30.3.15

Livros sobre música que vale a pena ler (e que eu tenho, lol) - Cromo #52: V/A - "O Uivo Da Matilha" tributo a ANTÓNIO SÉRGIO e à ROCK 'N' ROLL RADIO (livro + DVD)


Autor: Livro: vários (depoimentos); DVD: Eduardo Morais
título: "O Uivo Da Matilha" tributo a ANTÓNIO SÉRGIO e à ROCK 'N' ROLL RADIO (livro + DVD)
editora: Edições El Pep + Chaosphere + Raging Planet
nº de páginas: 194
isbn: 978-989-96984-9-9
data: 2014 - Novembro
Edição Limitada a 500 Exemplares

formato A5 na horizontal.



Prefácio | Ana Cristina Ferrão
I
O mês de Outubro era para nós um mês de grandes alegrias. Foi o mês em que dormimos juntos pela primeira vez e não nos separámos mais. Foi o mês em que nasceu a Bébé, e por coincidência tinha também nascido o pai do Sérgio.
É mês de Halloween. Acreditem ou não, o António Sérgio embora não gostasse nem de filmes de terror, nem de máscaras e muito menos de se disfarçar, adorava dar um saltinho a Londres na noite de Halloween.
Conheci o Sérgio em Londres, em Agosto de 79, na mesma altura em que conheci também o meu querido João Luis Robinson (o Zappa).
No nosso primeiro jantar, num restaurante do Bairro Alto, o Sérgio veio acompanhado do primo, o Zhe Guerra, ficámos irmãos de sangue.
Trouxe para a minha vida a Zhe Guerra com os filhos Patrícia e Gustavo, a Becas, a Paula Ferreira e o Quim Manuel Lopes.
Disse-me que tinha um processo em tribunal - o célebre disco pirata. Ele, o Zhe e o Quim, eram a Pirate Dream Records.
Na nossa primeira ida ao cinema trouxe os filhos, o Paulo e o Fausto, e teve que sair a meio porque o Fausto ainda usava fraldas. Na saída seguinte optámos pelo Jardim Zoológico.
Pelo meio, fomos ver os Stranglers, os Dr. Feelgood, Gato Barbieri, Rao Kyao, vagueámos pela serra de Sintra, dançámos no Browns e no 2001, namorámos à chuva e ao luar. Contagiou-me com a rebeldia. Contaminei-o com a subversão. Mostrei-lhe os meus livros. Mostrou-me a sua rádio.
Eu apaixonei-me, ele também. Ambos adorávamos crianças, cães, mar, sol, areia e verão.
Em Outubro ficámos juntos. Talvez cheguemos ao verão, dizíamos.
E chegámos
II
Para o Sérgio ir ao médico era uma aventura, tomar os medicamentos até ao fim um tormento, ficar em casa a recuperar, só mesmo internado em hospital, mesmo assim...
em 2005, quando teve uma intervenção cirúrgica grave, ao fim de várias semanas de hospital, em que recusou sempre visitas, disse-lhe que o Zé Pedro o iria visitar. Ficou contente.
Eu aproveitei para sair. Quando voltei fui surpreendida pelo comentário da enfermeira chefe:
«Não sabia que o seu marido tinha um irmão gémeo? E é muito amigo do Zé Pedro dos Xutos! Até o trouxe para visitar o seu marido.» Pois a verdade é que os dois tinham saído para beber um café, o Sérgio fumar um cigarro e talvez beber uma cerveja ou um whisky...
Como podem imaginar não aprofundei muito a escapadela.
Em 2009, o médico disse ao Sérgio que não podia fazer viagens de avião de mais de 2h e determinou o habitual "deixar de fumar e de beber". Ele recusar, não foi surpresa, mas não consigo esquecer as lágrimas, que lhe caíram dos olhos, quando nessa primavera o Luís Montês telefonou a convidá-lo para ir ao SXSW e ele teve que dizer que não podia voar tantas horas - é que as dores eram insuportáveis.
Em 2009, a última noite de Halloween foi passada em casa.
III
Após dia 1 de Novembro recebi vários mails, carats, posts em que amigos, fãs, melómanos expressavam a razão da sua saudade do António Sérgio. Foram criados forums e blogs. Eu também lhe escrevi uma carta que li na Basílica da Estrela e guardei cuidadosamente.
Tudo isso me pareceu natural no calor do momento.
Os meses passaram, a Radar manteve a voz do "Mestre" no AR.
Os textos, assim como os recortes de jornal, foram-se amontoando até que ganhei coragem para os ler ou reler. Embora de forma não sistematizada, não literária, ilustram uma época pouco documentada, retratam o poder de um meio quente e poderoso e como uma personalidade forte e carismática pode provocar uma paixão tão forte em pessoas e audiências tão distintas.
Lancei então o desafio a diversas pessoas para escreverem ou desenharem algo para um livro de tributo ao António Sérgio.
Uma das colaborações, a do Chico, da El Diablo Tattoos, tem especial significado.
«Oh Sérgio, passa lá para fazeres uma tatuagem!» - dizia o Chico. «Só quando eu morrer é que me fazes uma!» - respondia o Sérgio, apimentando a resposta com linguajar masculino.
Eu pedi a tatuagem do Chico, e ele que é homem de coragem, fê-la!
O resultado está aqui, vários textos na sua maioria autobiográficos que para além do tributo ao homem da rádio, o retratam na sua faceta, como amigo, colega ou companheiro de longas noites de audição. Acima de tudo uma homenagem à ROCK?N?ROLL RADIO.
Take Care!
Setembro 2014








Chappell - post para as edições desta editora (1º lote 1 @ 11)


A Chappell foi uma editora especializada na chamada Library and Production Music.

Foi fundada em 1810 como uma companhia de fabrico de pianos e editora de música. Em 1941 a Chappell Co. formou a sua companhia de gravação Chappell Recorded Music, que se especializou então na chamada Library Music.

Sub-editoras: Chappell Mood Music, Dance And Mood Music, Index Series, TVMusic


Outra companhia similar, francesa, a Tele Music, será objecto também de post próprio a colocar posteriormente.

Este post destina-se a dar a conhecer todas a sua música/edições que tenho e que poderei disponibilizar a pedido.

1. The Percy Blane Band + Master Jo & Co - "Happy Music & Comedy Music"
Chappell - CAL 4001
1973


2. Heinz Funk Electronic Combo - "Moog Synthesizer Music"
Chappell - CAL 4002
1973

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3. The Boneschi Electronic Combo - "Sounds Electronic"
Chappell -CAL 4004
1973

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4. Siegfried Franz / Harald Winkler / Heinz Funk ‎– "Music For Drama"
Chappell - CAL 4005
1973


5. René Costy And His Orchestra - "Small Group Sounds"
Chappell - CAL 4013
1974



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6. The Johnny Burt Sound - "Light And Sweet"
Chappell - CAL 4016
1974

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7. Benoit Kaufman - "Screen And Pleasure"
Chappell - CHA 004


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8. Joss Baselli & Tony Rallo - "Rhythm And Melody"
Chappell - CHA005

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9. David Perian Orchestra - Happy Music And Crazy Music
Chappell - CHA 007

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10. Paul Piot Et Son Orchestre - "Paul Piot And Co."
Chappell - CHA 008

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11.  Charles Orieux Et Son Orchestre ‎– "Illustration Songs"
Chappell - CHA 009

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27.3.15

Memorabilia: Revistas / Magazines / Fanzines (54) - Music From The Empty Quarter - Nº 7 - Abril/Maio de 1993


Music From The Empty Quarter
Nº 7 - Abril/Maio de 1993
£1.75
92 páginas A5 a p/b, sendo capa e contracapa em papel brilhante grosso
ISSN 0964-542X


Editor, Design & Layout - DEADHEAD
Executive Production - JULES
Colaboradores: Chris B., Turner Clawbone, John Everall, Bob Gourley, Stefan Jaworzyn, Robert H. King, Pete Morris, Baz Nicholls, Matthew F. Riley, Sikorsky XXIII, Toil, Veil.




Esta revista, mais do que fanzine devido ao seu cuidado acabamento gráfico, capa e contracapa em papel brilhante e elevado número de páginas, foi das mais influentes da altura no que toca ao acompanhamento da
música independente. Com um leque muito abrangente, mas mais centrada, sobretudo, na EBM, Darkfolk e Industrial, foi uma revista marcante da altura, pois permitia saber em primeira mão tudo o que se editava
naqueles géneros musicais por toda a Europa e mesmo fora dela. Para além disso servia também de suporte à sua própria distribuidora, o que me levou a gastar muitos escudos. Até um dia. Já lá vou...
O único "senão" a apontar é que sendo uma revista tão cuidada e extensa, cerca de 80% ou mais era preenchido por pequenas recensões críticas (lá está o efeito distribuidor...). Falalva-lhe, pois, mais artigos de
fundo, entrevistas, análises e críticas mais profundas a bandas e discos.
Por outro lado, foi a única companhia a quem comprei discos e com quem me chateei (e fiquei a arder, já agora...). Hoje em dia, desde os gigantes como a Amazon, até às editoras artesanais, que existem aos
milhares na plataforma bandcamp, por exemplo, todos me resolveram os problemas (e, geralmente, ainda com bónus "devido aos incómodos causados"), sempre que uma encomenda se perde / é devolvida, etc. Pois os fdp da The Music From The Empty Quarter, começaram a mandar vir comigo quando reclamei que uma encomenda que lhes tinha feito não havia chegado. Fartei-me de os chatear, durante quase um ano (na altura por carta), pois não desisto facilmente, mas fiquei mesmo a ver navios. Só me deu vontade de ir a Londres e esfregar-lhes com um pano molhado na cara... É escusado dizer que nunca mais lhes comprei nada. Fica aqui o desabafo, passados mais de 20 anos :-)
Este número, em concreto, nos tais 20% que faltam (ver acima) tem uma entrevista interessante e extensa com o jon wozencroft, patrão da Touch (ainda em actividade, penso), que era uma das editoras mais
arrojadas da altura no que respeira à música experimental / industrial / ambiental, casa dos Zoviet-France, The Hafler Trio, entre outros. Só não a transcrevo/traduzo porque são dez páginas, com letra pequena, o que me levaria um tempo imenso.
Fá-lo-ei, no entanto, caso haja alguém que mo peça directamete, a partir deste post, para o email habitual.
Para ilustrar o conteúdo deste número escolho então, para já, as recensões dos discos dos Death In June e dos Somewhere In Europe que sairam nessa altura.

Death In June - Paradise Falling / NER BADVCCD63 CDSingle
Não é, infelizmente, um CD de temas novos, mas versões diferentes de This Is Not The Paradise e Daedalus Falling, do seu recente álbum But, What Ends When The Symbols Shatter. Tal como nesse álbum, as faixas têm letras e vocalizações de David Tibet, e é principalmente a voz que se modifica nestas seis variantes. This Is Not Paradise é-nos oferecida como uma versão em Inglês, um instrumental e uma outra com a letra em Francês. Daedalus Rising recebe praticamente o meso tratamento: uma versão em Francês, uma versão bilingue e outra instrumental. As faixas instrumentais são suficientemente belas em si mesmas mas
falta-lhes a qualidade trágica que a voz de Tibet lhes empresta. Como corolário disto, as versões em fancês são talvez ainda mais extasiantes que os originais. A um nível superficial, estas são apenas canções belas
de guitarra dedilhada, sons ondulantes, vocalizações melancólicas. Mas deixem-se envolver na música e é possível que se percam na imagética sublime das letras. Eu espero que esta edição e o novo álbum sejam
sinónimo de uma actividade renovada dos Death In June, porque Paradise Falling não é menos que um encantamento para dias tristes, frágil mas todavia eterno.
(available from T.E.Q.) - eu não disse? -
Veil









Somewhere In Europe - Gestures / NER BADVCCD45 CD
SIE editaram finalmente um CD e já não era sem tempo. Mesmo tendo em atenção que se trata de uma compilação de gravações já editadas (todas menos uma fazem parte das suas 4 K7s), a claridade do CD
adiciona algo extra às 19 pérolas aqui contidas (ouçam só o claustrofóbico tema Butterfly In A Vice para confirmarem a diferença!). Nunca convencionais, eles criam música que que é inclassificável e provocante do ponto de vista intelectual - provando sem dúvida que os SIE não fazem parte da volátil resma de bandas pop mas que se encontram bem dentro da tradição avantgarde europeia. Sem surpresas Douglas P. dá uma
mãozinha, juntamente com a artista Gabrielle Quinn. Desde o asustador Never Go Back a um soar solene de T. S. Elliot sobre um loop de tape roubado, na faixa Night; Desde Black's Lodge, com o seu sintetizador
baixo insistentemente distorcido ao bizarro Everything Ends in Mystery, pela não familiaridade., há muito a explorar por estes lados. Mesmo que tenha as 4 K7s por eles já editadas, vale a pena comprar o CD devido ao enriquecimento do som e ao belíssimo tema novo To Cross The Bridge At Dusk, anteriormente apenas disponível numa compilação portuguesa. De facto, o único desapontamento aqui (e aqui limito-me a referir o que penso!) é a omissão da sua versão celestial de Blood Of Martyrs. Apesar disso, uma estranha e bela colecção e a primeira de várias edições planeadas para documentar o trabalho do grupo.
Veil
(available from T.E.Q.) - lá está!












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