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26.3.21
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Music From The Empty Quarter
27.11.17
Memorabilia - Postais - Music From The Empty Quarter
Music From The Empty Quarter - Nº 7
promocional do álbum de
Music From The Empty Quarter - Nº 7
Magazine
Esta revista já foi anteriormente aqui falada, com dados sobre a mesma e algum conteúdo...
18.4.15
Memorabilia: Revistas / Magazines / Fanzines (57) - Music From The Empty Quarter - Nº 5 - Maio de 1992
Music From The Empty Quarter
Nº 5 - Maio de 1992
£1.50
84 páginas A5 a p/b, sendo capa e contracapa em papel brilhante grosso
ISSN 0964-542X
In The Nursery
Sensorium by Robert H. King
A informação que se segue foi obtida através de conversas telefónicas e mensagens de fax trocadas na parte final da sua digressão Europeia, além de dados obtidos dos nosso arquivos. Toda a correspondência foi trocada com Klive Humberstone.
A força da música dos In The Nursery reside num fundo musical composto de percussão. Batidas de tambores militares e penetrantes nos tímpanos permanecem bem visíveis/audíveis banhadas e arranjos baseados na música clássica, por violoncelo, violino, piano, órgão e metais. Os resultados são fantásticas paisagens sonoras que nos conseguem, em simultâneo, inspirar e intimidar.
Desde o seu início que a aplicação e efeitos de percussão formaram uma matéria inata ao grupo. A história revela-nos que os irmãos gémeos Klive e Nigel Humberstone e a sua acompanhante Ant Bennet sempre usaram três tambores militares na criação dos seus primeiros trabalhos discográficos When Cherished Dreams Come True, um mini-ábum de seis faixas e o single Witness, ambos editados através da editora Paragon, em 18«983. O álbum vinha acompanhado de um vídeo de forma a expressar melhor o engrandecimento da visão dos ITN. Serigrafando todas as capas (gatefold) desdobráveis de forma manufacturada, também marcaram um precedente de qualidade e originalidade no seu trabalho. A sua música teria de se esforçar ao máximo para se tornar um standard e também crescer cada vez mais.
"A cena musical em Sheffield nessa época era muito prolífica. Havia um entusiasmo saudável por música ao vivo e, consequentemente, havia um grande número de salas de espectáculo. Suponho que a etiqueta "Industrial" descreve de forma mais adequada o período da nossa formação, apesar de a nossa música de então ser principalmente influenciada por gente como os Joy Division. Penso que foi a música deles que nos inspirou a pensar que nos poderíamos expressar de forma mais completa."
Em 1985 os ITN mudaram-se da editora Paragon para a NER dos Death In June.
"A Paragon nunca foi uma verdadeira editora. Era mais um veículo para nós produzirmos em massa e editar a nossa música. Sendo a razão inicial uma crença apaixonada de um certo Marcus Featherby pelo nosso trabalho artístico, a nossa atitude e finalmente a nossa forma de expressão através da música. A ligação com a Paragon nunca foi mais do que uma amizade e uma forma de compreensão."
A NER editou o 12" Sonority. A banda também contribuiu para a colectânea da editora e depois mudámos de novo. A guitarra convencinal e baixo foram abandonados pelo desejo dos ITN por meios mais criativos com os quais queria produzir a sua música. Nigel parou de tocar notas no seu baixo, preferindo o som criado por um deslizar de arco contra as cordas e tocando assim através de um efeito fuzz. Klive começou a ir a perfomances da Sheffield Philharmonic Orchestra, o que o fez despertar para a possibilidades de utilizar tonalidades clássicas na música dos ITN. O 12" Sonority mostrava já os primeiros passos destas novas influências. Apesar do sucesso artístico do single, a qualidade do som era desapontadora. A sua pesquisa para ultrapassar inicialmente as tecnicidades conduziu-os a Snake, que consequentemente foi o engenheiro de som de Temper, o seu primeiro trabalho para a nova editora Sweatbox.
Empurrados pelo sucesso de Temper, Klive e Nigel definiram mais claramente um caminho que prosseguiram, enquanto Ann Bennet partiu para prosseguir com o seu próprio projecto Fabricata Illuminata, que na verdade nunca chegou a arrancar.
"A separação foi amigável entre todos nós. Os estilos musicais diferenciados são evidentes no EP Temper onde todos nós escolhemos contribuir com faixas separadas durante a fase de gravação".
Continuando como um duo, os ITN desvendaram então o seu primeiro trabalho de longa duração na Sweatbox.
"Atingimos definitivamente o ponto que desejávamos para nos exprimirmos através de música onde onde não tínhamos então qualquer constrangimento devido a limitações de conhecimento sobre como criar os sons que queríamos. Assim, tivemos mais liberdade para experimentar e encontrar o nosso "próprio" som. As influências das audições de música clássica, descobrindo compositores como Bartok, Schostakovich e Bruckner deram-nos uma nova vitalidade e inspiração para tomarmos a direcção que desejávamos. Eu não vejo que essa alteração tenha sido feita de modo intencional, foi mais uma progressão natural e uma procura da perfeição."
Os cantos búlgaros influenciaram também a turbulência da faixa-título e também o conto sombrio que é The Outsider e nas forças retemperadoras de Workcorp. Twins é um álbum de muitas e agudas voltas e revoltas, ideias deitadas cá para fora, conduzindo o ouvinte para a frente e para trás através de canções que não só mostram uma mestria agressiva da percussão, mas também as próprias personalidades de Klive e Nigel Humberstone. Muitos dos arranjos de Twins trouxeram para a visibilidade a inclinação dos ITN por formas clássicas.
Em 1987, os ITN foram reforçados pelo tamborista militar Q. Trinity, um 12", foi editado pela Sweatbox em Maio deste ano. Este excelente disco foi um sucesso total. O poder e a emoção da música é intensificado por letras anti-guerra, impressas em inglês, alemão e francês e narradas pela vocalista Dolores Marguerite C. O passo seguinte dos ITN envolvia a tarefa de compôr uma banda sonora para um filme não realizado, Stormhorse. A sua mestria quer nos instrumentos sintetizados quer nos instrumentos reais, assim como os arranjos clássicos produziram uma autêntica obra de luxo. Enriquecida novamente por Q. e por Dolores, a força e a identidade de tais peças musicais como Miracle Of The Rose e Counterpoint eram tais que quase temos a certeza que a banda sonora engradeceria o filme se este fosse realizado. Stormhorse é por direito próprio uma obra clássica e assim ficará por muito tempo, uma obra-prima de arranjos tecnológicos e instrumentais combinados.
O resto do ano de 1987 viu ainda ser editado o mais conseguido dos trabalhos em 12" dos ITN, Compulsion, que dispara no arranque e não mais pára para olhar para trás. A maré em ebulição dos tambores militares empurra os calcanhares que cavam no chão. Tendo refinado as suas capacidades durante a digressão que empreenderam, os manos Humberstone voltaram ao estúdio para gravarem e produzirem Koda. Partindo de imagens de mistérios antigos com títulos de canções como Rites e Scherzo, Koda baseia-se nos avanços tecnológicos de Stormhorse e na emotividade poderosa de Compulsion. Então, de forma inesperada, a Sweatbox colapsou.
"Sofremos a um nível pessoal, porque a nossa parceria com Rob Deacon da Sweatbox era baseada na amizade, nunca foram assinados quaisquer contratos. Começámos a nossa era na Sweatbox com o mesmo interesse e ideias sobre a música, e era essa a nossa ligação. Assim, quando a Sweatbox teve de acabar ficámos bastante tristes sobretudo porque a visão que a editora tinha criado também tinha chegado ao fim.
1989 viu os ITN assinar pela Third Mind Records e editar aí o seu álbum LÉsprit e o EP Sesudient. Ambos estavam originalmente planeados para formar um duplo álbum na Sweatbox. Foi o seu trabalho mais refinado e clássico até à data, as composições exibiam um novo nível de sofisticação. A mestria dos ITN cresceu no que respeita ao tom orquestral a cor deu a LÉsprit momentos de beleza enternecedora, sobreposta com a agressividade habitual da percussão militar. Sesudient é cantado em francês e tem uma qualidade emotiva sedutora.
"Para nós a voz é apenas mais um instrumento, uma nova camada de som, a mensagem está na emoção".
Os In The Nursery tocaram muitas vezes pela Europa fora em 1991, como forma de promover o seu quinto álbum, Sense. Sense reafirma os ITN como mestres dos sons poderosos e inspiradores. Desde a abertura do órgão conduzindo a uma parede de percussão e carrilhões, reconhecemos de imediato a marca da perfeição que sempre caracterizou os ITN.
Um novo álbum, Duality, foi já entretanto gravado e está para a sair em Junho deste ano pela Third Mind.
Memorabilia: Revistas / Magazines / Fanzines (56) - Music From The Empty Quarter - Nº 4 - Maio de 1992
Music From The Empty Quarter
Nº 4 - Maio de 1992
£1.50
84 páginas A5 a p/b, sendo capa e contracapa em papel brilhante grosso
ISSN 0964-542X
CAN
Os Seminais
CAN? - Communism, Anarchism, Nihilism! De acordo com a resposta provocadora de Irmin Schmidt a um conjunto de jornalistas em 1984. Um mito e misticismo e um constante fascínio para os fãs e os media,
mesmo que o verdadeiro significado por detrás da escolha do seu nome permaneça uma espécie de enigma.Foi dito que os membros da banda sentiram que não haveria nada que eles não conseguissem atingir, daí CAN. Formados em Colónia, em Junho de 1968, no meio de um ambiente prevalecente de desilusão estudantil e política que atravessava a Europa, os motins estudantis de Paris haviam tido lugar apenas um mês antes. Sem qualquer conceito por trás, a não ser fazer música como um colectivo democrático a sua filosofia política era igual em importância à sua música e os CAN rapidamente se viram envolvidos por uma
espécie de idealismo musical, espiritual e político.
Os elementos fundadores Holger Czukay, David Johnson, Michael Karoli, Jaki Liebezeit e Irmin Schmidt vinham de um largo espectro de backgrounds e tinham como influências músicos tão diversos como Stockhausen e os Rolling Stones, por exemplo; mas talvez a maior influência exterior do grupo fosse a que exerceu os Velvet Underground com os quais eles partilhavam a mesma vitalidade de espírito e energia da música. Passados alguns dias depois de se terem formado foram abordados pelo dono de um castelo, Schloss Norvenich, que mostrou interesse no seu trabalho. Rapidamente concordou em perimitir a utilização de uma das divisões do castelo como estúdio de gravação do grupo, que eles baptizaram, muito apropiradamente, de Inner Studio, e foi a partir deste estúdio (relocalizado para um cinema desocupado em Weilerswist em Dezembro de 1971) que os CAN iriam produzir a maioria do seu trabalho. Apesar dos avanços na tecnologia dos equipamentos de gravação, apenas em 1975 obtiveram acesso a um gravador completo de 16-pistas, pois até aí, e incluindo o LP de 1974, Soon Over Babaluma, tudo foi gravado utilizando dois modestos gravadores Revox. Ainda assim, e apesar disso, a profundidade, dimensão e complexidade das suas criações foram uma revelação. Através do seu processo de "composição instantânea", um princípio de espontaneidade, quase improvisação telepática, trabalhando sem qualquer fórmula prévia, quer em estúdio querao vivo, eles criaram uma música de tal pureza e intensidade que ainda hoje é inultrapassável. Apenas os Soft Machine funcionavam de maneira similar na altura, mas não há realmente qualquer comparação entre ambos os grupos.
Mesmo sabendo que a formação da banda foi comparativamente fluida, o baixista Holger Czukay, o guitarrista Michael Karoli, o baterista Jaki Liebezeit e o teclista Irmin Schmidt formaram o núcleo do grupo (David Johnson decidiu abandonar os CAN no final de 1968, depois de ter trabalhado como engenheiro de som no álbum Monster Movie). Para a maioria a época dourada do grupo vai de 1968 a 1973, o período com os seus dois vocalistas, Malcolm Mooney, um negro nova-iorquino, a trabalhar em Paris como escultor que se tornou cantor por aceidente. Ele foi apresentado a Hildegard Schmidt (a mulher de Irmin e a futura manager do grupo) por um amigo e foi convidado a visitar o estúdio dos CAN em Schloss Norvenich e apenas depois de chegar a Colónia se apercebeu que o que ele esperava que fosse um estúdio de artes era de facto um estúdio de gravação! Apesar da sua pouca experiência como cantor ele rapidamente se adaptou à sua nova vocação e empurrou os CAN numa nova direcção. Em Agosto de 1969 foi editado Monster Movie numa pequena editora alemã, a Music Factory, numa edição de apenas 500 cópias e a banda acabou receber um tal interesse e entusiasmo que essas cópias foram rapidamente esgotadas, permitindo-lhe estabelecer ainda um contrato com a United Artists que logo reeditou o trabalho. Com as vocalizações de Mooney, é um trabalho intenso e arrebatador com o hipnotizante Yoo Doo Right a ocupar todo o lado 2. Mas a agenda rigorosa de ensaios e gravações dos CAN, que tocavam 12 horas seguidas com nenhum ou poucos pequenos intervalos, foi uma factura demasiado pesada para ele e em Dezembro de 1969, apenas depois de 14 meses, sofria de uma severa fadiga nervosa e foi aconselhado a regressar aos Estados Unidos.
Os CAN não procuraram qualquer vocalista durante muito tempo, pois em meados de 1970 descobriram Kenji 'Damo' Suzuki em Munique... e que descoberta ele foi! Dizer que o estilo vocal de Damo era único seria um grosseiro mal-entendido, as suas perfomances eram totalmente espontâneas, quer ao vivo quer em estúdio. Ele impriovisava a um tal ponto que a sua voz se tornava em mais um instrumento da banda e o que as palavras queriam dizer tinha pouca relevância para a música porque tudo era feito na hora, por assim dizer. Ele permaneceu com os CAN até Setembro de 1973, altura em que abandonou o grupo para se tornar uma Testemunha de Jeová, deixando atrás de si três dos melhores LPs de sempre da banda - Tago Mago, Ege Bamyasi e Future Days.
Tago Mago é um álbum duplo de conteúdo intenso e mágico; com a bateria soberba e perpetuamente hipnótica de Jaki, os teclados rotativos e guitarras agitadas, entrelaçados por Irmin e Michael, tudo pontuado pelo baixo minimal de Holger, apara além do embelezamento final devido às vozes de Damo, fortemente carregadas e intensas - com a excepção de Aumgm, uma peça ritualística, de Aleister Crowley, potencialmente disponibilizada por Irmin. Ege Bamyasi é um trabalho de desolação e tensão com uma atomsfera telúrica, particularmente me Sing Swan Song e Vitamin C com o seu padrão ciclíco de bateria, dois exemplos dos CAN com Damo, todos no seu melhor. Também incluída neste álbum está a faixa Spoon, uma das peças favoritas da banda e talvez aquela com que obtiveram maior sucesso, atingindo o Nº 1 na Alemanha, onde foi também editada como single. O nome foi depois adoptado por Hildegarde para lançar a sua própria editora. O contyrastante Future Days irradia calor do princípio ao fim, cada uma das quatro faixas repletas de alma, fechando com os 20 minutos de Spare A Light (intitulada Bel Arion na edição alemã do LP e depois também na reedição britânica em CD) tudo brilhando como o mar num dia de sol.
Com a perda de Damo a banda pareceu ter perdido qualquer coisa, sobretudo em respeito à direcção a tomar a seguir, tendo entrado então num período confuso quer quanto às suas aparições ao vivo quer mesmo quanto a trabalhos em estúdio. Mas o LP de 1974, Soon Over Babaluma, reafirmou a sua posição como a força mais significativa do panorama musical contemporâneo e incluía Dizzy Dizzy, outra daquelas peças "catchy" mais infecciosas, com vocalização deliciosa de Michael. Irmin também canou no álbum e com a excepção de Limited/Unlimited Edition e a retrospectiva Delay 1968, os dois tomaram conta de todas as futuras vocalizações até ao disco de reunião, em 1989, Rite Time, que tinha Malcolm Mooney de volta ao couraçado.
1975-77 viu os CAN à procura de um som mais recompensador comercialmente com a edição de Landed (1975), Flow Motion (1976) e Saw Delight (1977). Cada um deles tem os seus momentos altos, especialmente Hunters And Collectors e Full Moon On The Highway (que era na realidade uma composição de Damo Suzuki) em Landed, e I Want More tirado de Flow Motion como single, no Reino Unido (o seu ritmo hipnótico permitiu-lhe entrar no Top 30). Landed foi o primeiro disco gravado na sua nova máquina de 16 pistas, que também teve grande influência na nova direcção que a sua música tomou.
Os CAN embarcaram para a sua última digressão em 1977, passando por Portugal, Espanha e Suiça, além dos países habituais, a Grã-Bretanha, França e Alemanha, e o que é surpreendente é que tendo em conta
a grande quantidade de digressões e concertos que fizeram, nunca editaram nenhum álbum ao vivo.
Out Of Reach e CAN foram editados em 1978 e 1979 respectivamente e embora seja justo dizer que os CAN prometiam regressar à sua grande forma, especialmente depois do, de algum modo, desapontante
predecesssor, a banda entrou antes numa maré baixa. Isso deveu-se em parte à influência do ex-Traffic Reebop Kwaku Baah e a Rosko Gee que passaram a esatr envolvidos com o grupo e teve a ver com o seu preemtivo Saw Delight, um disco orientado para a world music. Com isto Holger ficava cada vez mais desiludido com o seu papel na banda e havia muita tensão no ar.
Nos finais do ano de 1978 os CAN decidiram acabar com a banda e cada um dos seus membros prosseguiu a sua carreira a solo. Contudo, o destino prega-nos partidas e eles voltaram a reunir-se com o vocalista original, Malcolm mooney, em 1986, para gravaraem as sessões, das quais resultou na edição do soberbo, altamente polido, mas incompreendido velho som dos CAN, corporizado no álbum Rite Time em 1989.
Apesar de os membros da banda actualmente viverem em países diferentes, não está posta de parte a hipótese de darem um pequeno número seleccionado de concertos pela Europa; e tendo como constatação o sucesso recente dos seus velhos álbuns, recentemente reeditados pela Spoon, o interesse na banda subiu em flecha. Porventura os fans terão de esperar mais algum tempo até verem editado o precioso espólio que
está guardado nas tapes gaurdadas pelo grupo, resultantes das suas incontáveis e intermináveis sessões, e que constituem centenas de horas de música. Certamente serão recebidas com o mesmo entusiasmo que obteve a edição de Delay, um álbum de sessões de 68/69, com Mooney como vocalista, e que apenas foi editado em 1981. A edição para breve de um vídeo, recentemente mostrado em ante-estreia a um grupo restrito de pessoas em Londres, é um desenvolvimento significativo e um bom augúrio.
O esforço a solo dos vários membros da banda é um pouco uma "misturada", mas o que é certo é que as gravações oficais da banda atingiram um status cultural que se mantém intocável. Alguém disse uma vez que os CAN são mais originais do que é possível ser-se original. Investigue a sua música e descobrirá por si próprio o quão justa esta frase é, e para alguém com mais do que um interesse passageiro pela banda, recomendo vivamente a leitura do livro The Can, de Pascal Bussy e Andy Hall, publicado pela S.A.F.
Citados como influência maior por muitas das bandas emergentes da cena New Wave dos finais dos anos 70, desde os ATV aos Wire e com um catálogo de edições que é um autêntico tesouro musical, os CAN merecem ser ouvidos por toda a gente, pelo menos uma vez!
DISCOGRAFIA DOS CAN
Todas as edições do Reino Unido (UK), originais da Liberty/U.A. e Virgin, foram já reeditadas pela Spoon.
Todas as edições alemãs originais pela Liberty/U.A. e EMI/Harvest, foram reeditadas pela Spoon em 1981
1968
KAMA SUTRA 1 & 2 - 7" - (Creditado a Irmin Schmidt)
1969
MONSTER MOVIE - LP
1970
SOUNDTRACKS - LP
SOUL DESERT / SHE BRINGS THE RAIN - 7"
1971
TAGO MAGO - DLP
TURTLES HAVE SHORT LEGS / HALLELUWAH - 7"
SPOON / SHIKAKU MARU TEN - 7"
1972
VITAMIN C / I'M SO GREEN - 7"
EGE BAMYASI - LP
SPOON / I'M SO GREEN - 7"
1973
FUTURE DAYS - LP
MOONSHAKE / FUTURE DAYS - 7"
1974
LIMITED EDITION - LP (15000 Copies)
SOON OVER BABALUMA - LP
DIZZY DIZZY / SPLASH - 7"
1975
THE CLASSICAL GERMAN ROCK SCENE - Compilation LP
LANDED - LP
HUNTERS & COLLECTORS / VERNAL EQUINOX - 7"
1976
UNLIMITED EDITION - DLP
OPENER - Compilation LP
FLOW MOTION - LP
I WANT MORE / ...AND MORE - 7"
SILENT NIGHT / CASCADE WALTZ - 7"
1977
SAW DELIGHT - LP
DON'T SAY NO / RETURN - 7"
1978
OUT OF REACH - LP
CANNIBALISM - DLP
1979
CAN - LP
1980
CANNIBALISM - DLP (Chain Reaction replaced by Spoon)
SPOON / SILENT NIGHT - 7"
1981
INCANDESCENSE 1969-1977 - LP
ROCK IN DEUTSCHLAND VOL.6 - CAN - LP
I WANT MORE / ...AND MORE - 7"
I WANT MORE / ...AND MORE / SILENT NIGHT - 12"
DELAY 1968 - LP
1982
ONLYOU - CASS IN TIN (100 copies)
1983
MOONSHAKE / TURTLES HAVE SHORT LEGS / ONE MORE NIGHT - 12"
1984
PREHISTORIC FUTURE - CASS (2000 copies)
1989
RITE TIME - LP
1990
CANNIBALISM 2 - DLP
Reedições em CD na Spoon 1989/90, disponíveis via Mute.
Reedições em CD nos EUA, via Restless Retro (em 1990). Mute/Spoon
LANDED e FLOW MOTION também foram editados em CD em 1987 pela Virgin.
OUT OF REACH editado em CD em 1988, pela Thunderbolt.
Os CAN também editaram na Thunderbolt, em CD, (com o título INNER SPACE, com Can Can e Ping Ping em ordem inversa) em 1986.
RITE TIME também em CD, em 1989, com a faixa extra In The Distance Lies The Future, na Phonogram.
Chris B.
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Music From The Empty Quarter
27.3.15
Memorabilia: Revistas / Magazines / Fanzines (54) - Music From The Empty Quarter - Nº 7 - Abril/Maio de 1993
Music From The Empty Quarter
Nº 7 - Abril/Maio de 1993
£1.75
92 páginas A5 a p/b, sendo capa e contracapa em papel brilhante grosso
ISSN 0964-542X
Editor, Design & Layout - DEADHEAD
Executive Production - JULES
Colaboradores: Chris B., Turner Clawbone, John Everall, Bob Gourley, Stefan Jaworzyn, Robert H. King, Pete Morris, Baz Nicholls, Matthew F. Riley, Sikorsky XXIII, Toil, Veil.
Esta revista, mais do que fanzine devido ao seu cuidado acabamento gráfico, capa e contracapa em papel brilhante e elevado número de páginas, foi das mais influentes da altura no que toca ao acompanhamento da
música independente. Com um leque muito abrangente, mas mais centrada, sobretudo, na EBM, Darkfolk e Industrial, foi uma revista marcante da altura, pois permitia saber em primeira mão tudo o que se editava
naqueles géneros musicais por toda a Europa e mesmo fora dela. Para além disso servia também de suporte à sua própria distribuidora, o que me levou a gastar muitos escudos. Até um dia. Já lá vou...
O único "senão" a apontar é que sendo uma revista tão cuidada e extensa, cerca de 80% ou mais era preenchido por pequenas recensões críticas (lá está o efeito distribuidor...). Falalva-lhe, pois, mais artigos de
fundo, entrevistas, análises e críticas mais profundas a bandas e discos.
Por outro lado, foi a única companhia a quem comprei discos e com quem me chateei (e fiquei a arder, já agora...). Hoje em dia, desde os gigantes como a Amazon, até às editoras artesanais, que existem aos
milhares na plataforma bandcamp, por exemplo, todos me resolveram os problemas (e, geralmente, ainda com bónus "devido aos incómodos causados"), sempre que uma encomenda se perde / é devolvida, etc. Pois os fdp da The Music From The Empty Quarter, começaram a mandar vir comigo quando reclamei que uma encomenda que lhes tinha feito não havia chegado. Fartei-me de os chatear, durante quase um ano (na altura por carta), pois não desisto facilmente, mas fiquei mesmo a ver navios. Só me deu vontade de ir a Londres e esfregar-lhes com um pano molhado na cara... É escusado dizer que nunca mais lhes comprei nada. Fica aqui o desabafo, passados mais de 20 anos :-)
Este número, em concreto, nos tais 20% que faltam (ver acima) tem uma entrevista interessante e extensa com o jon wozencroft, patrão da Touch (ainda em actividade, penso), que era uma das editoras mais
arrojadas da altura no que respeira à música experimental / industrial / ambiental, casa dos Zoviet-France, The Hafler Trio, entre outros. Só não a transcrevo/traduzo porque são dez páginas, com letra pequena, o que me levaria um tempo imenso.
Fá-lo-ei, no entanto, caso haja alguém que mo peça directamete, a partir deste post, para o email habitual.
Para ilustrar o conteúdo deste número escolho então, para já, as recensões dos discos dos Death In June e dos Somewhere In Europe que sairam nessa altura.
Death In June - Paradise Falling / NER BADVCCD63 CDSingle
Não é, infelizmente, um CD de temas novos, mas versões diferentes de This Is Not The Paradise e Daedalus Falling, do seu recente álbum But, What Ends When The Symbols Shatter. Tal como nesse álbum, as faixas têm letras e vocalizações de David Tibet, e é principalmente a voz que se modifica nestas seis variantes. This Is Not Paradise é-nos oferecida como uma versão em Inglês, um instrumental e uma outra com a letra em Francês. Daedalus Rising recebe praticamente o meso tratamento: uma versão em Francês, uma versão bilingue e outra instrumental. As faixas instrumentais são suficientemente belas em si mesmas mas
falta-lhes a qualidade trágica que a voz de Tibet lhes empresta. Como corolário disto, as versões em fancês são talvez ainda mais extasiantes que os originais. A um nível superficial, estas são apenas canções belas
de guitarra dedilhada, sons ondulantes, vocalizações melancólicas. Mas deixem-se envolver na música e é possível que se percam na imagética sublime das letras. Eu espero que esta edição e o novo álbum sejam
sinónimo de uma actividade renovada dos Death In June, porque Paradise Falling não é menos que um encantamento para dias tristes, frágil mas todavia eterno.
(available from T.E.Q.) - eu não disse? -
Veil
Somewhere In Europe - Gestures / NER BADVCCD45 CD
SIE editaram finalmente um CD e já não era sem tempo. Mesmo tendo em atenção que se trata de uma compilação de gravações já editadas (todas menos uma fazem parte das suas 4 K7s), a claridade do CD
adiciona algo extra às 19 pérolas aqui contidas (ouçam só o claustrofóbico tema Butterfly In A Vice para confirmarem a diferença!). Nunca convencionais, eles criam música que que é inclassificável e provocante do ponto de vista intelectual - provando sem dúvida que os SIE não fazem parte da volátil resma de bandas pop mas que se encontram bem dentro da tradição avantgarde europeia. Sem surpresas Douglas P. dá uma
mãozinha, juntamente com a artista Gabrielle Quinn. Desde o asustador Never Go Back a um soar solene de T. S. Elliot sobre um loop de tape roubado, na faixa Night; Desde Black's Lodge, com o seu sintetizador
baixo insistentemente distorcido ao bizarro Everything Ends in Mystery, pela não familiaridade., há muito a explorar por estes lados. Mesmo que tenha as 4 K7s por eles já editadas, vale a pena comprar o CD devido ao enriquecimento do som e ao belíssimo tema novo To Cross The Bridge At Dusk, anteriormente apenas disponível numa compilação portuguesa. De facto, o único desapontamento aqui (e aqui limito-me a referir o que penso!) é a omissão da sua versão celestial de Blood Of Martyrs. Apesar disso, uma estranha e bela colecção e a primeira de várias edições planeadas para documentar o trabalho do grupo.
Veil
(available from T.E.Q.) - lá está!
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