Uma das editoras portuguesas mais activas, editando deste
o rock mais obscuro ao pop mais expressionista, passando pela música
electrónica e o novo jazz. Aqui, vamos precisamente fixar-nos nesta faceta, que
é a que nos interessa.
Falaremos de TÓ ZÉ FERREIRA, NUNO CANAVARRO, SEI MIGUEL.
Nesta etiqueta também editaram discos os TELECTU (CAMERATA ELETTRONICA) e
também se atreveram com PASCAL COMELADE (BEL CANTO).
TÓ ZÉ FERREIRA – Tem 25 anos, faz música electrónica e
foi uma das grandes revelações da 1ª Mostra Portuguesa de Artes e Ideias.
Tem editado, pela etiqueta AMA ROMANTA o disco “MUSICA DE
BAIXA FIDELIDADE”. – Música para computador.
TÓ ZÉ FERREIRA
Praceta Manuel Nunes Manique, 3 – 2º C
2750 – CASCAIS (PORTUGAL)
“Essencialmente sou um curioso, penso que as pessoas se
deveriam interessar pelas coisas. Há tantas maneiras de vê-las e, é isso que é
o mais importante. Não é dizer: eu penso isto, eu sou assim, tenho estas
ideias, tenho esta personalidade” e ficar-se por aí. Isso não, meu Deus”.
TÓ ZÉ FERREIRA, no Semanário BLITZ
NUNO CANAVARRO. – É um músico que apareceu no início da
década dos anos 80, como teclista do grupo STREET KIDS, com os quais gravou 3
singles e um LP. Estudou novas sonoridades juntamente com TÓ ZÉ FERREIRA no
Instituto de Sonologia de Utrecht, na Holanda. A sua primeira experiência como
produtor foi um maxi-single para o grupo MLER IFE DADA.
Tem apenas um LP gravado a solo e editado em Dezembro do
ano passado, intitulado “PLUX QUBA – MÚSICA PARA 70 SERPENTES”. Para a gravação
deste disco utilizou um sampler Mirage, um sintetizador Moog, um magnetofone de
oito pistas e microfones, além de um Walkman Sony.
SEI MIGUEL. – É um músico que pratica “novo jazz”. O seu
instrumento é a trompete de bolso. Tem editados dois LPs até agora, bem
diferenciados e com formações distintas, com um período de tempo muito curto
entre a edição de um e de outro.
“BREAKER”, o seu primeiro LP gravado directamente (live)
com um Sony WM D3 em 3 salas diferentes, entre Dezembro de 87 e Janeiro de 88. Influências BE-BOP. Temas como:
“BREAKER”, “THIRSTY?”, “THE MIRROR”, “KEY BLUES ABOUT BUILDINGS”, etc. … Acompanham
SEI MIGUEL (trompete de bolso), FALA MIRIAM (trombone), BRUNO RASCÃO e ALEX
GALLO (Guitarras), ZÉ NINGUÉM (saxofone), BRUNO NEXT e JOSÉ OLIVEIRA
(percussões).
“SONGS AGAINST LOVE AND TERRORISM” editado no início de
89. Como o anterior, gravado live em quatro salas diferentes. SEI MIGUEL com o
sexteto denominado “SANTOS DA CASA FM”; no seu som foram eliminados a bateria,
baixo e teclados, dando lugar a uma outra guitarra eléctrica, percussões
metálicas e tuba. Percebe-se um trio fundamental a destacar depois destes
álbuns; SEI MIGUEL e a sua respectiva trompete de bolso, BRUNO RASCÃO na
guitarra eléctrica e FALA MIRIAM no trombone de varas.
SEI MIGUEL
Rua das Chagas, 16 – 4º esq.
1200 LISBOA (Portugal)
AMA ROMANTA
c/o João Peste
Rua Coelho da Rocha, 46-1º D
1200 LISBOA (Portugal)
Estes discos estão disponíveis através do contacto da AMA
ROMANTA
Duo de flauta e percussões formado no ano de 1985 por
PAULA AZGUIME e MIGUEL AZGUIME.
MISO ENSEMBLE “Música para flauta e percussão” é o título
do primeiro LP desta nova editora independente “MISO PRODUÇÕES”, que tem
previsto, desde o início, dedicar-se às músicas improvisadas, sem esquecer a
áudiopoesia e outras experimentações alternativas. Mas vamos conhecer os MISO
ENSEMBLE e a sua editora discográfica um pouco mais a fundo, através da
entrevista efectuada a um dos seus responsáveis, MIGUEL AZGUIME, feita por
correio na Parede (Portugal) em 1.5.89
MISO ENSEMBLE
Rua do Douro, 92 r/c
REBELVA 2775 PAREDE (PORTUGAL)
ENTREVISTA
ROGELIO PEREIRA – Como surgiu a ideia do duo MISO
ENSEMBLE?
MISO ENSEMBLE – A ideia de formar um grupo de música
contemporânea, onde se desse especial importância à improvisação e exploração
de novas técnicas instrumentais, paralelamente à criação de composições
originais, foi o que esteve na origem dos MISO ENSEMBLE.
Baralhar as categorias demasiado definidas, misturar
públicos diversos num esforço de comunicação e divulgação da música
contemporânea, foi uma orientação constante dos MISO ENSEMBLE.
R. PEREIRA – Pensam seguir esta linha ou experimentarão
introduzir novos instrumentos?
MISO ENSEMBLE – Concretizando, sem mais demoras, a ideia
que levou à criação dos MISO ENSEMBLE, e principalmente por questões de tipo
financeiro, os MISO ENSEMBLE tornaram-se, ao final de 6 meses, num duo,
constituído por PAULA AZGUIME, flauta, e MIGUEL AZGUIME, percussão. Devido à
intensidade e originalidade da linguagem musical do duo, decidimos, a Paula e
eu, mantê-lo como a nossa principal actividade, não excluindo a hipótese de
realizar um trabalho paralelo com uma formação alargada, em função das
necessidades composicionais.
R. PEREIRA – São favoráveis à música feita com
instrumentos electrónicos?
MISO ENSEMBLE – Os instrumentos electrónicos são meras
ferramentas musicais como os outros instrumentos, e que, como tal, têm o seu
campo de liberdades (timbres, dinâmicas, frequências, cores, formas, luz …
ideias!). Movimentarmo-nos dentro desse campo e criar a música “perfeita”. Nos
MISO ENSEMBLE, ainda que não esteja excluída a hipótese de usarmos instrumentos
electrónicos, é sobretudo na extensão das técnicas instrumentais convencionais
e na criação de novas técnicas com instrumentos acústicos, assim como nas
possibilidades de relação entre a flauta e a percussão que o nosso trabalho
mais tem incidido.
R. PEREIRA – Quais são as músicas que os atraem mais
neste momento?
MISO ENSEMBLE – Todas, desde que sejam boas.
R. PEREIRA – Além do vosso trabalho como músicos, pensam
editar mais gente na vossa etiqueta? Podem adiantar-nos algo mais sobre os
vossos projectos futuros?
MISO ENSEMBLE – A MISO PRODUÇÕES está aberta a vários
tipos de propostas musicais, estando neste momento programados para sair quatro
discos: CARLOS ZÍNGARO – Violino solo. COLECTIVA – Grupo dirigido por CONSTANÇA
CAPDEVILLE. ANTÓNIO SAIOTE – Clarinete solo (obras de compositores
contemporâneos portugueses. PAULA AZGUIME – Flauta solo.
Os discos de CARLOS ZÍNGARO e de PAULA AZGUIME já se
encontram gravados, sendo o disco de CARLOS ZÍNGARO o próximo a ser editado.
Todos os discos são gravados digitalmente, mas ainda não sabemos se sairão em
vinilo ou compacto. Gostaríamos também de gravar e editar poesia, mas neste
momento não existem condições para concretizar esse projecto. A MISO PRODUÇÕES
conta com o apoio pontual do Mecenato de Empresas.
R. PEREIRA – Tens algum tipo de contacto em Espanha?
MISO ENSEMBLE – Infelizmente, ainda não. Estamos neste
momento a preparar uma tournée por Itália, e talvez fosse possível aproveitar
este facto para realizar algum concerto em Espanha.
Gostaríamos muito que ver reunidas as condições para um
encontro de músicos de várias áreas e intercâmbio musical de vários países, a
nível de concertos e/ou de edição discográfica.
R. PEREIRA – A vossa música serviu de suporte a algum
filme. Podem mencioná-lo?
MISO ENSEMBLE – Realizámos a música para dois filmes,
ambos de JOAQUIM PINTO, “Uma Pedra No Bolso” (1998) e “Onde Bate O Sol” (1989).
Trata-se de música especialmente composta para os filmes e não do
aproveitamento de material já existente.
R. PEREIRA – Estão dispostos a exportar a vossa música
para fora de Portugal?
MISO ENSEBLE – Contamos, a partir deste ano, realizar
concertos e distribuir os discos fora de Portugal.
R. PEREIRA – Durante o ano passado percorreram um monte
de kilómetros a visitar distintos lugares de Portugal. Como se desenrola, ao
vivo, um concerto vosso?
MISO ENSEMBLE – Os MISO ENSEMBLE têm em concerto uma
característica singular: A música transmitida directamente do artista para o
público, passando pelo instrumento / instrumentista. O acto de criação é
partilhado com o público em cada concerto, o que explica, possivelmente, a
invulgar capacidade de comunicar, comover e apaixonar.
Para cada concerto escolhemos o que vamos tocar em função
das condições acústicas da sala. Às vezes fazemos apenas duos, outras vezes
tocamos cada um de nós sobretudo peças solo, não existe uma regra definida. Os
instrumentos de percussão que utilizo não são sempre os mesmos, e o que
tocamos, Às vezes é completamente improvisado, outras vezes está rigorosamente
escrito. Para o prazer total de fazer música e o desafio renovado de comunicar,
evitamos a rotina.
R. PEREIRA – Podes explicar aos leitores que música se
pode ouvir no vosso disco e o que pretenderam com ela?
MISO ENSEMBLE – O disco foi gravado em concerto, em
digital, e diretamente para pistas stereo, não havendo nenhum tipo de
sobreposições, misturas ou tratamento de estúdio posterior. O resultado está
muito próximo de um concerto: música para flauta e percussão em que florescem
combinações sonoras que obedecem às exigências do nosso ritmo interior. A
música existe e é preciso escutá-la.
FACADAS NA NOITE é o nome de uma nova editora
independente, nascida em Agosto de 88 e estabelecida na cidade de Braga. Fruto
de vários projectos anteriores (programas de rádio VIOLET BLOOD e FACADAS, além
do fanzine “DIE NEUE SONNE”).
Os dois responsáveis do referido projecto são JORGE
PEREIRA (BRAGA) e JOSÉ MOURA, como colaborador em Lisboa.
JORGE PEREIRA começou a realizar programas de rádio, um
dos quais ainda em actividade, e que dá o título à editora. Aparte disso é um
dos responsáveis do fanzine “DIE NEUE SONNE” (o novo sol). Editaram até agora
quatro números, e neles se reflecte o movimento alternativo existente em
Portugal e do que vem de fora. Como editora de cassetes viram a luz até ao
momento duas edições: FNN 001 – HIST – “THE GREATEST HIST” K7. C-60 Agosto de
88 (Histeria de Imagens Sonoras com 15 temas desta banda de Setúbal (Lisboa),
formada por ABEL RAPOSO e EURICO COELHO.
“Música áspera, palavras cínicas. A intensidade dos seus
sons une-se a um cariz opressivo e visceral que não permitirá caracterizar a
música dos HIST como simple sonhos. Difíceis de definir, por isso recomendamos
que os escutem e depois de uma atenta audição, que cada um tire as suas
conclusões. A cassete vem acompanhada por um libreto onde podemos encontrar
notas acerca deste projecto, que hoje se encontra numa fase onde predomina o
sampler” (Comentário de JORGE PEREIRA)
FNN 002
“13 INCISÕES / THIRTEEN INCISIONS” K7 C-45. Março de 89. Edição Limitada
50 + 50 exemplares.
Compilação internacional com temas inéditos e enviados
exclusivamente para a editora.
VOMITO NEGRO (Bélgica), 3!TRUNCHEON (Bélgica), THE ICONS
OF NOISE (Inglaterra), SUICIDE COMMANDO (Bélgica), HIST (Portugal), LOS
HUMILLADOS (Espanha), LIQUID G. (Bélgica), DOMINION (USA), WHITE HOUSE WHITE
(Bélgica), A LAS VOLLGAS (Canadá).
(Ambas as cassetes são embaladas numa caixa de vídeo VHS
com libretos informativos no interior).
CONTEÚDO DOS FANZINES “DIE NEUE SONNE”
Nº 1 – Com BOURBONESE QUALK (Entrevista + artigo), MÃO
MORTA, COGOL LER ET LA HORDE, THE SISTERS OF MERCY, METAL ON METAL (Crónica
industrial), ARTE TOTAL (editoras independentes), EYELESS IN GAZA (entrevista),
NICK CAVE.
Nº 2 – Com EINSTURZENDE NEUBAUTEN, THE BONAPARTES, RATOS
DE PORÃO, THE JESUS AND MARY CHAIN, ARTE TOTAL (editoras independentes),
PARALISIS PERMANENTE, ROCK NO CORAÇÃO DAS TREVAS, GURU PARAPLÉGICO, ICONOCLASTA
(entrevista)
Nº 3 –
BIG BLACK, JOHNSON ENGINEERING, FRON LINE (entrevista), CURRENT 93, DOSSIER JOY
DIVISION, CLUB MORAL, THE GODFATHERS, SIGLO XX, HENRY ROLLINS, MÃO MORTA
(entrevista), HIST, THE KLINIK.
Nº 4 –
HIST (entrevista) THE BUTTHOLE SURFERS, FACADAS NA NOITE, POESIE NOIRE, ACHWGA
NEY WODEI, WISEBLOOD, LA FURA DEL BAUS, SWANS, SKINNY PUPPY, LES FLEURS DU MAL.
Os próximos projectos da FACADAS são uma cassete do grupo
de Barcelona LOS HUMILLADOS, uma compilação portuguesa (INSÓNIA), os franceses
TUATHA DE DANNAN (Ecletique) e outras surpresas…
A FACADAS NA NOITE será distribuída em França pela “Front
de L’Est” e em Espanha pela “Músicas de Regimen”.
Para conhecer mais detalhes sobre a FACADAS NA NOITE fiz
a um dos seus responsáveis, JORGE PEREIRA, a entrevistaseguinte, por correio, em
Abril de 89.
ROGELIO PEREIRA – A FACADAS NA NOITE nasceu como um
programa de rádio que realizas. Desde quando? Que tipo de música passas nesse
programa?
JORGE PEREIRA – Comecei a fazer um programa de rádio em
1986, chamado “VIOLET BLOOD” (Sangue Violeta) com um amigo, até que,
posteriormente, em 87, iniciei a “FACADAS NA NOITE”, programa ainda mais
selectivo e radical. O tipo de música que passava no programa era basicamente
temático, acompanhado por múltiplos apontamentos informativos e críticas de
grupos, editoras, etc. Assim, “VIOLET BLOOD”, que era um programa com um
horizonte mais amplo e menos limitado preocupava-me em passar grupos que faziam
desde música electrónica até projectos mais ácidos e “noise”. NURSE WITH WOUND, DEATH IN JUNE, CHROME,
CURRENT 93, SWANS, BUTTHOLE SURFERS, SCRATCH ACID, SONIC YOUTH, BIRTHDAY PARTY.
(Era um programa de rádio muito aberto). Com o nascimento de FACADAS NA
NOITE, passei a pôr mais música electrónica e experimental e nomes como:
BOURBONESE QUALK, MUSLINGAUZE, COIL, PSYCHIC TV, FRONT LINE ASSEMBLY, AVANT
DERNIÉRES PENSÉES, ORFEON GAGARIN, THE KLINIK, VZYADOG MOE, etc. … (desde
grupos mais acessíveis a nomes menos conhecidos)
ROGELIO PEREIRA – A que se dedica o fanzine “DIE NEUE
SONNE”?
JORGE PEREIRA - O fanzine “DIE NEUE SONNE” como é feito
por pessoas com gostos muito diferentes, reflectia esses mesmos gostos e
divulga tanto grupos electrónicos como industriais e outros estilos.
De qualquer forma, planeio lançar o 5º número só com
material muito radical, e já estou a trabalhar nele.
ROGELIO PEREIRA – Têm projectado editar por vossa conta
cassetes do que se faz em Portugal no terreno experimental-electrónico?
JORGE PEREIRA – As nossas edições, até agora, estão
bastante ligadas à música electrónica-industrial e estamos a planear editar
grupos como ERU EU WAU WAU, HAZDAM (linha THROBBING GRISTLE), IK MUX, FRONT
LINE PRODIG, todos grupos electrónicos portugueses. Além disso o grupo L’Ego
(membros dos HIST) com material muito interessante, outros nomes como os
HOSPITAL PSIQUIÁTRICO (influências de E. NEUBAUTEN), RUA DO GIN (FOETUS),
ELECTRODOMESTICOS (CABARET VOLTAIRE dos seus primeiros anos), TELECTU, OCASO
´PICO, PROYECTO G, e outros… São alguns dos projectos que começaremos a editar
num futuro próximo, ainda que de momento estejamos em contactos com a maioria
deles.
As edições de FACADAS NA NOITE serão sempre feitas em
cassetes áudio com boa apresentação, numeradas e de edição limitada,
acompanhadas por livretes com informação sobre as bandas, em edição bilíngue
(Português-Inglês) e dentro de caixas de vídeo VHS.
A primeira edição foi a cassete “THE GREATEST HIST” dos
HIST e contém material antigo, gravado ao vivo com poucos meios e gravada entre
1983/85.
Os HIST estão agora a trabalhar com mais e melhores meios
e vão ser incluídos numa compilação em vinilo para a editora belga “CLIMAX
PRDUCTIONS”. Têm composto novo material já preparado para ser editado pela
FACADAS proximamente.
A segunda das cassetes é a compilação “13 INCISÕES”, que
contém material diverso, quase todo gravado em exclusivo para a nossa editora.
Planeamos também o lançamento de um catálogo de
distribuição e fazer algo similar ao que faz a SYNTORAMA, e queríamos contar
com material distribuído pela SYNTORAMA, FUSION DE PRODUCCIONES, ESPLENDOR
GEOMETRICO e outras etiquetas alternativas espanholas.
ROGELIO PEREIRA – Como têm respondido os portugueses a
esta série de alternativas?
JORGE PEREIRA – Os interessados em música electronic em
Portugal não são muitos, ainda que tenham vindo a aumentar. Trata-se de uma
elite, que começaram a ouvir bandas como os CURRENT 93, COIL, IN THE NURSERY,
etc. e depois procuram aprofundar conhecimentos e acabam por entrar em contacto
com outro tipo de projectos, normalmente mais radicais e mais electrónicos.
JORGE PEREIRA responsável da FACADAS NA NOITE está
interessado no intercâmbio de discos, cassetes, fanzines e outros produtos
alternativos.
O seu contacto é:
FACADAS NA NOITE
C/o JORGE PEREIRA
APARTADO 1058
4700 BRAGA (PORTUGAL)
!! ÚLTIMA HORA !!
FNN 003 – JARDIM DO ENFORCADO – “ONDE OS CAIXÕES BROTAM
COMO FLORES…”
José Valor
José Manuel da Cruz Cardoso
Músico português de Viseu que fez parte das bandas dos anos 80:
Bastardos do Cardeal, Centro De Pesquisas Ruido Branco, Lucretia Divina, Major Alvega
(b. 06.01.1964 / d. 05.12.2004 - R.I.P.)
Editou a solo duas cassetes, pela editora Laboratório:
Fonóplia e Fonóplia 2 (ambas em 1990)
Nascida de uma amizade entre Miguel Esteves Cardoso e Pedro
Ayres de Magalhães, a Fundação Atlântica apresentou-se, em 1983, como o
primeiro exemplo de editora independente portuguesa capaz de traduzir o
conceito das novas «indies» que haviam brotado da Inglaterra de meados de 70. A
Fundação Atlântica recebeu, desde logo, o apoio incondicional de Francisco
Vasconcelos, da Valentim de Carvalho, que assegurou assim o fabrico e
distribuição dos discos. À equipa juntar-se-iam, logo depois, Ricardo Camacho,
Francisco Sande e Castro, Pedro Bidarra e Isabel Castanho (Inha para os
amigos), em casa de quem a editora conheceu morada oficial durante algum tempo.
Apresentada com um manifesto que fez história, a Fundação
Atlântica deixou desde logo claro que ia aliar a edição de novos valores da
música moderna portuguesa à representação local de discos de peso nos cenários
alternativos de então. Pela Fundação Atlântica editaram os Xutos & Pontapés
(single «Remar Remar»), estrearam-se os Delfins, a Sétima Legião, Anamar, Luís
Madureira, as Clube Naval (êxito no Verão de 84 com «Professor Xavier»)... Os
Duruti Column lançaram, através da Fundação, «Amigos em Portugal». E o lote de
referências não ficaria nunca completo sem uma referência aos discos a solo de
elementos dos Heróis do Mar, mais concretamente o single (também com edição em
máxi-single) «Rapazes de Lisboa», de Paulo Pedro Gonçalves, e o máxi «Ocidente
Infernal», de Pedro Ayres Magalhães.
Este disco, que assinalou, até hoje, a única aventura a solo
do ideólogo dos Faíscas, Corpo Diplomático, Heróis do Mar e Madredeus, era
apresentado, em 1985, como o primeiro de uma série de máxis instrumentais que o
músico pretendia editar mas que, por razões que o destino traçou, acabaram por
não acontecer nunca, ficando o projecto com uma ideia de continuidade por
concretizar (quem sabe um dia? Não seria má ideia...).
O disco
apresenta duas faixas instrumentais onde as ideias de paisagismo ambiental são
vitaminadas por um conceito que o próprio Pedro Ayres Magalhães explica em
texto publicado na contra-capa do máxi-single. «Janeiro de um ano qualquer. As
espirais do fumo negro, avançam da margem sul para noroeste, quentes ainda do
incêndio lento, que foi pouco a pouco consumindo as válvulas últimas, soltando
a grande pressão. Das águas já tépidas do Tejo liberta-se um cheiro pegajoso
misturado com o pó, acrescentado ao pavor. Os homens gastaram a terra, como
quem quer devorar. O tempo cumpriu mesmo assim. Exposição dos quadros sonoros
de Lisboa no último quartel do séc. XX, o ranger dos ferrolhos nas portas da
Europa. Aquelas colunas...», escrevia sobre «Ocidente Infernal», tema título
dominado por uma pulsação forte para guitarras, que rasgam uma melodia entre a
contenção e o grito. No lado B, «Adeus Torre de Belém», sublinha novo retrato
lisboeta, desta feita sob um conceito em duas partes, uma primeira feita de
sons reais, captados na cidade (mais concretamente no Barreiro, em Dezembro de
84), uma segunda, de perfil quase minimalista pop, «sob os destroços duma metrópole
afundada».
É possível encontrar aqui laços da finidade para com
algumas intenções retratistas em pontuais aventuras dos Heróis do Mar mas,
acima de tudo, e particularmente na atitude expressa no conceito e textos de
apresentação, manifestam-se claramente já intenções, caminhos poéticos e
ideários que tomariam forma, pouco depois, nos Madredeus. As fotos eram de
Pedro Ayres e Miguel Esteves Cardoso; o design, de Jorge Colombo.
O «Ocidente Infernal», mesmo longe de representar o
melhor de Pedro Ayres Magalhães, é uma peça de inegável valor histórico e, como
muitos outros momentos registados pela Fundação Atlântica, justifica que a
ideia de uma reedição em CD do acervo da editora, que já tarda.
Nuno Galopim
PEDRO AYRES MAGALHÃES «O Ocidente Infernal» Máxi-single,
Fundação Atlântica / EMI, 1985 Lado A: «O Ocidente Infernal»; Lado B: «Adeus
Torre de Belém» Produção: Pedro Ayres de Magalhães.
No início dos anos 80, a explosão do que então se
convencionou chamar por «rock português» apontou essencialmente as suas linhas
de acção a um som pop/rock convencional (para o clássico trio eléctrico de
guitarra, baixo e bateria), em alguns casos até em momentos de franco
afastamento face ao que eram já as formas em exploração noutras capitais dos
acontecimentos musicais de então. As electrónicas eram, ainda para alguns,
ferramentas «bizarras», pontualmente utilizadas, muitas vezes ainda com aquela
suspeita, muito «anos 70», que dizia que música com electrónica não era
música... Balelas!
A verdade é que eram poucos os projectos que apostavam
nos novos instrumentos electrónicos com claro protagonismo e projectos como,
para citar alguns exemplos, os Da Vinci ou Ópera Nova, onde as «novas» teclas
eram evidentes, tornavam-se alvo duplo de «maus olhados» de quem nem aceitava
certas simplicidades das linguagens technopop (mas se fosse nos Depeche Mode ou
OMD já «marchava»...) nem encarava de bom grado que fosse música digna desse
nome toda aquela que resultasse de programações e sons sintetizados...
Num tempo de mau relacionamento entre a opinião musical e
a música electrónica (com naturais excepções em mestres como os Kraftwerk,
Yello, Yellow Magic Orchestra e outros visionários mais «unânimes»), a proposta
de Tó Neto surge um pouco como a de um «outsider», que não se parece enquadrar
nem na família do «rock português» nem no das esferas mais populares da criação,
naturalmente fora também dos universos de experimentação mais vanguardista da
electrónica...
Com 32 anos de idade, os últimos dez vividos em Portugal
(onde chegara em 1973, vindo de Luanda), António Eduardo Benedy Neto contava já
com um vasto historial de vivências musicais. Em Lisboa havia já desenvolvido
estudos de música e jazz (na Academia dos Amadores de Música e no Hot Club de
Portugal), tendo também experimentado já percursos de vida nos Estados Unidos e
Reino Unido. Do regresso, em 1983, nasce uma proposta de música pop electrónica
instrumental em nome próprio. E, como Tó Neto, assina pela Sassetti (pela qual
acabaria por editar apenas um álbum).
«Láctea», o seu disco de estreia, resulta de uma
«maratona» de 40 horas de estúdio, durante as quais o próprio Tó Neto é o único
instrumentista em cena. A produção, de Eduardo Paes Mamede, assegura ao disco
um som final limpo e directo , ago próximo do que eram as composições de alma
pop dos álbuns «Equinoxe» e «Magnetic Fields» de Jean Michel Jarre, músico que
começava a gozar de enorme fama internacional. De resto, muita da imprensa
nacional logo tratou de apelidar Tó Neto como o «Jean Michel Jarre Português»,
numa comparação menos intencional que a de um Daniel Bacelar quando, valentes
anos antes, se mostrava como o Pat Boone lusitano! Temas como «Odisseia»,
«Lisa» e «Cristal» são exemplos da dignidade da proposta pop electrónica de Tó
Neto neste primeiro álbum, sendo então frequentes referências em programas de
rádio (uma delas «virou» indicativo do «Círculo em FM» na Rádio Comercial) e
inúmeros momentos de televisão.
O disco foi apresentado num espectáculo especial no
Planetário Calouste Gulbenkian (preparado em conjunto com Máximo Ferreira),
através do qual se sublinhava a face «futurista» de um álbum apontado a visões
do cosmos (um tema então em voga). Apesar de alguma ingenuidade (inerente aos
dias de juventude destas formas e rumos), o álbum de estreia de Tó Neto não
deixa de ser uma referência de mais uma marca da diversidade de propostas que
animaram a criação musical lusitana na aurora de 80. Nenhum dos seus três
álbuns editados posteriormente voltou a ter o «peso» e interesse deste disco
hoje quase esquecido.
TÓ NETO «Láctea» Sassetti, 1983 Lado A: «Odisseia», «Lisa»,
«Cristal», «África Blue»; Lado B: «D. Vagabundo», «Devoção», «Zuzu» Produção:
Eduardo Paes Mamede
Folheto de 8 páginas A5 amarelas (2 folhas A4 dobradas) de apresentação/acompanhamento da cassete dos Vitriol - Tahafut-Ul-Tahafut (que tenho).
Nº de catálogo KP 002, da editora K7 pirata, que chegou a atingir alguma notoriedade junto dos meios mais marginais da música independente feita e editada em Portugal nos anos 80/princípios dos 90.
A música propriamente dita pode ser descarregada a partir daqui.
[TEXTO] Fernando Magalhães [INTRO] Rui Miguel Abreu [FOTO] Direitos Reservados
Fernando Magalhães desapareceu há pouco mais de dez anos, mas o seu
pensamento continua presente e influente. Através dos esforços de Luís
Jerónimo, a sua obra tem vindo a ser organizada e republicada. Escritos
de Fernando Magalhães, disponível já em dois volumes (primeiro e segundo) através da loja Lulu,
é um importante depósito de pensamento de um crítico que sempre prestou
atenção à mais avançada música electrónica, entre tantas outras
coordenadas que não escapavam ao seu exigente radar.
O texto revelador que assinou sobre Plux Quba de Nuno Canavarro [criticado aqui
no Rimas e Batidas], que beneficia de crucial informação obtida junto
do hoje bastante reservado autor, fará parte de um terceiro volume
antológico que se centrará na sua produção de 1995 e que deverá contar
com prefácio de Rui Miguel Abreu.
Recupera-se aqui agora esse texto, em jeito de homenagem a Fernando
Magalhães e acrescentando mais uma valorosa visão sobre um dos mais
importantes discos da história electrónica nacional.
Exemplar único, Plux Quba – Música para Setenta Serpentes,
de Nuno Canavarro. O disco surgiu logo após o músico ter regressado da
Holanda, onde esteve a estudar composição. “Estive lá dois anos, no
Instituto de Sonologia, na Universidade de Utrecht. Havia uma
movimentação incrível, em termos de concertos, exposições, música
electro-acústica. Não tinha a calma, aquela concentração para fazer lá
qualquer coisa. Quando cheguei, quis logo trabalhar.” Antes disso, Nuno
Canavarro estudou arquitectura no Porto e em Lisboa, e fez a produção de
um disco dos Mler Ife Dada e, mais recentemente, dos Lobo Meigo. Tocou durante algum tempo, em 1988 e 89, com os Delfins, “porque precisava de fazer alguma coisa”.
O material para a gravação de Plux Quba não poderia ser mais simples: “Um Ensonic Mirage, um sampler de
8 bits, dos primeiros que houve, e um gravador de oito pistas, um
Fostex. Hoje, quase nem acredito como é que consegui fazer o disco.” A
esta precaridade de meios contrapôs Nuno Canavarro a imaginação na forma
como tirou partido das próprias limitações técnicas: “Com o gravador de
oito pistas, é aquele sistema de uma pessoa fazer um coisa qualquer num
instrumento e partir para a criação de uma estrutura a partir disso.
Grava-se numa pista e, depois, vai-se adicionando outras coisas. Pode,
por exemplo, gravar-se uma pista e depois outras seis ou sete à volta
dela e, por fim, apagar a primeira, aquele género de truques. Ou pôr
coisas ao contrário ou gravar a velocidades diferentes. Na altura, era
isso.” Nuno Canavarro utilizou no sampler sons pré-gravados,
“embora seja difícil ouvir no disco sons que sejam reconhecidos como de
um instrumento x ou y. Era tudo altamente modificado ou então gravava
melódicas, sons de televisão ou fitas de música étnica.”
O disco foi gravado no estúdio caseiro, na própria casa do músico.
Saiu posteriormente com o selo Ama Romanta. “Nessa altura, tinha
aparecido um concurso de música, ligado ao Centro Nacional de Cultura.
Dei um concerto no Instituto Franco-Português, juntamente com os outros
cinco projectos que tinham ido à final, e estava lá o João Peste a ver.
Gostou imenso e convidou-me para pôr aquilo em disco.” Não houve
qualquer trabalho de pós-produção, apenas o corte a partir da fita
original, gravada num gravador de bobines de duas pistas. Custos de
produção ou assinatura de um contrato “não houve”. Nuno Canavarro não
sabe o número de exemplares vendidos: “O João Peste fez quinhentos, acho
que era o mínimo; depois, não faço ideia.”
Sobre a música de Plux Quba, Nuno Canavarro acha que esta
resultou, “em parte por ter sido um trabalho totalmente isolado”. “O Tó
Zé Ferreira tinha viajado para a Holanda, o Nuno Rebelo tinha ido viver
para Lisboa. Fechei-me no estúdio a fazer aquilo”, diz. “Por outro lado,
a própria limitação de meios técnicos, neste caso, acho que funcionou a
favor, porque puxou pela criatividade. Chegava a utilizar os próprios
defeitos, a nível de software do sampler. Era um aparelho muito
instável, havia coisas bestiais que, obrigando-o a trabalhar muito,
respondia de maneira um bocado imprevisível. Era bestial para o género
de música que eu queria fazer.” O título, esse, permanece um enigma.
“Foi para tornar a coisa ainda mais esquisita.”
Para já, Plux Quba – Música para Setenta Serpentes existe apenas em vinil, estando neste momento esgotado e fora do mercado. Nuno Canavarro não sabe do paradeiro das masters:
“Já não me lembro se ficou o João Peste com elas ou se fiquei eu”.
Enquanto não forem encontradas as fitas, fica afastada a possibilidade
de passagem para compacto. Para Canavarro, a ideia “era fazer, dentro de
dois ou três anos, um compacto com, além de Plux Quba, alguma
música que tinha feito antes, ainda mais esquisita, uma terceira parte
com alguns temas do disco feito com o Carlos Maria Trindade [Mr. Wollogallu]
que acabaram por não sair”. O CD teria ainda uma quarta parte, com
temas novos que Nuno Canavarro mostrou, para já, à Ananana. “Tudo junto,
compilado num CD de para aí setenta minutos, é capaz de mostrar um
processo engraçado.” Setenta, tantos como as serpentes.
[COMO É]
Um daqueles discos que passou despercebido na altura em que foi
gravado mas que os anos obrigam a revisitar, como se crescesse com o
tempo. Nuno Canavarro fez um álbum que tem escola. Com Jon Hassell e
Brian Eno a leccionarem. Plux Quba – Música para Setenta Serpentes pode
ser definido como uma obra de música electrónica acusmática (sons
acústicos gravados e manipulados electronicamente), entre o ambiental e
exotismo new age world que viria a ser assumido, anos mais tarde, na companhia de Carlos Maria Trindade em Mr. Wollogallu – um género que conta, entre os seus cultores, com o genial Steve Moore, numa obra como A Quiet Gathering, com a qual estas serpentes têm pontos de contacto. Ao contrário do que acontece num disco lançado em simultâneo com este, Música de Baixa Fidelidade,
de Tó Zé Ferreira, companheiro de aventuras de Canavarro na
aprendizagem dos métodos e técnicas de composição por computador, a
música de Plux Quba evolui de forma mais intuitiva, tirando
partido das próprias limitações do hardware e software então
disponíveis, jogando com o erro e o acaso, um pouco à maneira do que
fazia Eno
com as suas “estratégias oblíquas”. Música orgânica, não sistemática,
em constante movimento de auto-revelação/ocultação. Nuno Canavarro jogou
aqui na indefinição e no segredo, na escritura de símbolos musicais e
poéticos com forte poder de sugestão, deixando à imaginação do auditor a
tarefa de organizar o enredo do filme, ao ponto de existirem temas sem
título, quadros sónicos dispostos segundo lógicas de criação não
nomeadas. Canavarro recomenda a audição “com a colunas/monitores o mais
possível afastadas entre si” e, “a baixo nível” a partir do último tema
do primeiro lado e até ao fim do disco. Recomendações idênticas às de
Brian Eno, em Discreet Music. Plux Quba permanece até hoje um mistério. O tempo fez-lhe justiça, mas não lhe retirou o véu.
Arcane Device "Interrogator" Label: Tragic Figures – TFT020 Format: Cassette, Album, Limited Edition, C40 Country: Portugal Relea...
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LULU (versões mais antigas - com alguns textos em falta, entretanto descobertos. Tal já não acontece com as versões mais actuais, publicadas agora na Bubok - Portugal - ver acima)
Volume 1 - 1988/1991
Volume 2 - 1992/1994 (460 páginas, formato maior que A4)
Volume 3 - 1995 (336 páginas, formato maior que A4)
Volume 4 - 1996 (330 páginas, formato maior que A4)
Volume 5 - 1997 (630 páginas, formato maior que A4)
Volume 6 - 1998 (412 páginas, formato maior que A4)
Volume 7 - 1999 (556 páginas, formato maior que A4)
Volume 8 - 2000 (630 páginas, formato maior que A4)
Volume 9 - 2001 (510 páginas, formato maior que A4)
Volume 10 - 2002 (428 páginas, formato maior que A4)
Volume 11 - 2003 (606 páginas, formato maior que A4)
Volume 12 - 2004/2005 (476 páginas, formato maior que A4)
Concrete Colored Paint - And Now Here
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Concrete Colored Paint is the moniker of the prolific Peter Kris of German
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