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5.6.24

OBJECTOS PERDIDOS - entrevista a 22 de Novembro de 1989



OBJECTOS PERDIDOS 

ENTREVISTA @ 22.11.1989

No vasto leque que o panorama da música alternativa portuguesa nos oferece, a Associação Cultural OBJECTOS PERDIDOS ocupa um papel importante por ser um dos poucos projectos que oferece espetáculo e boa sonoridade com uma encenação elegante e sumptuosa, envolvendo também sexo, política, drogas ...

OBJECTOS PERDIDOS foi formado em 1985 como um grupo multimédia que naquela altura era uma actividade pouco conhecida em Portugal. Dois anos depois este grupo passará a integrar a (A.I.C.O.P.) ASSOCIAÇÃO DE CULTURA DE INTERVENÇÃO OBJETOS PERDIDOS, onde também estão reunidos PAULO ENO, CABARET DADA e PERESTROIKA.

A entrevista que se segue dar-lhe-á uma ideia mais aprofundada da actividade da referida Associação.

As respostas são de PAULO ENO, diretor da Associação e foram enviadas de COIMBRA por correio no dia 22 de novembro de 1989.


ENTREVISTA COM OBJETOS PERDIDOS

- PAULO, suponho que já lhe tenham feito esta pergunta inúmeras vezes. Como surgiu essa profunda admiração por BRIAN ENO? Por que razão os demais membros da Associação adotam sobrenomes de músicos diferentes?

- A minha profunda admiração por BRIAN ENO deve-se às muitas semelhanças entre a pessoa de BRIAN e a minha. Simplificando: o não-artista, o não-músico, multifacetação e pluridisciplinaridade.

Quando ouço um álbum como “ANOTHER GREEN WORLD” sinto que me completo totalmente com a audição… é como se fosse o meu próprio sangue.

Neste momento tenho cerca de 80 álbuns (que incluem produções, colaborações, etc.), diversos vídeos, livros e outro material sobre o BRIAN. Depois de analisar alguns de seus trabalhos, fico, ainda assim, insatisfeito e continuo a procura de mais informações, o que é fascinante.

Pelo seu posicionamento estético, acima de qualquer catalogação, BRIAN ENO é para mim o artista mais importante do nosso século.

Quase todos os membros da nossa Associação têm apelidos de vários artistas devido, em primeiro lugar, às referências recebidas de cada um deles e, em certa medida, para lhes retira um peso elitista que a sociedade assume para eles.

Porém os apelidos não são dados por acaso e sem conhecimento dos factos, nesta altura um novo elemento foi denominado VOSTELL e recebeu toda a documentação possível sobre este importante mentor.

- Nos seus shows a música está sempre vinculada ao vídeo. Na última apresentação realizada em GUIMARÃES, apresentou o espetáculo “SONS OF SILENT AGE JUNGLE”. Fale-nos sobre o seu conteúdo.

- O espetáculo “SONGS OF SILENT AGE JUNGLE” é um espetáculo multimídia que se baseia na combinação de música etno com música eletrónica, dança com performance, slides com vídeo, nudez com body art.

Em suma, nesta mostra fazemos uma mistura antropológica do primitivismo com o industrial.

Quanto à nossa ligação contínua ao vídeo, isso está intimamente ligada à sociedade onde vivemos, dado o aumento que os audiovisuais têm a cada dia que passa e, neste caso específico, a videoarte.

- Na Associação Cultural OBJETOS PERDIDOS estão reunidos quatro projetos: GRUPO MULTIMÍDIA OBJETOS PERDIDOS, PAULO ENO ENSEMBLE, CABARET DADA E PERESTROIKA. Que tipo de abordagens esses vários projectos seguem?

- A nossa Associação de Intervenção Cultural OBJECTOS PERDIDOS (A.I.C.O.P.) tem várias componentes:

O grupo multimédia OBJETOS PERDIDOS (que existe desde 1985 e foi o que deu origem à Associação em 1987) como o próprio nome indica atua dentro do espetáculo multimédia, onde podemos apresentar música, performance, dança, vídeo, slides, etc. . …

CABARET DADA que intervém na área da música electrónica repetitiva e minimalista.

O ENSEMBLE DE PAULO que se dedica à música concreta e experimental.

O grupo PERESTROIKA que pratica um som que podemos chamar de rock, mas na fronteira deste género.

DNA é a companhia de dança, teatro e performance LOST OBJECTS.

Qualquer Associação pode intervir colectivamente nestas áreas e individualmente nas artes plásticas, fotografia, videoarte, cinema, etc. Também fazemos "happenings" quando achamos adequado. Esclareço que a Associação está legalizada, tendo os seus órgãos sociais, direção, assembleia geral e conselho fiscal, e é apoiada pela Comunidade Económica Europeia.

- O Paulo editou ou está a pensar editar material nalgum tipo de formato?

- Apesar de já termos recebido ofertas de duas editoras discográficas, as condições exigidas para a gravação eram incompatíveis com a nossa filosofia, dado que em relação ao nosso trabalho não aceitamos interferências, seja de onde for, preferimos ser como La MONTE YOUNG ou GIACINTO CELSI , visto que para nós a gravação de um disco é uma parte pouco importante do nosso trabalho, que é totalizante, cativante, sensível e consequentemente libertador.

Porém, em Setembro recebemos um simpático convite para lançar uma cassete do nosso trabalho, com total independência, mas rejeitámos pois preferíamos lançar um álbum, fosse em Portugal, Espanha ou outro lugar.

No entanto, temos uma videocassete “LOST OBJECTS SELECTION”, que é uma publicação própria que podemos comercializar.

Não posso deixar de referir que tudo isto é enfrentado dentro da normalidade e não nos incomoda de forma alguma. Mesmo não ter uma edição em disco (talvez porque sabemos que quanto mais tarde for lançada, mais procurada será) porque o que queremos acima de tudo é que tudo seja feito nos espectáculos ao vivo. Se for possível editaremos o tal disco fora de Portugal, porque não em Espanha? Porque a liberdade estética assume uma função internacionalista que carregamos constantemente.

- Você está a preparar a publicação de um livro cujo título “ENO-LOGIAS”, que suponho ser um estudo sobre a obra de BRIAN ENO.

- Neste momento estou a preparar dois livros: “ENO-LOGIAS” sobre BRIAN ENO, onde tentarei fazer uma abordagem muito pessoal à obra desta personagem extraordinária e “TELECTU ARBEIT – ANTES E DEPOIS” que é uma análise tão exaustiva quanto possível do trabalho dos dois elementos do grupo TELECTU juntos e separadamente, tudo complementado com comentários, entrevistas, etc...

O meu trabalho na área da música remonta a 1976, com os meus trabalhos a incidirem sobre NICO, VELVET, CLASH, SIOUXIE, WARHOL, PUNK, BOWIE, etc. Neste momento tenho dois programas de rádio: “DIVERGENCIA – EL SONIDO TEMPORAL” que aborda todos os tipos de música e “BERLIN” que é uma encomenda do GOETHE INSTITUT DE COIMBRA, onde se divulga a cultura alemã nas suas mais variadas ramificações.

Para o próximo ano criarei uma rede de musicologia que se chamará “MÚSICA CONTEMPORÂNEA EM TODAS AS SUAS VERSÕES”.

- O que está preparando em breve? Quais são seus projetos para o ano 90?

- Estamos a planear uma viagem à Grécia e à Dinamarca e a participação numa exposição internacional de artes plásticas na Hungria.

Estarei em Berlim em setembro e outubro a convite do GOETHE INSTITUT para frequentar um curso na Universidade Técnica, no Departamento de Música Eletrónica e Experimental.

A nível nacional, as habituais actuações em escolas, universidades, galerias e outros espaços, além de uma participação já regular com VICTOR RUA no seu projecto GNR.

Gostaríamos muito de voltar a actuar em Espanha, desde que as condições sejam minimamente aceitáveis.

A nossa Associação tem sensibilidade em seguir os nomes mais interessantes de Espanha: DALI, BUNUEL, ALMODOVAR, FURA DEL BAUS, ESPLENDOR GEOMÉTRICO, DERIBOS ARIAS e o magnífico SYNTORAMA.

 

OBJETOS PERDIDOS

C/O PAULO ENO

TOVIN DE BAIXO, BARREIROS 13

3000 COIMBRA (PORTUGAL)


https://arquivos.rtp.pt/conteudos/jovens-e-o-gosto-pela-diferenca/


  





17.1.23

Livros sobre música que vale a pena ler - Cromo #96: Cliché - Música


 autor: José António Moura

título: Cliché - Música
editora: Holuzam
nº de páginas: 60

isbn: N/A
data: 2022
formato: A4






CLICHÉ

TODOS

Vera Futscher Pereira (1959-2019), João Pinto Nogueira (n. 1949), Maria Helena Redondo (n. 1951) e Rui Pavão (n. 1950) estão registados como sócios na empresa Cliché. Numa cave, nº 7 da Rua dos Caetanos, Bairro Alto, abriu em 1980 «uma loja de roupas, bijuterias, discos e postais modernos.» O proprietário do prédio era o pai de Vera e a renda, naturalmente, zero; talvez a única maneira de viabilizar um negócio independente e alternativo. A loja existiu durante cerca de 4 anos e, enquanto editora de discos, deixou marca curta mas importante no panorama nacional. A oferta mais visível para quem entrava no espaço era, no entanto, a roupa concebida por Maria Helena Redondo.

Até por amizade, a cronologia simples e próxima da presença da moda de autor nas ruas de Lisboa assinala como precedentes as duas lojas abertas por Manuela Gonçalves (Carmim em 1976, Loja Branca em 79). Apesar das diferenças estruturais entre os projectos, também a ideia principal da Cliché passava por ajudar a vestir de forma diferente e mais individual uma Lisboa ainda muito conservadora. João Pinto Nogueira recorda uma visita, pelo Natal de 1974, quando vivia em Londres: «Parecia que estava na Jugoslávia. Mulheres todas vestidas de preto, cabeça tapada…». Comentou isso com o irmão num passeio pela Baixa, depois de estacionarem o carro junto ao miradouro de S. Pedro de Alcântara. A sua contribuição para a mudança: trouxe roupas da loja de uma amiga portuguesa em King’s Road com a indicação dela para as vender a Manuel Reis, estabelecido no Bairro Alto desde Março de 74 com a loja 1900-1930.

 

Composições gráficas e layout:

Márcio Matos e José António Moura

Texto e paginação:

José António Moura

Impressão offset em papel Favini Tree Free Natural de 120 gr (miolo) e 250 gr (capa):

Julho de 2022, Imprensa Municipal

1ª Edição de 200 exemplares:

Agosto de 2022, Holuzam

 

HOLUZAM

CÂMARA MUNICIPAL DE LISBOA

LUSITANA DE PAPÉIS






26.2.22

Centro De Pesquisas Ruido Branco – "Centro De Pesquisas Ruido Branco" | K7 1989


 

Centro De Pesquisas Ruido Branco

"Centro De Pesquisas Ruido Branco"

(demo tape)


Label: Not On Label - none

Format: Cassette, Single Sided

Country: Portugal

Released: 1989

Genre: Electronic, Rock

Style: Experimental, Lo-Fi






Centralinks




13.4.21

Hospital Psiquiátrico - 1º Electrochoque (Tragic Figures - TFT001 - 1989)


Hospital Psiquiátrico ‎– 1º Electrochoque

Electronic, Abstract, Industrial, Experimental from Portugal
Year: 1989
Label: Tragic Figures - TFT001















31.3.21

Clister - I Aniversário, Julho 91 (Cassette)


 

Clister - I Aniversário, Julho 91 (CASSETTE)




Cassette
Org. Clister
edições clister 1991
Org. Clister
Apartado 129
2676 Odivelas Codex

Lado A:
A1 - Zé Manel Suicida - "Falar mal e deix'andar"
A2 - Ex-Votos - "Subtilezas porno-populares"
A3 - Zirkus Maximus - "Jean et Luc ecoutez moi"
Lado B:
B1 - More República Masónica - "Wild America"
B2 - Psiko Critik - "Alice"
B3 - Lucifere Fere - "Insano"
B4 - Alter-Ego - "Nova Direcção"









30.9.20

Revista Bravo - Nº 13 - Fevereiro de 1988


Revista Bravo
Nº 13
Fevereiro de 1988
90$00
(Revista Musical)

CLIQUE NAS IMAGENS PARA AS VER EM ECRÃ INTEIRO

atenção: isto está muito mal escrito (literariamente), com muitas gralhas e erros ortográficos, etc., mas... foi mesmo assim!



1, NUM PAÍS SEM ATITUDE OS POP DELL’ARTE REMAM CONTRA A MARÉ

Sentimo-nos Um Pouco Desfasados, No Lugar E No Tempo

Passados que são dois meses após o lançamento do primeiro álbum dos Pop Dell’Arte, “Free Pop”, poucos têm sido os programas de rádio que lhe dão espaço nas suas emissões, apesar de se tratar de um trabalho mais do que interessante. Ele revela-se como um bom manifesto da chamada ‘pop alternativa’ e que, naturalmente, vai um pouco contra a maré dominante, de uma Mafalda Veiga ou da “casinha” dos Xutos & Pontapés.

E se em Portugal podemos estar sozinhos, a nível internacional isso não acontece, porque existe um movimento independente, crescente na Europa. E a “pop alternativa” também é algo que está a crescer em todo o lado, por isso, se nos colocarmos a um nível europeu não estamos nada isolados.

Apesar dos boicotes por parte de algumas estações de rádio como a RFM, João Peste, porta-voz dos Pop Dell’Arte, mostra-se optimista face ao futuro da “pop alternativa”, porque se trata de uma música vanguardista, que tem os seus códigos e linguagem que assumem formas inovadoras e, sobretudo, tem a capacidade de cativar as pessoas chegando ao maior número possível de ouvidos. Portanto, conjuga uma atitude de inovação com uma boa aceitação por parte das massas. É isso a que eu chamo a “pop alternativa”. Não é um estilo musical, é antes uma posição social da obra.

Silêncio Da Rádio Face Ao “Free Pop”

O controle que existe por parte das grandes editoras, em relação à rádio portuguesa, na opinião de João Peste, é uma das causas que justificam o silêncio de alguns programas face ao último trabalho dos POP DELL’ARTE.

Por outro lado, é um trabalho que vai de encontro à maré daquilo que está ser feito, na música portuguesa. E por isso, é natural que choque um pouco com um gosto estabelecido, com uma estética, com a própria ideologia dominante e mesmo com todo o jogo de interesses que existe. Por isso, não me surpreende muito que o disco não passe.

As pessoas que fazem rádio em Portugal, são muito conservadoras. Têm um gosto estabelecido, instituído e não querem sair dali. E por isso rejeitam tudo o que tem uma sonoridade diferente e, nem tentam compreender porque é que é diferente. Pensam que é diferente porque está mal feito. Têm certos chavões, certas ideias pré-concebidas e não avançam.

João Peste, em relação à rádio vai mais longe ao afirmar, não fizemos o disco para que ele não passasse na rádio. Antes pelo contrário, à partida até fizemos um single, mais comercial, para tentar cativar um pouco as atenções das pessoas que fazem rádio. De qualquer modo não iríamos deixar de fazer o disco que queríamos para que ele passasse mais vezes na rádio. Até pode ser que ele daqui a 10 anos vá passando pouco, mas vá passando. Se calhar se o disco passasse muito agora daqui a 10 anos ninguém se lembrava dele, porque eu acredito que, este disco, daqui a 10 anos ainda vai ser ouvido.

No fundo a questão é simples: queremos que aquilo chegue às pessoas. Agora não vamos deixar de fazer aquilo que queremos para chegar às pessoas. Vamos tentar ser fiéis ao que somos e tentar que aquilo que somos chegue às pessoas.



 “Não estamos interessados no passado”

 Os POP DELL’ARTE, afirmam que nada têm contra o facto de haver grupos que apostem num certo revivalismo… nós é que não estamos nisso. Não estamos nada interessados no passado, ainda que hajam coisas do passado que nós possamos absorver ou filtrar, mas fazemos a nossa música a pensar no futuro. Preocupamo-nos mais em saber que ela poderá ser ouvida amanhã do que em saber que ela poderá ser ouvida amanhã do que em saber que ela não é ouvida hoje. Por isso é natural que ela não seja ouvida hoje, porque a nossa preocupação à priori, é a de que ela possa ser ouvida amanhã. E se calhar, o facto de ela vir a ser ouvida amanhã, implica que ela hoje seja um tanto ou pouco incompreendida. Não vou dizer com isto que nós somos uma banda do futuro, e não uma banda do presente. Mas, às vezes sentimo-nos um pouco desfasados, no lugar e no tempo. Se calhar não deveríamos estar aqui e agora, mas noutro lugar e noutros tempos.

 Ideal De Unificação Europeia

 Mas na realidade, os POP DELL’ARTE, vivem agora e aqui… e o facto de estarmos aqui influencia-nos, para o bem e para o mal. De qualquer maneira, neste momento, temos uma concepção muito europeia e, acreditamos numa unificação europeia, que deverá começar por uma unificação cultural. Porque o mercado cultural paralelo, no qual nos enquadramos, pode ser um dos pontos de partida para essa unificação cultural.

Mas isso nada tem a ver com a atitude expansionista que Portugal teve noutros tempos?

Em primeiro lugar, importa referi que, neste momento, Portugal não tem atitude nenhuma! Depois, nós nada temos a ver com os “valores nacionais”. Não pensamos em termos de Portugal, pensamos em termos de Europa, como um todo e, é isso que nos interessa. Essa é a única forma da Europa se levantar um pouco do jugo do Imperialismo Cultural que se estabeleceu a partir da II Guerra Mundial, unificando-se e criando um bloco forte, em termos culturais, para poder reagir contra as potências que a dominam. Mais a mais, sabendo que muitas dessas potências tiveram um avanço cultural à custa dos nomes europeus que surgiram no campo cultural, como é o caso dos EUA.

 Não Fazem A Apologia Da Social-Democracia

 Isso não tem nada a ver com uma apologia da social-democracia, tem mais a ver com o facto de poder reagir ao mundo dominado por potências e, saber que, neste momento, os nacionalismos podem ser sinónimos de fraqueza. No fundo, a melhor maneira de manter as identidades nacionais, segundo esta ideia, seria através de uma transnacionalização. Como diria Catherine Evert, “é preciso pensar globalmente actuar localmente”. Seria, e está a ser, essa a forma dos movimentos independentes, que se têm vindo a formar na Europa – teatro, música e cinema – intervirem para a tal unificação.

Trabalhar com uma editora independente é mais fácil, sobretudo, para se atingir tais objectivos. Ao contrário, da ilusão que possa ser criada, as editoras multinacionais em vez de unirem os países, onde operam, desunem-nos porque acabam por dominar a sua cultura. Um bom exemplo disto é o que se passa nalgumas estações de rádio em Portugal.

 O Público dos Pop Dell’Arte

 Daí que se possa concluir que o nosso público, nada tem a ver com as pessoas que ouvem essas estações de rádio.

O nosso público não tem nada a ver com o público da Mafalda Veiga e dos Xutos & Pontapés, e por aí fora… esses públicos precisam de que o disco passe de 5 em 5 minutos, na rádio, para o poderem fixar. O nosso público é diferente. E neste contexto, poderemos afirmar, que a atitude de alguns radialistas prova que o nosso disco é bom… pelo não o misturam com as outras porcarias que costumam passar. Pode se rum pouco pretensioso dizer isto, mas é a conclusão que eu tiro.

Mas será que o trabalho dos POP DELL’ARTE, pontas de contacto com discos de outros grupos portugueses?

Se tivesse que se aproximar com algum disco que foi feito, em Portugal, o ano passado, aproximar-se-ia, quando muito, do disco dos Mler Ife Dada. Apear de eu achar que é muito diferente do nosso. Também se poderia aproximar, num certo sentido, ao “Independanza” dos GNR. Contudo, “Free Pop”, é um disco diferente desses dois. O tema “Juramento Sem Bandeira”, incluído no nosso álbum, que também se poderia chamar “Sem Fronteiras”, encerra por si só, as diferenças de que falo: o ideal de pensar globalmente e actuar localmente.

 Projecto De Vida

 Tendo em conta o trabalho dos Pop Dell’Arte e o seu ideal de unificação europeia, até que ponto se pode pensar que o grupo é um projecto de vida para os seus membros?

Os POP DELL’ARTE deveriam ser um projecto de vida para as pessoas que os formam, só que até ao momento não tem podido ser, porque não tem sido suficientemente rentável, para podermos viver da música. Contudo, isso não é uma preocupação porque nós somos todos relativamente novos (temos idades compreendidas entre os 20 e os 25 anos). Até ao momento, isso não tem sido um pesadelo.

O balanço feito pelo grupo, no final de um ano em que lançaram o single “Querelle” e o álbum “Free Pop”, é muito bom. A demonstrá-lo fica a afluência aos concertos, por parte de um público, cuja idade era inferior aos vinte anos. Não sei, se isso significa alguma coisa, mas acredito que sim, pelo menos, o pessoal mais novo, ainda não tem o gosto formado ou deformado por uma série de coisas. É muito mais acessível a formas novas e, portanto, aceita-as muito mais facilmente.

 

MAIS MÚSICA PARA ESTE MÊS

Dia 6 – Em Mirandela, os HERÓIS DO MAR e os DELFINS

Dia 16 – Em Santarém, SÉTIMA LEGIÃO

Na Marinha Grande, os POP DELL’ARTE

Dia 19 – Em Santarém, SÉTIMA LEGIÃO

No Porto, POP DELL’ARTE

 

EDIÇÕES AMAROMANTA

Durante o mês de Fevereiro, a editora AMAROMANTA, lançará no mercado português os seguintes trabalhos discográficos:

- Mini LP dos LINHA GERAL, intitulado “Linha Geral”

- LP do PROJECTO SOM POP (P.S.P.), de Vítor Rua, intitulado “Pipocas”

- LP de PASCAL COMELADE, intitulado “Bel-Canto”. Trata-se de um disco de música minimal-rítmica, da autoria de um francês, oriundo de Montpellier.

 

O FIM DOS MALUCOS DA PÁTRIA

Os MALUCOS DA PÁTRIA, responsáveis pela organização de concertos com AS JORNADAS DO IMPÉRIO e que representavam os HERÓIS DO MAR, DELFINS, RADAR KADAFI, AGORACOLORA, chegaram ao fim, como empresa. No entanto o Vítor Silva, associado a outras pessoas, promete continuar a fazer concertos.

 

GRUPOS MUDAM DE MÃOS

Finda a actividade dos MALUCOS DA PÁTRIA, os HERÓIS DO MAR e os DELFINS, passam a ser contratados através do telefone 66 47 99, que já servia para os POP DELL’ARTE e para os DIAS DA MADREDEUS. A nova casa destes grupos fica na Rua do Século, 156. No caso dos DELFINS, também podem ser contactados através do 268 35 02 do Tó Cunha.





2. Requiem Pelos Vivos

INFIDELIDADES MARÍTIMAS


Os vencedores do 4º Concurso de Música Moderna, do Rock Rendez-Vous, REQUIEM PELOS VIVOS, ao contrário do que chegaram a afirmar, vão continuar vivos enquanto grupo, não para fazer um percurso de estrada, mas, sobretudo, para continuar esta “brincadeira” que começou em 1986, a quando da sua formação, para participarem no 3º Concurso do Rock Rendez-Vous. Neste momento estamos preocupados com a gravação do Maxisingle – prémio atribuído ao grupo vencedor do Concurso, segundo declarou à Bravo Carlos Carvalho (baixo e voz), um estudante de Arquitectura no Porto. Quanto aos restantes elementos: Pedro Lameirinhas (bateria) estuda em Vila Nova de Foz Côa, e o terceiro elemento, João Daniel (guitarra), também estuda, engenharia electrónica, em Coimbra. Esta dispersão só permite que os REQUIEM PELOS VIVOS se juntem para ensaios nas férias. Mas se por um lado pode constituir um problema, por outro, tendo em conta os objectivos do grupo, são suficiente para o seu trabalho as reuniões temporárias. Nunca seremos um grupo que apenas vive para música, mas sim que vivemos com ela. Até porque, tal como acontece com quase todas as formações, cada um de nós tem os seus próprios gostos musicais. Não andaremos a esfolar quilómetros de estrada, tocaremos apenas quando nos apetecer e em “sítios-chave”, locais onde nos dê prazer mostrar a nossa música.


Som Para Os Vivos

Ao contrário do que foi escrito na BRAVO de Dezembro, os REQUIEM PELOS VIVOS não são de modo algum um grupo de baile ou com um som de feira. Tratou-se de um lamentável equívoco, rubricado por uma ex-colaboradora nossa e, sobre o qual emendamos a mão.

Numa primeira fase o nosso som era um pouco fúnebre, mas, neste momento, é mais adequado aos vivos. O que está morto já era, o que está vivo é celebrado por um “requiem”.

Carlos Carvalho na conversa com a BRAVO teve o cuidado de não enquadrar o grupo na imagem e semelhança do que é feito por outras formações. Também não arriscou nomes quanto à actual música moderna portuguesa, estão-se a fazer coisas mais inteligentes, que deixam transparecer uma maior e melhor “organização” da música moderna que se faz em Portugal.

A caminho da gravação do Maxisingle a que têm direito, como justo prémio pela sua vitória no 4º Concurso do Rock Rendez-Vous, os REQUIEM PELOS VIVOS mostram a mesma preocupação, gostavamos, e esperamos que assim aconteça, porque caso contrário não valeria a pena gravar, que possamos dispor de condições de gravação capazes de estabelecer uma coerência entre o que fazemos e o produto que irá ser posto à disposição do público. Não temos pressas, queremos fazer uma coisa bem cuidada e que tenha alguma viabilidade enquanto edição discográfica. Para infidelidades bastam as marítimas! (Título de um dos temas apresentados pelo grupo neste Concurso do Rock Rendez-Vous e que sinceramente esperemos que faça parte do Maxisingle, tal como a “Canção do Marinheiro”).



 

3. DURUTTI COLUMN

IN “VINY” VERITAS


De todos os músicos “de culto” que a música moderna impôs como referências predominantes e de “confiança ilimitada”, Vini Reilly terá sido aquele que mais vezes passou pelos portugueses – três - , estando em Vilar de Mouros em Agosto de 82, tocando na Aula Magna em Março de 83, fechando o seu ciclo de concertos em Julho de 84 na F.I.L…. Reilly veio invariavelmente para mostrar o seu projecto musical, em que tem conhecido companheiros ocasionais e variáveis, sem que os discos registados deixem de ser assinados por essa estranha entidade que é Durutti Column.

Foi também para “alimentar” Durutti Column, mas sem contar com a ajuda do baterista e percussionista Bruce Mitchell, que Vini Reilly se dispôs a inaugurar um novo capítulo na história discográfica nacional , até agora – e para mal de todos nós -, sem seguimento: veio a Paço d’Arcos e gravou um álbum para uma editora independente portuguesa de boa memória chamada Fundação Atlântica, “Amigos em Portugal” seria assim, “argumento” suficiente para que Durutti Column ocupasse um lugar especial entre nós. Mas nem esse nem os discos antecedentes (“The Return Of The Durutti Column”, “LC” e “Another Setting”) nem os que se lhe seguiram (como “Without Mercy” ou “Circuses and Bread”, por exemplo) mereceram a devida atenção dos portugueses.

Talvez por isso “The Guita rand Other Machines”, com que Vini / Durutti fechou o ano de 1987, seja – pelo menos para já – um exclusivo do mercado de importação. E, no entanto, quantos predicados e qualificativos podiam ser alinhados para este disco… Por exemplo, o facto que não dá direito a enganos de a produção ter sido entregue a Stephen Street, antigo “comandante sonoro” dos Smiths e, desde a dissolução do quarteto de Manchester, o mais chegado colaborador de Steven Morrissey, o antigo cantor e poeta da banda que deixou “Hand in Glove” e “There is a Light That Never Goes Out” como herança. Ou a presenças de músicos do circuito alternativo como Atanton Miranda e John Metcalfe, bem como do trompetista Tim Kellet, dos Simply Red, a ajudar Mitchell. Mais claro está que aquilo que separa “The Guita rand Other Machines” de todos os outros discos é a inesgotável capacidade de Reilly de escrever canções imediatamente reconhecíveis e invariavelmente surpreendentes.

Muito mais apoiado na sua guitarra cristalina e fluente do que em todas as “outras máquinas”, Vini/Durutti garante uma continuidade à altura a uma das obras que fica como sinal “contrário” nestes tempos em que se abusa da padronização sonora e da rítmica “a metro”. Nesse aspecto, podem estar descansados aqueles que seguem de perto a carreira de Durutti Column – o lema parece continuar a ser uma quase obsessiva procura da “verdade” das canções. E seria preciso conhecer a fraca figura, maníaca e permanentemente tensa, de Vini Reilly, para se perceber até que ponto se adequa aqui a palavra obsessão… Seja como for, a beleza e a perenidade das canções supera as expectativas – pode continuar a dizer-se “in Viny Veritas”…



4. ANO NOVO: 5º CONCURSO…

O REQUIEM PELOS VIVOS

No dia 19 de Dezembro do passado ano foi o fecho do 4º Concurso de Música Moderna do Rock Rendez-Vous / 1987.

Das 24 bandas, inicialmente concorrentes, ficaram apenas 3, que actuaram no dia 19, para vencer. Uma delas seria a escolhida, e o prémio era aliciante: a gravação de um disco para a etiqueta Dansa do Som, e cem mil escudos em dinheiro.

Os finalistas foram os MORITURI, os TRANZ IT e os REQUIEM PELOS VIVOS.


Não há dúvida de que, naquela noite, todos deram o seu melhor, ou não fosse a final. Dos mais relevantes, a voz de Isa, dos Morituri, parecia arrancada lá de dentro; o baterista dos Tranz It fez ali um trabalho de mãos que deu gosto ver; até os Requiem pelos Vivos deram o seu melhor.

Os MORITURI, de Lisboa, subiram ao palco com muita frescura, muita inspiração, grande presença de Isa, muito sentimento na sua voz; o público teve oportunidade de reouvir 4 dos temas do reportório do grupo: “Um Crime no Paraíso”, “Sonho Lento”, “Apátrida” e “Tédio”, esta com poema de Florbela Espanca.

Segunda banda a entrar em palco, os TRANZ IT. Vieram também com muita garra, com muita força e, não há dúvida de que deram o melhor de si, naquela sessão. Trouxeram os temas “Carne no Desejo da Carne”, “Chaminés da Siderurgia”, “Suor de Peito” e “Lucialima”.

A última banda do concurso foi a dos REQUIEM PELOS VIVOS. Mostraram com certeza o que eram capazes de fazer, e fizeram-no com muita vida, pouco incomodados com o favoritismo atribuído a outra formação. A banda tinha já estado no 3º Concurso, e, não contentes com a sua sorte, voltaram este ano. Tocaram os temas “Canção do Marinheiro”, “Desfolhada”, “Romaria” e “Caravelas Mutiladas”. A primeira canção, a “Canção do Marinheiro”, a banda dedicou-a “às raparigas que perdem os namorados no mar e aos rapazes que, ao morrer no mar, perdem as suas namoradas”.

Após a actuação das 3 bandas concorrentes foi a pausa… E, entretanto, actuaram os MELLERIL DE NEMBUTAL, vencedores do prémio de originalidade deste 4º Concurso. A banda é constituída por Hesskhé Yadalanah, no baixo, caixa chinesa, guitarra e voz, Itaperapetuxe, na bateria, percussões e ferros, Canto Silvestro, na voz e percussões, Canto Buendia, na guitarra, Camarada McGinty, nas percussões, xilofone, harmónico, ferros e voz, Justo Infantes, nos adufes, baixo e voz, Arcádio Maturina, na voz, percussões e maracas e, por fim, Céti Pápá, no violino e flauta. O grupo fez uma actuação que, entre outros, dedicou “ao Zé da Farmácia, que também queria um prémio, e ao Manuel Falcão e ao primo, que também trabalha na televisão”.


Depois da actuação dos Melleril de Nembutal, deram-se as pontuações, e ficou-se a saber quem ocupou que lugar.



Assim, no primeiro lugar ficaram os Requiem Pelos Vivos, com 171 pontos, o segundo lugar foi para os Morituri, com 137 pontos, e o terceiro lugar para os Tranz It, com 55 pontos. Todas as bandas receberam uma placa alusiva ao concurso; o grupo que ficou em 1º recebeu 100 contos em dinheiro e a gravação de um “single”, com três temas, para a etiqueta Dansa do Som, que será gravado dentro dos próximos três meses. O 2º lugar teve direito a 150 mil escudos em material para a banda e o 3º lugar, 100 mil escudos também em material. O grupo de originalidade recebeu um amplificador de som, no valor de 100 contos.

E pronto, assim terminou mais um concurso do Rock Rendez-Vous. Entretanto, é já este mês que se inicia o 5º Concurso, com as primeiras fases eliminatórias, das quais contamos ir dando, aqui, os pormenores. É assim, ano novo, novo concurso: o quinto.

Paula Ramos




CONSTITUIÇÃO DO JÚRI

O júri que acompanhou a última sessão do 4º Concurso de Música Moderna do Rock Rendez-Vous, foi constituído pelos seguintes elementos:

- João Botelho – Semanário “Êxito”

- João Gobern – Correio da Manhã Rádio

- Manuela Paraíso – Rádio Geste

- Pedro Duarte – RTP

- Pedro Luso – RFM

- Rui Monteiro – “A Capital”

- Sérgio Coimbra – “Blitz”

- António Pires – “Blitz”

- Rui Porteiro – RUT

 

7 ANOS DE ROCK E RENDEZ-VOUS

No passado dia 18 de Dezembro, o Rock Rendez-Vous comemorou o seu 7º aniversário… E a noite foi de festa. Eram 22 horas quando se abriram as portas, e, no palco desfilaram quatro das bandas mais actuais da música moderna Portuguesa;

Os CRITERIUM, uma das bandas preferidas pela crítica, no 4º Concurso de Música Moderna, e, segundo opinião do R.R.V., uma esperança para este ano.

LA VALISE, o pop simples e despretensioso de um dos grupos-revelação mais recente, que abandonaram o 4ºm C.M.M. para a gravação de um “single” na RM Discos.

POP DELL’ARTE, grupo vencedor do prémio de originalidade do 2º C.M.M.. O carácter vanguardista do som da banda e a recente publicação de um álbum foram razões fortes para o convite do R.R.V.;

Por fim, os SÉTIMA LEGIÃO, que, segundo o Rock Rendez-Vous, foram a banda revelação do 2º Concurso da casa. Eram então um quarteto algo hesitante. Cinco anos depois são um dos nomes mais importantes da nova música Portuguesa.

Foi assim que se comemorou o 7º aniversário desta Catedral do Rock Português. Reponsáveis por esta casa de espectáculos disseram que se “orgulham de 7 anos de apoio consecutivo e incondicional à música feita por Portugueses. Apresentaram mais de 1 000 espectáculos desde o dia da sua inauguração”.

Um folheto, distribuído pelso presentes, juntamente com o bilhete, no dia do aniversário, continha uma longa lista de nomes, dos grupos que já pisaram o palco do R.R.V.;

- As bandas Portuguesas eram 238 e estrangeiras 25; uma boa soma…

 

DANSA DO SOM NO ROCK RENDEZ-VOUS

Enquanto não chega o V Concurso de Música Moderna – primeira sessão com data marcada para a noite do próximo dia 20 – o ROCK RENDEZ-VOUS apresenta-nos, no dia 5, o grupo Graffiti, os Xeque Mate, dia 12, e os Morituri, dia 19. Depois do Coliseu, Anamar regressa à sala da Rua da Beneficência, no dia 26.

Entretanto a editora DANSA DO SOM, com sede na Av. Rossano Garcia, 39-A (próximo da Praça de Espanha), continua a oferecer a possibilidade de adquirir boas condições discográficas a preços mais acessíveis. Esta editora tem loja aberta no Rock Rendez-Vous. Na próxima edição começaremos a publicar a lista de importações das principais discotecas, que se dedicam a esta actividade.









9.9.19

Pérolas e Preciosidades Portuguesas: Repórter Estrábico - Pavilhão Carlos Lopes + Maquete



Repórter Estrábico - Pavilhão Carlos Lopes + Maquete












28.8.19

Pérolas e Preciosidades Portuguesas: Alma Mater ‎– "Estrada Dura" (1989)


Alma Mater ‎– "Estrada Dura" (1989)

Cassete / Cassette / K7
Alma Mater
Contacto: Miguel Gomes
Morada: Rua Damão, 21 R/C-Esq.
Sta. Iria de Azoia
2685 - Sacavém
Telefone: (01) 9594614

LADO A
SENHORES INTELECTUAIS
(Janeka - Miguel Gomes)
AS PALAVRAS
Eugénio de Andrade - Miguel Gomes) (a)
SEM SOLUÇÕES
(Jaime Santos - Zé Penha)
LADO B
PARAÍSO
(Jaime Santos - Miguel Gomes)
QUADRO REAL
(Jaime Santos - Miguel Gomes)
EM NOME DA LEI
(Jaime Santos - Zé Penha)

Arranjos: ALMA MATER
Técnicos: Luís Pereira, Miguel Gomes
Capa: Paulo

Agradecimentos: Rui Martins, Paulo, Luís Fernando, Fernando Curado, Zé Aníbal, Volkstragan e outros

VOZ: Janeka
GUITARRA: Zé Penha
GUITARRA: Cajó
BAIXO, VOZES - Miguel Gomes
BATERIA - Jaime M. Santos

Gravação: 5, 6, 7 e 8 de Outubro de 1989

(a) Poema retirado do livro "Antologia Breve"















26.8.19

Pérolas e Preciosidades Portuguesas: Entropia Parva ‎– "Egoneutralixação Termodinâmica"


Entropia Parva ‎– Egoneutralixação Termodinâmica 

Label: Tragic Figures ‎– TFT013
Format: Cassette, Album, C60
 Country: Portugal
Released: 1990
Genre: Electronic
Style: Experimental, Industrial










20.8.19

Memorabilia - Nuno Galopim: Série "Discos Perdidos" no Diário de Notícias (1) - Ocaso Épico - "Muito Obrigado"


Memorabilia

Nuno Galopim: Série "Discos Perdidos" no Diário de Notícias

(1) - Ocaso Épico - "Muito Obrigado"









24.7.19

Ex-Votos - "Vai à Mão" (Cassete, 1991) Not On Label


Ex-Votos ‎– Vai Á Mão 
Label: Not On Label ‎– none
Format: Cassette
 Country: Portugal
Released: 1991
Genre: Rock Style: Post-Punk

Cassete rara de 1991







mp3 (faixa a faixa) disponível para envio, sob solicitação por email.




15.7.19

Pérolas e Preciosidades - Ocaso Épico (cont.)



Artigo que saiu no jornal LP
páginas 22 e 23
Nº ?
Data ?


Jornal LP
Nº ????
Data ????
Página 22 e 23 

OCASO ÉPICO

Esta é uma realidade completamente ficcionada e os nomes de pessoas não foram alterados, contendo uma visão puramente emocional e especulativa, sobre o assunto.
Trata-se duma cassete, contendo material sonoro, capaz de vos surpreender, tal como me sucedeu a mim.
É do amanhã que a coisa trata.
Preso por ter cão e preso por não o ter, o projecto musical de Carlos Farinha tem sido, em meu entender, tomado como uma abordagem leviana das mais actualizadas correntes musicais de vanguarda.
Um olhar ao passado, aponta para uma personalização constante do percurso musical do colectivo Ocaso Épico.
A escola musical da corrente de que Farinha Master, outro dos alter-egos por que é conhecido o músico, pode reconhecer-se como a música saloia de vanguarda.
De Farinha e de todas as suas propostas já não há que esperar surpresas. Quer dizer, não havia até esta cassete me ter vindo parar às mãos. Deixo para discussões posteriores, vínculo especulativo desta afirmação.
A surpresa foi gerada nos quase sessenta minutos de aventura auditiva, impregnados de calor, sangue e nervos, enfim, como uma viagem que se inicia relutante e se acaba a voltar a fita para trás num incandescente desejo de ouvir de novo. Façam de conta que estão a sintonizar uma qualquer estação radiofónica marroquina – aqui, rádio macau – e predisponham-se então a viajar comigo.

O DESCONCERTANTE “MUITO OBRIGADO” DEU EM “DESPERDÍCIOS”

O chefe do estabelecimento prisional de Lisboa saúda-vos!
Depois, enquanto a fita passa, o chefe discursa. Marcial.
Ao longe, um réptil ácido geme. Alto.
Sejam bem-vindos. Outro gemido.
Palo alto-falante, percebe-se que a vida treme, algures filtrada em ruídos tecnológicos. Sintetizadores. Acordes repetidos com uma sabedoria e corrosiva ironia.
No entanto, bate um coração. Com pressa.
Primeira surpresa – a electrónica finalmente torna-se visceral. Ao estímulo sonoro, corresponde imediatamente uma resposta sensorial não intelectualizada. Ao coração acontece bater. Apressado.
Intervenção do locutor de serviço para anúncio das horas e respectivo discurso balofo… the more you live, the more you love. Pois. E quanto mais amas, mais aprendes.
Intervenção do convidado, aparecendo de surdina pelo canal esquerdo… e por isso voltas sempre. Masoquista.
Farinha tem sempre voltado. Sempre insistido. Mesmo depois de conhecer como irmãs, as ruas da amargura do isolamento, da ignorância e do desprezo.
“Muito Obrigado” foi a experiência que traçou o início da música saloia de vanguarda. Não entendam como leviano ou menos sério, este conceito. A designação tem sido ostentada pelo próprio líder dos Ocaso Épico. E é de facto, uma escola.
“Desperdícios” será, se chegar a ver edição, a sequência lógica e certeira do colectivo que o ano passado se estreou em disco grande. Todas as propostas esboçadas em “Muito Obrigado”, espraiam-se em flagrantes desperdícios, mais sérios, é claro e mais musicais.
Tão grave a surpresa que tive, que durante algum tempo, pus de parte “Disintegration”, dos The Cure.
“Desperdícios, a música tem delirantes momentos de arrebatamento. Mas acaba por ser isso mesmo, um desperdício: quem irá comprar os seus discos? Talvez as mesmíssimas pessoas que adquiriram o primeiro disco daquele colectivo.
Final da faixa. Entra de novo o locutor – no ar – cursor em baixo.
O homem está farto de levar lambadas…
Grita. Mas não é o grito habitual. O homem grita um lamento. Tapa o nariz com dois dedos e bate com a mão em gume na garganta. Qual é o mesmo exacto da formulação do primeiro vocábulo – surgiu do grito, da dor – qual a passagem do ligeiro distender dos músculos até à gestualização da primeira gargalhada. Nada é explicado nesta teia de sonorizações repetidas mimeticamente. Que magia poderá ter uma flauta ilustrando um lamento. Melodias paralelas. Inexistência quase total de harmonias.
Ocaso Épico, um caso brilhante de aprendizagem.

FARINHA MASTER LEVA-NOS À CERTA

Já ninguém (quer dizer, eu) já não acreditava que a música deste colectivo, por vezes meras experiências esboçadas em intenções-performance, pudessem constituir surpresa, só por si.
Em “Desperdícios” a música desliga-se finalmente da performance, da relação directa como o espectador e torna-se brilhante. Brilhante na maneira como torna acessível a linguagem musical, normalmente hermética, do projecto liderado por Farinha Master.
Brilhante na facilidade de colagem de elementos ideológicos, apenas pela pesquisa de sons humanos, algumas vezes traduzidos em linguagem memorizada por máquinas.
Brilhante, porque tudo isso se torna lógico.
Tudo cola. As peças condizem umas com as outras. Pelas razões contrárias, creio que David Bowie falhou a sua mais recente experiência, Tin Machine.
Ocaso Épico – pensava já num caso arrumado. Ouvia com a curiosidade do exótico. Ia ver com a sensação do pitoresco. “Desperdícios” deu-me uma lambada. Bem feito.
Carlos Farinha vive de dependências. Formalizadas no conjunto das personagens-músicos que o acompanham.
Se antes, (e “Muito Obrigado” é disso um bom exemplo), a música dos Ocaso Épico era funcional e actuante sobretudo no contacto directo com o espectador, neste caso de “Desperdícios” faz-se notar finalmente o colectivo, indirecto.
Pode ser que tudo saia da cabecinha do veterano aglutinador master Farinha, mas o discurso musical das diversas personalidades está lá. Distinto. Cada personalidade, cada músico, dispõe duma atitude emocional, duma intrincada rede de estímulos precisos que dão identidade e ao mesmo tempo unidade ao colectivo. O somatório das atitudes conjuntas fornece finalmente um resultado, uma obra singular pelo emaranhado de estados de espírito, a necessitar de resposta imediata. Situação que até aqui só tinha sentido durante os concertos – as “bocas”, a provocação directa era outra das dependências de que este colectivo necessitava para mexer a máquina. “Desperdícios” distanciava-se.
A música cria, só por si, referências miméticas. Farinha gostava (gosta) de ser provocado. O colectivo provoca. Farinha não é agressivo. O colectivo é. Em “Desperdícios”, finalmente o público, (eu, ouvinte) fui provocado. Significante e significado encontram finalmente expressão na música dos Ocaso Épico. O diálogo existe. O espectáculo é, passa a ser a situação “ao vivo”, sozinho, em casa…
Final de emissão. Aqui rádio macau, directamente de Agadir. Boa noite…

TEMPORIZAÇÕES COM…

Nesta nova fase da vida dos Ocaso Épico (fase editorial), continuam a frequentar-se as escolas minimais-repetitivas, da música serial, das diferentes abordagens de música contemporânea, aliadas a um personalizado dramatismo lusófono (sobretudo patente no discurso ideológico de Carlos Farinha), ou como lhe queiram chamar, mas o que de mais importante se respira é a fundamentação duma antiga brincadeira do líder Farinha – a música saloia de vanguarda que eu definiria, com alguma leviandade, como a síntese entre as escolas citadas e um certo tom brejeiro, muito querido do mentor deste projecto.
Querido Farinha. Quem te viu e quem te vê. Já ninguém dava nada por ti e vê só o que fizeste.
Dei três passos à caranguejo e meia dúzia de cangaru, com coice de burro, a colmatar.
Isto é a mais surpreendente ponte sobre o Guadiana que podiam ter inventado.
“Desperdícios” faz renascer a esperança numa verdadeira música moderna portuguesa, para lá dos rebanhos intelectuais, dedicando-se a ser simplesmente diferente.
É nessa diferença que o colectivo Ocaso Épico se assume como único no nosso país. Mesmo que essa diferença torne infinitamente pequena, a distância entre outros projectos análogos.
“Desperdícios” é um trabalho incomum.
Mesmo muito incomum.

João Pedro Costa









Discussão sobre este concerto neste post do facebook:
https://www.facebook.com/groups/79267872910/permalink/10157106128627911/
atenção: é necessa´rio aderir ao grupo Ocaso Épico para ter acesso ao conteúdo da discussão




28.6.19

Pérolas & Preciosidades: Ocaso Épico c/ Anabela - Ao Vivo no Rock Rendez-Vous (1984)


Um grande obrigado ao Tiago Carvalho.

Ocaso Épico c/ Anabela 

Ao Vivo no Rock Rendez-Vous 

(1984)





Ocaso Épico e Farinha Master, cometas no panorama musical português. Cada vez gosto mais...

- Intro
- Desoriental
- Portugal
- Cortar ou Cortar-se
- Calhambeque
Passagem direta da cassete para o computador, sem qualquer tratamento de som. Quem quiser dar uma melhorada, posso enviar a wav... [TC]












Quem quiser a versão original e de melhor qualidade, em WAV, do concerto, envie email.












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