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14.1.16

Memorabilia: Revistas / Magazines / Fanzines (151) - Pop-Clube #8


Pop-Clube
(Trap-Magazine)
Apartado 54 Almada
Director: Juvêncio Pires
Nº 8
Dezembro 76 / Janeiro 77

15$00

Director: Juvêncio A. Pires
Administrador: Luís Vieira
Propriedade: Juvêncio Pires e Luís Vieira
Chefe de Redacção: Carlos Lobo
Redacção: Rua Luís António Verney, 19 1º-Dto. - Cova da Piedade
Administração: Rua Dr. Julião de Campos, Nº 9 R/C, Almada

36 páginas A4 - papel fino um pouco brilhante p/b. A excepção é a capa que é de papel brilhante mais pesado e a cores.




AREA
Ao Vivo Na F.I.L.E A Boa Música Ao Serviço Do Povo
De entre os muitos artistas de renome internacional que participaram activamente na realização da grandiosa festa do Avante, saliente-se o grupo italiano - «AREA».
A sua actuação era aguardada com grande expectativa. Dadas as qualidades musicais por eles demonstradas através dos seus trabalhos em disco, colocando-os como um dos grandes na música rock contemporânea. Assim ansiava-se a todo o momento a chegada da hora prevista, mas eis que o tempo foi passando e os «AREA» não apareciam, enquanto um enorme coro de vozes gritava: «Area! Area! Area!...», e o palco permanecia vazio até que alguém veio esclarecer o imenso público sobre o que se passava. Foi então anunciado que era impossível a actuação dos «AREA» nesse dia (sábado dia 25 de Setembro). Devido ao facto de não ter havido tempo suficiente para transportar o material que os acompanhava, como também para o instalar devidamente em palco. Perante tal situação foi pedida a maior compreensão por parte do público, que apesar de tudo se manifestou decepcionado e desiludido. No entanto, no dia seguinte seriam dados dois espectáculos pelos «AREA» como estava programado. Diferindo apenas nos dias e os esclarecimento estava dado.
Parte do público que estava presente abandonou o recinto. Apesar de a festa ter continuado com outros artistas, mas a realidade é que os «AREA» eram a grande atracção para o público mais jovem que compareceu em massa a esta festa.
No dia seguinte, pouco antes do início da primeira actuação dos «AREA» marcada para as 15 horas, deparávamo-nos com um ambiente extenuante, onde milhares e milhares de pessoas vindas de todas as partes do país, enchiam por completo todo o recinto interior da F.I.L. e zonas exteriores de acesso às entradas, criando um clima pesado e tenso, quase irrespirável e intransitável, mas tudo decorria sem quaisquer problemas dentro dum sentido cívico digno de realce.
A hora desejada aproximava-se e o local onde se encontrava o palco, sobre o qual o grupo actuaria, estava repleto de gente de todas as idades, cuja participação na festa era transmitida por uma vivacidade, uma força, um sentimento de luta e uma unidade digna de um povo que quer libertar-se definitivamente das amarras da opressão e da exploração, sobre o palco podia-se ver todo o enorme conjunto de colunas, amplificadores, instrumentos musicais, microfones, fios, etc.... como uma amostra exterior e ao mesmo tempo a certeza de que os «AREA» iriam lá estar presentes.


Depois de uma breve apresentação sobre o grupo e a sua música, feita pela sua compatriota Io Apoloni, os elementos dos «AREA» entram em palco um por um, tomando as perspectivas posições junto dos seus instrumentos por entre as palmas e assobios, e o ruído ensurdecedor dos «AREA» em terras de Portugal.
Os instrumentos são afinados e em seguida dá-se início à sua exibição que, de exibicionismo nada teria, pois o grupo actuando como um todo homogéneo não punha em evidência qualquer um dos seus elementos. Não utilizava quaisquer artifícios comerciais para conquistar um público como a maior parte dos grupos rock fazem uso em festivais alienatórios e burgueses. Antes, demonstram sim a consciencialização de um trabalho positivo e válido dentro duma linha revolucionária, assente na plena liberdade de execução em que o rock progressivo da sua música é acentuado pelas palavras progressistas dos textos. Os «AREA» tentaram fazer desta nova música uma poderosa arma de luta, em prol das classes menos privilegiadas, que aqui correspondiam activamente com aplausos incansáveis que só por si demonstravam a sua extraordinária actuação, mesmo perante o insólito incidente surgido na bancada central - devido à elevada potência da música que provocou alguns distúrbios auditivos nos ouvidos de um assistente, o qual se exteriorizava através de gestos de dor, sendo alvo das atenções e de especulações da maior parte do público. Não quebraram no entanto a boa harmonia em que se desenrolava a actuação. Actuação em que a música do grupo é elaborada através da pesquisa de novos sons electrónicos com base essencialmente nos instrumentos de teclas (órgão, moog, sintetizador), reforçados pela guitarra eléctrica de P. Tofani que em «Setembro Negro» obtém solos magníficos e pela voz inconfundível do grego D. Slatos que por entre as mais variadas simulações vocais transmite-nos um sentimento de revolta, de dor, e de angústia de um povo oprimido, atingindo o seu mais alto valor em «Comgta» cantada em grego e dedicada a este povo.
A determinada altura os instrumentos param e D. Slatos com P. Farizgllo, põem-se a comer maçãs em frente aos microfones produzindo sons estranhos o que cria um ambiente invulgar e ao mesmo tempo interessante, mas o seu gesto posterior quer consistiu em partilhar estes frutos com o público, enviando-os para a assistência, exemplifica a sua tomada de posição, revelando um espírito de camaradagem e de solidariedade com o povo português. Ao terminar executaram um arranjo extraordinário da «Internacional» que teve o acompanhamento do público, sob um clima vivo e revolucionário, no auge de uma festa em que demonstraram a força que os une e ao mesmo tempo a solidariedade para com todos os povos oprimidos e para com o movimento internacionalista proletário.
Em resumo assistiu-se à presença de um grupo em que a sua qualidade musical e criatividade conseguem erguer uma estrutura musical servindo simultaneamente as necessidades e os objectivos tanto dos jovens como das massas trabalhadoras. O que é importante!!
Domingos Manuel Santana




Rock Alemão
Tangerine Dream
Este é um dos grupos que podemos considerar iniciadores do chamado «Rock Alemão».
As formas musicais por eles exploradas alguém chamou de espaciais ou cósmicas, decerto devido ao ambiente de misteriosa serenidade que compõem.
As influências principais destes músicos andam à volta dos trabalhos dos Pink Floyd, principalmente de «Ummagumma».
Os Tangerine Dream iniciaram-se em 1970 com a apresentação do álbum «Electronic Meditation». Nota-se neste primeiro trabalho uma procura de recursos musicais que os seus aparelhos electrónicos podem emitir em número quase infindável.
Nesta obra encontrámos Klaus Schultz que prefeiru uma carreira a solo, diga-se em verdade prometedora e convincente. Restou na formação dos T.D. os seus actuais elementos: Edgar Froese, Chris Franke e Peter Baumann.
O seu segundo trabalho foi «Alpha Centaury» saído em 1971 e a sua sonoridade base é idêntica ao anterior. O mesmo som planante apoiado em acordes harmoniosos mas pouco melódicos, o que torna difícil a sua audição.
O álbum seguinte foi um duplo de nome «Zeit» que ocupa uma faixa completa. O padrão musical é na essência o mesmo dos anteriores acetatos e do seguinte: Os efeitos sonoros, de maior ou menor evocação natural, de calma, suscita visões de sonho ao ouvinte atento. No ano seguinte, o de 1973, gravam «Atem» que termina esta fase de pesquisa musical e simples emissão sonora. É a partir daqui que nos aparece o álbum que chamou a atenção os T.D. - «Phaedra», em que a criação de melodia base, própria ao devaneio dos Moog Synthesizer perfeitamente dominados pelos executantes, torna-a admiravelmente agradável às primeiras audições.


Esta característica é aperfeiçoada e aumentada na produção do ano posterior - 1975.
Em «Rubycon», obra referida, as oportunidades concedidas aos Synthesizers e violas eléctricas «VCS3» até aí despercebidas, acentuam-se.
A criação de um ritmo bem compassado a apoiar a livre instrumentalização mantém um clima de paz interior e leveza espiritual que cativa o ouvinte menos receptivo a esta forma musical. Entretanto, chegou-se ao ano de 76 e, até aqui, os T.D. apenas possuíam obras de estúdio, aliás compreensível pois a produção destes sons ao vivo é tarefa muito difícil, exigindo um domínio perfeito das aparelhagens e uma compenetração bem apurada. Mas os T.D. iniciaram e levaram à prática uma gravação ao vivo já este ano. E curiosamente é um trabalho de excepcional técnica e grandeza musical.
Os T.D. puseram em palco o mesmo, ou melhor até, que tinham posto em estúdio. Nesta produção nota-se contudo a aproximação a uma som mais tradicional, a saliência do piano e por vezes da viola é maior que nos trabalhos anteriores. O álbum não se denomina «Line» mas sim «Ricochet» aludindo ao balanço sonoro conseguido, por vezes lembrando ecos e repercussões sonoras.
Desta escola musical podemos salientar Edgar Froese que pôs no mercado dois álbuns a solo. O primeiro é um trabalho experimental e que é limitado à produção de efeitos aquáticos essencialmente. Saído em 74, é um trabalho bastante curioso mas sem grande interesse musical. Tem o nome de «Aqua», simplesmente!
O segundo lançamento «Epsilon in Malaysan Pale» vindo a público este ano, é diferente em relação ao primeiro. Possui uma estrutura simples mas com situações de exuberante suavidade, uma melodia constante e muito bem harmonizada. Uma obra-prima dentro da música erudita que facilmente entrará no gosto dos mais sensíveis apreciadores da mesma.
Os Tangerine Dream, um dos grupos mais importantes dentro da música erudita, tem um largo horizonte a descobrir e mostrar a todos aqueles que a aceitem. E serão muitos!
José M. Abreu






Jimi Hendrix
O Homem, O Músico, O Mito
Local - Seattle, Washington.
Ano - 1942.
Lucille Hendrix, esposa de James Hendrix, dá à luz aquele que viria a ser um dos expoentes máximos da música americana contemporânea - James Marshall Hendrix, conhecido entre nós como Jimi Hendrix.
Passando grande parte da sua infância em Vancouver, onde frequentou a escola primária, James foi guiado nos primeiros passos musicais, por seu pai, organista na Dunlap Baptist Church.
Com doze anos de idade já Jimi James toca guitarra acústica, notando-se no adolescente, tendências para tocar com a mão esquerda.
Em Seattle Jimi frequenta a Garfield High School, embora nunca ponha a música de lado.
Em 1959, quando tinha 17 anos, Jimi convence o pai a assinar os papéis do alistamento militar voluntário.
Assim entra para a 101ª Divisão de Páraquedistas. Parte o pé e algumas costelas no seu 26º salto, sendo por isso afastado do serviço militar.
Entre 1963 e 1964, depois de uma longa convalescença, Jimi desloca-se ao sul da América fixando-se então em Nova York.
Em 1965 já tinha trabalhado com Ike e Tina Turner, Little Richard, Joey Deee, Jackie Wilson, James Brown, Wilson Pickett, B. B. King, The Isley Brother e Curtis Knight and the Squires.
É então que ele forma o seu próprio conjunto ao qual dá o nome de «The Blue Flames».
Em 1966 Jimi James aceita um lugar como principal guitarrista de John Hammond Jr., o que o levou a criar nome, mesmo entre a «elite» dos grandes músicos, a qual incluía Bob Dylan, The Beatles e The Animals.
Foi este lugar que o levou a ter uma visita fortuita de Bryan «Chas» Chandler, o baixo dos Animals, que depois de uma longa conversa o presenteou com um bilhete para Londres, algum dinheiro e a promessa de um encontro com Eric Clapton.
Alguns dias depois da partida do filho, o Sr. Hendrix, recebe um telefonema em que aquele lhe dizia que ia ser transformado numa super-estrela, e que a partir daí iria ser conhecido como Jimi Hendrix.
É em Londres que Jimi grava o seu primeiro álbum «Experience», que tendo o nome do conjunto formado por Jimi Hendrix nessa cidade, obteve grande êxito na Europa, principalmente com as canções «Hey Joe» e «Purple Haze».
Também nos E. U. o grupo não se manteria desconhecido, assim nos dias 16 e 18 de Junho de 1967, actua no Monterey Pop Festival. É aqui que pela primeira vez, Jimi se apercebe de tudo o que pode fazer com uma guitarra eléctrica.
Ainda em 1967 o grupo «Experience» fez uma tournée pelos E. U. com os «Monkees», o que não foi uma ideia brilhante, pois os fans dos «Monkees» não estavam preparados para a sensualidade selvagem da música de Jimi Hendrix.


Depois de 12 espectáculos, o grupo desiste da tournée e Jimi volta para Inglaterra onde a sua popularidade se mantinha.
Em 1968, com Buddy Miles na bateria e Bill Cox como baixo, Jimi forma outro conjunto: «The Band of Gypsys», tendo actuado no Filmore East em New York.
Em 1970 Jimi Hendrix atravessa um período de grande revalorização para a sua música:
Na Primavera e Verão fez várias tournées na companhia de Mitch Mitchel e Billy Cox, em Agosto tocou em Inglaterra no «Isle of Wight Festival», depois de ter estado acordado toda a noite com Eric Barrett para a abertura do seu próprio estúdio de gravação: Electric Lady Sutdios em Nova York.
Na Ilha de Wight a sua actuação foi bastante má, o que foi tomado como indicativo de depressão ou de declínio das suas habilidades.
Tentamos com esta pequena biografia dar vida àquilo que apelidámos de Jimi Hendrix - O Homem, O Músico, O Mito.
Quem foi Jimi Hendrix?
O que é que ele representava para as pessoas que trabalharam e viveram com ele? O que era para Jimi a música que ele tocava?
É a tudo isto que vamos tentar dar resposta nos próximos números.
Judite Cid






Cascais Jazz 76

1º Espectáculo
Sexta - 21,30
Com uma reduzida afluência de público esta primeira noite do Cascais-Jazz, revelou-se «fria» (o habitual), apesar do bom «naipe» de músicos. Com os Swing Machine, aliás experientes músicos, o ambiente não se modificou, a não ser na actuação «a solo» do baterista Sam Woodyard, que trouxe um toque de bateria, carregado dos melhores sentimentos de jazz. Com Swing Machine; Gérard Badini - saxofone tenor; Raymond Fol - piano; Michel Gandry - contrabaixo e Sam Woodyard - baterista, o público não reagiu.
Com Martial Solal, que veio substituir o grupo brasileiro Index de Marcos Resende, que à última hora cancelou o contrato, ressentiu-se fortemente a indiferença do público.
Com problemas técnicos, Gil Evans demonstrou uma virtuosidade pianística, mas a orquestra de que é leader, não se encontrava a si própria, pouco homogénea.
Com a onda de tédio que se tinha generalizado, a noite fria tornou o jazz frio.

2º Espectáculo
Sábado - 21,30
I - O Espectáculo
Passavam alguns minutos das 21,30 quando Luís Villas-Boas deu início à 2º sessão do VI Cascais-Jazz. O público ocupava quase por completo o pavilhão.
O programa compunha-se de Rao Kyao c/ trio, Betty Carter c/ seu trio e a completar a sessão actuaria o quinteto do saxofonista Sonny Rollins.
Embora o programa da 1ª sessão tenha sofrido algumas modificações este foi rigorosamente cumprido neste capítulo, já que na fase inicial a coisa não «andou» lá muito bem e já veremos porquê.
Rao Kyao com trio iniciou a sua actuação. Formavam o trio, António Pinho da Silva em piano acústico e eléctrico; Jean Sarbib em contrabaixo e George Brown - bateria. Rao no sax confirmou em absoluto a sua classe de músico conseguindo «solos» de muito boa qualidade e desenvolvendo magnificamente os temas. António Pinho da Silva teve bons apontamentos embora não demonstrasse aquela exuberância que tem de existir no som afro-americano. Sarbib teve uma participação discreta. Mas no tocante a George Brown tudo foi nau, revelando-se um bateria sem a menor capacidade de execução, não procurando acompanhar o trabalho dos seus companheiros, Brown parecia que estava a tocar só para ele quando o trabalho a realizar era de conjunto.
Este pormenor teve o condão não só de estragar a actuação de Rao como também provocar no público uma certa frieza que se veio a manter durante toda a sessão. Até onde iria Rao se tivesse tido músicos de qualidade a apoiar o seu esforço?
Seguiu-se depois um pequeno intervalo e foi a vez de surgir em cena Betty Carter acompanhada por: John Hicks - piano; Dennis Irwin - contrabaixo e Clifford Barbaro - bateria. A actuação de Betty fez com que parte do ambiente frio que existia no Pavilhão. Ela revelou uma capacidade interpretativa muito pessoal conseguindo expressar na sua voz todas as «nuances» existentes nos temas, chegando ao ponto de imitar o som de um instrumento. Ao contrário do primeiro grupo Betty contou com o apoio dos seus músicos os quais revelaram para além duma técnica de execução bastante apurada demonstraram uma perfeita ligação de esforços prova bem evidente de um trabalho seguido conscientemente pois só assim é que se poderá construir algo de positivo.
Pouco passava das o horas quando começou a actuação do prato forte da 2ª sessão deste VI Cascais-Jazz era ele: Sonny Rollins e o seu quinteto composto por: Michael Blieden Wolff - piano acústico e eléctrico; Aurell Ray - guitarra eléctrica; Donald C. Pate - contrabaixo; Fender e Edward Moore bateria.
E na verdade a expectativa não foi iludida Sonny Rollins em sax-tenor demonstrou em Cascais a sua inegável classe construindo temas e desenvolvendo-os magnificamente conseguindo efeitos de rara beleza, aqui o jazz a brotar límpida e objectivamente numa execução correcta. Um excelente trabalho dos restantes elementos com especial destaque para Edward Moore que na bateria foi excepcional.
O certo ar frio que durante a maior parte do concerto existiu, dissipou-se completamente com a actuação de Sonny o qual executou extra-programa um outro tema que foi bem a apoteose final desta 2ª sessão da 6ª edição do Festival Internacional de Jazz de Cascais o que de certo modo não deixou frustrada a molde imensa de público que se deslocou ao Pavilhão para ouvir o som afro-americano, que teve altos e baixos.
II - Nota À Margem
Cada Cascais-Jazz passa por ser uma luta contra tudo e todos e sobretudo denota a «teimosia» de Luís Villas-Boas em divulgar a música afro-americana em Portugal.
É certo, é normal e sobretudo humano que esta realização encerre algumas limitações, mas qual será a realização que não as tenha isto mesmo em países com melhores condições do que nós para se efectuarem acontecimentos do género.
Só é de lamentar que certas pessoas confundam (?) Música com snobismo e que aproveitem estas reuniões para dizerem aos amigos ou amigas que também no Jazz em Cascais e «que aquilo foi porreiro pá» quando efectivamente a  música que ouviam não lhes dizia nada. Aliás quando perguntamos a uma certa pessoa como estava a achar o festival, a resposta foi esta «sabem, eu não gosto de jazz»! É triste, não acham? Até quando continuarão a existir casos destes?
José Salvador





Música Portuguesa
Coordenação de: Artur Vaz

Banda do Casaco - Autobiografia
Começámos há pouco mais de dois anos e parecem passados dois séculos.
É o fruto que teremos de trincar pelo caminho que escolhemos, mesmo que seja verde o fruto.
De início logo se pressentiram as dificuldades, grupo formado para registar em disco grande uma obra previamente escrita: «Dos Benefícios Dum Vendido No Reino Dos Bonifácios».
Éramos de procedências tão diversas e distintas, cheios todos de boas intenções, o que nem sempre é tudo como é sabido.
Do Plexus vinham o Carlos Zíngaro, o Celso de Carvalho e o Nélson Portelinha.
Da Filarmónica Fraude, o Luís Linhares e o António Pinho.
Da Música Novarum, a Judo Brennam e o Nuno Rodrigues.
Da Gulbenkian, a Helena Afonso.
Da casa de seus pais, o José de Campos e Sousa.

 Muitos, fizémos muito num LP que nos agradou especialmente fazer. Um erro neste trabalho (entre outros que haverá por certo) reconhecemos agora ao olhar para trás: No excesso do gozo de realizar fomos levados - inconscientemente é facto - a formas de música e texto menos fáceis, mais «invulgares» no nosso nacional panorama de música popular, se acaso este existe.
Se por um lado, tal proporcionou à crítica palavras que nos agradou sobremaneira ler e ouvir, já no público, por outro, causou estranheza e distanciação que em nada beneficiaram a banda.
Um de nós disse uma vez sobre isto... «Dos Malefícios Dum Vendido No Reino Dos Bonifácios».
Junte-se ao exposto contra a posição marcadamente anti-partidária do grupo (como grupo), posição que, aliás, é princípio que se mantém e manterá enquanto a banda for do Casaco.
Tudo isto conduz à receita ideal para atingir o ponto mais alto no gráfico instituído das dificuldades caseiras.
Não há lamentos: Se assim quizemos, como poderia havê-los?
Há apenas pena, é pena que assim cá seja.
Mas teimosia era connosco e acreditámos. (Já é preciso ser-se teimoso para acreditar!...).
E as dificuldades pressentidas foram-se concretizando.
Alguns saíram, quase todos.
Luís Linhares forma o «Pedra e Cal» e grava.
Helena Afonso, além da Gulbenkian tinha agora aos «Segréis de Lisboa».
Nélson Portelinha, desaparece.
Carlos Zíngaro segue no Plexus e nos «Cómicos».
Judi Brennam regressa a Londres.
António Pinho e Nuno Rodrigues (excessivamente teimosos nos seus propósitos de acreditar), vão escrevendo, entretanto, novo álbum - «Coisa Do Arco Da Velha» - e voltam a perguntar-se: com que Banda?
Restavam eles, restava o Celso. José Campos e Sousa vagueava Europa adentro.
Apesar de tudo, com as preciosas ajudas de vários músicos, volta-se ao estúdio e o LP vai tomando forma.
É então que se encontrava nova constituição para o grupo.
António Pinho, Nuno Rodrigues, Celso de Carvalho.
Cândida Soares, surgida a cantar nos ensaios lá em casa.
Mena Amaro, vinda duma sinfónica qualquer coisa e sequiosa de fazer algo.
José Campos e Sousa, o bom filho a casa torna.
Armindo Neves, revelado excelente guitarrista tem passagem meteórica pelo grupo;
Aqui descoberto, daqui o levam para o «1111» onde o «Roque» proporcionará o vil metal.
E persistem sempre os problemas. Como actuar? Como estarmos «vivos»?
Sabemos que há que exigir de nós próprios condições técnicas que não defraudem seja quem for: nós, a música, o público.
Que aparelhagem? Que dinheiro? Que ajudas?
Dificuldades caseiras de quem não faz «Roques» ao fim-de-semana.
Até que tudo se resolva será preferível a Clausura por mais triste que a nossos olhos nos apareça.
Seguimos, sofrendo as consequências, mas como queremos, na desvantajosa viagem que margina a partidarite. Mas acreditar em nós próprios é já vantagem, como o é acreditar na saída que terá de haver. Caso contrário confirmar-se-á: a anti-cultura está instituída e estatuída.
Simplificámos os processos de trabalho, temas de maior acesso e adaptámos de tradicionais portugueses: desejo que vinha desde a Filarmónica Fraude à Música Novarum.
Não é, ainda (não será a nossa meta), um álbum fácil, mas, seguramente, estável e tal importa para que seja, ao menos, eficaz - mais próximo de quem ouve.
Como nos «Benefícios...» ficam nele respostas por dar. É intencional.
Competirá ao ouvinte «Compor» o que falta como se um jogo fosse.
E é-o de facto. A música popular terá de ser como um jogo onde todos participem: quem a faz, quem a divulga, quem a ouve, quem a critica.
Banda do Casaco





11.1.16

Memorabilia: Revistas / Magazines / Fanzines (148) - Pop-Clube #9


Pop-Clube
(Trap-Magazine) Director: Juvêncio Pires
Nº 9
Fevereiro

10$00


 



Director: Juvêncio A. Pires
Administrador: Luís Vieira
Propriedade: Juvêncio Pires e Luís Vieira
Chefe de Redacção: Carlos Lobo
Redacção: Rua Luís António Verney, 19 1º-Dto. - Cova da Piedade
Administração: Rua Dr. Julião de Campos, Nº 9 R/C, Almada

20 páginas A4 - papel de peso médio p/b. A excepção é a capa que é de papel brilhante mais pesado e a cores (azul)

Tiragem: 20 mil exemplares.




Jimi
O Homem, O Músico, O Mito

Em 18 de Setembro de 1970, James Marshall Hendrix foi declarado morto no St. Mary Abbots Hospital, em Kensington, Inglaterra.
O professor Donald Teare, patologista, explicou a causa da morte como 'inalação' de vómito devido a intoxicação barbitúrica.
Embora não houvesse no corpo de Jimi droga suficiente para lhe causar a morte especulou-se sobre um possível suicídio. Isto foi negado por pessoas que tinham realmente conhecido Jimi Hendrix, pois, muitas delas afirmam que este adorava a vida.
Mas em qualquer aspecto a morte de Jimi Hendrix foi um trágico e inevitável acidente.
Gerry Stickels mandou por avião o corpo morto de Jimi para a sua terra Natal.
Acompanhado por Johnny Winter e Miles Davis, assim como pela maior parte dos músicos que tocaram com ele, o funeral realizou-se no dia um de Outubro de 1970 no Greenwood Cemetery, em Seattle.
Tentamos com esta pequena biografia dar vida àquilo que apelidámos de Jimi Hendrix - O Homem, O Músico, O Mito.
Quem foi Jimi Hendrix? O que é que ele representava para as pessoas que trabalharam e viveram com ele? O que era para Jimi a música que ele tocava?
É a tudo isto que vamos tentar dar resposta.
Em continuação ao número anterior, vamos neste reproduzir uma entrevista dada por Jimi Hendrix, em 1970, pouco antes da sua morte, a Noel Redding e Baron Wolman. Esta entrevista dá-nos um relance daquele que foi o grande génio da guitarra.
P - Ainda vives com muitos músicos na tua casa?
R - Não, agora só quero ter tempo para mim próprio, para poder escrever alguma coisa. Eu quero escrever mais.
P - Que espécie de escrita?
R - Não sei. Na maior parte material para 'cartoon'. Fazer este gajo que é engraçado, e que passa por todas estas cenas estranhas. Não posso falar sobre isso agora. Acho que se pode pôr isto em música. Tal como se podem pôr blues em música.



P - Estás a falar em grandes trechos? Ou somente em canções?
R - Bem, eu quero fazer aquilo a que chamas trechos, sim, peças, umas atrás das outras de maneira a criarem movimento. Tenho estado a escrever coisas assim.
P - Se tens o 'cartoon' na cabeça, tens também a música?
R - Sim, na cabeça, exactamente. A música vai acompanhando a história, tal como em 'Foxey Lady'. Qualquer coisa assim. A música e as palavras vão juntas.
P - Quando compões uma canção, ela ocorre, simplesmente, ou segues o processo de te sentares, com a guitarra ou ao piano, começando às dez da manhã e tentando fazer a canção?
R - A música que sinto não a consigo pôr na guitarra. Se pegar nela para tentar tocar o que sinto, só consigo estragar tudo. Não sou tão bom guitarrista que possa tocar tudo o que sinto e quero. Gostaria de ter aprendido a escrever para instrumentos. Acho que vou tentá-lo agora.
P - Então para coisas com 'Foxey Lady', ouves primeiro a música, para depois chegares à letra?
R - Bem, tudo depende. Em 'Foxey Lady', nós começámos a tocar, e ao microfone eu disse as palavras que me ocorreram. Com 'Voodoo Child', 'A Slight Return', alguém estava a filmar quando começámos a fazer isso. Fizé,o-lo umas três vezes porque eles queriam filmar-nos no estúdio.
P - Gostas de ouvir alguns tocadores de avant - garde jazz?
R - Sim, quando fomos à Suiça e ouvimos alguns músicos de lá que nunca tínhamos ouvido, músicos que tocam em pequenos clubs e caves não podíamos imaginar que eles fizessem música assim. A música deles é como uma onda: vai e vem.
P - Quais são, para ti, os melhores sítios para tocares?
R - Gosto de tocar em lugares pequenos, como um club. Aí obtém-se um outro sentimento, sentimento esse que se junta com outro que já temos. Não sei explicar... Acho que são as pessoas.
P - Como são aquelas duas diferentes experiências, aquilo que obténs da audiência?
R - Eu obtenho muito da audiência. Algo que me faz 'sair' dali. Eu não me esqueço da audiência mas sim de toda a paranóia, daquela coisa que me faz dizer: 'Oh Deus! Eu estou no palco, o que é que eu vou fazer agora? Então sinto qualquer outra coisa que se parece, de certa maneira, com uma brincadeira.
P - Que parte te toca na produção dos teus álbuns? Por exemplo, produziste o teu primeiro álbum 'Are You Experienced?'
R - Não, foram Chas Chandeler e Eddie Kramer quem mais trabalhou nisso. Eddie era o engenheiro e Chas como produtor mantinham as coisas juntos.
P - O último disco 'Electric Ladyland' apresenta-te como produtor. Fizeste realmente tudo?
R - Não, bem fui eu e Eddie Kramer. Tudo o que eu fiz foi estar lá e certificar-me que as canções certas e o som certo também lá estavam. Mas o som perdeu-se porque fomos fazer uma tournée antes de o disco estar completamente acabado. Eu depois ouvi-o e achei[...]
P - No último disco gravaste "All Along The Watchover". Há mais alguma coisa de Bob Dylan que queiras gravar?
R - Oh sim. Gosto daquela assim 'Please help me in my weakness' (Drifters Escape). Era bestial. Eu gostava de fazer isso. Eu gosto do seu 'Blonde on Blonde' e 'Highway 61, Revisited'. O seu material de campo também é bom. É mais clamo.
P - Costumas ouvir grupos como os 'Flying Burrito Brothers'?
R - Quem é o guitarrista dos Burrito Brothers? Esse moço toca. Gosto dele. Ele é realmente maravilhoso com a guitarra. É o que me faz ouvi-los, é a música.
P - Lembras-te de Bob Wills and the Texas Playboy?
R - Gosto deles. The Grand Ole Opry costumava vir ouvi-los. Eles têm bons guitarristas.
P - Que música admiras, fora do teu género?
R - Nina Simone e Moutain.
P - Que me dizes sobre um grupo como os Mac Coys?
R - O guitarrista é óptimo.
P - És fan de Pinkie Lee?
R - Costumava ser. Costumava usar meias brancas.
P - É verdade que costumas ensaiar com Band Of Gypsys doze a dezoito horas por dia?
R - Oficialmente é verdade. Mas maior tempo que tocámos juntos foi duas horas e meia, quase três.
P - Vais fazer um single e um L.P.?
R - É possível que um ou outro saiam em breve. Estas companhias de gravação só querem singles. Mas não nos podemos sentar e dizer 'vamos fazer uma faixa, ou vamos fazer um single'. Nós não vamos fazer isso, não podemos fazer isso.
P - Credence Clearwater Revival faz isso até ter material para um álbum, como nos tempos antigos.
R - Bem isso era nos velhos tempos. Eu considero-os mais músicos, mais dentro da música, compreendes?
P - Mas os singles fazem dinheiro, não fazem?
R - Bem, é por isso que eles se fazem.
* Quando Jimi Hendrix fala em cartoon, pensamos que se refira ao projecto que ele tinha de fazer em desenhos animados (cartoon) a história da sua vida.





Pink Floyd - "Animals"
Um Novo Álbum, Um Novo Êxito
Escreveu: Judite Maria Cid
Tudo começou em 1966 na "London's Polytechnica School Of Architecture", onde estudavam Nick Mason, Roger Waters e Richard Wright. O compositor inicial é Sid Barret, amigo de Roger e o responsável pelas noites loucas no clube U.F.O., onde se reuniam os avant-gard do tempo.
Foram o primeiro grupo a utilizar um show de luzes, com projecção em telas, nos músicos, e no público, slides e composições de Pop-Arte, coordenado por Mick Lowe.



A sua música inovadora que foi várias vezes apelidada de psicadélica, inquietante, etérea e selvagem, tentava recriar uma viagem de ácido lisérgico.
O seu primeiro trabalho de longa duração saiu no filme de 1967 "The Piper At The Gates Of Dawn", seguido em 68 por: "Saucerful of Secrets", trabalho de música irreal, suite sonora de vozes e estranhos coros, cantos de pássaros e barulhos bizarros. É depois da gravação deste disco que se verifica a partida de Syd Barret (que vai para um asilo de tratamento psiquiátrico), entrando em seu lugar o guitarrista David Gilmour.
É "MORE", saído em 69 que começa a criar fama ao grupo. Disco este que foi concebido para a banda sonora original de um filme com o mesmo nome.
Segue-se um duplo "ummagumma" que inclui o famoso "Careful With That Axe, Eugene" em gravação ao vivo.
Em 1970 acontece a grande "volta" nos processos de criação musical no grupo. Pink Floyd evolui para uma maior elaboração menos espectacular e imediato. É assim que surgem ainda em 70 "Atom Heart Mother", gravado com orquestra e coros, pouco acessível para os amantes do Rock da altura, e já em 71, "Meddle" cuja composição "Echoes" é um autêntico marco da música moderna, que nos oferece momentos sublimes de rara beleza e de grande força envolvente, tal como disse o crítico do "Rock et Folk" Paul Alessandrini.
Nesta altura já os shows ao vivo são feitos em quadrifonia sendo a sua parte visual considerada a mais bela do mundo.


Em 1972 surge "Obscured By The Clouds", considerado por alguns um autêntico acidente na discografia do grupo, e que serviu de banda sonora ao filme de Barbet Schroeder "La Valée".
"Dark Side of the Moon" sai em 1973, depois de ter sido tocado ao vivo durante um ano. Grande sucesso do grupo, este álbum é composto por um ciclo de canções sobre a devastação mental e emocional provocada pelas pressões sociais do medo, do falhanço, do envelhecimento, da pobreza, da solidão, e acima de tudo da loucura.


É nesta altura que alguns críticos saudam no Pink Floyd o agarrar humano no universo concentracionário do homem e do seu ego.
Depois de dois longos anos sem discos surge "Wish You Were Here". Deitando fora o fantasma de Syd Barret, os Pink Floyd conseguem um álbum mordaz, crítico, triste e cínico mas infinitamente belo.
Agora em 1977 o já celebérrimo grupo surge com um novo álbum: "Animals". O disco foi gravado no estúdio privativo dos Pink Floyd, situado na parte norte de Londres. Foi totalmente produzido pelo grupo e nele encontra-se o toque fundamental que é a sua característica essencial - a perfeição. É um disco concebido, evidentemente, sobre os animais, ou antes, sobre o Homem visto através dos animais.
"Animals" é uma visão pesimista e cínica da Humanidade, que se encontra dividida em três grupos distintos: os cães, os porcos e os carneiros. Waters torna-se duro pois apresenta-nos num estado bestial, não nos restando outra hipótese a não ser escolhermos qual a espécie que mais nos convém.






"Animals" é composto por quatro partes:
Na 1- face "Pigs on the Wing".
Na 2- face "Pigs", "Sheep" e "Pigs on the Wing".
O material não é totalmente original, pois "Dogs" e "Pigs" são temas antigos tocados ao vivo pelo grupo há cerca de dois anos. Nessa época "Dogs" intitulava-se "You Gotta Be Crazy", e "Pigs" era "Raving and Drooling".
"Pigs on the Wing" é introduzido por uma guitarra acústica, que vai ser a base contínua da faixa, especialmente na primeira parte. Os solos e a voz vão seguir este som acústico que se impõe como suporte essencial.
Esta faixa é uma concepção sobre as relações de desconfiança e violência entre as pessoas.
"Pigs" começa com grunhidos de porcos. Há uma óptima combinação de guitarra acústica e eléctrica, bateria e piano. Vozes recitam quatro linhas do antigo testamento, sendo a última mudada por Waters para qualquer coisa como: "Não se esqueça a sua lição de Karaté".
Balidos de carneiro introduzem "Sheep", a faixa mais ritmada do álbum, e, que faz lembrar "One Of These Days" do disco "Meddle". Têm ambas a mesma introdução, o mesmo ritmo, a mesma energia. Pássaros e carneiros acabam esta faixa.
É isto, em resumo, o último disco de Pink Floyd. Não deixes de o ouvir.



Rock Alemão
Jurgen Fritz, Teclista do Grupo Triumvirat esteve em Portugal
Suscitou enorme entusiasmo e surpresa a visita ao nosso país do teclista e leader do grupo de Rock - 'TRIUMVIRAT'. Na realidade não é hábito sermos visitados pelos músicos da música rock o que fez, naturalmente, espevitar toda a imprensa da especialidade (e não só) e grande parte do público informado.
JURGEN FRITZ deslocou-se até nós para receber o DISCO DE PRATA, atribuído pela venda dos seus três álbuns editados entre nós, de entre os quais sobressai com maior número de bandas - 'SPARTACUS'. JURGEN declarou-nos que, por sinal, foi o álbum que mais gostou de gravar por nele mais se notar o sentido de grupo.
Ficou admirado e surpreendido com as vendas dos seus discos em Portugal. Na realidade, atendendo às proporções das populações, é o segundo país em vendas. O Brasil ocupa o primeiro lugar. À escala da população vendem mais discos em Portugal do que no seu país (Alemanha Federal).
Surpreendeu-se também pelo facto dos seus principais auditores serem constituídos pela nossa camada mais jovem, enquanto que na Alemanha os seus álbuns são vendidos às pessoas de idade média. Confessou-nos que o grupo não era muito popular no seu país.



Presentemente procura um elemento para o grupo - o baterista. Com a saída do álbum o grupo desfez-se. FRITZ disse-nos já ter contactado BILL BRUDBORD (ex-Genesis e ex-Yes) para ocupar o lugar de baterista do grupo, uma vez que para baixo e vozes voltará BARRY PALMER que participara já no álbum 'SPARTACUS'.
Não se consideram intépretes do chamado Rock Alemão, chegando a afirmar-nos não existir Rock Alemão uma vez que o ritmo sanguíneo do povo Alemão é a marcha e daí as influências de Schultz ou de Kraftwerk. Pessoalmente não considera música o que esses grupos interpretam, mas sim experiências musicais. Sabe existirem grandes guitarristas na Alemanha, mas não de Rock. Sobre o próximo álbum a gravar, disse-nos que o tema principal seria sobre a explosão do vulcão Vesúvio e que retratará a vida antes e depois da explosão do mesmo.
Vão iniciar uma tournée pela Europa, Brasil, E.U.A.. Pensa fazer deslocar o grupo até nós devido ao enorme êxito dos seus álbuns entre a nossa juventude. Deslocar-se-ão mediante um 'cachet' simbólico. O grande problema parece estar na deslocação do enorme e pesado material para a actuação (10 toneladas), que faz pensar seriamente a possível agência organizadora do concerto.
Que tudo corra pelo melhor! Que tenhamos a oportunidade de ver a 'livre' um dos mais desejados grupos da actualidade.
Juvêncio Pires






Outro conteúdo interessante, eventualmente a divulgar posteriormente:
. Rick Wakeman - "O Rei do Rock Sinfónico" - artigo de fundo de 2 páginas, por Juvêncio Pires
. I Festival Jazz Contemporâneo 76 - Sintra - Reportagem de José Manuel Gomes.
 




31.8.15

Memorabilia: Revistas / Magazines / Fanzines (123) - Música & Som #59


Música & Som
Nº 59
Novembro/Dezembro de 1980

Publicação Mensal
Esc. 100$00
Número especial de Natal

Música & Som publica-se à 5ª feira, de quinze em quinze dias.
Director: A. Duarte Ramos
Chefe de Redacção: Jaime Fernandes
Propriedade de: Diagrama - Centro de Estatística e Análise de Mercado, Lda.
Colaboradores:
Ana Rocha, Bernardo de Brito e Cunha, Carlos Marinho Falcão, Fernando Peres Rodrigues, Hermínio Duarte-Ramos, João David Nunes, João Gobern, João de Menezes Ferreira, Lobo Pimentel Júnior, Nuno Infante do Carmo, Manuel Cadafaz de Matos, Paulo Norberto, Pedro Ferreira, Pedro Cristina de Freitas, Raul Bernardo, Rui Neves, Trindade Santos.
Correspondentes:
França: José Oliveira
Holanda: Miguel Santos e João Victor Hugo
Inglaterra: Ray Bonici

Tiragem 15 000 exemplares
104 páginas A4
capa de papel brilhante grosso a cores
interior com algumas páginas a cores e outras a p/b mas sempre com papel não brilhante de peso médio.


Crítica de Concertos

Tangerine Dream

Um Concerto Sem Tom Nem Som




À reacção - entre o surpreendido e o conformado - da assistência que, no Pavilhão dos Belenenses, seguiu a actuação dos Tangerine Dream levanta entre outras perguntas, a principal - gostaram, ou não, as pessoas do concerto?
Pelo que me pareceu - e pela minha parte também - nem sim nem não, antes pelo contrário. Como assim? Não sabiam as gentes ao que iam?
Na sua maioria, creio bem que não. O fascínio do hardware, o rock cósmico, os lasers, a ficção musical da ficção científica era o que esperavam. Mas não foi isso que tiveram.
Numa sala que destila punk por tudo quanto é sítio, com um output sonoro muito modesto - em volume e definição - e luzes nada espectaculares, a perfeita encenação dos Tangs para o seu Prelúdio à Música do Futuro falhou rotundamente. Essa frustração não escapou ao ágil público lisboeta, agressivo, primário, mas generoso, sempre pronto a deixar-se maravilhar pela novidade.
Por isso, o show ficou-se pelos ameaços de qualquer coisa que ninguém nunca ouviu. Mas esse espectáculo, cabe perguntar: poderia tê-lo sido?
Tenho algumas dúvidas.
E vamos por partes. Quanto ao público e a sala - nada de grave. Não seriam a audiência ideal. Mas o que é a audiência ideal? Imperdoável, sim, foi o som. A três metros das colunas as sonoridades embrulhavam-se, perdiam definição e recorte. Ficavam uma pasta harmónica, onde as sequências rítmicas enquadravam por vezes melodias de bom traço. A mensagem lá ia chegando aos ouvidos sequiosos da massa humana. Mas a pureza do meio, onde estava ela? A nitidez no desenho das figuras rítmicas e a fidelidade na reprodução dos timbres - tão importantes neste tipo de música - ninguém os percebia.
Aqui, a beleza sonora é um ingrediente essencial. Com meia dúzia de watts e um banho de distorção intermodulacional, para que servem as catedrais electrónicas?
Depois, a pacatez do vídeo não contribuiu para que os clímaxes comparecessem no instante exacto. Bom gosto, sobriedade. Falta de impacto. Frio não quer dizer morno.
E restavam três figuras fantasmagóricas, por detrás de uma cortina negra translúcida, mergulhadas numa penumbra sacudida por relâmpagos. O seu bailado estático tinha algo de insensato para quem aplaudia ou assobiava. Um agitar da perna. Um dar à anca esporádico. Dos três, só Johannes Schmoelling denunciava reflexos orgânicos. E compreende-se. Foi ele quem mexeu mais em teclados. Os outros estavam amarrados aos gestos milimétricos exigidos pelos gigantescos painéis de potenciómetros e relés. Não é possível swingar a rodar botões e deslocar cursores. Toda esta gestualidade é atavismo da prática instrumental que os Tangs irrelevam. Foi preciso o menino Joãozinho descer ao piano a curtir uma de Keith Jarrett para o pessoal sacudir o torpor. (É agora que isto vai aquecer?).
Mas não. Aquilo era mesmo assim. E não era para deitar fora. Mas não dava para levantar voo. Era uma coisinha interessante e inócua. Bem concebida mas mal embalada, perdida num labirinto de equívocos. Sem tom, nem som.
Mas será, por certo, excessivo avaliar o grupo a partir de uma única exibição. Saliente-se, ainda, que um projecto como o dos TD é válido enquanto se mantiver vivo, importante sempre menos pelo que já foi feito, que pelo que vai fazer.
É que, neste tipo de música, as possibilidades são praticamente ilimitadas, embora elas se abram apenas mediante a superação de algumas contradições. A mais importante das quais resulta da lenta aglutinação numa personalidade colectiva das três figuras que, hoje, condensam a criação e produção da música: o compositor, o intérprete e o engenheiro.
O que se passa com os TD é que, por ora, a relação entre estas diversas facetas é conflituosa. Qual é a liberdade do intérprete e quais são os limites da improvisação? De que modo as condições de reprodução (num espaço concreto) afectam o programa preparado? Qual é o efeito retroactivo da resposta do público sobre a actuação? Que tipo de participação suscita esta música na assistência e de que modo pode o grupo integrá-la?
Estas perguntas - problemas simples que qualquer intérprete resolve intuitivamente no palco - não podem ser respondidas por um grupo com as características dos TD senão ao cabo de uma longa e penosa carreira.
Por outro lado, por um ponto de vista estritamente musical, os TD aceitam ainda condicionalismos estruturais especificamente inerentes ao universo da instrumentação clássica e popular, que nada têm a ver com a aparelhagem que manejam e mal conhecem. De momento, as suas composições pouco mais representam que um arsenal de efeitos sonoros com que a música tradicional é ornamentada.
Mas o seu papel - correlativo ao dos músicos que progressivamente vão integrando as novas aparelhagens na música do quotidiano - é da maior importância. São eles quem prepara a (r)evolução do gosto do público e dos seus hábitos de consumo estafados por uma tradição que começa a dar amplos sinais de exaustão.
O que não pode estar em causa num concerto como o dos Belenenses é a apreciação do seu trabalho exclusivamente em termos da música produzida. Mais disco ou menos blues não vem ao caso. É sempre uma proposta concreta, na sua globalidade, que tem de ser avaliada.
O espectáculo falhado nada mais significou que uma experiência frustrante, para os músicos e para o público. Para aprender a esquecer.
Trindade Santos

Entrevista Exclusiva

A Longa Viagem dos Tangerine Dream



M&S - Como se reflectiu na vossa música a evolução do rock?
Edgar Froese - Nós fizemos parte dessa evolução. Em certa medida pode falar-se da nossa própria reflexão nalguma parte do processo de transformação do rock.
Quanto à evolução do grupo - ao contrário do que se costuma dizer - não a sinto como uma revolução. É, sim, um movimento gradual, passo a passo, pelo qual se vai formando e transformando um ideal musical.
Ao levarmos as pessoas a ouvirem, não apenas uma música diferente, mas, sobretudo, de um modo diferente, estamos a contribuir para o aprofundamento das formas de participação individual na criação cultural.
Hoje, pode falar-se de música de dois grandes géneros: uma, a que desperta um reflexo cómodo e descomprometido da parte do consumidor; outra, a que faz com que a audiência se projecte na obra que lhe é proposta, que vá ao seu encontro. E para isso é necessário que se conheça.
O nosso maior ideal é provocar no ouvinte a autodescoberta e um progressivamente maior conhecimento de si.
Chris Franke - Essa exigência decorre, por si, da nossa escolha de um novo tipo de instrumentação. Com ele podemos criar novos padrões, novas texturas, novas atmosferas... Portanto, novos sentimentos na apreciação da experiência musical. É, pois, o indivíduo e, no limite, toda a sociedade que se vêem reflectidas nas nossas propostas de mudança. A tecnologia, a própria capacidade de adaptação do homem ao ambiente pela introdução de novas tecnologias, tudo isso está presente na música que fazemos.
Ironicamente, esse é um dos motivos que nos levam a recusar os textos nas nossas obras. Porque isso seria, de algum modo, fixar a mudança ou convertê-la em directivas precisas.
M&S - Acham, pois, que fazem música para o indivíduo ou para as massas?
EF - Para ambos. Na medida em que é o indivíduo que constitui a massa e das massas se projectam indivíduos...
CF - Naturalmente, falar em música para as massas faz logo pensar em comércio e indústria, porque há uma música logo etiquetada com essa finalidade. Pela nossa parte, começámos por pensar no indivíduo - talvez como extensão de nós próprios - mas temos vindo a sentir, com o crescimento do nosso público, que estamos diante de uma multidão anónima mas diferenciada, constituída por indivíduos conscientes de si, que participam numa aventura cujo fim não se pode conhecer. Nessa longa viagem, tanto o indivíduo como a massa estão na mira da nossa criação.
M&S - Poderiam dar aos nossos leitores um guia da vossa estratégia orquestral? Que aparelhos a integram e como é por eles produzida a vossa música?
EF - Aí está uma diferença - momentânea, talvez - entre a nossa e a música convencional. Porque é fácil perceber como um melhor conhecimento da orquestra pode levar as pessoas a disfrutarem melhor a sua experiência musical. No nosso caso - por muitas razões que é impossível aqui enumerar - essa explicação poderia constituir uma barreira à espontaneidade com que o ouvinte deve poder, com inteira liberdade, (re)construir a mensagem que lhe passamos. Em última análise, explicar o que é inexplicável, ou fornecer informação dificilmente digerível pela generalidade do público, é dificultar a apreensão da música. Faz~e-la mais difícil e pesada que o que, na realidade, é.
CF - Isso seria, até, violentarmos a entrega imediata com que a realizamos. Todo o caminho percorrido, que nos levou a recusarmos a via dos instrumentos convencionais e nos leva a prosseguir e aprofundar esta senda é estritamente intraduzível numa ordem de razões. Pôr aí, para mais, a música e o que estiver por detrás dela é arriscarmo-nos a descrever o iceberg pelo que se pode ver à luz do dia.
As nossas condições de trabalho e os nossos métodos divergem muito dos da generalidade dos músicos convencionais. Há um alto grau de improvisação - face à construção - na música que fazemos. No limite, é uma criação de input directo. O output pesa, sobretudo, nos concertos quando sentimos o calor da assistência procuramos adequar-nos aos seus impulsos e desejos.
M&S - Mas, então, um disco deve ser quase um choque no vosso processo criativo, na medida em que fixa o infixável?
CF - Temos uma consciência aguda dessas circunstâncias. Mas nem por isso podemos trair a nossa aposta. Criatividade-indústria, indivíduo-massa, tradição-progresso. Tudo isso são pólos entre os quais nos movimentamos. Encontrar um equilíbrio, instável que seja, entre essas poderosas forças de atracção, é um dos aspectos mais delicados da nossa tarefa.
EF - Por outro lado, desinteressarmo-nos inteiramente do disco e perder uma valiosa relação com o público seria talvez mais puro, mas diminuiria muito a eficácia da nossa intervenção. Na realidade, o disco, logo que pronto, passa a não nos interessar absolutamente nada. Não é mais do que um fragmento do passado num fluir contínuo em que captar este ou aquele momento - e porquê um ou outro? - não tem qualquer sentido.
Já me aconteceu ter-me esquecido, a ponto de não reconhecer de todo, uma «composição» incluída num disco lançado há três ou quatro anos.
Creio que esta simples diferença documenta bem a diferença entre a nossa maneira de criar e a de um músico convencional, que só se esquece de uma composição sua se não gostar de todo dela.
M&S - Isso implicaria que, por exemplo, uma canção não apenas nunca pudesse acontecer fazerem-na, como, nem sequer teria qualquer significado para vocês?
EF - Não sou tão arrogante que chegue a declará-lo. Há milhões de pessoas para quem uma canção é tudo e o mais que podem perceber do imenso universo da música. Para esses, a nossa viagem conjunta terá de proceder, passo a passo, sei lá por que caminhos...
CF - O que nos interessa é o que flui, o que se plasma nas pessoas e nos locais num determinado instante e depois se vai. Talvez sejamos explicáveis apenas em termos de formas abstractas. E isso pode ter um significado para nós, mas tentar explorá-lo acabaria por cortar-nos do resto das pessoas. Por isso fugimos a explicações. A fantasia - a nossa e a do nosso ouvinte - é um dos aspectos mais preciosos que procuramos preservar.
Porque o ouvinte não pode participar de um modo puramente passivo numa música como a nossa. Ele é, de algum modo, o seu co-criador.
M&S - As «tournées» têm, portanto, grande importância na vossa vida?
EF - A maior. Entre várias razões, porque há muito poucas experiências musicais em disco que consigam interessar-me ao longo de dez anos...
M&S - Por exemplo...
EF - Bach. Que, tal como nós, (salvas as devidas proporções) é um compositor que trabalha com sequências.
M&S - O sucesso tem alguma influência na vossa música?
EF - Se tem! De um modo muito estranho, por exemplo. A partir de um certo momento temos vindo a sentir cada vez mais a presença do ritmo. Aquilo que inicialmente era a atitude de um indivíduo só perante o mundo foi-se deixando tocar pela exterioridade. Haverá aqui uma certa pressão da cena que nos rodeia - embora basicamente continuemos tão sozinhos como sempre -  mas vai-se dando uma abertura ao clima que nos envolve. Vamo-nos tornando mais populares e, enfim, é o sucesso...
De resto, prontamente aplicado na compra de mais material que não é barato. E aqui, mais uma vez, é patente a retroacção.
Foi essa atenção ao público que nos levou a esta «tournée» que terminará em Dezembro, algures nos Estados Unidos. E logo a seguir começaremos outra, a partir da Alemanha, daí para Itália, e talvez aos países socialistas, depois música para um filme e um projecto para a TV e, inevitavelmente, um novo disco. A partir de então, já não distingo com clareza.
M&S - Creio que já chega para encher uma agenda. Adeus e felicidades.
Trindade Santos


Alguns artigos interessantes, para futura transcrição:
. Criação e Comunicação - O Cerco a Vitorino de Almeida - entrevista de Trindade Santos e Pedro Ferreira
. Rick Wakeman - Yes ou Não? - entrevista por Pedro Ferreira
. Os discos esquecidos do ano 80, artigo por João Gobern
. XTC - artigo por Pedro Ferreira
. Plasmatics - artigo de Nuno Infante do Carmo
. Skids - Valquírias sem Hidromel - artigo de Ana Rocha
. Caravan - crítica de concerto por José Oliveira + entrevista por José Oliveira
. Críticas de Discos
.. David Bowie - "Scary Monsters" [RCA - PL - 13647; Distribuição Telectra], Banco de Ensaio por João David Nunes e João de Meneses Ferreira
.. Dexys Midnight Runners - "Looking For The Young Soul Rebels" [11C 076 07319] - Ana Rocha
.. The Police - "Zenyatta Mondatta" [A&M 2PSP 4831] - Jaime Fernandes
.. Anette Peacock - "The Perfect Release" [Aura Records AUL 707 NP] Pedro Cristima de Freitas
. Neil Young - artigo de Bernardo Brito e Cunha
...& Som
- Top-Booster Para Guitarra Eléctrica"
. Vibrato
. Tremolo
. Reverberação
. «Top-Booster»
.. Leitura do Esquema Eléctrico
.. Funcionamento do «Top-Booster»
Jacques Higelin - Uma Arte Policêntrica - artigo de Rui Neves
A Explosão da Música Antiga (I) - O Que É A Música Clássica? - artigo de Trindade Santos




3.12.14

Livros sobre música que vale a pena ler (e que eu tenho, lol) - Cromo #50: Nikolaos Kotsopoulos (editor): "Krautrock - Cosmic Rock And Its Legacy"


Autor: Nikolaos Kotsopoulos (editor)
título: Krautrock - Cosmic Rock And Its Legacy
editora: Black Dog Publishing
nº de páginas: 192
isbn: 978-1-906155-66-7
data: 2009

sinopse: 

Os anos finais da década de 1970 na Alemanha Ocidental, froam um período de rupturas, agitação e revolução. As comunas espalharam-se como cogumelos, foram organizados protestos por todo o país, o desejo de ciniciar algo de nnovo permeou a juventude. Fora deste clima, uma cena musical explodia e mudaria para sempre a face do rock do mundo ocidental; por vezes anárquico, outras místico, mágico, ou utópico, ele empurrou o rock para além dos limites então conhecidos.
Nunca um género ou movimento per se, o Krautrock englobava uma grande diversidade de sons quase todos eles muito silvestres, assim como de atitudes, músicos antigos, do free jazz a Karlheinz Stockhausen, dos Dada ao Fluxus, do Romantismo Germânico aos Mothers of Invention. Os músicos operavam fora de qualquer categoria musical até então conhecida, cavando um novo tereno e voltando as costas quer ao passado do seu próprio país quer ao convencional rock anglo-saxónico. A sua visão fez disparar imaginações de geraçoes de músicos que se lhe seguiram: Cabaret Voltaire, Brian Eno, Nurse With Wound, PiL, DAF, Einstürzende Neubauten, apenas para citar uns quantos, todos eles creditaram o Krautrock como grande influência, referindo a sua ética descomprometida e a inovação sonora.
Da batida rígida da bateria dos Amon Düül, ao misticismo tingido de orientalismo dos Popol Vuh e aos assaltos sónicos de Conrad Schnitzler, Krautrock: Cosmic Rock and Its Legacy traça a história deste fenómeno. Ilustrado por fotos de concertos, posters, capas de discos e outro material visual raro, inclui ensaios de Michel Faber, Erik Davis, David Stubbs, e testemunhos de Gavin Russom (Delia and Gavin / Black Meteoric Star), Plastic Crimewave, Stephen Thrower (Coil / Cyclobe), e Ann Shenton (Add N to (X)) este é um compêndio essencial de uma música cujo espírito e ideias ainda vibram hoje em dia na cultura contemporânea.

Perfis das Bandas incluídos:
Agitation Free
Amon Düül
Amon Düül II
Anima
Ash Ra Tempel
Between
Can
Cluster
Cosmic Jokers
Embryo
Et Cetera / Wolfgang Dauner
Faust
Floh de Cologne
Gila
Sergius Golowin
Guru Guru
Harmonia
Kraftwerk
La Düsseldorf
Limbus
Nektar
Neu!
Popol Vuh
Achim Reichel
Conrad Schnitzler
Klaus Schulze
Xhol Caravan
Uli Trepte
Tangerine Dream
Walter Wegmüller
Witthüser And Westrupp

Produtores
Gerhard Augustin
Dieter Dierks
Rolf - Ulrich Kaiser
Conny Plank

Editoras
Bacillus
Brain
Kosmische Musik
Kuckuck
Ohr
Philips
Pilz
United Artists / Liberty







9.4.14

Krautrock - A Lista (quase) Definitiva... (Parte 14/26: letra N)


Segundo a melhor enciclopédia do género, recenseada em post anterior:

The Crack in the Cosmic Egg - Encyclopedia of Krautrock, Kosmische Musik, & Other Progressive, Experimental & Electronic Musics From Germany

. Quando o formato não é indicado, corresponde a LP.
. Esta lista (todas as partes) será actualizada com as indicações das obras que possuo e que poderei disponibilizar para audição (as de fundo colorido);
. Só estão listados os dados referentes às primeiras edições. A maioria das obras possui outras edições (em LP e, sobretudo, em CD.
. Existem artistas e bandas que se mantiveram, e alguns deles ainda se mantêm, em actividade, com novas edições, que não estão incluídas na Enciclopédia (nem aqui), mas que são acrescentadas no final da tabela - uma linha de intervalo (essas também tenho, obviamente).
Se quiserem ajudar... vão indicando erros, lapsos, obras ausentes, etc. para o email habitual. Grato.



-Michael Naura (selected discography...)
Rainbow Runner
Spiegelei
1972
28 522-1U

Vanessa
ECM
1975
1053
Nautilus
20,000 Miles Under The Sea
Turicaphon
1978
NLP 7801

Space-Storm
Musk
1980
MP 801
Necronomicon
Tips Zum Selbsmord
Best Prehodi
1972
F 60.634

Vier Kapitel (4xLP)
Little Wing Of Refugees
1990
LW 1010-13
Nekropolis




Nektar
Journey To The Centre Of The Eye
Bacillus
1971
BLPS 19064

A Tab In The Ocean
Bacillus
1972
BLPS 19118

... Sounds Like This (2xLP)
Bacillus / United Artists
1973
BDA 7501 / UAD 60041/42

Remember The Future
Bacillus
1973
BLPS 19164

Sunday Night At The London Roundhouse
Bacillus
1974
BLPS 19182

Down To Earth
Bacillus / United Artists
1974
BLPS 19190 / UAG 29680

Recycled
Bacillus
1975
BLPS 19219

Live In New York (2xLP)
Bacillus
1977
BLS 5557

More Live In New York (2xLP)
Bacillus
1978
BAC 2058

Magic Is A Child
Bacillus
1978
BAC 2050

Man In The Moon
Ariola
1980
202 215
Nerve
--> Rock Offers



Klaus Netzle (choice Claude Larson discography...)
Scenic Sequences
Sonoton
1980
SON 146

Far East Impressions
Sonoton
1983
SON 196

Digital Landscape
Selected Sound
1983
159

Middle East Impressions
Sonoton
1983
SON 197

Silicon Valley
Erdenklang
1984
ERD 84009

Soundscapes
Sonoton
1985
SON 227

Purple Sky
Wergo
1986
SM 1057
Neu!
Neu!
Brain / United Artists
1972
1004 / UAS 29396

Die 2
Brain
1973
1028

Neu! 75
Brain / United Artists
1975
1062 / UAS 29782

Neu! 4 (CD)
Captain Trip
1995
CTCD 020

’72 Live! (CD)
Captain Trip
1996
CTCD 045
Mani Neumeier
Mani Und Seine Freunde
Atlantic
1975
ATL 50157

Mani Neumeier (K7)
Transmitter
1981
TC 20

Neue Abenteuer
Biber
1983
BI 6190

Privat (CD)
Admission To Music
1993
ATM 3803
Neuschwanstein
Battlement
Racket
1979
RRK 15002
Niagara
Niagara
United Artists
1971
UAS 29232

S.U.B.
United Artists
1972
UAS 29343

Afire
Finger
1973
2960 102
Night Sun
Mournin’
Zebra
1972
2949 004
Nikel’s Spuk
Nikel’s Spuk
Schneeball
1981
05.1027
Nine Days Wonder
Nine Days Wonder
Bacillus
1971
6949 004 / BLPS 19073

We Never Lost Control
Bacillus
1973
BLPS 19163Q

Only The Dancers
Bacillus
1974
BLPS 19200Q

Sonnet To Billy Frost
Bacillus
1975
BLPS 19234
Nosferatu
Nosferatu
Vogue
1970
LDVS 17178
Novaks Kapelle
Live
Pan
1977
28959

Naked
Ariola
1978
205 784
Novalis
Banished Bridge
Brain
1973
1029

Novalis
Bran
1975
1070

Sommerabend
Brain
1976
1087

Konzerte
Brain
1977
60.065

--> Brain Festival Essen




Brandung
Brain
1977
60.094

--> Brain Festival Essen II




Vielleicht Bist Du Ein Clown?
Brain
1978
60.164

Flossenengel
Ahorn
1979
6.23980

Augenblicke
Ahorn
1980
6.24529

Neumond
Vertigo
1982
6435 150

Sterntaucher
Vertigo
1983
812 597

Bumerang
Teldec
1984
6.25892

Nach Uns Die Flut
Vertigo
1985
824 645
Ralf Nowy
Lucifer’s Dream
Global
1973
26.015-8U

Escalation
Atlantic
1974
ATL 40556

Nowy 2
Atlantic
1975
ATL 50205
No Zen Orchestra
Invisible College
Interfisch
1988
01704










Novalis
Wer Schmetterlinge Lachen Hort (comp.)
Brain (Germany)
0060.219
1983
Neu!
Komplett (3 LPs on 2 CDs) (2xCD) [Neu; Neu 2; Neu’75] (unofficial release/bootleg)
Not On Label (Germany)
????
none
la! Neu?
Die With Dignity: Kraut?
Captain Trip Records (Japan)
1998
CTCD-098 / la! Neu? 1.000-12
la! Neu?
Zeeland (Live ’97)
Captain Trip Records (Japan)
1997
CTCD-086 / la! Neu? 1.000-7
la! Neu?
Rembrandt: God Strikes Back
Captain Trip Records (Japan)
1997
CTCD-087 / la! Neu? 1.000-9
la! Neu?
Gold Regen (Gold Rain)
Captain Trip Records (Japan)
1998
CTCD-123 / la! Neu? 1.000-13
la! Neu?
Blue (la Düsseldorf 5)
Captain Trip Records (Japan)
1999
CTCD-178 / la! Neu? 1.000-19
Mani Neumeier & Peter Hollinger
Meet The Demons Of Bali
Think Progressive (Germany)
1998
TPCD 1.802.022
Nine Day’s Wonder
The Best Of Our Life?
Garden of Delights (Germany)
2001
CD 057
1-A Düsseldorf [Neu!]
D.J.F.
Captain Trip Records (Japan)
2000
CTCD-251
Die Engel Des Herrn [Neu!]
Die Engel Des Herrn
LSD (Germany)
1992
2.000-1
Die Engel Des Herrn [Neu!]
Live! As Hippie Punks
Captain Trip Records / LSD (Japan / Germany)
1995
CTCD-012 / 2.000-3
Moebius, Plank, Neumeier [Cluster]
Zero Set
Sky Records (Germany)
1983
sky 085
Neumeier + Genrich + Schmidt
Psychedelic Monsterjam
Sunhair (Germany)
2004
SH 002
 




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