrónica, de um dos primeiros "estudos" de Karlheinz Stockhausen, de 1953, até Telemusic, de 1996. O Professor Stockhausen (quase parecendo um cientista) introduziu a primeira peça Electronic Study I (ele veio cá abaixo, saindo da mesa de mistura, para introduzir cada peça). Foi a primeira peça totalmente sintetizada a ser feita apenas a partir de ondas sinusoidais. Para mim foi mais de interesse académico assim como o Electronic Study II, que foi diferente devido à utilização de novas escalas e envelopes musicais. Foi interessante ouvir a explicação acerca das técnicas e do que está por trás do resultado final.
Depois foi a vez de uma peça que eu há muito andava à procura de ouvir ao vivo - Gesang Der Junglinge onde os sons electrónicos se misturam com uma voz juvenil e a primeira peça onde Karlheinz utilizou arranjos sonoros espaciais - de modo que os sons flutuavam à volta de toda a sala. Karlheinz recomendou a todos que fechassem os olhos quando ouvem música espacial e WOW! Confesso que subestimei o efeito 3D. Depois foi a vez de Telemusik, que utiliza world music como fonte sonora parcial e um anel de moduladores que fez, para muitos, um zunido de frequências - também usou o efeito espacial o que foi maravilhoso.
Depois do intervalo chegou o tempo de apresentar o mais pesado Kontakte, que tomou conta de toda a segunda parte. Utilizou pulsos electrónicos como a sua fonte de material e usou também efeitos rotacionais que Karlheiz Stockhausen gravou com um altifalante rotativo rodeado de microfones. Quanto à música achei-a um pouco seca, mas os seus efeitos 3D foram incríveis e têm de ser ouvidos para se acreditar. Ouvir um som de besouro a andar dentro da tua cabeça no sentido dos ponteiros do relógio, enquanto um som de um zumbido roda no sentido contrário é uma experiência realmente incrível.
Karlheinz foi muito simpático e desta forma consegui um autógrafo como um verdadeiro e triste fan. Também conheci o Markus que estava na audiência e obtive o seu álbum de duetos ao vivo CLOSE TO YOU (que é excelente e obtenível a partir do seu website www.markusstockhausen.com). Ele contou-me que não tinha planos para mais trabalhos com Terje Rypdal e que o último álbum que gravaram juntos foi todo gravado á primeira numa única sessão toda de seguida. Também não tem planos imediatos para um álbum futuro com o seu irmão Simon, o que é uma pena pois eles fazem grande música em conjunto. Um bom dia de audições e aquele buzzing está ainda dentro da minha cabeça a rodar, a rodar...

Sexta-Feira Da Luz
Há alguns anos eu fui ver THURSDAY FROM LIGHT na ópera e nunca mais o esqueci. Eu não gosto, em geral, do som da voz operática e fiquei agradavelmente surpreendido e não sendo muito estridente e não muito longe da ópera Kilingon. Foi uma performance quasi-concerto da obra e por isso os coros de adultos e crianças estavam pré-gravados em fita magnética. Os personagens principais desempenaram os seus papéis (soprano, baixo e barítono mais trompa e flauta) sobre um fundo de sons electrónicos e sons das cenas. Eu conhecia bem os sons de fundo pois tenho o CD de ELECTRONIC MUSIC AND SOUND SCENES FROM "FRIDAY FROM LIGHT". Mais uma vez, estava totalmente impreparado para os efeitos 3D, que transformam radicalmente a música. Os "sons de cena" que tinham lugar a cada 5 ou 10 minutos mais ou menos apareceram e ajudaram a marcar o ritmo de progressão da peça - na qual vozes são moduladas com outros pares de coisas (fotocópia / máquina de escrever, cão / gato, etc.). A única coisa estranha foi que com as cenas das crianças e com o coro final sem estar em palco, isso significou que uma boa parte da ópera que estava a ser apresentada não estava no palco, e assim foi-nos dito para fecharmos os olhos e usarmos a nossa imaginação. Eu não me importei, pois como disse, gosto da música e estava a curtir o som 3D, mas imagino que deveria ter sido bastante curioso para aqueles que são novições na audição das obras de Karlheinz Stockhausen. As cenas finais, quando todas as cenas sonoras estavam a tocar em simultâneo sobrepondo-se por todos os cantos, foi de cortar a respiração e fez-em compreender o quanto Karlheinz compõe no espaço. O stereo parece-em maçador a partir de agora.
No átrio encontrei-me com Irmin Schmidt que é uma pessoas simpática. Cometi alguns ligeiros erros (pois não estou familiarizado com o trabalho dos Can) por isso quando ele disse que era dos Can, eu percebi que ele tinha dito que era de Cannes - ele pareceu ficar curioso com a minha resposta de que devia ser um lugar adorável. A conversa mudou depois. Ele tem um álbum novo com o Kumo "Masters of Confusion", que é um álbum ao vivo. Em resumo, passei uns belos dias na terra da electrónica - havia montes de outras coisas a acontecerem no festival mas o que relatei foi o que vi - louvor para o Barbican por este programa aventureiro e por ter trazido Karlheinz Stockhausen e a sua equipa de volta a estas paragens.







The Audion #46 Top 10 New Releases
Arkham - Arkham (Cuneiform) CD
Embryo - Live 2001, Vol 1 (Schneeball / Indigo) CD
Eruption - Lava (Auricle) CDR
Fred Frith - Accidental (Fred R´R) CD
Goblin - Nohosonno (Cinevox) CD
The Muffins - Bandwith (Cuneiform) CD
NeBeLNeST - Nova Express (Cuneiform) CD
Rouge Ciel - Rouge Ciel (Monsieur Fauteux) CD
Univers Zero - Rhythmix (Cuneiform) CD
Volcano the Bear - Guess The Birds (Beta Lactam Ring) 10"






17.5.19

Memorabilia: Audion #45 (feat.) Estónia



Revista / Fanzine
Audion
Nº 45
Outono de 2001
44 páginas A4 (A3 dobrado e agrafado ao meio) - brochado
Muito boa apresentação
Capa e Contracapa a 2 cores Amarelo / Preto
Interior a Preto e Branco





Sons Progressivos da
ESTÓNIA
mais alguns itens esotéricos - analisados por Alan Freeman




A Estónia, para citar Peeter Volkonski é "um pequeno páis europeu, com aproximadamente o mesmo tamanho que a Suiça", com uma história muito antiga de relacionamento com a Escandinávia, e que em tempos mais recentes foi absorvida pela URSS. Hoje, é um país independente e tenta reafirmar-se quer cultural quer politicamente.
Durante os primeiros tempos após o colapso da União Soviética, tivemos a sorte de ter sido contactados por alguns "Russos", que compraram grandes quantidades de stocks de liquidação da editora estatal Melodia, e que incluíam um bom lote e material progressivo de elevada qualidade. Algum desse material era estoniano, designadamente do pioneiro e talentoso multi-instrumentista/sintetista Sven Grünberg, e das bandas interrelacionadas In Spe e Kaseke. Após algum tempo, contudo, perdemos o contacto com muito desta cena, até que apareceu a editora de CDs Boheme. De qualquer forma, como uma coisa traz a outra (e grandemente impulsionado pelo aparecimento do email), tive recentemente a oportunidade de ouvir e analisar muito da cena musical mais recente da Estónia. Sempre com o intento de pesquisar aprofundadamente a música progressiva de todo o mundo, adquiri uma cópia de cada um dos álbuns que me pareceram interessantes.
Virtualmente, todas as antigas bandas estonianas e artistas a solo formam uma árvore genealógica emaranhada, desde os anos 70. Tudo começou com o grupo Messe, liderado pelo bem conhecido talento do sintetista/multi-instrumentista Sven Grünberg, seguido pelas bandas interrelacionadas, progressivas / de fusão, In Spe e Kaseke. Esses artistas foram já cobertos nas páginas desta revista, e por isso vamos agora analisar as bandas que editaram apenas um álbum, que entretanto ouvi, começando com uma figura-chave da cena musical estoniana...


ALO MATTIISEN
READ
(Maat 513781-95-3) CD 68m (1995)
AJAGA SILMITSI
(Eesti Raadio ERCD 014) CD 66m (1997)
ROHELINE MUNA + NAARMED
(Klesment KLAP 2) CD 60m (2000)
Entre os mais conhecidos dos compositores contemporâneos da Estónia, e enquanto teclista e compositor no segundo álbum dos In Spe, Alo nunca teve o golpe de sorte que (original teclista dos In Spe) Erkki-Sven Tüür teve com a ECM. Erkki é agora bem conhecido nos círculos neo-clássicos, contudo (à parte de ter visto editado o seu segundo disco nos Spe, em CD, na Musea) o golpe de sorte de Alo Mattiisen nunca chegou, e ele morreu em 30 de Maio de 1996 com apenas editado um seu álbum a solo no seu nome.
O seu álbum inicial READ é composto por uma colecção de temas de semi-melodias sedativas, de tom ambiental e arranjos  vagamente clássicos. A primeira impressão leva-nos a citar Roger Eno (dos seus primeiros dias) e depois há um pequeno tom floky escandinavo que relembra Esa Kotilainen, Igor Len ou Sven Grünberg (o lado atmosférico e clássico de Klaus Schulze ou de Ole Hojer Hansen também nos vem à mente), e ao fim e ao cabo isso fez pouco por ele. Assim, é francamente difícil de compreender e surpreendente que, durante a sua vida ele não tenha tido um muito mais largo impacto internacional. Se ele tivesse tido mais tempo, porém, talvez o tivesse conseguido. AJAGA SILMITSI ("Facing The Time") explora talentos mais abrangentes, contendo trabalhos sinfónicos (uma Overture, uma Sonata e uma Sinfonia) duas peças electrónicas, e uma faixa nos In Spe, completam o espectro. Um talento, na verdade, apesar de talvez demasiado abrangente para o seu próprio bem.
Como tributo para os seus talentos, o terceiro CD aqui revisto contém dois trabalhos não publicadas por Alo Mattiisen: Roheline Muna é uma ópera-rock grandiosa, muito como aquelas gravadas por Eduard Artemiev em 1980, muito bombásticas e pretensiosas, e muito de um gosto adquirido e usual, enquanto Naarmed (tocada nos In Spe com Alto Mattiisen em 1987) possui um pouco mais de bom gosto. Ainda assim, é um caso de - gostam de ópera?

Continua com o legado da família In Spe / Kaseke...





PROPELLER
PROPELLER 1980 xv 1995
(Fugata FUGCD 2003) CD 42m (1995)
Os Propeller foram as raízes dos Kaseke, e foi de onde o anteriormente mencionado Peeter Volkonski veio. Com fama de ter sido a primeira banda Estoniana new wave, ou de punk progressivo (assim eles se catalogam), este CD compreende 15 anos da banda tendo mutado para a banda cujo líder passou a ser Volkonskski. No que toca à new wave os Estonianos não foram muito bons, se nos basearmos nesta banda / disco. Volkonski também liderou os Rosta Aknad, uma banda punky roufenha com evidentes influências RIO, o que lhe pespegou o rótulo de Frank Zappa da Estónia. Também interessante é um álbum a solo de Peeter Volkonski, chamado THE BOOK OF SECRETS, que é uma colagem/diário musical completamente louca das suas experiências e sessões com músicos nos Estados Unidos.

VSP PROJEKT
VSP PROJEKT
(VSP VSP-CD-001) CD 33m (1996)
Um projecto de estúdio na forma de supergrupo instrumental formado por
V - Raul Vaigla (Radar, Ultima Thule) - baixo,
S - Riho Sibul (In Spe, Kaseke, etc.) - guitarra,
P - Aare Pöder (Radar) - teclados,
com Andrus Vaht (Kaseke, Mess, Ruja) na bateria. (e Sven Grünberg como convidado em duas faixas), a ligação com os Radar (e isto foi gravado em 1988) assegura de forma assertiva que a música seria uma qualquer espécie de florido e intrincado jazz-rock. Assim, é sem surpresa que os VSP tocam um híbrido de estilos Britânico, Americano e Escandinavo, tudo misturado em forma de sopa com o seu único pazazz. Raul debita a música juntamente com aquele tipo de groove à Pekka Pohjola, Riho toca um estilo Janne Schaeffer elaborado, enquanto os teclados de Aare dão um cunho à Jeff Beck Group, com um sentimento à la Jan Hammer dos 70s. É tudo muito situado numa espécie de limbo, apesar de ainda assim muito doméstico. Talvez um disco para aqueles que gostam de um twist funky a misturar-se com um estilo inconfundivelmente escandinavo.




RIHO SIBUL
POEET KULMETAB KLAASMAEL
(Vagabund SIBUL_001) CD 53m (2000)
Muito elogiado como "um extraordinário guitarrista Estoniano" o álbum de estreia de Riho Sibul (das bandas: In Spe, Kaseke, VSP Projekt), Ultima Thule, etc.) é quase tão diversificado como a sua carreira. Mas também não é o que poderíamos esperar, não um álbum de rock de guitarras, nem uma brilhante colecção de solos infidáveis também, mas algo mais, sobretudo, introspectivo.
Na maioria do tempo lembrei-me dos trabalhos folky underground da Checoslováquia, de pessoas como Oldrich Janota (de 10 anos atrás) e de alguns músicos mais obscuros e esotéricos (os reinos dos Ossian, Third Ear Band, Arbete Och Fritid, etc.) dos anos 70. Todas as canções são subestimadas, mesmo quando são mais prog-rock ou jazzy. Aparentemente, as vozes (em algumas das faixas, poucas) baseiam-se na poesia Estoniana e Sueca. Na sua maioria, é tudo muito sombrio.
Nos músicos convidados incluem-se numerosos outros nomes do topo da cena Estoniana: Robert Jürjendal e Arvo Urb (dos Fragile), Sven Grünberg, Toomas Rull (Ruja, Tulli Lum), Raul Vaigla (VSP Projekt), etc.

FRAGILE
MANIFEST
(Eesti Raadio 98 1 20649) CD 55m (1998)
OUNAPUU OSAKAS
(Klesment KLAP 3) CD 65m (2000)
Os Fragile são basicamente um duo, o inspirado em Robert Fripp, Robert Jürjendal (guitarra, etc.) e Arvo Urb (ex-In Spe e Ruja) na bateria, acompanhados por músicos convidados. Em MANIFEST são ajudados por Maido Maadik (creditado com: fitas magnéticas e tratamentos) cujo papel é na generalidade dar à música um sentido de orientação techno com samples e loops étnicos mas numa forma de cliché. Na realidade, a sua não participação teria sido melhor para o resultado final, pois os Fragile tocam uma música inventiva que cruza a fusão escandinava com um tipo de space-rock psicadélico ao jeito dos Ozric Tentacles ao vivo.
Mais originais em OUNAPUU OSAKAS (que aparentemente pode ser traduzido por "Macieira em Osaka" existem realmente elementos japoneses na música (de acordo com a informação da imprensa que possuo) apesar de eu próprio nunca ter detectado esses tais toques Orientais. Contudo, este álbum é notoriamente melhor que o seu predecessor, com uma grande diversidade na instrumentação, e uma boa mão-cheia de ideias originais (ainda um pouco sob a forma de clichés e techno em alguns dos ritmos) formando um álbum de verdadeiramente poderosa matéria musical . Numa das faixas entra como convidada a vocalista Evelin Saul, e existem numerosas outras surpresas para encontrarmos. Em resumo, os Fragile estabeleceram um estilo próprio (para além de Pekka / Osjan / híbridos Ozric) e ediataram algo de único.

ULTIMA THULE
+ KEELPILLOKVARTET
seaded ERKKI-SVEN TUUR
(Elwood 0156 0011) CD 57m (1998)
Ultima Thule é o recente supergrupo de Riho Sibul. Então, o que significa o texto acima "+ Keelpillokvartet seaded Ekki-Sven Tüür"? Não faço a mínima ideia, pois não ele não parece estar envolvido de todo neste trabalho. Os outros dois músicos do VSP Projekt, esses sim, estão por aqui, assim como outros muito rodados na cena local. Tudo isto significa que que deve ser bom, não é?
Este deve ser a quarta (ou quinta) banda com o nome Ultima Thule que eu encontrei (há uma russa dos anos 80 também), e estes são os melhores até agora, apesar de não ser a minha "Ultima Thule" - quase tudo o que temos em stock para venda é melhor! Pelos músicos envolvidos é um pouco desapontante, muito lírico no mau sentido, pomposo e bombástico no seu estilo, e não é de todo o meu género de música preferido. Ah, constato que os arranjos de cordas são de Ekki-Sven Tüür - mas ainda assimisso não é suficiente para me impressionar.

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caixa:
Adicionem todos estes trabalhos aos excelentes álbuns dos In Spe e dos Kaseke, e não esquecendo as edições clássicas anteriores de Sven Grünberg, e o conjunto forma uma família entrelaçada de grupos e músicos de que qualquer cultura do rock progressivo se pode orgulhar, especialmente num pequeno país, e que, ainda por cima, viveu isolado do resto do mundo durante décadas.
Aqueles que possuem um gosto mais conservador (ou convencional) encontrarão ainda mais motivos de regozijo do que eu próprio. Penso que haverá alguma coisa de interessante para todos - o que é notavelmente verdadeiro. Para aqueles que amam o jazz-rock, há a família relacionada com os Radar, e uma série de outras bandas que se relacionam de perto com as culturas vizinhas da Finlândia e da Rússia no que toca à música moderna. Chequem o meu artigo acerca da Boheme e a Discografia Do Leste Europeu da Audion para obterem mais informações acerca da música da Estónia.
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Finalmente, não relacionados com qualquer grupo mencionado anteriormente (tanto quanto sei) existe um par de novas (e, penso, de gente mais nova) bandas avançando com novas formas de música.

PATOKRATOR
STANDING ON THE EDGE
(HyperElwood PKCD 002) CD 58m (2000)
Aparentemente, os Pantokrator são o equivalente estoniano dos Hedningarna, de uma faceta popular de um moderno estilo de folk estiloso, passe a redundância, liderados pelo vocalista Lauri Saatpalu. Este CD compila o seu LP PANTOKRATOR I, de 1991, juntamente com outros trabalhos cobrindo o período 1988-1992. Em parte (na verdade na tradição "Russa") é extremamente bizarro, apesar de, paradoxalmente, ser bastante comercial. A vocalização "wiowaahhi eoarr..." numa das faixas faz lembrar aquele tipo de música que vemos muito nos anúncios de televisão, uma espécie de falsa new age, mas não de todo a "minha praia".

LINNU TEE
LINNU TEE
(Linnu Tee LT01) CD 51m (1997)
Citados como "uma das poucas bandas neo-progressivas da Estónia", eu devia t^-los escutado antes de ter encomendado uma cópia, mas estava curioso de ver, ou pelo menos ter uma ideia, o quão as influências Ocidentais impregnaram a cultura juvenil da Estónia. Soube que a Musea os compara aos Asia, Rush, Saga e Toto. Sim, devia ter pensado, antes de comprar! Com letras em Inglês, e um nada apelativo cantor, Indrek Patte (ex-Ruja) a sua música soa como um normal álbum de AOR Americana.

 



Assim , trata-se de uma cena musical muito activa, especialmente se tivermos em conta a dimensão do país em causa, e que tem tido pouca exposição aqui no Ocidente (com a excepção de Sven Grünberg ou dos In Spe) e existirá seguramente também uma cena underground também. Tentaremos ir mantendo-os informados.
Para mais informações sugiro que contacetem Hubert Jakobs (e-mail para: hubjak@online.ee) que forneceu os CDs que aqui analisámos (o seu conhecimento foi muito útil na escrita deste artigo). Ele pode fornecer outras edições de: Ruja (aparentemente uma banda prog iniciada em 1971, documentada por uma box de 5 CDs + 1 vídeo), edições da editora Boheme, edições do grupo de prog-rock de Sven Grünberg, os MESS (aparentemente sairá em breve uma reedição dos seus trabalhos), Tulli Lum (Viljandi Folk Music Festival, 2000), e outras raridades.                                                                                                                                                                         




26.4.19

Memorabilia: Audion #37 (feat.) Chris Karrer / Brainticket / Joel Vandroogenbroeck




Chris Karrer
Uma Conversa Com O Músico Mágico Dos Amon Düü II
Munich, 6 de Julho de 1996
por Alan & Steve Freeman



Reconhecidamente, nós estávamos ambos com uns prévios pós de dúvida acerca de nos encontrarmos com Chris Karrer quando estivemos em Munique no passado mês de Julho. Porquê? Bem, nenhum de nós estava particularmente enamorado com recente versão/formação dos Amon Düül II. Mas, tendo visto Chris a tocar com os Embryo tínhamos mesmo de ter uma conversa com ele. Pareceu-nos que Chris se esteve nas tintas para o facto de não termos gostado do que os Amon Düül II estavam a fazer agora, ele sabia que Christian também não gostava, e isso parcia que não o incomodava nada. Especialmente, isto porque nós sabíamos qual tinha sido a nossa atitude, e que não somos jornalistas musicais "normais".
Sempre soube que Chris era um extraordinário multi-instrumentista, mas (especialmente tendo em conta que era um concerto totalmente acústico) o que ele fez naquela noite na Gallerie Lea foi maravilhoso., até mesmo na forma como ele tocou um tamborim! Após do concerto achámos que tínhamos muito de que falar. Perguntámos a Chris se ele iria tocar com os Embryo de uma forma regular de novo, ao que ele respondeu algo do tipo "Não, apesar disso este foi um grande concerto, há muito tempo que não me sentia tão bem a tocar como hoje. Sabem, com os Amon Düül II temos de tocar canções e coisas que as pessoas conheçam. Com os Embryo qualquer coisa pode ser tocada!" Chris mostrou um carácter tão jovial que decidimos encontrar-nos no seu apartamento no dia seguinte.
Nessa altura Chris fez um café, fumou um cigarro e ficou numa postura relaxada, nós tínhamos já discutido acerca das suas pinturas e sobre os seus curiosos artefactos do Leste, e de uma forma natural a conversa seguiu por outros caminhos quaisquer. Falámos sobre arte e filmes surrealistas, e penso que foi acerca de "The Chasmin Soundtrack" o qual nos conduziu a um assunto não muito discutido na história dos Amon Düül II, e isso foi nada mais nada menos que o trabalho do grupo em bandas sonoras para filmes.

Alan: Estava a falar acerca de filmes para os quais os Amon Düü II fizeram a música?
Chris: Nos anos 70 havia um grande interesse pelo que se chamava "Jung Filmer", pois nessa altura eramoda contratar uma banda do underground Germânico para compor a banda sonora. E as bandas ganhavam prémios por isso. Hoje em dia muitas dessas bandas estão bem estabelecidas e conhecidas. Havia um acordo com muitas das bandas sobre quanto tudo iria custar, excepto com os Can, que diziam: "nós fazemos tudo por metade do preço".

risos por todo o lado

Chris: Por isso toda a gente odiava os Can porque eles apanhavam a maioria da música para filmes! Mas, pelo menos isto era algo com que tu podias viver, porque uma vez por ano caía algum dinheiro. Mas hoje em dia há muito poucas pessoas, como Roman Bunka, que consegue viver só a fazer música para filmes.

Steve: Sabemos que o Eberhard Weber tem...

Chris: Claro. Eberhard Weber, ele fez muita música desse tipo. sim, ele era um baixista jazz, mas agora que ficou mais velho ele faz essas coisas para TV. Mas, tenho de o dizer, na altura (nos anos 70) eles simplesmente vinham ter connosco e pegavam em alguma da música e depois montavam-na como eles queriam. Eles não diziam "Tu viste o filme e agora compõe uma música para ele" eles andavam tão excitados com tudo o que fazíamos. Mesmo que o fizéssemos na casa-de-banho. Claro que fizemos coisas especiais, como um tango com violino. Mas tudo isto mudou, claro. Hoje já não é possível. Consigo fazer algum dinheiro com as minhas pinturas, mas têm de ser sempre tão boas ou melhores que as anteriores. Por isso não podes fazer sempre a mesma coisa, e tens de apaziguar a tua alma e a tua mente.



Alan: Os tempos mudam.

Chris: É o problema dos Amon Düül II. Bem, não um problema para nós, mas para os agentes, para os fans, ou o que seja. Sabem, o Christian Burchard... ele tornou-se o leader dos Embryo porque todos os outros saíram. E, assim, ele consegue fazer a sua própria música. O nosso baixista, Lothar Meid, era um membro original dos Embryo. E tanto quanto eu sei, os Embryo começaram com uma espécie de competição com os Amon Düül II, aqui no Sul, como uma coisa alternativa, mais do tipo jazz-rock, avantgarde, enquanto nós éramos mais free-rock psicadélico. Não havia jazz na nossa música, porque nós vínhamos do jazz...

Steve: Mas vocês rejeitaram-no, então?

Chris: Naquele tempo nós odiávamos o jazz. Livrei-me de todos os discos do género.

Steve: Christian diz que você os queimou.

Chris: Sim. E muitas das minhas pinturas. Fiz uma grande pilha e deitei-lhe fogo. Na altura não era a pintura que estava na moda, eram posters, fotos e ser psicadélico.

Steve: Christian disse que você era maluco pelos Hapshash And The Coloured Coat.

Chris: Essa éfoi uma das minhas capas preferidas também. Entrei realmente a fundo na pop art também. Mas todas essas coisas intelectuais e estilissticas estavam fora de moda, e na verdade na nossa comunidade as pessoas esperavam que se fizesse algo de simbólico, por isso eu dei a desculpa que aquilo era frio, empilhei todas as minhas coisas e deitei-lhe fogo.

Steve: Na Inglaterra nós chamamos a isso "queimar as tuas pontes".

Chris: Sem olhar pata trás - sim. Naquele tempo havia todo aquele negativismo, e tudo fluía naquela coisa hippy, novos caminhos.

Steve: Gostava de banda como os Pink Floyd?

Chris: Claro. Nós encontrámo-nos uma vez num avião e tocámos juntos no mesmo festival no Sul de França, e também na Alemanha. Eu gosto deles até que fizeram o Dark Side Of The Moon do qual já não gostei. Até aí era um grande fã. Apesar disso o meu álbum favorito deles é o "Piper At The Gates Of Dawn" e depois os dois ou três seguintes. Mas, apesar de não ser um nostálgico, também fui ver outros espectáculos como aquele com o porco, e o "The Wall" e fiquei deveras impressionado.... tudo era em duplicado, sabem, com duas guitarras, dois baixos... É um sonho ser capaz de fazer este tipo de coisa no palco. Eu sempre admirei esse tipo de pessoas, como Alice Cooper...

Alan: Os Amon Düül II alguma vez fizeram algo de teatral no palco?

Chris: Sim, nós éramos conhecidos por fazer isso, não apenas jogos de luzes. Havia um local especial em Munique, chamado PM Club, e nós tocávamos lá todos os Domingos, maso normalmente quase ninguém ia a esse local aos Domingos. Mas passados três meses era já tudo tão completamente "empacotado" e ainda assim o fim de semana não o era de todo. Vocês estão a ver, nós não fazíamos apenas improvisações ou jam sessions com as pessoas que estavam por lá, nós também convidávamos artistas e performers a aparecer e participar. Assim , todos os Domingos hyavia um espectáculo / happening diferente. As pessoas tomavam todas ácido, coca, e eu sei lá que mais. E, aquilo era mágico. Lembro-me que havia sempre uma mulher nua no palco, e era assim...

Chris aqui entra numa descrição gestual do show no palco que é impossível colocarmos em palavras!

Chris: ... todas estas coisas estranhas aconteciam, mas ninguém queria saber disso. Não havia Polícia a aparecer nem ninguém a queixar-se. Não (risos) tudo era permitido! Mas, à medida que o tempo foi passando, tudo se tornou mais como concertos normais. Para fazer todas estas coisas nós não conseguíamos arranjar o dinheiro necessário.

Alan: E agora?

Chris: Bem, eu penso que é possível de novo. Como antes, o que a América fez com o jazz, é cultura agora... Os Europeus podiam fazer a mesma coisa com a subcultura que surgiu nos anos 60.

Chris tinha posto a tocar a tape do seu próximo álbum enquanto estávamos a conversar. Nesta altura da entrevista ela chegou ao fim.

Chris: O que pensam?

Alan: Há montes de influências diferenciadas. Reparei no elemento Flamenco. Christian diss-nos que anda a gostar muito de Lole E Manuel (um duo aventureiro que frequentemente quebra as regras da tradição) e outras coisa do género, e que ele também gosta.

Chris: Toda a música é mais aberta hoje em dia, há também um dançarino Japonês, Ciganos da Patagónia, toda a espécie de coisas. Eu conseguiria facilmente viver no Japão tocando apenas Flamenco. Foi engraçado, que quando estive no Egipto eles também gostavam do Flamenco. Que vem dos anos 20.

De volta ao que estávamos a falar anteriormente.

Chris: Com os Amon Düü II, tocámos no Japão, em Inglaterra, América, depois talvez toquemos em França e Itália. Depois talvez possamos tocar novamente na Alemanha.!

Steve: Não tocou em Berlim no ano passado?

Chris: Não, fomos (Amon Düü II) anunciados. Algum estúpido, chegaram a pendurar posters e depois não foram para a frente com nada. Fizemos apenas um festival, na Alemanha, no ano passado. Há sempre pessoas como estas, esperam alguma coisa de ti, mas nem sequer contratam os locais dos concerros. Não consigo perceber este modo de actuar, destas pessoas na Alemanha. Eu disse-lhes o preço. Eles não aceitaram. Queriam tudo por metade do preço e por aí fora. Falei com a banda e perguntei-lhes "o que fazemos?" e assim... É diferente com os Embryo, eles ainda fazem pequenos concertos. E eu gosto particularmente porque eles são como que uma instituição, onde os membros tocam por um preço mínimo.

Steve: Bem, o concero de ontem à noite foi pequeno, apenas cerca de 20 pessoas.

Chris: Christian apenas pede umas centenas de Marcos, sabem, e isto para toda a banda! Eu não estava à espera de receber qualquer quantia, porque eu não vivo à custa dos Embryo. Viver apenas disto é muito duro. Mas agoar eu pinto, vendo muitos quadros desde que recomeceui em 1986. Depois entrei noutros projectos, como em Itália com o Blaine Reininger dos Tuxedomoon, e em Inglaterra também, com o Robert Calvert, antes de ele ter morrido. Se fazes apenas uma coisa, descobri, não é suficiente. Como quando conheci o Blixa Bargeld, esse tipo dos Einstürzende Neubauten, tornámo-nos bons amigos porque ele gosta muito da Renate, a nossa cantora, e disse: "Um homem moderno tem de tentar e fazer sete coisas ao mesmo tempo" - de outra forma não tens chances.

Alan: E acerca das suas experiências com os Embryo?

Chris: Com os Embryo tem que se trabalhar muito mais. Houve uma altura em que eles tinham um grande autocarro, um roadie, um P.A., havia concertos com o Goethe Institute, e em muitos países diferentes. Quando me juntei à banda, em '82, era uma vida engraçada, não era uma vida cruel. Havia aquele velho autocarro com 50 anos...

Steve: Há fotografias dele nas capas dos discos.

Chris: Era fixe, muitas boas pessoas por ali, o autocarro tinha um motor novo (naõ um motor qualquer velho e gasto), e era tudo como uma caravana hippie. As digressões eram parte concertos e parte festivais, tours e por aí fora, e por vezes até tínhamos direito a ficar num hotel (risos). Talvez fosse o espírito do tempo, mas tudo começou a vir por aí abaixo, a diminuir, a diminuir, a diminuir. Toda a gente abandonou a banda ou foi despedida. Eu também fui despedido. Isso passou-se com o Edgar, Roman, e ... sim, não apenas eu, era Micky Wehmeyer, e também Werner Aldinger (ele está agora na Enja Records). E depois juntei-me de novo à banda! Passaram-se quase dois anos em que eu ora entrava ora saía da banda. Então, por outro lado, há sempre uma altura nestas coisas em que também apanhas uma overdose de viagens. E para mim era muito duro fazer outra coisa que não fosse aquilo. Também, quando estás fora muito tempo e regressas, as pessoas dizem coisas do tipo "Oh, ainda estás vivo" e coisas desse tipo. Vocês conhecem esse tipo de reacções. Assim, não havia mais amigos, nem nada...

Steve: E acerca dos Popol Vuh?

Chris: Eu apenas fiz duas sessões depois do "Nosferatu" e uma performance ao vivo com ele. Mas, com o Florian, eu tenho de contar a verdade outra vez, apesar de eu não querer falar mal dele, sabem, mas a primeira vez ele me pagou-me com uma sopa, e da segunda vez ele pagou-me de novo com mais uma sopa. Fomos a um restaurante, e ele disse "Uma sopa eu consigo pagar - não há problema". E, mais tarde, estávamos todos juntos no funeral do pai dele. Ele agora tem essa coisa techno, sabem, um género de techno "house místico". E a coisa chegou a tal ponto que eu não posso falar bem dele, devido ao que se passou. Ele disse "Ah, eu posso pagar-te agora, mas apenas tenho comigo uma nota de 500 Marcos. Tens troco?"

Risos de todos nós.

Steve: E sobre o Conny Veit?

Chris: Ele anda perdido no espaço, ninguém sabe por onde anda ele.

Steve: Ele estava também nos Amon Düül.

Chris: Sim, esteve, mas por muito pouco tempo.

Steve: Descobrimos recentemente que uma das primeiras formações que actuaram ao vivo incluíam Reinhold Spiegelfeld e outro membro dos Virus.

Chris: Oh, sim, sim, isto é como uma parada de corpos mortos na cave, sabem! (risos). Naquela altura havia montes de formações aventureiras. Por vezes era apenas o John e eu, e nós tínhamos assinado um contrato para não sei onde e tínhamos de ir, ensaiávamos com outras pessoas que andavam por ali. Com muitas dessa pessoas nós não tínhamos feito nenhuns discos na altura, apesar de mais tarde o tenhamos depois feito. Apenas os usávamos para a nossa música ao vivo.

Alan: Sempre foi assim?

Chris: Bem, para vos dar um exemplo, naquela vez quando tocámos no Japão (o que aconteceu depois de termos tocado num festival na Alemanha, no ano passado) tocámos com o Peter Leopold e o teclista do estúdio em que tínhamos trabalhado. Sem Falk Rogner. Sem John Weinzierl, porque ele queria despedir Lothar antes de tocar. Antes, fizemos um concerto teste em Munique, com outro guitarrista, Nandio (que havia tocado em "Made In Germany") que saiu também, mas não foi nada como nós esperávamos, porque quando tu reformas uma banda dás o teu melhor para que tudo corra bem. Assim, ao longo de todo este ano fizemos um disco, houve este encontro psicótico com o Lothar e eu, porque todos nós derivámos por diferentes caminhos. E depois há a questão que é diferente fazer um disco e tocar ao vivo.

Alan: E acerca dos concertos recentes? Estava a falar da digressão ao Japão:

Chris: Decidimos fazê-los metade em palyback, com algum desse playback misturado de forma diferente, e bateria-baixo. Mas pudémos ver que o Peter Leopold, que é um excelente baterista, não conseguia tocar mais. Ele é um tipo porreiro, mas quando o seu pai morreu, começou a ficar louco, a tomar ácidos, com depressões, isto e aquilo, e ele tinha uma mulher e família, sabem. Assim, contratámos outro baterista. Ficámos então com quatro novos membros e três dos antigos. A coisa é a seguinte: tens de escolher entre os velhos amigos que podem não estar já fiáveis e aqueles que conseguem executar o trabalho. De certa forma isso leva-nos atrás ao Reinhold Spiegelfeld, ele está agora na Índia, ele toca para o Bagwan, como Deuter. Foi-lhe dito que o seu fígado estava lixado quando ele deixou a Alemanha e que não tinha muito mais tempo de vida, mas isso foi há um ano atrás (um ano e meio) e ele ainda está vivo. Ele chama-se Ananda agora. Ele era um junky da pesada, sabem, muito da pesada.

Alan: Como é que vê as coisas agora, quando comparadas com os primeiros tempos dos Amon Düül?

Chris: Eu não penso que as coisas tenham mudado assim tanto. É mais nos modelos que as pessoas têm. O modelo comunidade. O modelo de sistema político. Isto é muito dogmático. Tinhas de ter o cabelo comprido. Tinhas de ter trips de ácido. Tinhas de mudar de namorada todos os dias, e por aí fora. Era uma espécie de te pores à parte. Mas era muito duro para nós, pois éramos atacados do exterior nessa altura, sabem, do tipo quando estávamos às compras não conseguíamos comprar o que queríamos, em restaurantes nós não éramos servidos. A polícia aparecia sempre uma vez por semana, quando qualquer coisa acontecia eles vinham ter connosco. Assim do lado de fora nós torna´mo-nos muito arrogantes, snobes, muito como um círculo fechado e não deixávamos as pessoas entrarem a menos que os conhecêssemos, ou se eles fossem muito especiais, aí entravam, do tipo ficarem de cabeça para o ar a dizer um longo poema (risos). Nós éramos tão fodidamente arrogantes, com grandes Cadillacs, e cobertos de prata e ouro. Mas, por outro lado nós estávamos mesmo lixados com a "política normal" da sociedade civilizada. Não aceites, sabem. Se alguma coisa era roubada a Polícia vinha logo ter connosco, se uma rapariga fugia de sua casa, eles vinham também.
Então mudámo-nos para uma casa ainda maior, no campo, como um castelo com 30 divisões. Assim, então era "há estas outras pessoas com quem nós queremos participar emj festas" e arranjámos algumas groupies de estrelas da pop e por aí fora. Mas nós tínhamos que escapar por vezes por causa dessas pessoas, digamos - os amigos. Porque havia outras comunidades, todas elas se nos juntavam ao fim de semana, porque nada acontecia por lá com as mulheres, e pelo menos nós tínhamos esta coisa das groupies a funcionar em pleno. Por isso nós tínhamos que sair aos fins de semana por causa da chegada de todas essas pessoas. Mas mesmo esta estratégia não funcionava, por causa do lixo, como por exemplo quem seria o responsável por isso, e quem seria o responsável pela comida. Todas essas pequenas coisas, como se quando Renate precisasse de novas meias tinha de escrever isso num papel, e uma vez por semana as pessoas liam esse papel, diziam sim ou não "Ela não precisa de meias novas, ela obteve algumas na semana passada" (risos) e muitas coisas como esta. Porque havia famílias e não-famílias, não era fácil

Alan: Obviamente a coisa não resultou no longo prazo.

Chris: Mas eu sou diferente de certa maneira. Eu não nasci rico nem sou rico ainda. Mas conheço algumas pessoas ricas, como esse pintor, o Ernst Fuchs, que tinha um grande palácio em Viena. Há muitas pesoas que apenas querem sugar o que puderem a partir da sua imagem, obter a sua assinatura e coisas do tipo. Mas esse tipo, ele veio visitar-me como um amigo real, e quando nos encontrámos, eu era o Guru para ele. Fiquei surpreendido.

Alan: Ele entrou no teu último álbum.

Chris: Sim, ele é também um cantor amador, eu trabalhei com ele, e ele precisava de mim para garantir que tudo ficava certo musicalmente falando. Assim, por um lado, para mim era uma honra, mas ele também precisava de mim. Como eu também sou um pintor que também faz música, eu compreendia o que ele queria dizer. As suas letras, a maneira como ele cantava. Se ele dissesse toca como "Toledo" no século 16 em Espanha, eu sabia o que ele queria dizer, eu conhecia todos os quadros, atmosferas. Ele é o Duke dos pintores, sabem, depois da morte de Dali, ele é o único do mundo surreal que ficou.

Alan: E agora?

Chris: Temos esta coisa com o nome. Como no meu trabalho a solo, o meu agente faz posters com o meu nome e "Mr. Amon Düül", mas eu digo-lhe "Não podes fazer isso, não me podes "vender" dessa forma, porque isso causa embaraços na banda". O que faço de forma privada  sempre mantenho separado completamente do que faço com os Amon Düül. No meu primeiro álbum a solo toquei com Curt Cress e um baixista francês. Quando fiz o segundo, em 1991, não trouxe nenhum dos elementos dos Amon Düül. Aconteceu o mesmo com o álbum de Ernst Fuchs, e de novo com o último. Claro que houve o problema com todos os outros membros, todos queriam chamar às suas bandas Amon Düül, e editar sob o mesmo nome, e foi realmente um problema. Como John Weinzierl, ele nunca usou o seu nome como pessoa, ele sempre se chamou a si próprio Amon Düül, como os LPs que gravou em Inglaterra, como o "Hawk Meets Penguin", e deixou assim quase toda a gente completamente confusa. Eu tenho de dizer "Não, eu não tenho nada a ver com isto". Estou verdadeiramente zangado com isto. Essa foi a razão por que ele não tocou nunca mais com a banda. Chega a um ponto que não podes confiar mais neste tipo de gente, por isso...

Alan: Bem, temos que ir embora. Temos encontro marcado com o Peter Frohmader.

Chris: Oh, digam-lhe "Olá" por mim!

E assim dissemos adeus e saímos para tentar encontrar um sítio para comer. Era um momento adequado para sair na verdade, pois eu sei muito sobre as brigas no campo dos Amon Düül II que se passaram na última década (+/-) e sei que elas causaram realmente inúmeros problemas.
Um par de meses depois desta entrevista encontrámo-nos de novo com o Chris em Londres, e foi quando ele nos anunciou este último CD que sairá em breve. Até agora não tivemos mais novidades mas mantervos-emos a par do que se for passando.






BRAINTICKET / JOEL VANDROOGENBROECK
CONNECTIONS / FAMILY







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