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10.12.21

Livros sobre música que vale a pena ler - Cromo #92: Vários (Fernando Cerqueira + Luís Van Seixas: SPH + Thisco - "Isto Vai Acabar Em Lágrimas"


 


autor: Fernando Cerqueira + Luís Van Seixas: SPH + Thisco
título: Isto Vai Acabar Em Lágrimas"
editora: Thisco / Nariz Entupido / Chili Com Carne
nº de páginas: 144
isbn: 490096/21 (Depósito Legal)
data: 2021
Primeira Edição.





Edição comemorativa dos 30 anos da Editora SPH e dos 20 anos da editora Thisco.
Conta a história desta 2 editoras, intimamente ligadas, desde logo através dos seus mentores e impulsionadores de sempre: Fernando Cerqueira e Luís Van Seixas.
Esta história é contada, sobretudo, através de duas grandes entrevistas aos citados Fernando e Luís, que ocupam a grande maioria do conteúdo do livro.
Este conteúdo é completado por um prefácio de Carlos Matos, um texto final de Rui Eduardo Paes e um pequeno texto de Rapoon.
Completa o livro a discografia completa das duas editoras, para além de fotos de muitas capas dessas mesmas edições, cartazes e outro tipo de memorabilia associada às editoras.

ISTO VAI ACABAR EM LÁGRIMAS
30 anos da SPH e 20 anos da Thisco
Entrevistas a Fernando Cerqueira e Luís Van Seixas por Afonso Cortez.
Outros textos por Carlos Matos, DJ Balli, Rapoon e Rui Eduardo Paes.
Lançamento no âmbito da Comemoração dos 30 anos da SPH e dos 20 anos da Thsico no Desterro (Lisboa) no dia 26 de Outubro e na S.M.U.P. (Parede) com exposição e concertos entre 22 e 23 de Outubro, organizado pela Nariz Entupido [narizentupido.com] com a Chili Com Carne [chilicomcarne.com] e Thisco [thisco.net]
volume 13 da colecção THISCOvery CCChannel, publicado pela Chili Com Carne e Thisco com o apoio à edição de João Castro (Nariz Entupido) com capa de André Lemos e arranjo gráfico de Joana Pires.
D.L.: 490096/21
Impresso em Outubro de 2021 na Rainho & Neves, Portugal


Aqui fica o texto de Rui Eduardo Paes:

Retrato De Uma Pessoa Difícil
O Fernando Cerqueira é a pessoa mais difícil que eu conheço nos meandros da música. A nossa e a de todo o mundo. Gosta muito pouco do que ouve, fala mal até dos músicos e dos projectos cuja validade parece ter sido aceite por toda a gente, e discorda de quase tudo o que se lhe diz. Poderia limitar-me a escrever aqui que ainda bem, pois são necessárias vozes dissidentes, contestatárias e questionantes, na boa tradição do Discordianismo das badges que alfineta nas lapelas do casaco. O tipo é irritante para caraças, mas eu agradeço-lhe o "ser do contra": mantém-nos alerta e críticos, autocríticos sobretudo. Acontece que, pelos vistos, não é sempre assim: que mantém uma editora discográfica como a Thisco durante tantos anos, e quem agora retoma um velho selo como a SPH, que foi um oásis editorial no campo do experimentalismo em tempo de vacas magras, é porque acha que músicas existem merecedoras de divulgação e partilha.
Músicas e não só, tendo em conta que o mesmo Cerqueira é parceiro da Chili Com Carne na publicação de livros numa colecção específica: a Thiscovery CCChannel. Há ensaios sobre (ou não, tendo em conta as compilações pensantes Antibothis ou o volume da Ondina Pires sobre o cinema maldito de Kenneth Anger) música que ele acha válidos e importantes de imprimir em papel. E pelo que verifico na bibliografia da CCChannel, sou eu o autor mais publicado, o que para mim significa que o rapaz até gosta do que escrevo. Mais incrível ainda, na retoma musical que fiz recentemente com os Astronauta Desaparecido (não, não foi um regresso do duo, e sim um intervalo no silêncio), ouvi dele num pós-concerto uma palavra que valeu por toda uma frase: «Gostei.» Nem queria acreditar.
Nestes últimos tempos em que a iliteracia e a estupidificação millennial vêm levando a que muitas pessoas tenham perdido a capacidade de interpretação do que lêem, editar um autor nada convencional como este que se assina é uma aventura de altíssimo risco. Tenho para mim que Fernando Cerqueira e Marcos Farrajota (o anti-boss da Chili Com Carne) só podem ser loucos, mas ainda bem que existem e estou-lhes muito grato por isso, pssss, companheiros, estou a preparar um novo livro. Publicam? Eu sei que o último não vendeu, tão esquisito e tão pouco hypster que era, e que têm os exemplares amontoados em baixo das camas, mas enfim, também sei que é de causas perdidas que vocês gostam...
Rui Eduardo Paes
Linda-a-Velha, 6 de Julho de 2021

Além da editora Thisco, que se mantém em atividade, e cujo link acima deixo, também aqui fica o link do bandcamp da SPH, editora agora "ressuscitada" e já com dezenas de edições, muitas delas reedições da primeira encarnação da SPH mas também já com muito material novo, isto é, nunca editado.
Passem por lá e comprem. Vale a pena a música e os preços são quase de saldo.

https://sphmusic.bandcamp.com

Ah, e também podem lá adquirir o livro, pela módica quantia de 10€... e mais, com um CD do Merzbow atachado. Que querem mais?

https://sphmusic.bandcamp.com/merch/isto-ai-acabar-em-l-grimas-livro-sobre-30-anos-sph-20-anos-thisco-cd-dust-of-dreams-de-merzbow




(outro) EXEMPLO DE EDIÇÃO:





22.1.21

SPH - recordação de uma editora (artigo)


 O presente artigo, versando a editora portuguesa SPH, que atingiu alguma notoriedade, nacional e internacional, no início os anos 90, faz parte do fanzine Eletric Shock Treatment, número 4.

Para obtenção do fanzine completo, enviem email.

SPH















17.3.16

Memorabilia: Revistas / Magazines / Fanzines (186) - Ananana (newsletter/catálogo)


AnAnAnA
newsletter / catálogo - distribuidora/editora
Catálogo
Primavera 1992
Portugal
32 páginas A4, dobradas para A5. Capa e contracapa em cartolina salmão. Restantes páginas em papel normal.
Aspecto muito cuidado.
A maior parte é constituída por notícias (Soltas, Novidades, etc.), depois discos com recensão/descrição, seguindo-se lista de venda e, nas páginas finais, pequenos artigos.
Fica, como exemplo os dedicados aos Death In June, a Peter Frohmader e à editora de cassetes nacional SPH.


Death In June


Formados no início da década de 80, os Death In June sempre tiveram a particularidade de causar algum mal-estar aos seus ouvintes, não só pelas simbologia por si adoptada como pelos próprios textos das composições.
No entanto, não podemos deixar de admitir que o grupo se tornou conhecido por outros factos, além daquele acima referido. Ainda que nos primeiros anos de vida os temas compostos pelo trio não atingissem um grau de inovação importante, o ano de 1984 seria fulcral para a história do grupo, com a edição do álbum "Nada!". "Nada!" viria a ser um disco intensamente ambíguo, pois nele os Death In June não só faziam uso de uma composição sonora vela e muito frágil - consolidando-a com uma mão-cheia de textos violentos e polémicos - como utilizavam um tipo de simbologia que faria com que o público (e alguma parte da crítica) o ligasse a movimentos fascistas.
Com o grupo a ganhar um maior apoio do público (e também maior polémica), o período seguinte seria particularmente duro para a sua sobrevivência, com a saída de alguns membros causando uma óbvia desestabilização. Felizmente, tudo se resolveria pelo melhor, com os Death In June a trnasformarem-se num projecto de um só indivíduo - Douglas P.
Dois anos após esta agitação era a vez do regresso à actividade, com a edição do duplo LP "The World That Summer". Ainda utilizando o mesmo tipo de construção sonora, agora denotava-se uma faceta experimental/obscura mais dominante, devido à presença do maquiavélico David Tibet, dos Current 93. No ano seguinte, outra surpresa, com o lançamento do LP "Brown Book", incluindo ainda a colaboração de Tibet, mas agora ajudado por John Balance (Coil) e Rose McDowell, entre muitos outros.
Estes dois álbuns seriam posteriormente compilados e editados em dois CD's: "The Corn Years" (de 89, posto no mercado ao mesmo tempo que um novo disco de originais, "The Wall Of Sacrifice") e, mais tarde, "The Cathedral Of Tears", este contendo os temas mais obscuros e ainda trechos originais.
À vossa disposição estão agora estes dois CD's - "Nada!" e "The Cathedral Of Tears", no entanto, esperamos em breve importar a restante discografia dos Death In June em formato digital.




Peter Frohmader


É um dos mais inventivos e prolíficos compositores dos dias de hoje, tendo já lançado inúmeros álbuns, cada um com o seu estilo individual característico.
Nascido em Munique em 1958, Peter começou a mostrar interesse na música aos 13 anos. Na década de setenta esteve envolvido em inúmeros estilos musicais, mas foi em 1979 que fundou a sua companhia - Nekropolis - para dedicar-se a sério às suas próprias ideias musicais.
Os seus quatro mais recentes trabalhos (que testemunham uma total adopção do formato digital), mostram um Peter mais maturo, igualmente experimentalista, tal como sempre foi, mas muito mais atraente. Como sempre nos habituou, Peter continua a fabricar as suas composições com material electrónico, mas nestes quatro últimos trabalhos podemos encontrar "paisagens" tão diversas como um quadro negro surrealista ("3rd Millenium's Choice Vol. 1"), uma breve e brusca miniatura mitológica ("Miniatures") ou estranhas composições semelhantes a paisagens agrestes e supersticiosas ("Armorika" e "3rd Millenium's Choice Vol. 2 inc. Alaska").
Podemos em quase todas as obras de Frohmader identificar um tempo ou um lugar, no entanto o compositor insiste no facto de que "todas as minhas inspirações partem da minha própria mente, são totalmente imaginadas por mim. Não existe qualquer tipo de referência geográfica nos meus discos".




SPH



Formada há relativamente pouco tempo, a SPH tem vindo a desempenhar um papel importante na divulgação das sonoridades mais radicais provenientes de todo o mundo. É bem possível que à partida as pessoas vejam pouco interesse numa editora de cassetes, já que ultimamente têm surgido pelo nosso país inúmeros projectos por demais amadores; no entanto poderemos afirmar sem sombra para dúvidas que a SPH segue, em alguns aspectos, a linha de algumas outras etiquetas portuguesas, como a já desaparecida Facadas na Noite e a menos activa actualmente Tragic Figures. A SPH pode, porém destacar-se perfeitamente desses dois projectos, não só pela sua insistência nos sons mais radicais (experimentais, electro-industriais ou mesmo ambientais) mas também por apresentar todo o seu material em embalagens de luxo totalmente coloridas.
Outro aspecto importante é a sua força: até hoje foram editadas cerca de 30 cassetes, mas já estão previstas novas edições no futuro próximo.
A Ananana tem assim o maior prazer em apresentar aos seus clientes um dos mais interessantes projectos editoriais nacionais da actualidade, deixando à sua escolha uma enorme variedade de títulos, desde os nacionais Croniamantal e Ode Filípica (que lançarão um 7" numa etiqueta germânica muito brevemente) aos mais divulgados Smersh, Klimperei, Brume e De Fabriek, ou ainda a outros tantos como Alvars Orkester, Terrorplan, Dopelwirkung, DSIP, Nomuzic ou Sebastian Gandera.






22.2.15

Memorabilia: Revistas / Magazines / Fanzines (31) - Portal da Gafaria - Nº 1 - 1992?


Portal Da Gafaria
Nº 1 - (1992?)
32 páginas + 12 páginas (suplemento sobre a cassete/bandas que acompanhava o fanzine9
preço ?


Não sei quantos números foram editados deste fanzine com origem em Setúbal.
Fica aqui o testemunho relativo ao número 1.
Um dia destes coloco o áudio da cassete que o acompanhava no youtube e no mixcloud.



Editorial
Fanzinomaníacos!
Nasceu mais uma publicação irregular destinada às áreas mais "marginalizadas" - Portal da Gafaria.
Como objectivos primordiais realçamos: A veiculação de informação e divulgação dos mais variados assuntos assim como algum entretenimento.
Para além do fanzine também lançámos, conjuntamente, uma cassete com bandas portuguesas. Assim como o seu respectivo suplemento, que esperamos se mantenha nos próximos números.
Destaco dois nomes sem os quais esta publicação não teria visto a luz do dia: Lino Pedrosa e Abel Raposo.
Pensamos que será importante receber as vossas críticas e possíveis futuros colaboradores, com vista a melhorar a p´roxima edição.
Aqui fica o nosso contacto:
"Portal da Gafaria"
Rua Eça de Queiroz, N. 22
2900 Setúbal   Tel. 065/702230
See You!
Pedro Navalho
Responsável
Pedro Navalho
Grafismo e Montagem
Abel Raposo
Computer Gafix
Lino Pedrosa
Fotografia
Marco Dias
Publicidade
Jorge Silva
Colaboradores
António Caeiro
João Correia
Luís Pacheco
Luís Navalho


SPH
Editora Com Objectivos Prometedores E Inovadores

Formada no final do Verão do ano passado (Setembro '91) a SPH tem vindo a implantar-se, quer no plano nacional quer internacionalmente. Logicamente, todo o destaque vai para o mentor, desta (para já) editora de cassetes. Fernando Cerqueira. Nesta entrevista, para além de se abordar a editora também se acabou por falar de alguns problemas vigentes em Portugal.

P.G. - Queria que descrevesses a "história" da SPH, como é que tudo começou?
Fernando Cerqueira - Foi a partir da edição de um fanzine e uma cassete, dos quais fiz cem exemplares. Postriormente comecei a ter contacto com uma série de grupos e fiz algumas compilações. Depois passei a contactar cada vez mais grupos, acabando por ir mais longe do que inicalmente previsto.
P.G. - A tuas edições, até ao momento, são só em cassete?
Fernando Cerqueira - Sim. Houve a possibilidade de um disco, só que me meteram um bocado de "medo" em relação a isso. Actualmente existem algumas possibilidades de uma compilação em CD com a colaboração dos Vitriol e Vcorux AEIA e talvez com o Vítor Rua pelo meio, uma grande produção. Só que é necessário muito dinheiro e as estruturas quase não existem e sem divulgação ninguém sabe o que se passa.
P.G. - O que é que pretendes atingir com a editora, ou seja quais são os teus objectivos principais?
Fernando Cerqueira - Pode ser uma trivialidade, mas fazer com que Portugal pelo circuito internacional da música. Possibilitar que outros grupos apresentem os seus trabalhos, para já em cassete, e divulgá-los lá fora, já que em Portugal é muito difícil. Os objectivos são muitos, existe a possibilidade de fazer um espectáculo de uns tipos norte-americanos só que não encontro espaço, e por outro lado como o grupo é desconhecido não sei se alguém vai ver. É tudo muito arriscado. No fundo o grande objectivo é lançar novos grupos, principalmente, portugueses.
P.G. - Como é que efectuaste os contactos para a edição do material com os diversos projectos envolvidos na tua editora?
Fernando Cerqueira - Contactei directamente com os grupos. Ou no caso do grupo estar à frente de alguma editora, o que acontece muitas vezes, e que eles oferecem-se para editar uma cassete e acaba por haver trocas de material. Por outro lado, tenho montes de cassetes e emprestam-me também cassetes antigas, que ainda cont~em contactos válidos.
P.G. - É muito difícil dirigir uma editora?
Fernando Cerqueira - Dificílimo. Dirigir todo este material, mandar para os estrangeiro para promoção, para fanzines, etc. Outro problema é relativo às distribuidoras, eu mando-lhes trabalhos e só tempos depois é que me pagam. Além disso como trabalho de dia, só tenho a noite e o fim de semana livres para me dedicar a isto. Agora já estou a atrasar mais as coisas para ver se me "dão" mais algum dinheiro para poder investir. Entretanto vão aparecendo uns anúncios no "Blitz"... o que me tem safado mais são as distribuidoras alemãs, já que em Portugal a Ananana lá vai dando uma ajudinha mas que acaba por não chegar a nada. Pronto, é muito difícil e dispendioso mas eu sempre pensei que houvesse pessoal curioso.
P.G. - Mas segundo o que me parece, tu vês mais os problemas das infraestruturas e não dos músicos?
Fernando Cerqueira - É lógico que os músicos também são um bocado culpados. Não a este nível, mas a outros: Eles tentam-se sempre suplantar uns aos outros. No que diz respeito às infraestruturas pode ser que aqui a algum tempo se comecem não a ajuntar mas a não ter problemas com este ou aquele e se comecem a organizar espectáculos para ter acesso às coisas.
P.G. - Há pouco falaste da Alemanha, onde existem associações de músicos alemães. Que pensas desta ideia em Portugal?
Fernando Cerqueira - Isso seria no mínimo excelente. As pessoas uniam-se e arranjavam forma de criar um pequeno circuito e as coisas naturalemnte aconteciam. No meu caso pessoal estou a trabalhar sozinho e necessitava de mais pessoas e mais dinheiro. Eu já participei em algumas cooperativas e nunca deu nada, porque houve interesses. No meio disto tudo ninguém é nada e há que querer ser o maior.
P.G. - Qual o critério que usas para editar cassetes?
Fernando Cerqueira - Inicialmente foi mais por amizade, estar em contacto com os grupos. O critério era de editar música "tecno" com músicos experimentalistas, mas depois as coisas começaram a avançar para campos mais conhecidos. Actualmente as edições baseiam-se em ambientes obscuros, experimentais e alguma coisa tecno.
P.G. - E a nível de vendas, elas naturalmente são maiores no estrangeiro?
Fernando Cerqueira - Sim, eles têm outras estruturas. Vou-te citar um exemplo. Os franceses BRUME. Eles cá em Portugal, quer pela Ananana quer pela minha editora, não "pegaram" e são realmente bons. No estrangeiro tenho um pedido de quinze exemplares de uma editora alemã.
Pedro Navalho / Lino Pedrosa
Contacto:
SPH, Apartado 223
2780 Oeiras






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