GEORGE GARSIDE é um dos que eu denominaria como um novo
talento da nova música electrónica do Reino Unido, uma geração de sintezistas
cujas ideias estão muito próximas de Berli School. Até ao momento Garside
produziu três cassetes distribuídas por ele próprio. O seu interesse pela
música electrónica começou quando tinha 15 anos. Começou experimentando com 2
decks de tape mono e utilizando um velho órgão electrónico.
Abandonou os seus estudos de música electrónica na escola
e durante as tardes tocava bateria juntamente com os amigos em Londres. Em 1984
construiu o seu primeiro sintetizador montado com circuitos que adquiriu numa
loja de materiais electrónicos. Posteriormente substituiu a sua bateria por uma
SYNDRUM. Com isto e mais um ROLAND SH101, um sintetizador OCTAVE CAT e a ajuda
de dois pratos gravou “OASIS”, a sua primeira cassete.
Um bom trabalho de música electrónica, onde as passagens
sinfónicas e electrónicas se eregem como verdadeiras porta-vozes das ideias de
GARSIDE. Possui verdadeiras maravilhas como “JOURNEY TO OASIS”, “LANDSCAPES”,
“GATES OF OASIS”, ou “RIVERSIDE DUB” , este último gravado através do sistema
de “Cabeça artificial” e se deve escutar com auriculares, de forma a captar
todo o efeito no seu máximo esplendor. Foi editada na INTEGRATED CIRCUITS
RECORDS, de YORK, na GRÃ-BRETANHA.
Em 1985, GARSIDE autoeditou a sua segunda cassete
“RAINSONG” acrescentando ao seu conjunto de instrumentos um YAMAHA SK10
(sintetizador de cordas). Segue os caminhos já pisados anteriormente ainda que,
quiçá, o som se tenha refinado um pouco e a a composição nota-se que foi mais
trabalhada. Em geral, gosto de todo o trabalho, mas o tema que ocupa todo o
lado 2 da cassete, “MONOLITH” é um autêntico prazer, onde se pode dizer que
GARSIDE alcança elevados níveis de imaginação e técnica nos teclados. A última
aquisição deste músico britânico é um sintetizador polifónico CASIO CZ101 e um
gravador de 4 pistas.
Juntamente com a reconstrução da sua mesa de mistura e o
seu novo kit de bateria electrónica, GARSIDE gravou a sua terceira cassete:
“NEW LAND”, sem dúvida a melhor de todas e também ela autoproduzida. Como
disse, “NEW LAND” é a sua obra mais trabalhada e mais técnica. Nada se
desperdiça, ainda que saliente “LIZARD POINT” e “THERE AND BACK”, os seus temas
mais rítmicos.
A história de GARSIDE como podem constatar é pois muito
curta ainda, mas através das suas três cassetes demonstrou já que é uma dessas
personalidades cuja carreira, a partir de agora, devemos seguir com atenção.
Todas as cassetes gravadas são de Chrome, a apresentação
é boa e a sua música muito interessante e altamente recomendada para todos os
que gostam de música electrónica. Assegura-nos que não é influenciado por nada,
mas que gosta dos Tangerine Dream, um bom ponto, penso, para referenciar a sua
música. Encontra-se neste momento a preparar a sua quarta cassete, que ainda
não foi pois publicada. GARSIDE distribui as suas cassetes por correio ao preço
de 3,5£ cada, incluindo os portes de envio.
IAN BODDY é sem dúvida, um músico importante dentro da
música electrónica. Já há algum tempo que desejava falar dele e agora,
aproveitando a sua recente edição do seu terceiro LP decidi-me então a fazê-lo.
Ele começou como a maioria dos músicos, fazendo música em casa. Em 1980
publicou a sua primeira cassete, intitulada “IMAGES” através do selo independente
(especializado em cassetes) MIRAGE. A verdade é que parece mentira que uma
pessoa que acabava de começar pudesse fazer semelhantes jóias como “FLOATING”
ou “VICEVERSA”, que merecem, por mérito próprio ser alcandorados à categoria de
“soberbo”. Os sintetizadores, principalmente os ROLAND (CSQ-100, RE-501 e SH-2)
dominam esta música fantástica.
Em 1981, também pela MIRAGE, edita a sua segunda cassete “ELEMENTS
OF CHANCE”. O melhor deste trabalho, o extenso “FOUR VIEWS”, um tema genial,
dividido em quatro partes, passando de uma para outra quase imperceptivelmente,
sem te dares conta. Começa, durante uns poucos minutos com flauta, até que os
sintetizadores terminam abrangendo tudo.
“OPTIONS” é a sua terceira cassete, editada igualmente
pela MIRAGE. Contém material de estúdio e parte de um concerto no SPECTRO ART
WORKSHOP de NEWCASTLE UPON TYNE. Indubitavelmente IAN BODDY encontrou e assentou
o seu estilo, e esta não é mais do que outra preciosidade como aquelas que já
nos tinha habituado. Nesse mesmo ano, 1982, colabora com dois temas para o LP “FLOWMOTION”,
publicado pela INTEGRATED CIRCUIT RECORDS. Em 1983 colabora com temas para as
cassetes “VISIONS”, “RISING FROM THE RED SAND VOL 4” da THIRD MIND RECORDS e “INTEGRATION”
na ICR.
“THE CLIMB” é o seu primeiro LP, publicado pela etiqueta
independente SIGNAL (actualmente descatalogado). Para mim é o seu melhor disco.
“KINETICS” é totalmente rítmico, em boa parte devido ao labor de GLYN BUSH no
baixo, mas o que mais me entusiasma é “DEJA VU”, um extenso tema de mais de 12
minutos, tema chave na carreira de I. BODDY. À parte a grande quantidade de
sintetizadores, mostrados na contracapa, utiliza ainda o FAIRLIGHT C.M.I.
“SPIRITS” é o seu trabalho seguinte. Gravado entre
1983/84 pelo selo NEWCASTLE MEDIA WORKSHOP. É também um bom trabalho de música
electrónica, mas não tão bom como “THE CLIMB”. O melhor é o extenso tema que ocupa
todo o lado 2 e que dá o título ao disco. Além de I. BODDY nos sintetizadores,
ele é acompanhado por BRIAN ROSS (vozes) e IAN McCORMACK (bateria). Menção
especial para DAVID BERKELEY, acompanhante de BODDY nos concertos e um pouco o
seu assessor cerebral, na sombra.
Depois da gravação de “SPIRITS”, I. BODDY embarca em
digressão através das ILHAS. Inclui
concertos no MAN & MACHINE FESTIVAL de STOCKTON, IPSWICH TOW HALL,
RIVERSIDE, NEWCASTLE UPON TYNE e finaliza a sua tournée no UK ELECTRONICA’85 de
SHEFFIELD.
O seu ultimo LP, “PHOENIX” apareceu há alguns meses, na
sua própria etiqueta, SOMETHING ELSE RECORDS. Ainda que sendo um disco electrónico
desvia-se um pouco para essa outra faceta que é o sinfonismo. O bombástico é
por vezes a nota dominante. O melhor, “THE NECROMANCES” e “WATERSWAY”. É
acompanhado por DAVID BERKELEY (sintes), PETE GREENWAY (saxos), STUART HAIKNEY
(percussão) e ANNA ROSS (vozes). Foi gravado em NEWCASTLE entre Janeiro e Maio
de 86. Nesse mesmo ano dá alguns concertos (algo que IAN BODDY está acostumado
a fazer) no PURCELL ROOM de Londres e de novo no LOTUS ELECTRONICA’86 em STOKE
ON TRENT.
As cassetes de I. BODDY podem conseguir-se, todavia,
através da MIRAGE, e ainda que estejam esgotadas aconselho-os a pedir o
catálogo da MIRAGE, onde encontrareis verdadeiras surpresas, pois é, quiçá, o
melhor catálogo especializado em cassetes da GRÃ-BRETENHA.
MIRAGE
612
SOUTHMEAD ROAD
FILTON
BRISTOL
BS12 7RF
ENGLAND
“SPIRITS” e “PHOENIX” podem obter-se por correio através
do contacto com o próprio IAN BODDY, ou seja, da sua editora, a SOMETHING ELSE
RECORDS.
Eu importei 10 cópias, das quais só me restam 3, para os
primeiros que cheguem, sendo o seu preço 1.100, - Ptas. Contra reembolso.
SOMETHING
ELSE RECORDS
P.O. BOX
3, ROWLANDS GILL
TYNE
& WEAR, NE 39 1 HP
ENGLAND
ENTREVISTA COM IAN BODDY
SYNTORAMA: Tu já editaste trabalhos em cassete e em LP,
pensa editar mais trabalhos em cassete?
IAN BODDY: Não, penso que a partir de agora toda a minha
música será editada em vinyl, e espero que num futuro não muito longínquo,
também em disco-compacto (CD). Este último media é o ideal para a música
electrónica porque reproduz os sons com clareza.
SYNTORAMA: Como vês o panorama dos concertos ao vivo? Normalmente
tocas ao vivo?
I. BODDY: Gosto muito de tocar ao vivo. Parece-me que as
horas e horas de programação no estúdio têm mais valor. Não há muita gente que
toque música electrónica ao vivo, e dos que tocam muitos não o fazem como deve
ser. Gostaria de actuar em mais concertos. De resto, planeámos em INGLATERRA
mais concertos dos que na realidade conseguimos depois contratar (à volta de
50). Penso que é muito importante tocar ao vivo porque muda a mística da música
electrónica e faz parece-la mais humana, em vez de ser apenas criada por
computadores no estúdio.
SYNTORAMA: Quais são os principais problemas com que te
deparas para distribuir os teus discos?
I. BODDY: O meu problema (e objectivo) principal no que
toca à distribuição é ter bons contactos, especialmente no estrangeiro. São
eles que me ajudam a arriscar nos meus discos.
SYNTORAMA: Manténs-te interessado nas novas técnicas e
instrumentos?
BODDY: Sempre estive. Apenas posso dominar aquilo com que
trabalho, elegendo para isso os instrumentos que uso actualmente. Procuro para
cada tema o instrumento que me dá o som correcto para o mesmo, seja a
pandeireta, o saxofone ou o YAMAHA DX7. Recentemente ocupei muito do meu tempo
em experimentações com amostras de som (samples), usando o AKAI S900, que me dá
acesso a muitas texturas étnicas e me fez trabalhar com um pouco de calma. Sons
como a flauta de bambu, a sitar ou o gamelão.
SYNTORAMA: Por que incluis outros instrumentos e vozes
nos teus discos?
I. BODDY: Basicamente, penso que as fontes puramente
sintéticas de som não são o único caminho com o qual eu quero compor. Usarei
sempre aquilo que creia necessário para fazer um tema.
SYNTORAMA: Pensas que a música electrónica em INGLATERRA
está neste momento com a qualidade da música electrónica na Alemanha e nos EUA
(em geral)?
I. BODDY: Creio que a música electrónica em Inglaterra
melhorou muito nos últimos cinco anos, e agora pode considerar-se de qualidade
equivalente aos exemplos que me citaste. O mal da Alemanha é que infelizmente
resvalou devido a muitas produções de qualidade inferior. Os EUA têm,
provavelmente, a cadeia mais organizada e comum de artistas de qualidade
similar e superior.
SYNTORAMA: Quais são os teus próximos projectos?
I. BODDY: Incluem a preparação de outra série de
concertos. O primeiro foi realizado em Maio em Newcastle. O seguinte será em
Agosto, em Londres. Também estou a trabalhar num novo álbum que me está a dar
um prazer enorme. Terá um som distinto dos anteriores trabalhos. Nele
utilizarei muitos samples de sons étnicos. Em muitos dos temas uso escalas
orientais, tais como a pentatónica e a javanesa. Não tenho ainda, todavia, data
de términus.
-- Entrevista realizada por correio em finais do mês de
Junho. --
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LULU (versões mais antigas - com alguns textos em falta, entretanto descobertos. Tal já não acontece com as versões mais actuais, publicadas agora na Bubok - Portugal - ver acima)
Volume 1 - 1988/1991
Volume 2 - 1992/1994 (460 páginas, formato maior que A4)
Volume 3 - 1995 (336 páginas, formato maior que A4)
Volume 4 - 1996 (330 páginas, formato maior que A4)
Volume 5 - 1997 (630 páginas, formato maior que A4)
Volume 6 - 1998 (412 páginas, formato maior que A4)
Volume 7 - 1999 (556 páginas, formato maior que A4)
Volume 8 - 2000 (630 páginas, formato maior que A4)
Volume 9 - 2001 (510 páginas, formato maior que A4)
Volume 10 - 2002 (428 páginas, formato maior que A4)
Volume 11 - 2003 (606 páginas, formato maior que A4)
Volume 12 - 2004/2005 (476 páginas, formato maior que A4)
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