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30.8.22

SYNTORAMA - nº 16 / 1989 - "ELECTRÓNICOS LUSITANOS" (parte 3/4) - AMA ROMANTA -


 


AMA ROMANTA

 Uma das editoras portuguesas mais activas, editando deste o rock mais obscuro ao pop mais expressionista, passando pela música electrónica e o novo jazz. Aqui, vamos precisamente fixar-nos nesta faceta, que é a que nos interessa.

Falaremos de TÓ ZÉ FERREIRA, NUNO CANAVARRO, SEI MIGUEL. Nesta etiqueta também editaram discos os TELECTU (CAMERATA ELETTRONICA) e também se atreveram com PASCAL COMELADE (BEL CANTO).

TÓ ZÉ FERREIRA – Tem 25 anos, faz música electrónica e foi uma das grandes revelações da 1ª Mostra Portuguesa de Artes e Ideias.

Tem editado, pela etiqueta AMA ROMANTA o disco “MUSICA DE BAIXA FIDELIDADE”. – Música para computador.

 

TÓ ZÉ FERREIRA

Praceta Manuel Nunes Manique, 3 – 2º C

2750 – CASCAIS (PORTUGAL)


 

“Essencialmente sou um curioso, penso que as pessoas se deveriam interessar pelas coisas. Há tantas maneiras de vê-las e, é isso que é o mais importante. Não é dizer: eu penso isto, eu sou assim, tenho estas ideias, tenho esta personalidade” e ficar-se por aí. Isso não, meu Deus”.

TÓ ZÉ FERREIRA, no Semanário BLITZ

 

NUNO CANAVARRO. – É um músico que apareceu no início da década dos anos 80, como teclista do grupo STREET KIDS, com os quais gravou 3 singles e um LP. Estudou novas sonoridades juntamente com TÓ ZÉ FERREIRA no Instituto de Sonologia de Utrecht, na Holanda. A sua primeira experiência como produtor foi um maxi-single para o grupo MLER IFE DADA.

Tem apenas um LP gravado a solo e editado em Dezembro do ano passado, intitulado “PLUX QUBA – MÚSICA PARA 70 SERPENTES”. Para a gravação deste disco utilizou um sampler Mirage, um sintetizador Moog, um magnetofone de oito pistas e microfones, além de um Walkman Sony.


 

SEI MIGUEL. – É um músico que pratica “novo jazz”. O seu instrumento é a trompete de bolso. Tem editados dois LPs até agora, bem diferenciados e com formações distintas, com um período de tempo muito curto entre a edição de um e de outro.

“BREAKER”, o seu primeiro LP gravado directamente (live) com um Sony WM D3 em 3 salas diferentes, entre Dezembro de 87 e Janeiro de 88. Influências BE-BOP. Temas como: “BREAKER”, “THIRSTY?”, “THE MIRROR”, “KEY BLUES ABOUT BUILDINGS”, etc. … Acompanham SEI MIGUEL (trompete de bolso), FALA MIRIAM (trombone), BRUNO RASCÃO e ALEX GALLO (Guitarras), ZÉ NINGUÉM (saxofone), BRUNO NEXT e JOSÉ OLIVEIRA (percussões).

“SONGS AGAINST LOVE AND TERRORISM” editado no início de 89. Como o anterior, gravado live em quatro salas diferentes. SEI MIGUEL com o sexteto denominado “SANTOS DA CASA FM”; no seu som foram eliminados a bateria, baixo e teclados, dando lugar a uma outra guitarra eléctrica, percussões metálicas e tuba. Percebe-se um trio fundamental a destacar depois destes álbuns; SEI MIGUEL e a sua respectiva trompete de bolso, BRUNO RASCÃO na guitarra eléctrica e FALA MIRIAM no trombone de varas.

 

SEI MIGUEL

Rua das Chagas, 16 – 4º esq.

1200 LISBOA (Portugal)

 

AMA ROMANTA

c/o João Peste

Rua Coelho da Rocha, 46-1º D

1200 LISBOA (Portugal)

 

Estes discos estão disponíveis através do contacto da AMA ROMANTA


SLYNKTORAMA16






26.8.22

SYNTORAMA - nº 16 / 1989 - "ELECTRÓNICOS LUSITANOS" (parte 2/4) - MISO ENSEMBLE -


 


MISO ENSEMBLE

Duo de flauta e percussões formado no ano de 1985 por PAULA AZGUIME e MIGUEL AZGUIME.

MISO ENSEMBLE “Música para flauta e percussão” é o título do primeiro LP desta nova editora independente “MISO PRODUÇÕES”, que tem previsto, desde o início, dedicar-se às músicas improvisadas, sem esquecer a áudiopoesia e outras experimentações alternativas. Mas vamos conhecer os MISO ENSEMBLE e a sua editora discográfica um pouco mais a fundo, através da entrevista efectuada a um dos seus responsáveis, MIGUEL AZGUIME, feita por correio na Parede (Portugal) em 1.5.89

MISO ENSEMBLE

Rua do Douro, 92 r/c

REBELVA 2775 PAREDE (PORTUGAL)


 ENTREVISTA

ROGELIO PEREIRA – Como surgiu a ideia do duo MISO ENSEMBLE?

MISO ENSEMBLE – A ideia de formar um grupo de música contemporânea, onde se desse especial importância à improvisação e exploração de novas técnicas instrumentais, paralelamente à criação de composições originais, foi o que esteve na origem dos MISO ENSEMBLE.

Baralhar as categorias demasiado definidas, misturar públicos diversos num esforço de comunicação e divulgação da música contemporânea, foi uma orientação constante dos MISO ENSEMBLE.

R. PEREIRA – Pensam seguir esta linha ou experimentarão introduzir novos instrumentos?

MISO ENSEMBLE – Concretizando, sem mais demoras, a ideia que levou à criação dos MISO ENSEMBLE, e principalmente por questões de tipo financeiro, os MISO ENSEMBLE tornaram-se, ao final de 6 meses, num duo, constituído por PAULA AZGUIME, flauta, e MIGUEL AZGUIME, percussão. Devido à intensidade e originalidade da linguagem musical do duo, decidimos, a Paula e eu, mantê-lo como a nossa principal actividade, não excluindo a hipótese de realizar um trabalho paralelo com uma formação alargada, em função das necessidades composicionais.

R. PEREIRA – São favoráveis à música feita com instrumentos electrónicos?

MISO ENSEMBLE – Os instrumentos electrónicos são meras ferramentas musicais como os outros instrumentos, e que, como tal, têm o seu campo de liberdades (timbres, dinâmicas, frequências, cores, formas, luz … ideias!). Movimentarmo-nos dentro desse campo e criar a música “perfeita”. Nos MISO ENSEMBLE, ainda que não esteja excluída a hipótese de usarmos instrumentos electrónicos, é sobretudo na extensão das técnicas instrumentais convencionais e na criação de novas técnicas com instrumentos acústicos, assim como nas possibilidades de relação entre a flauta e a percussão que o nosso trabalho mais tem incidido.


R. PEREIRA – Quais são as músicas que os atraem mais neste momento?

MISO ENSEMBLE – Todas, desde que sejam boas.

R. PEREIRA – Além do vosso trabalho como músicos, pensam editar mais gente na vossa etiqueta? Podem adiantar-nos algo mais sobre os vossos projectos futuros?

MISO ENSEMBLE – A MISO PRODUÇÕES está aberta a vários tipos de propostas musicais, estando neste momento programados para sair quatro discos: CARLOS ZÍNGARO – Violino solo. COLECTIVA – Grupo dirigido por CONSTANÇA CAPDEVILLE. ANTÓNIO SAIOTE – Clarinete solo (obras de compositores contemporâneos portugueses. PAULA AZGUIME – Flauta solo.

Os discos de CARLOS ZÍNGARO e de PAULA AZGUIME já se encontram gravados, sendo o disco de CARLOS ZÍNGARO o próximo a ser editado. Todos os discos são gravados digitalmente, mas ainda não sabemos se sairão em vinilo ou compacto. Gostaríamos também de gravar e editar poesia, mas neste momento não existem condições para concretizar esse projecto. A MISO PRODUÇÕES conta com o apoio pontual do Mecenato de Empresas.


R. PEREIRA – Tens algum tipo de contacto em Espanha?

MISO ENSEMBLE – Infelizmente, ainda não. Estamos neste momento a preparar uma tournée por Itália, e talvez fosse possível aproveitar este facto para realizar algum concerto em Espanha.

Gostaríamos muito que ver reunidas as condições para um encontro de músicos de várias áreas e intercâmbio musical de vários países, a nível de concertos e/ou de edição discográfica.

R. PEREIRA – A vossa música serviu de suporte a algum filme. Podem mencioná-lo?

MISO ENSEMBLE – Realizámos a música para dois filmes, ambos de JOAQUIM PINTO, “Uma Pedra No Bolso” (1998) e “Onde Bate O Sol” (1989). Trata-se de música especialmente composta para os filmes e não do aproveitamento de material já existente.

R. PEREIRA – Estão dispostos a exportar a vossa música para fora de Portugal?

MISO ENSEBLE – Contamos, a partir deste ano, realizar concertos e distribuir os discos fora de Portugal.

R. PEREIRA – Durante o ano passado percorreram um monte de kilómetros a visitar distintos lugares de Portugal. Como se desenrola, ao vivo, um concerto vosso?

MISO ENSEMBLE – Os MISO ENSEMBLE têm em concerto uma característica singular: A música transmitida directamente do artista para o público, passando pelo instrumento / instrumentista. O acto de criação é partilhado com o público em cada concerto, o que explica, possivelmente, a invulgar capacidade de comunicar, comover e apaixonar.


Para cada concerto escolhemos o que vamos tocar em função das condições acústicas da sala. Às vezes fazemos apenas duos, outras vezes tocamos cada um de nós sobretudo peças solo, não existe uma regra definida. Os instrumentos de percussão que utilizo não são sempre os mesmos, e o que tocamos, Às vezes é completamente improvisado, outras vezes está rigorosamente escrito. Para o prazer total de fazer música e o desafio renovado de comunicar, evitamos a rotina.

R. PEREIRA – Podes explicar aos leitores que música se pode ouvir no vosso disco e o que pretenderam com ela?

MISO ENSEMBLE – O disco foi gravado em concerto, em digital, e diretamente para pistas stereo, não havendo nenhum tipo de sobreposições, misturas ou tratamento de estúdio posterior. O resultado está muito próximo de um concerto: música para flauta e percussão em que florescem combinações sonoras que obedecem às exigências do nosso ritmo interior. A música existe e é preciso escutá-la.

SLYNKTORAMA16






28.7.22

SYNTORAMA - nº 16 / 1989 - "ELECTRÓNICOS LUSITANOS" (parte 4/4) - FACADAS NA NOITE -


 


FACADAS NA NOITE

FACADAS NA NOITE é o nome de uma nova editora independente, nascida em Agosto de 88 e estabelecida na cidade de Braga. Fruto de vários projectos anteriores (programas de rádio VIOLET BLOOD e FACADAS, além do fanzine “DIE NEUE SONNE”).

Os dois responsáveis do referido projecto são JORGE PEREIRA (BRAGA) e JOSÉ MOURA, como colaborador em Lisboa.

JORGE PEREIRA começou a realizar programas de rádio, um dos quais ainda em actividade, e que dá o título à editora. Aparte disso é um dos responsáveis do fanzine “DIE NEUE SONNE” (o novo sol). Editaram até agora quatro números, e neles se reflecte o movimento alternativo existente em Portugal e do que vem de fora. Como editora de cassetes viram a luz até ao momento duas edições: FNN 001 – HIST – “THE GREATEST HIST” K7. C-60 Agosto de 88 (Histeria de Imagens Sonoras com 15 temas desta banda de Setúbal (Lisboa), formada por ABEL RAPOSO e EURICO COELHO.

“Música áspera, palavras cínicas. A intensidade dos seus sons une-se a um cariz opressivo e visceral que não permitirá caracterizar a música dos HIST como simple sonhos. Difíceis de definir, por isso recomendamos que os escutem e depois de uma atenta audição, que cada um tire as suas conclusões. A cassete vem acompanhada por um libreto onde podemos encontrar notas acerca deste projecto, que hoje se encontra numa fase onde predomina o sampler” (Comentário de JORGE PEREIRA)

 

FNN 002 “13 INCISÕES / THIRTEEN INCISIONS” K7 C-45. Março de 89. Edição Limitada 50 + 50 exemplares.

Compilação internacional com temas inéditos e enviados exclusivamente para a editora.

VOMITO NEGRO (Bélgica), 3!TRUNCHEON (Bélgica), THE ICONS OF NOISE (Inglaterra), SUICIDE COMMANDO (Bélgica), HIST (Portugal), LOS HUMILLADOS (Espanha), LIQUID G. (Bélgica), DOMINION (USA), WHITE HOUSE WHITE (Bélgica), A LAS VOLLGAS (Canadá).

(Ambas as cassetes são embaladas numa caixa de vídeo VHS com libretos informativos no interior).

 

CONTEÚDO DOS FANZINES “DIE NEUE SONNE”

Nº 1 – Com BOURBONESE QUALK (Entrevista + artigo), MÃO MORTA, COGOL LER ET LA HORDE, THE SISTERS OF MERCY, METAL ON METAL (Crónica industrial), ARTE TOTAL (editoras independentes), EYELESS IN GAZA (entrevista), NICK CAVE.

Nº 2 – Com EINSTURZENDE NEUBAUTEN, THE BONAPARTES, RATOS DE PORÃO, THE JESUS AND MARY CHAIN, ARTE TOTAL (editoras independentes), PARALISIS PERMANENTE, ROCK NO CORAÇÃO DAS TREVAS, GURU PARAPLÉGICO, ICONOCLASTA (entrevista)

Nº 3 – BIG BLACK, JOHNSON ENGINEERING, FRON LINE (entrevista), CURRENT 93, DOSSIER JOY DIVISION, CLUB MORAL, THE GODFATHERS, SIGLO XX, HENRY ROLLINS, MÃO MORTA (entrevista), HIST, THE KLINIK.

Nº 4 – HIST (entrevista) THE BUTTHOLE SURFERS, FACADAS NA NOITE, POESIE NOIRE, ACHWGA NEY WODEI, WISEBLOOD, LA FURA DEL BAUS, SWANS, SKINNY PUPPY, LES FLEURS DU MAL.

 

Os próximos projectos da FACADAS são uma cassete do grupo de Barcelona LOS HUMILLADOS, uma compilação portuguesa (INSÓNIA), os franceses TUATHA DE DANNAN (Ecletique) e outras surpresas…

A FACADAS NA NOITE será distribuída em França pela “Front de L’Est” e em Espanha pela “Músicas de Regimen”.


Para conhecer mais detalhes sobre a FACADAS NA NOITE fiz a um dos seus responsáveis, JORGE PEREIRA, a entrevista seguinte, por correio, em Abril de 89.

 

ROGELIO PEREIRA – A FACADAS NA NOITE nasceu como um programa de rádio que realizas. Desde quando? Que tipo de música passas nesse programa?

JORGE PEREIRA – Comecei a fazer um programa de rádio em 1986, chamado “VIOLET BLOOD” (Sangue Violeta) com um amigo, até que, posteriormente, em 87, iniciei a “FACADAS NA NOITE”, programa ainda mais selectivo e radical. O tipo de música que passava no programa era basicamente temático, acompanhado por múltiplos apontamentos informativos e críticas de grupos, editoras, etc. Assim, “VIOLET BLOOD”, que era um programa com um horizonte mais amplo e menos limitado preocupava-me em passar grupos que faziam desde música electrónica até projectos mais ácidos e “noise”. NURSE WITH WOUND, DEATH IN JUNE, CHROME, CURRENT 93, SWANS, BUTTHOLE SURFERS, SCRATCH ACID, SONIC YOUTH, BIRTHDAY PARTY. (Era um programa de rádio muito aberto). Com o nascimento de FACADAS NA NOITE, passei a pôr mais música electrónica e experimental e nomes como: BOURBONESE QUALK, MUSLINGAUZE, COIL, PSYCHIC TV, FRONT LINE ASSEMBLY, AVANT DERNIÉRES PENSÉES, ORFEON GAGARIN, THE KLINIK, VZYADOG MOE, etc. … (desde grupos mais acessíveis a nomes menos conhecidos)

ROGELIO PEREIRA – A que se dedica o fanzine “DIE NEUE SONNE”?

JORGE PEREIRA - O fanzine “DIE NEUE SONNE” como é feito por pessoas com gostos muito diferentes, reflectia esses mesmos gostos e divulga tanto grupos electrónicos como industriais e outros estilos.

De qualquer forma, planeio lançar o 5º número só com material muito radical, e já estou a trabalhar nele.

ROGELIO PEREIRA – Têm projectado editar por vossa conta cassetes do que se faz em Portugal no terreno experimental-electrónico?

JORGE PEREIRA – As nossas edições, até agora, estão bastante ligadas à música electrónica-industrial e estamos a planear editar grupos como ERU EU WAU WAU, HAZDAM (linha THROBBING GRISTLE), IK MUX, FRONT LINE PRODIG, todos grupos electrónicos portugueses. Além disso o grupo L’Ego (membros dos HIST) com material muito interessante, outros nomes como os HOSPITAL PSIQUIÁTRICO (influências de E. NEUBAUTEN), RUA DO GIN (FOETUS), ELECTRODOMESTICOS (CABARET VOLTAIRE dos seus primeiros anos), TELECTU, OCASO ´PICO, PROYECTO G, e outros… São alguns dos projectos que começaremos a editar num futuro próximo, ainda que de momento estejamos em contactos com a maioria deles.

As edições de FACADAS NA NOITE serão sempre feitas em cassetes áudio com boa apresentação, numeradas e de edição limitada, acompanhadas por livretes com informação sobre as bandas, em edição bilíngue (Português-Inglês) e dentro de caixas de vídeo VHS.

A primeira edição foi a cassete “THE GREATEST HIST” dos HIST e contém material antigo, gravado ao vivo com poucos meios e gravada entre 1983/85.

Os HIST estão agora a trabalhar com mais e melhores meios e vão ser incluídos numa compilação em vinilo para a editora belga “CLIMAX PRDUCTIONS”. Têm composto novo material já preparado para ser editado pela FACADAS proximamente.

A segunda das cassetes é a compilação “13 INCISÕES”, que contém material diverso, quase todo gravado em exclusivo para a nossa editora.

Planeamos também o lançamento de um catálogo de distribuição e fazer algo similar ao que faz a SYNTORAMA, e queríamos contar com material distribuído pela SYNTORAMA, FUSION DE PRODUCCIONES, ESPLENDOR GEOMETRICO e outras etiquetas alternativas espanholas.

ROGELIO PEREIRA – Como têm respondido os portugueses a esta série de alternativas?

JORGE PEREIRA – Os interessados em música electronic em Portugal não são muitos, ainda que tenham vindo a aumentar. Trata-se de uma elite, que começaram a ouvir bandas como os CURRENT 93, COIL, IN THE NURSERY, etc. e depois procuram aprofundar conhecimentos e acabam por entrar em contacto com outro tipo de projectos, normalmente mais radicais e mais electrónicos.

 

JORGE PEREIRA responsável da FACADAS NA NOITE está interessado no intercâmbio de discos, cassetes, fanzines e outros produtos alternativos.

O seu contacto é:

 

FACADAS NA NOITE

C/o JORGE PEREIRA

APARTADO 1058

4700 BRAGA (PORTUGAL)

 

!! ÚLTIMA HORA !!

FNN 003 – JARDIM DO ENFORCADO – “ONDE OS CAIXÕES BROTAM COMO FLORES…”

FNN 004 – HOSPITAL PSIQUIÁTRICO – “1º ELECTROCHOQUE”

FNN 005 – COMPILAÇÃO NACIONAL “INSONIA"

Com: h.i.s.t., JARDIM DO ENFORCADO, HOSPITAL PSIQUIÁTRICO, RU 486, URU EU WAU WAU, DE PROFUNDIS, LÉGO, ETC.

FNN 006 – L’EGO HIST – “BIOLOGIA”




SLYNKTORAMA16

Para K7s da "Facadas na Noite", contactem por email, sff.






6.4.21

memorabilia - Ticket George Silver - 14.12.2019 - Auditório da Biblioteca Municipal do Barreiro


 

George Silver

14.12.2019 - Auditório da Biblioteca Municipal do Barreiro

22H

Nº 23

5€





Foi lá, neste concerto que comprei o 
lathe-cut para apoiar a música nacional e local.
George Silver ‎– Lagoa
Linha Amarela Produções ‎– LAP003
Lathe Cut, 7", 45 RPM, Limited Edition, Numbered
O meu não é o da figura mas sim o 2/20











19.7.19

Pérolas e Preciosidades Portuguesas - José Valor - "Fonóplia"


José Valor
José Manuel da Cruz Cardoso
Músico português de Viseu que fez parte das bandas dos anos 80:
Bastardos do Cardeal, Centro De Pesquisas Ruido Branco, Lucretia Divina, Major Alvega
(b. 06.01.1964 / d. 05.12.2004 - R.I.P.)

Editou a solo duas cassetes, pela editora Laboratório:
Fonóplia e Fonóplia 2 (ambas em 1990)

Fica aqui a Fonóplia








8.7.19

Folclore Impressionista - Campos Espectrais Vol. II (novos portugueses)












20.11.17

Memorabilia - Postais - V/A - Portuguese Electr(o)domestic Tracks 1.0


V/A - Portuguese Electr(o)domestic Tracks 1.0

Postal / Postcard
promocional do álbum de
V/A - Portuguese Electr(o)domestic Tracks 1.0
Editora: Variz
Ano: 2001









17.11.17

Memorabilia - Postais - @C


@C - +

Postal / Postcard
promocional do álbum de
@C - "+"
Editora: Variz
Ano: 2001








10.3.17

DN - Série: Discos Pe(r)didos (6)


DN - Diário de Notícias

16 de Fevereiro de 2002

Discos pe(r)didos



Nascida de uma amizade entre Miguel Esteves Cardoso e Pedro Ayres de Magalhães, a Fundação Atlântica apresentou-se, em 1983, como o primeiro exemplo de editora independente portuguesa capaz de traduzir o conceito das novas «indies» que haviam brotado da Inglaterra de meados de 70. A Fundação Atlântica recebeu, desde logo, o apoio incondicional de Francisco Vasconcelos, da Valentim de Carvalho, que assegurou assim o fabrico e distribuição dos discos. À equipa juntar-se-iam, logo depois, Ricardo Camacho, Francisco Sande e Castro, Pedro Bidarra e Isabel Castanho (Inha para os amigos), em casa de quem a editora conheceu morada oficial durante algum tempo.
Apresentada com um manifesto que fez história, a Fundação Atlântica deixou desde logo claro que ia aliar a edição de novos valores da música moderna portuguesa à representação local de discos de peso nos cenários alternativos de então. Pela Fundação Atlântica editaram os Xutos & Pontapés (single «Remar Remar»), estrearam-se os Delfins, a Sétima Legião, Anamar, Luís Madureira, as Clube Naval (êxito no Verão de 84 com «Professor Xavier»)... Os Duruti Column lançaram, através da Fundação, «Amigos em Portugal». E o lote de referências não ficaria nunca completo sem uma referência aos discos a solo de elementos dos Heróis do Mar, mais concretamente o single (também com edição em máxi-single) «Rapazes de Lisboa», de Paulo Pedro Gonçalves, e o máxi «Ocidente Infernal», de Pedro Ayres Magalhães.
Este disco, que assinalou, até hoje, a única aventura a solo do ideólogo dos Faíscas, Corpo Diplomático, Heróis do Mar e Madredeus, era apresentado, em 1985, como o primeiro de uma série de máxis instrumentais que o músico pretendia editar mas que, por razões que o destino traçou, acabaram por não acontecer nunca, ficando o projecto com uma ideia de continuidade por concretizar (quem sabe um dia? Não seria má ideia...).
O disco apresenta duas faixas instrumentais onde as ideias de paisagismo ambiental são vitaminadas por um conceito que o próprio Pedro Ayres Magalhães explica em texto publicado na contra-capa do máxi-single. «Janeiro de um ano qualquer. As espirais do fumo negro, avançam da margem sul para noroeste, quentes ainda do incêndio lento, que foi pouco a pouco consumindo as válvulas últimas, soltando a grande pressão. Das águas já tépidas do Tejo liberta-se um cheiro pegajoso misturado com o pó, acrescentado ao pavor. Os homens gastaram a terra, como quem quer devorar. O tempo cumpriu mesmo assim. Exposição dos quadros sonoros de Lisboa no último quartel do séc. XX, o ranger dos ferrolhos nas portas da Europa. Aquelas colunas...», escrevia sobre «Ocidente Infernal», tema título dominado por uma pulsação forte para guitarras, que rasgam uma melodia entre a contenção e o grito. No lado B, «Adeus Torre de Belém», sublinha novo retrato lisboeta, desta feita sob um conceito em duas partes, uma primeira feita de sons reais, captados na cidade (mais concretamente no Barreiro, em Dezembro de 84), uma segunda, de perfil quase minimalista pop, «sob os destroços duma metrópole afundada».
É possível encontrar aqui laços da finidade para com algumas intenções retratistas em pontuais aventuras dos Heróis do Mar mas, acima de tudo, e particularmente na atitude expressa no conceito e textos de apresentação, manifestam-se claramente já intenções, caminhos poéticos e ideários que tomariam forma, pouco depois, nos Madredeus. As fotos eram de Pedro Ayres e Miguel Esteves Cardoso; o design, de Jorge Colombo.
O «Ocidente Infernal», mesmo longe de representar o melhor de Pedro Ayres Magalhães, é uma peça de inegável valor histórico e, como muitos outros momentos registados pela Fundação Atlântica, justifica que a ideia de uma reedição em CD do acervo da editora, que já tarda.
Nuno Galopim

PEDRO AYRES MAGALHÃES «O Ocidente Infernal» Máxi-single, Fundação Atlântica / EMI, 1985 Lado A: «O Ocidente Infernal»; Lado B: «Adeus Torre de Belém» Produção: Pedro Ayres de Magalhães.







6.3.17

DN - Série: Discos Pe(r)didos (5)


DN - Diário de Notícias

20 de Abril de 2002

Discos pe(r)didos




No início dos anos 80, a explosão do que então se convencionou chamar por «rock português» apontou essencialmente as suas linhas de acção a um som pop/rock convencional (para o clássico trio eléctrico de guitarra, baixo e bateria), em alguns casos até em momentos de franco afastamento face ao que eram já as formas em exploração noutras capitais dos acontecimentos musicais de então. As electrónicas eram, ainda para alguns, ferramentas «bizarras», pontualmente utilizadas, muitas vezes ainda com aquela suspeita, muito «anos 70», que dizia que música com electrónica não era música... Balelas!
A verdade é que eram poucos os projectos que apostavam nos novos instrumentos electrónicos com claro protagonismo e projectos como, para citar alguns exemplos, os Da Vinci ou Ópera Nova, onde as «novas» teclas eram evidentes, tornavam-se alvo duplo de «maus olhados» de quem nem aceitava certas simplicidades das linguagens technopop (mas se fosse nos Depeche Mode ou OMD já «marchava»...) nem encarava de bom grado que fosse música digna desse nome toda aquela que resultasse de programações e sons sintetizados...
Num tempo de mau relacionamento entre a opinião musical e a música electrónica (com naturais excepções em mestres como os Kraftwerk, Yello, Yellow Magic Orchestra e outros visionários mais «unânimes»), a proposta de Tó Neto surge um pouco como a de um «outsider», que não se parece enquadrar nem na família do «rock português» nem no das esferas mais populares da criação, naturalmente fora também dos universos de experimentação mais vanguardista da electrónica...
Com 32 anos de idade, os últimos dez vividos em Portugal (onde chegara em 1973, vindo de Luanda), António Eduardo Benedy Neto contava já com um vasto historial de vivências musicais. Em Lisboa havia já desenvolvido estudos de música e jazz (na Academia dos Amadores de Música e no Hot Club de Portugal), tendo também experimentado já percursos de vida nos Estados Unidos e Reino Unido. Do regresso, em 1983, nasce uma proposta de música pop electrónica instrumental em nome próprio. E, como Tó Neto, assina pela Sassetti (pela qual acabaria por editar apenas um álbum).
«Láctea», o seu disco de estreia, resulta de uma «maratona» de 40 horas de estúdio, durante as quais o próprio Tó Neto é o único instrumentista em cena. A produção, de Eduardo Paes Mamede, assegura ao disco um som final limpo e directo , ago próximo do que eram as composições de alma pop dos álbuns «Equinoxe» e «Magnetic Fields» de Jean Michel Jarre, músico que começava a gozar de enorme fama internacional. De resto, muita da imprensa nacional logo tratou de apelidar Tó Neto como o «Jean Michel Jarre Português», numa comparação menos intencional que a de um Daniel Bacelar quando, valentes anos antes, se mostrava como o Pat Boone lusitano! Temas como «Odisseia», «Lisa» e «Cristal» são exemplos da dignidade da proposta pop electrónica de Tó Neto neste primeiro álbum, sendo então frequentes referências em programas de rádio (uma delas «virou» indicativo do «Círculo em FM» na Rádio Comercial) e inúmeros momentos de televisão.
O disco foi apresentado num espectáculo especial no Planetário Calouste Gulbenkian (preparado em conjunto com Máximo Ferreira), através do qual se sublinhava a face «futurista» de um álbum apontado a visões do cosmos (um tema então em voga). Apesar de alguma ingenuidade (inerente aos dias de juventude destas formas e rumos), o álbum de estreia de Tó Neto não deixa de ser uma referência de mais uma marca da diversidade de propostas que animaram a criação musical lusitana na aurora de 80. Nenhum dos seus três álbuns editados posteriormente voltou a ter o «peso» e interesse deste disco hoje quase esquecido.

TÓ NETO «Láctea» Sassetti, 1983 Lado A: «Odisseia», «Lisa», «Cristal», «África Blue»; Lado B: «D. Vagabundo», «Devoção», «Zuzu» Produção: Eduardo Paes Mamede






19.8.16

Recordações (7)


Folheto de 8 páginas A5 amarelas (2 folhas A4 dobradas) de apresentação/acompanhamento da cassete dos Vitriol - Tahafut-Ul-Tahafut (que tenho).
Nº de catálogo KP 002, da editora K7 pirata, que chegou a atingir alguma notoriedade junto dos meios mais marginais da música independente feita e editada em Portugal nos anos 80/princípios dos 90.
A música propriamente dita pode ser descarregada a partir daqui.




















27.2.16

Memorabilia: Revistas / Magazines / Fanzines (172) - Numérica (catálogo)


Numérica
(editora portuguesa)
catálogo 94
Música Portuguesa
Vol. 1

folheto/catálogo de 12 páginas a cores e papel brilhante mais postal RSF para encomendas.



 
 
 
 




30.1.16

Fernando Magalhães: “Plux Quba de Nuno Canavarro é um álbum com escola”


[com a devida vénia a Rui Miguel Abreu e ao seu blogue Rimas e Batidas: http://www.rimasebatidas.pt]

Fernando Magalhães: “Plux Quba de Nuno Canavarro é um álbum com escola”

 

[TEXTO] Fernando Magalhães [INTRO] Rui Miguel Abreu [FOTO] Direitos Reservados

Fernando Magalhães desapareceu há pouco mais de dez anos, mas o seu pensamento continua presente e influente. Através dos esforços de Luís Jerónimo, a sua obra tem vindo a ser organizada e republicada. Escritos de Fernando Magalhães, disponível já em dois volumes (primeiro e segundo) através da loja Lulu, é um importante depósito de pensamento de um crítico que sempre prestou atenção à mais avançada música electrónica, entre tantas outras coordenadas que não escapavam ao seu exigente radar.
O texto revelador que assinou sobre Plux Quba de Nuno Canavarro [criticado aqui no Rimas e Batidas], que beneficia de crucial informação obtida junto do hoje bastante reservado autor, fará parte de um terceiro volume antológico que se centrará na sua produção de 1995 e que deverá contar com prefácio de Rui Miguel Abreu.
Recupera-se aqui agora esse texto, em jeito de homenagem a Fernando Magalhães e acrescentando mais uma valorosa visão sobre um dos mais importantes discos da história electrónica nacional.
Exemplar único, Plux Quba – Música para Setenta Serpentes, de Nuno Canavarro. O disco surgiu logo após o músico ter regressado da Holanda, onde esteve a estudar composição. “Estive lá dois anos, no Instituto de Sonologia, na Universidade de Utrecht. Havia uma movimentação incrível, em termos de concertos, exposições, música electro-acústica. Não tinha a calma, aquela concentração para fazer lá qualquer coisa. Quando cheguei, quis logo trabalhar.” Antes disso, Nuno Canavarro estudou arquitectura no Porto e em Lisboa, e fez a produção de um disco dos Mler Ife Dada e, mais recentemente, dos Lobo Meigo. Tocou durante algum tempo, em 1988 e 89, com os Delfins, “porque precisava de fazer alguma coisa”.
O material para a gravação de Plux Quba não poderia ser mais simples: “Um Ensonic Mirage, um sampler de 8 bits, dos primeiros que houve, e um gravador de oito pistas, um Fostex. Hoje, quase nem acredito como é que consegui fazer o disco.” A esta precaridade de meios contrapôs Nuno Canavarro a imaginação na forma como tirou partido das próprias limitações técnicas: “Com o gravador de oito pistas, é aquele sistema de uma pessoa fazer um coisa qualquer num instrumento e partir para a criação de uma estrutura a partir disso. Grava-se numa pista e, depois, vai-se adicionando outras coisas. Pode, por exemplo, gravar-se uma pista e depois outras seis ou sete à volta dela e, por fim, apagar a primeira, aquele género de truques. Ou pôr coisas ao contrário ou gravar a velocidades diferentes. Na altura, era isso.” Nuno Canavarro utilizou no sampler sons pré-gravados, “embora seja difícil ouvir no disco sons que sejam reconhecidos como de um instrumento x ou y. Era tudo altamente modificado ou então gravava melódicas, sons de televisão ou fitas de música étnica.”
O disco foi gravado no estúdio caseiro, na própria casa do músico. Saiu posteriormente com o selo Ama Romanta. “Nessa altura, tinha aparecido um concurso de música, ligado ao Centro Nacional de Cultura. Dei um concerto no Instituto Franco-Português, juntamente com os outros cinco projectos que tinham ido à final, e estava lá o João Peste a ver. Gostou imenso e convidou-me para pôr aquilo em disco.” Não houve qualquer trabalho de pós-produção, apenas o corte a partir da fita original, gravada num gravador de bobines de duas pistas. Custos de produção ou assinatura de um contrato “não houve”. Nuno Canavarro não sabe o número de exemplares vendidos: “O João Peste fez quinhentos, acho que era o mínimo; depois, não faço ideia.”
Sobre a música de Plux Quba, Nuno Canavarro acha que esta resultou, “em parte por ter sido um trabalho totalmente isolado”. “O Tó Zé Ferreira tinha viajado para a Holanda, o Nuno Rebelo tinha ido viver para Lisboa. Fechei-me no estúdio a fazer aquilo”, diz. “Por outro lado, a própria limitação de meios técnicos, neste caso, acho que funcionou a favor, porque puxou pela criatividade. Chegava a utilizar os próprios defeitos, a nível de software do sampler. Era um aparelho muito instável, havia coisas bestiais que, obrigando-o a trabalhar muito, respondia de maneira um bocado imprevisível. Era bestial para o género de música que eu queria fazer.” O título, esse, permanece um enigma. “Foi para tornar a coisa ainda mais esquisita.”
Para já, Plux Quba – Música para Setenta Serpentes existe apenas em vinil, estando neste momento esgotado e fora do mercado. Nuno Canavarro não sabe do paradeiro das masters: “Já não me lembro se ficou o João Peste com elas ou se fiquei eu”. Enquanto não forem encontradas as fitas, fica afastada a possibilidade de passagem para compacto. Para Canavarro, a ideia “era fazer, dentro de dois ou três anos, um compacto com, além de Plux Quba, alguma música que tinha feito antes, ainda mais esquisita, uma terceira parte com alguns temas do disco feito com o Carlos Maria Trindade [Mr. Wollogallu] que acabaram por não sair”. O CD teria ainda uma quarta parte, com temas novos que Nuno Canavarro mostrou, para já, à Ananana. “Tudo junto, compilado num CD de para aí setenta minutos, é capaz de mostrar um processo engraçado.” Setenta, tantos como as serpentes.

 
[COMO É]
Um daqueles discos que passou despercebido na altura em que foi gravado mas que os anos obrigam a revisitar, como se crescesse com o tempo. Nuno Canavarro fez um álbum que tem escola. Com Jon Hassell e Brian Eno a leccionarem. Plux Quba – Música para Setenta Serpentes pode ser definido como uma obra de música electrónica acusmática (sons acústicos gravados e manipulados electronicamente), entre o ambiental e exotismo new age world que viria a ser assumido, anos mais tarde, na companhia de Carlos Maria Trindade em Mr. Wollogallu – um género que conta, entre os seus cultores, com o genial Steve Moore, numa obra como A Quiet Gathering, com a qual estas serpentes têm pontos de contacto. Ao contrário do que acontece num disco lançado em simultâneo com este, Música de Baixa Fidelidade, de Tó Zé Ferreira, companheiro de aventuras de Canavarro na aprendizagem dos métodos e técnicas de composição por computador, a música de Plux Quba evolui de forma mais intuitiva, tirando partido das próprias limitações do hardware e software então disponíveis, jogando com o erro e o acaso, um pouco à maneira do que fazia Eno com as suas “estratégias oblíquas”. Música orgânica, não sistemática, em constante movimento de auto-revelação/ocultação. Nuno Canavarro jogou aqui na indefinição e no segredo, na escritura de símbolos musicais e poéticos com forte poder de sugestão, deixando à imaginação do auditor a tarefa de organizar o enredo do filme, ao ponto de existirem temas sem título, quadros sónicos dispostos segundo lógicas de criação não nomeadas. Canavarro recomenda a audição “com a colunas/monitores o mais possível afastadas entre si” e, “a baixo nível” a partir do último tema do primeiro lado e até ao fim do disco. Recomendações idênticas às de Brian Eno, em Discreet Music. Plux Quba permanece até hoje um mistério. O tempo fez-lhe justiça, mas não lhe retirou o véu.





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