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14.7.25

LP - Jornal de Música - nº 36


 

Director: João Fraga

Chefe de Redacção: Rafael Gouveia

Ano I

Nº 36

75$00

Semanário: 6 de Junho de 1989


coisas + importantes (e desenvolvidas)

na capa:

1. IK Mux - Públicas Confissões - artigo e fotos - 2 páginas, com texto por Monteiro Fernandes e Fotos por Diogo Félix

+

- Love And Rockets - Para quando nos sentimos enganados... - Jorge Pereira - artigo 1 página

- The Cure - When You Wish Upon A Star - artigo de 2 páginas, por Pedro Moura

- Doutores E Engenheiros - Igual ao litro - artigo de 1 página, por João Pedro Costa

- Braga: Finalmente Domingo, artigo de uma página a propósito do lançamento da compilação "Braga - À Sombra de Deus", por... anónimo ...

- Humphrey Bogart - artigo de 2 páginas por Maria João Gouveia























17.4.15

Os Ibéricos


Em posts anteriores já aqui foi falado o fanzine Ibérico, marcante no panorama musical português dos anos 80.
Fica agora a possibilidade de download dos Nºs 0, 1, e 2. Foi ainda publicado o nº 3, o de capa vermelha, com K7 "anexa" histórica. Esse não o posso scanear sobr pena de o desconjuntar todo pois era um número com encadernação especial... Se alguém o tiver por aí no formato digital...











6.3.15

Memorabilia: Revistas / Magazines / Fanzines (41) - Ibérico - Nº 2 - Primavera de 1989


Ibérico Nº 2 (houve nº 0)
Primavera de 1989
40 páginas p/b

ver enquadramento deste post aqui.

Finalmente consegui descobrir, entre a papelada cá de casa, este número do Ibérico. Era o único que me faltava encontrar e postar aqui. Fica assim completo um ciclo ou, melhor, dizendo, uma colecção ;-)

Quem quiser a versão em pdf do nº 0, nº 1 e/ou nº 2 (este), envie-me email, pf.


Editorial
Curiosos,
Nesta 'edição nº 2', a imagem confusa de textos entalados entre gravuras, e gravuras entaladas em texto, foi abolida. Optámos por um visual em que as palavras são preponderantes face ao grafismo de modo a

comunicar algo mais directo. Nesta 'edição nº 2' decidimos marcar uma época nova no âmbito das publicações independentes.
Decidimos ser um fanzine protótipo camuflado por uma imagem mais no estilo revista. Por isso, depois da situação revista adoptámos a terminologia...
RfEaVnIzSiTnAe
ou melhor,
FrAeNvZiIsNtEa
que, depois de uma combinação interna de caracteres,
FrAnZiStE
É tudo por hoje,
Enjoy the summer!
O Franziste IBÉRICO
Paulo Somsen


O Discurso Do Poder (por Fernando Magalhães)
Suor na pele. Electricidade nos nervos. A Realidade é cada vez mais o filme da realidade. A inversão vai-se procesando lenta e progressivamente. O medo vai-se instalando. O outro é uma ameaça. A sociedade

actual, esquizóide, caminha rapidamente para a esquizofrenia. O horror. E as locutoras da TV continuam a sorir.
1988: os mass-media, publicidade, prazer, cérebro, genética, técnicas de manipulação, sono induzido, espiritualidade sintética, dissociação interior, imagens, sexo, poder, normalização, despersonalização, coma.

Um relâmpago, o negativo da fotografia, um grito contido. 1988 e uma nova música, terrível, imergindo do inconsciente colectivo de uma Europa em pânico.
Das cidades industrializadas surgem homens, simultaneamente desesperados e lúcidos, para os quais a única salvação é o exercício de novas e derradeiras formas de poder e para quem a dor é a forma última de

prazer.
Construtores da nova ordem para uma Europa que, também ela, inconscientemente aspira a um novo totalitarismo, a troco da sua alma de velha rainha.
A Europa, cansada e niilista delega o seu antigo sonho de grandeza nas mãos do diabo.

Do Duplo
O homem move-se, existe, vive no real. O seu duplo-sombra movimenta-se, existe, vive nas trevas.
O movimento negro tenta deslocar o foco de consciência do homem, do seu real para o seu duplo-sombra.
O 1º passo é procurar fazer com que o homem tome a sua alienação como natural.
(...) Procurar fazer o anormal, o irreal, parecer normal. Deve procurar-se tornar o anormal, comum.
Instilar nas pessoas o desejo de ordem e de mudança.
(...) Acelerar o processo de despersonalização, atendendo em simultâneo aos seguintes pontos: 1 - Cuidar para que não surja nenhum momento de carência fundamental. 2 - Preenchimento, com substitutos, das
ânsias e aspirações. O princípio básico é: o real substituído pela ilusão. A palavra-chave é INVERSÃO.
É necessário aniquilar os valores antigos e substituí-los por outros, idênticos, mas de sinal contrário.
(...) Iluminar progressivamente o duplo-sombra, para que aquilo que é trevas, ausência, anulação, reflexo, não-ser, pareça luminoso.
(...) Os produtos, os substitutos preenchedores deste novo estado, devem permitir o controle dos seus utilizadores.
O homem passará assim a viver num contínuo sonambulismo. Imerso na realidade natural, sem a poder viver. Pode estar no meio do horror, mas apenas conseguirá perceber o duplo, a imagem invertida, que será
quela que o novo poder quiser apresentar.
É fácil inroduzir na falsa consciência do duplo, a ilusão.
Assim, o humano pode ter fome e no seu duplo sentir-se plenamente saciado; estar nu e sentir-se agasalhado. Trata-se simplesmente da manipulação da imagem, da ilusão que se pretende criar.
(...) Numa segunda fase é preciso inculcar nas consciências, a sensação de necessidade e consequente felicidade neste novo meio.
É claro que do outro lado, o lado do poder, este observa e controla conscientemente o verdadeiro e real foco das consciências.
Assim, na prática: podem detectar-se as verdadeiras e reais necessidades e aspirações, no foco real da consciência.
Imediatamente deverá ser introduzida na falsa consciência do duplo a imagem substituta, a ilusão que vai satisfazer essa necessidade ou aspiração.

Da Filosofia
No campo das ideias devem surgir constantemente novas teorias filosóficas estáticas. O movimento terá sempre de ser apresentado como cíclico. A perfeição está no ciclo completado.
Apologia da ordem e tranquilidade sociais. O ideal máximo de felicidade será o estatismo absoluto. A verdadeira filosofia tenderá a desaparecer. O humano cada vez mais passará a encará-la como um meio prático de alcançar o máximo conforto. O pensamento será considerado uma imperfeição humana. O ideal é a perfeição. A metafísica será considerada como um jogo, cujos resultados são a confusão e a desordem.

Da Ciência
A Ciência será considerada uma actividade exclusiva dos técnicos. Ciênci = Técnica. O técnico é aquele que se sacrifica pelo povo, que é obrigado a pensar nos meios que serão facultados a esse mesmo povo, com a finalidade de lhes proporcionar conforto e felicidade.

Do Trabalho
O trabalho manual será considerado uma actividade desejável.
O trabalho destina-se a desviar e aproveitar as energias suplementares do povo. Deve procurar-se fomentar a imagem de prazer, associada ao trabalho.
Será sempre o Estado, detentor do podfer, que fornecerá os meios para o povo produzir.
O Estado cuida do povo, pensa por ele, proporciona-lhe prazer.
O povo produzirá energia e trabalho para o Estado, omnipotente, que os utilizará consoante a sua vontade. Vampirismo.

Da Religião
A religião deverá ser considerada como uma das formas da metafísica, logo tendendo para a desordem e para a confusão.
Não deverá, porém, ser reprimida. Simplesmente, como forma primordialmente desordenada e confusa que é, deverá ser ordenada e condicionada pelo Estado que, assim, mais uma vez, satisfará o povo, oferecendo-lhe algo no início desordenado e confuso, trasformado numa forma ordenada, perfeitamente racional, pronta a ser utilizada na vida prática.
(...) É preciso, claro, nunca esquecer que, neste, como em todos os campos, cada passo dado, deverá visar sempre um crescente aumento de poder e uma progressiva divinização do ssitema.

Da Arte
A Arte consistirá na procura da forma mais útil. Utilidade, funcionalidade e prazer são conceitos indissociáveis da actividade artística.
Poderá ser considerado belo tudo aquilo que for harmonioso, no sentido de repousar, descansar os sentidos. As formas deverão ser anódinas, neutras, sem qualuqer significado ou sentido mais profundo.

Do Sexo
O sexo é uma actividade puramente mecânica; mais outra técnica para alcançar o prazer. É necessário para a produção de novos elementos úteis ao Estado.
O Amor é uma forma infantil da metafísica.

Do Estado
O Estado, síntese de todas as coisas, deverá ser a única entidade que se venera.
Deve venerar-se o Estado porque se deve venerar a perfeição.
Em 2º lugar deverá estar a sociedade (forma organizada de elementos dependentes do Estado), e em 3º os produtos e realizações deste último, visto serem dádivas ao povo.

Do Estado Como Perfeição
Para o Esatdo não há indivíduos.
Só o Estado conta, como entidade organizada, abstrata, máquina perfeita, sem erros humanos, sem qualquer falha. O Estado é a perfeição. O Estado é deus.
Aqui se satisfaz uma última possível necessidade do povo e do humano em particular: deus, entidade que transcende o homem, agindo no entanto sobre ele e no seu meio. O Estado possui estes atributos, ele é a entidade perfeita, acima da sociedade que dirige e controla todos os elementos que a constituem.

[Excertos do "Discurso do Poder", lidos pela primeira vez na emissão de 27/4/88 no programa "Estranhas Frequências" de Fernando Magalhães, na R.U.T.]






19.2.15

Memorabilia: Revistas / Magazines / Fanzines (28) - Ibérico - Nº 3 - Verão de 1990


Ibérico Nº 3 (houve nº 0)
Verão de 1990
60 páginas

750$00
60 páginas encadernadas com cola em lombada (os números anteriores eram fotocópias agrafadas)
Capa vermelha
... último número do fanzine ... :-(


ver enquadramento deste post aqui.



Direcção
Fred Somsen
Grafismo
Miguel Vieira Baptista
Colaboradores
Miguel Abalroado
António Carvalho
João Correia
Alexandra Costa
Ana Isabel Costa
Rafael Gouveia
Fernando Magalhães
Luís Carlos Manuel
José António Moura
Paula Gomes Ribeiro
Eugénio Teófilo
Miguel Santos
Miguel Somsen
Paulo Somsen
Clara Sanches Valente

Editorial
Mais uma vez eis que o processo de concretização do Ibérico chegou ao fim. Estivemos como que enfiados num casulo opaco durante longos meses, numa derradeira metamorfose, para hoje aparecermos com este visual. Sofremos uma operação plástica quase radical. Adoptámos um figurino neo modernista. Faetámo-nos de pilhar ideias a outros pasquins. Mas mantivemos o essencial, o Conteúdo e os escribas.
Apesar do incontestável apoio que sentimos ter da vossa parte, é um facto que temos tido certas dificuldades. Problemas de recursos humanos e financeiros deram-nos grandes dores de cabeça. Foi tudo resolvido porque o Fred resolveu empenhar as suas míseras economias e o Miguel, depois de algumas contrariedades, optou por colaborar na maquetagem. Enquanto estes três mosqueteiros (queneste caso eram dois), suaram à farta a tirar fotocópias, duplicar cassetes e bater no teclado, o resto da equipa preferiu ficar comodamente "at home" curtindo uma diferente. Trabalhar numa publicação independente é mais ou menos assim. O facto de não haverem regras pré-definidas proporciona anarquia, e esta apesar de ter a sua carga de criatividade, traduz-se em dispersões temporais. Mas é mesmo assim que surgem as alternativas, e eu hoje sinto-me muito honrado por poder asinar, ainda que seja, este memorando. Longa foi a espera, mas alegrem-se pois estamos finalmente de volta, e com ideias de, muito brevemente, vos martelar outra vez...
Paulo Somsen

Joy Of Life
Se à partida o nome não vos diz muito, talvez se sintam mais interessados se mencionar DEATH IN JUNE e CURRENT 93, projectos onde Gary Carey, líder dos J.O.L. já colaborou. Formados em finais de 83, os J.O.L. confinaram-se ao habitual circuito de concertos na zona londrina, de que pouco ou nada há a registar excepto, talvez, o 'line-up' original: gary Carey (baixo, voz teclas), Trevor Martin (guitarra, teclas) Peter Fordham (voz)., Kevin Gregory (bateria), Glenn Fenton (guitarra).
A primeira gravação - o mini-LP "Enjoy" - surge em Julho de 85 na N.E.R., fruto da amizade entre Gary e Douglas P.. O produto final resultou "apenas" num bom disco, sendo ainda notória a procura duma sonoridade própria., onde são palpáveis as influências mais marcantes da banda (Death In June, Joy Division, etc.). O som é ainda um tanto incaracterístico, mas temas como "Another Dream", "Missing Presumed Dead" e "Letter And A Photograph", são já pontos de referência do futuro som J.O.L. Enfim, nada mau para um primeiro registo.
Entre 85 e 88, data da edição do LP "Hear The Children", joga-se muito do futuro do projecto, nomeadamente dá-se a saída de Glenn Fenton nos finais de 85 e a assinatura dum contrato com a italiana Digitalis Purpurea, de que nada resultou, tendo sido os próprios Joy Of Life a pagar o estúdio, sem sequer vislumbrarem a sombra de qualquer edição vinílica. Finalmente em 87, desintilig~encias internas levam a que o projecto se veja reduzido a duo - Gary Carey e Trevor Martin. Em Maio de 89, decidindo-se a criar uma própria editora, Gary recupera grande parte do material anteriormente gravado e edita "Hear The Children" no selo Cadre Records.
Ao que parece o registo passou completamente despercebido na imprensa musical Britânica, o que actualmente parece ser cada vez mais um sinal de qualidade! O disco resultou num dos melhores trabalhos de 88, suficientemente louvado no Ibérico nº 1.
As comparações tornam-se ingratas, mas a constatação é sublime: "Hear The Children" traz-nos à memória velhas recordações, imagens de espíritos Gregos e afins, provando uma vez mais que a fórmula ainda não se encontra gasta e que ainda e sempre, é possível (re)criar.
Os mais cépticos acreditem-me, este é, sem dúvida, um excelente trabalho. 1990? 1991? Esperava-se para breve um novo registo discográfico, que logicamente só ainda não surgiu devido aos habituais problemas de rarefacção de papel moea (bem como a pouca vontade de trabalhar, da parte de Gary e Trevor! - N.R.).
Como certezas apenas podemos adiantar que o projecto continua activo e em busca duma sonoridade mais experimental. Para breve, talvez algumas surpresas. Como é da praxe, e para os habituais interessados, segue-se o contacto e discografia dos Joy Of Life:
Discografia:
- Julho de 85 - "Enjoy" (N.E.R.)
- Maio de 88 - "Hear The Children" (Cadre Records)
Faixas em Compilações:
- 1987 - "Hear The Children" (Machina, A.C.I.02)
- 1988 "Missing Presumed Dead" (Fools Paradise)
- 1989 - "Last Fine Days" (Unknown train Tapes)
- 1989 - "Dead Flowers" ("Welcome To The dreamhouse", Being Cut Tapes BC002)
Colaborações:
- "To Drown A Rose" 10" EP - Death In June
- "Brown Book" LP - Death In June
- "Swastikas For Noddy" LP - Current 93
Contacto:
17, Campion Court, Elmore Close, Alperton, Middlesex, England
Miguel Abalroado






17.2.15

Memorabilia: Revistas / Magazines / Fanzines (27) - Ibérico - Nº 1 - Inverno de 1988


Ibérico Nº 1 (houve nº 0)
Inverno de 1988
40 páginas

ver enquadramento deste post aqui.

Quem quiser a versão em pdf do nº 0, nº 1 (este) e/ou nº 2, envie-me email, pf.



Editorial
Deitem foguetes meus filhos!!
Finalmente surge nas vossas mãos o primeiro número do Ibérico, um fanz que pretende unicamente não passar despercebido.
Estivemos um ano em experi~encias, o embrião surgiu em Março sob a forma de número zero e hoje eis que lêem o primeiro.
Em contexto podem nestas quarenta páginas ler artigos musicais (nomeadamente sobre projectos e registos9, artigos históricos/políticos e também muitos outros que a priori nos escusamos de rotular.
Pretendemos tornar o Ibérico periódico, isto apesar de não pretendermos vincular uma perodicidade pré-estabelecida; por agora foi o do Inverno 88 e preparamo-nos já para a Primavera 89 se houver (como é evidente) o respectivo feedback da vossa parte.
Para terminar resta prestar o mereceido agradecimento à equipa que tornou possível esta realização, em especial a dois nomes que desde o início colaboraram a 100% e que sem eles o Ibérico teria sido um projecto só de café; são eles: Fred Somsen e Eugénio Teófilo. Obrigado!
O Irresponsável
Paulo Somsen

Breathless
Desprovidos de um som idiotipicamente próprio, os Breathless possuem no entanto um vocalista que dá uma homogeneidade consensual ao material que a banda produz.
Não se poderá obviamente restringir o grupo apenas ao seu vocalista - Dominic Appleton - embora ele tenha sido assumido como o monumento arquétipo da banda. Contudo, em termos de influências, poderemos agrupá-los numa amálgama de nomes tão dispersos como Nick Drake, Tim Buckley, Pink Floyd ou Joy Division.
O som dos Breathless queda-se o distante do imaginário caótico/decadente sendo suficientemente ágil e elaborado para não se dispersar na amálgama de guitarras e sintetizadores que proliferam na música actual.
O resultado final vai ser de certo modo exótico, com um grande sentimento de delicadeza quando iluminado pela voz.
Confirmando-se como o primogénito da banda, Appleton (e pese-se o facto dos Breathless não se inserirem na linha 4AD'iana) foi um dos poucos convidados extra-4AD que participou no projecto This Mortal Coil, na elaboração do duplo "Filigree And Sahdow". Trata-se claramente duma aposta de Ivo, não em mais um projecto musical mas sim numa voz que, sendo fortemente masculina não é rude, conferindo ternura àquilo que expressa. Estes dois aspectos, bem como a emotiva tristeza que se desprende das vocalizações de Dominic foram magistralmente explorados neste duplo álbum respectivamente nos temas "The Jeweler" e "Stength Of Strings".
O resto da formação - que inclui Gary, Ari e Tristram - não se limita a preencher o espaço já suficientemente convincente, mas a torná-lo ainda mais numa estrutura independente, sobriamente sólida e inteligente.
Trata-se de mais uma proposta com muito fôlego e força para proseeguir, esperemos que não demasiado ofegante.
BREATH 001 - Waterland / Second Heaven (7")
BREATH 002 - Ageless (12")
BREATH 003 - Two Days From Eden (MINI LP)
BREATH 004 - "The Glass Bead Game" (LP)
BREATH 005 - "Nailing Colours To The Wheel (12")
BREATH 006 - "Three Times And A Waving" (LP)

Breathless / Tenor Vossa
1 Colville Place
London W1
England






Participações
António Carvalho
António Mendes
Carlos Didelet
Eugénio Teófilo
Fernando Magalhães
Fred Somsen
João Duarte
José Faísca
José Moura
Miguel Baptista
Miguel Somsen
Nihil Avt Mors
Paula Ribeiro
Paulo Somsen
Richard Franoux
Sandra Cunha
Tadeu Saavedra

 




11.2.15

Memorabilia: Revistas / Magazines / Fanzines (26) - Ibérico - Nº 0 - Março de 1988


Ibérico
Nº 0 - Março de 1988
40 páginas

Quem quiser a versão em pdf do nº 0, nº 1 (este) e/ou nº 2, envie-me email, pf.

Deste fanzine foram editados 4 números, contando com o nº 0, sendo pois o último o nº3, o que, como podem comprovar, tem originado grandes confusões.
O nº 3, e último, veio acompanhado de uma cassete, que hoje de culto, ainda mais que os fanzines propriamente ditos, como podem confirmar pelo preço exorbitante que pedem por um exemplar (59€, À data da publicação deste post.)
O Ibérico foi um fanzine baseado num programa de rádio, que passava diariamente na RUT (Rádio Universidade Tejo), da responsabilidade dos irmãos Paulo e Fred Somsen, além de Eugénio Teófilo. Foram eles a alma do fanzine, que, no seu número 1 começou a receber também as contribuições de um outro vulto da imprensa musical, o crítico Fernando Magaljhães, que aqui deu os seus primeiros passos.
O tipo de música versado no fanzine, e também no programa de rádio aludido era variado, mas dentro de certos limites, não cedendo a quaisquer impulsos ou pressões comerciais. Foi o tempo glorioso das rádios pirata em Portugal. Artistas típicos: Nurse With Wound, Death In June, Curent 93, mas também a EBM dos Front Line Assembly e Front 242, entre outros, etc. Tudo o que saía de obscuro, não interessava o género, era objecto de pasagem e critica.
Começamos por ilustrar o fanzine através do seu nº zero:


Editorial
E pronto chegamos à parte mais difícil de consolidar - As palavras finais do início - o célebre
Editorial
Peça imprescindível em qualquer periódico. Assim, o Ibérico é um fanzine formado por um molho de folhas que pretendem ter em comum, só os agrafos que as apertam.
O nome, por exemplo, nada  tem a ver connosco, muito menos convosco - é um mero logotipo à venda por cem paus! Uma salada mista com maionese talhada e condimentada pelo pessoal cá do burgo - talvez a melhor identificação, que se adapta ao fanzine - através da negação: não é um pós moderno fanzine, nem um litro de papel contendo informação útil e actualizada sobre o costumeiro "de tudo um pouco".
Foi construído, escrito e pilhado por uma xunga de curiosos, estudiosos, avacalhadores, hipócritas, escribas de toilete, e ainda alguns idiotas e sensaborões, todos contribuindo para mais um episódio de folclore urbano tão esfomeado em coisas fortes.
A capa, sem fundo ibérico. A península sem ter culpa nenhuma do título.
Ideia - por isso se fala tão pouco dela, e ainda bem, senão teríamos de ser mais cruéis e, pior que tudo, menos patrióticos.
Ibérico, cheira a suor e muito gozo. [Foram cerca de onze meses]. Mais algum azedume num saco de raiva, sobretudo porque continua a não acontecer nada aqui e a culpa é muito nossa.
Para terminar (já que o espaço é pouco), se não vos agradar, contactem-nos, pois garantimos a devolução do 'papel' que desembolsaram, em gargalhadas.
O Irresponsável: P. Somsen


Melleril de Nembutal

Estamos vestidos, com lençóis, descalços, cabelos soltos, ancas cingidas com cordões dourados. Os nossos soporíferos de todas as cores transformaram-se em colares, brincos, pulseiras, anéis, jóias. As nossas caras todas riscadas com mercurocromo e arnica. Queriam proibir-nos de ser homens desejáveis e maquilhados. Empoei oo rosto de branco, pintei as pálpebras com carvão apagado, untei os lábios com pomada. Levamos círios roubados do "atelier" de ergoterapia. Obrigam-nos a fazer velas de cera, flores de papel, caixas de papelão, xailes, cestos para o pão que vendem aos normais. Não trabalharemos doravante para os normais. Agora somos belos, reis vestais. Seguimos pela estrada cantando cantigas infantis e cânticos de igreja, músicas vindas do fundo de nós mesmos.
Melleril de Nembutal será o teatro dos mal castrados?
Talvez a música folclórica e tradicional dos asilos urbanos, sempre marginalmente minoritária?
Melleril de Nembutal desde a copulação em Agosto de 1985, até ao parto, em Março de 1986. Passaram-se sete meses. Um parto prematuro, incompleto. A ideia começou a tomar forma. Nasceram cinco espantalhos na ponta de uma guita: Canto Buendia, Hesskhé Yadalanah, Justo Infantes, taperapefuxe e Canio Silvestre. Por vezes aparece mais um Camarada McGuinty, Ou outro: Arcádio Maturina. Ou ainda: Céti Rápá.
A nível de imagem, é a guita que comanda a música. Têm atitudes e personalidades próprias. Nos seus concertos tanto podem fazer transparecer a sujidade do trabalho de um operário, como actuarem parcialmente nus, onde mostram as pinturas vermelhas e brancas obscenas no corpo, como ainda de saias ou de qualquer outra maneira onde se sintam à vontade para fazerem o seu teatro de música castrada, onde dizem encontrar o verdadeiro espírito da seriedade.
Costumam utilizar como cenário de fundo nos seus espectáculos um painel, que simboliza a parede de um antigo quarto de asilo para velhos loucos. Nesse painel encontra-se a frase "Lebre-Caçador-Campo" onde se espelha uma ideia comum ao grupo.
Melleril de Nembutal pretende explorar uma via própria na construção de temas, onde vai também explorar mais tarde, uma improvisação de movimentos em palco - o teatro dos malcastrados, e a psiquiatria da anti-música.

(Festival Nacional de Nova Música Rock) Pav. Infante Sagres - Porto (ainda em embrião) 30NOV85
Escola Secundária de António Arroyo - Lisboa 12JUN86
Academia de Santo Amaro - Lisboa 19JUL86
Festa do Avante (Palco da Juventude) - Lisboa 07SET86
Largo do Rio Seco - Lisboa 4OUT86
(Interarte 86) Escola Superior de Belas-Artes de Lisboa 18OUT86
Rock Rendez-Vous - Lisboa 28NOV86
(Festa de "O Diário") Coliseu dos Recreios - Lisboa 10JAN87
(4º Concurso de Música Moderna) Rock Rendez-Vous - Lisboa 21FEV87
Escola Secundária da Ameixoeira - Lisboa 28MAR87
(4º Concurso de Música Moderna) Rock Rendez-Vous 10MAI87

Largactil. Nubaréne. Ecuanil. A Manhã. Emma Amma. A Casa. Samuel. Ku Klux Kristah. Outono. "Intro de Percussões". Trevor Watts. A Carta. Vasija de Barro. Movimentos Córeicos. Flying Tóts.

Para ela, para a rapariga que morreu.
Ela e eu fugimos juntos do asilo. Fugimos do asilo e do silêncio, uma noite, uma madrugada, pela neve. Queríamos ir ao encontro dos outros. Ir ao encontro das palavras e do som.
Já cá fora, quando chegámos à estação, tivemos medo. Não estávamos habituados. Já começávamos a arrepender-nos, queríamos voltar atrás...
Ela atirou-se para debaixo do comboio.
Eu continuei. Procurei as palavras. Procurei o som.
Ainda por inventar.

Prémio de Originalidade - 4º Concurso de Música Moderna RRV.





A fechar ficam os agradecimentos a quem pronta/ participou na consolidação desta primeira coisa:
António Carvalho
Eugénio Teófilo
Fred Somsen
João Pedro Costa
José Dias Curto
Paulo Branco Lopes
Rafael Gouveia
Rui Brazuna
Rui Pureteiro
Rui Vargas
Rui Viana
Rui Pires
Renato Santos
Tadeu Saavedra






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