Editores
Rui Eduardo Paes
Paulo Somsen
Colaboradores neste número
Pedro Ivo Arriegas
Jorge Lima Barreto
Martin Davidson
Vasco Durão
Gonçalo Falcão
Pedro Santos
Jorge Saraiva
Roberto Musci, Giovanni Venosta & Massimo Mariani «Loosing The Orthodox Path» [CD Victo, 1997]
Para além dos inúmeros talentos da dupla Musci/Venosta, a gestão da sua carreira é verdadeiramente exemplar: este é apenas o seu quarto disco em quase 10 anos de carreira, desde que em 1988 «Water Messages On A Desert Sand» reconverteu certos conceitos contemporâneos de fazer música, numa revolução que a intensa divulgação dos samplers veio desenvolver. Cada novo disco faz-se esperar de tal forma, que o frenesim para a sua audição redobra, transformando cada minuto em algo de precioso. Sobretudo porque nunca se sabe quando é que eles vão voltar. «Loosing The Orthodox Path» apresenta duas surpresas: o duo abandona a Recommended e passa-se para a Victo e transforma-se num trio com a inclusão de Massimo Mariani, outro multi-instrumentista e que partilha as concepções metodológicas e estéticas dos restantes elementos. A matriz de composição não se alterou face às premsissas anteriores, com a justaposição frequentemente aleatória de samples de proveniência tão diversificada quanto inesperada, interligados com música composta pelo grupo. Como as possibilidades são infinitas, os resultados deste processo são também ilimitados, caprichando os compositores em soluções cada vez mais surpreendentes: samples «revertidos» de música instrumental da Idade Média cruzados com um «sample loop» de violoncelo de uma sonata de Britten, fragmentos de cantos de Tawian e guitarra eléctrica tratada e preparada, tudo isto só no primeiro tema; ou electric guitar treated through hard-disk recording misturada com samples de golfinhos, coros turcos sufi e percussão do Alto Egipto, para além de outros instrumentos aparentemente mais tradicionais.
Já uma vez escrevi que, neste projecto, mais do que os resultados obtidos, me fascina todo o processo de construção musical. Atrai-me particularmente a diversidade dos seus discos (este é seguramente o mais estranho e radical dos quatro) e a forma totalmente não ostensiva como os resultados são apresentados: é que este projecto tinha tudo para ser uma colecção de lugares-comuns, se fosse executado por músicos banais. Mas estamos em presença de compositores excepcionais, não acomodados e que arriscam tudo a todo o momento.
Como de costume, o resultado é assombroso.
[JS]
Editores
Rui Eduardo Paes
Paulo Somsen
Colaboradores neste número
Victor Afonso
Pedro Ivo Arriegas
Vasco Durão
Gonçalo Falcão
Pedro Santos
Jorge Saraiva
Música Portuguesa em CD
por Jorge Lima Barreto
As edições de música portuguesa em disco, neste 1997, são na sua maioria votadas ao entretenimento e às variedades em curto-circuito na rádio e na TV. O domínio do espectacular e do visível em detrimento do
inefável e do invisível da Música - a música foi tornada servil de projectos altamente subsidiados de cinema, dança e teatro e, é usada arbitrariamente pela moda dos lobbies político-culturais.
No entanto, e correspondendo a um grande esforço de artistas e produtores, surgem obras discográficas de «Música de Arte Portuguesa».
Vamos anunciar algumas publicações dividindo-as em três secções:
Música Clássica, Jazz e Nova Música Improvisada.
Música Clássica
O destaque vai para a reedição em CD da criação de três composições de Filipe Pires para banda magnética: A primeira é «Canto Ecuménico» - uma colagem, parcimoniosa recolha de elementos etno-musicais; funciona como uma meta-ópera, um poema pós-modernista, uma especulação antropológica; contraponto de linguagens, estratificação polirrítmica - um canto à liberdade e pela igualdade de raças, uma afirmação da «diferença musical». Uma das mais importantes invenções da Música Portuguesa.
A segunda é «Litania», uma permanente modulação de texturas, com passagens subtis de uma matéria sonora a outra; transições misteriosas de sentimentos e oscilações da sensualidade; oposições tácteis
imaginárias. Toda a composição é uma reflexão meta-textual sobre a tecnologia e filosofia da Música.
A terceira é «Homo Sapiens», outro cúmulo da História da Música Portuguesa: refere a poesia concreta, trabalho experimental e exploratório - do grunhido hominídeo ao arfar do astronauta dentro do seu capacete - é uma projecção delirante do ponto de vista narrativo; traça metonimicamente a evolução da Humanidade; é a História da «respiração» do Homem.
Estas três obras, concretizadas depois do trabalho de Pires com Pierre Schaeffer, foram passadas da banda magnética para o LP (atraiçoadas na sua lisibilidade) e agora para o CD, onde refulgem todas as matérias
sonoras.
«Homo Sapiens» foi uma encomenda da Exposição Universal de Osaka, 1972 - eis um autor que a Expo 98 deveria ter tido em conta prioritariamente.
Pelo classicismo da sua realização e pelo seu imaginário, este CD oferece-nos a intuição do instante. Um disco imprescindível numa discoteca - a sua beleza é universal; fala de nós e por nós.
Outras edições da Portugal Som:
«Maria da Graça Amado da Cunha toca Lopes Graça», em dois volumes.
É a edição digital de interpretações em piano que o compositor achava as mais fidedignas, miniaturas, recolhas folclóricas de tipo neo-realista ou brilhantes invenções melódicas. Em «Onze Glosas», vol. 1 (CD
SP4082), são paradigmáticas «Uma Canção De Penamacor» (II) e outra, de Vinhais, «Senhor Deus Da Misericórdia» (XI).
Apesar da deficiente qualidade da gravação original, irrecuperável no CD, estes dois discos são testemunho raro daquela que foi um dos maiors intérpretes da obra insondável do mestre português.
Também de Lopes Graça o CD 870013PS: «Viola Concertino» (solista: Ana Bela Chaves) e «Piano Concertino» (solista: Helena Sá E Costa) - composições intimistas e plenas de imaginação numa escrita polivalente do compositor.
Luís de Freitas Branco: «Songs» (CD SP 4132) - Canções sobre poemas de Baudelaire, Maeterlink e Antero de Quental - uma execução inebriante do barítono Oliveira Lopes com o mítico Nöel Lee ao piano. Luís de Freitas Branco poderá ser considerado o compositor português que levou mais alto o enlevo entre a Poesia e a Música.
Do grande compositor e regente de orquestra Álvaro Cassuto foi editado um CD (SP 4102) que nos oferece o seu grande talento - são trabalhos de extremo modernismo, plenos de alegorias a inúmeros estilos da música contemporânea; de aparência descontínua, com climas de apoteose ou da mais enigmática subliminaridade. Especialmente, «Evocações», uma obra-prima, tem uma expressão luminosa e forjada por
requintada racionalidade. Pela sua manifesta e exímia técnica, pela recusa da tragédia, esta composição é rica em detalhes e dispõe de um fascinante painel sonoro. Outra das glórias da Portugal Som.
[Há outras edições em Portugal, nacionais ou multinacionais, de intérpretes portugueses que contemplam apenas compositores estrangeiros do passado; uma espécie de investimento perido para a Arte de Hoje, já
que a composição portuguesa contemporânea fica na gaveta à espera de melhores dias e concretizações felizes].
A Numérica, prestigiada editora de Passos de Brandão, publicou o CD duplo (Num 1053) «Música Portuguesa Do Séc XX». Conjunto de encomendas da Câmara Municipal de Matosinhos, promovidas por Manuel Dias Da Fonseca, inclui dois tipos de obras: no primeiro género são composições à volta de um poema de António Nobre, «Georges Anda Ver o Meu País de Marinheiros»; Lopes Graça optou pela forma cantata («o meu país de marinheiros...») e Peixinho criou uma tapeçaria de estilos e técnicas para três coros «a cappella». O segundo tipo inclui peças pianísticas: de Jorge Peixinho, o duo de pianos «Nocturno No Cabo Do Mundo», obra agógica e de cariz textural; «Pirâmides de Cristal» de João Pedro Oliveira, em execução magistral de Madalena Soveral, com evanescências minimalistas; «Estudos De Sonoridades», de Filipe Pires, pela mesma solista, com carácter experimentalista assumindo o conceito de «material sonoro»; «Intermezzo IV A/B» em duas partes para dois pianos e um piano, da Álvaro Salazar, é agitada pela brisa do lirismo; e, de Cândido Lima, «Aquiria», em auto-interpretação é um cenário tímbrico encantatório.
estas obras lapidares são da maior relevância para quem queira conhecer as tendências da nova literatura portuguesa para piano.
Num disco que contempla vários autores estrangeiros e de cronologia vária, o Duo Contracello (Miguel Rocha, violoncelo e Adriano Aguiar, contrabaixo) interpreta Alexandre Delgado - «Burlesca», em estilo pós-serial, onde a teatralização e a caracteriologia instrumental dão marca especial à obra burlesca, como ela própria se intitula.
O Quarteto de Cordas do Porto interpreta peças de câmara de Cláudio Carneyro; um high light é o «Quarteto de Arcos», elaborado em filigrana (CD Num 1058).
Uma composição sóbria mas elegante e de congeminada arquitectura é o «Concerto para Violoncelo e Orquestra» de César Morais, numa criação de Orquestra Clássica do Porto, com Martin Ostertag como solista e direcção de Manuel Ivo Cruz (CD Num 1057).
Uma obra de teor católico do cónego Ferreira dos Santos, «Requiem À Memória Do Infante D. Henrique», para coro e orquestra dirigidos por Manuel Ivo Cruz (CD Num 1965) e uma colecção de dezoito peças de piano do «Livro De Maria Frederica» de Frederico De Freitas, num modernismo incoercível, são também duas propostas da Numérica.
Editores
Rui Eduardo Paes
Paulo Somsen
Colaboradores neste número
Pedro Ivo Arriegas
Chema Chacón
Vasco Durão
Gonçalo Falcão
Jorge Mantas
Carlos Branco Mendes
José António Moura
Pedro Santos
Jorge Saraiva
O Sonho Da Toupeira por Rui Eduardo Paes
O presente fascínio pelas glórias do «krautrock» não é explicável, ao contrário do que acontece com o free jazz, pelo saudosismo setentista que vai marcando os cenários culturais europeu e norte-americano. E, no entanto, os Faust, os Amon Düül II, os Neu!, tornaram a juntar-se e a gravar. Brian Eno, The Orb, Sonic Boom e Bruce Gilbert remisturaram os temas dos Can e lançaram «Sacrilege». Joachim Roedelius e Dieter
Moebius, os fundadores dos Cluster, ganharam uma importância que durante a década de 80 não tiveram, apesar de todos os seus esforços. A cena alemã do rock renasceu com novatos como os To Rococo Rot e
os Kreidler. Significa isto que se está a regressar às velhas fórmulas do rock germânico? Não: busca-se, isso sim, outra filiação histórica e outras coordenadas para rumar a novos horizontes. Os «clássicos» dos
Popol Vuh, dos Ash Ra Tempel, dos Guru Guru e dos La Düsseldorf são reeditados em CD mas continuam a ser procurados apenas pelos coleccionadores e pelos indefectíveis; vão é surgindo nos locais mais
improváveis do mundo - os Estados Unidos, sobretudo - novas formações de alguma forma inspiradas no pioneirismo desses grupos. É muito relevante, aliás, o que se passa nas fileiras do rock experimental - o corte com toda uma tradição (a do «art rock» nas suas frentes mais representativas, a britânica e a francesa, dos HenryCow aos Univers Zero) e de uma refundação sobre bases distintas. Assistimos à morte de um modelo que teve como avatares, ainda recentemente, os God e os The Work (ambos EUA/Grã-Bretanha) de Tim Hodgkinson, uma figura lendária do «rock in opposition», ou os Fukkeduk (Bélgica) e os Miriodor (Canadá), para dar lugar a uma outra, com raízes na Alemanha, em que grupos tão diferentes entre si como os franceses Ulan Bator (1), os ingleses Main (2) e os americanos Tortoise (3) se têm revelado. A receita do «art rock» cansou. Misto de ritmos binários, desenvolvimentos free directamente inspirados no jazz ou na livre-improvisação e arranjos à maneira da música de câmara definiram três gerações do rock dito «alternativo». A nova vaga de músicos que se vem afirmando desde, pelo menos, 1995 prefere os mesmos ingredientes que serviram o «krautrock»: longas repetições hipnóticas, paroxismos convulsivos, cortes bruscos, colagens desconexas, fragmentação de discurso - isto para reproduzir exactamente os mesmos termos que foram utilizados para definir a música dos Faust ou dos Can. Sobretudo, o que faltava ao rock que não tinha alinhado pelo «noise» ou pelo «industrialismo» dos Throbbing Gristle era a visceralidade. O «art rock» dependia demasiado da composição e do virtuosismo instrumental, era excessivamente intencional, «culto» e objectivo. O «krautrock», pelo contrário - isso se excluirmos os Kraftwerk e os Tangerine Dream («Os Kraftwerk são matemáticos e bem ordenados, enquanto nós nos regulamos pelo prazer e paramos quando achamos que tudo está a ir bem, mesmo antes de chegarmos ao orgasmo», disseram os Faust por ocasião do lançamento de «You Know FaUSt», em 1996) -, teve sempre como linha de força a exploração do acaso e a carga afirmativa dos sons. Com uma vantagem adicional: as circunstâncias (leia-se: as regras do mercado) fizeram com que os seus ingredientes e metodologias depressa se desvirtuassem, pelo que foi mais um projecto do que uma realidade historicamente localizável. Disso se queixou, já nos anos 70, Ulrich Kaiser no livro «Das Buch der Neuen Pop Musik»: «O rock alemão, caracterizado pela manipulação electrónica, o primado da improvisação, o expressionismo verbal, a anti-espectacularidade cénica, foi afogado na abundância». Ou seja, não viveu plenamente o que tinha para viver, pelo que este retorno não é uma repetição mas a continuação finalmente tornada possível - e isso não obstante ainda parecer mais interessante que muita da produção musical sua descendente. Não há, pois - estou convicto disso -, nostalgia alguma neste processo.
E o curioso é que esta retomada do «krautrock» coincide com uma certa reemergência do minimalismo e, em particular, das suas primeiras fórmulas - os «drones», a longuíssima duração das peças, as estruturas
não-desenvovimentistas. No eixo destas movimentações encontramos Jim O'Rourke, o produtor e editor de «Rien», o álbum que deu arranque à nova etapa dos Faust, e o responsável pelo regresso do minimalista
Tony Conrad, assinando a produção de «Slapping Pythagoras» na Table of Elements. Vindo da música pós-industrial (Organum, Illusion of Safety) e com passagens e reincidências várias na área da música
improvisada (tocou com Derek Bailey, Henry Kaiser, Hugh Davies, Gunter Muller, Chris Cutler, etc.), ouvimo-lo agora no colectivo Gastr Del Sol ou a solo, em situações que vão do quase-pop à pura abstracção sonora, não surpreendendo que surja igualmente como intérprete de Phill Niblock, um herdeiro directo do minimalismo original. Nalguns dos seus concertos, não chega a tocar uma única nota, limitando-se a controlar o «feedback» e o tom.
Tem muito que se lhe diga, este papel de dinamização assumido por O'Rourke. As estratégias do «krautrock» são reconhecíveis nas suas canções e as do minimalismo nos continuuns tímbricos e de frequências de, por exemplo, "Happy Days", com a sanfona sobregravada dezenas de vezes. Há, neste guitarrista que sempre se desdobrou por outros instrumentos (para além da sanfona, o piano, o Moog analógico, «gadgets» electrónicos vários, o acordeão, o violino e... o gravador com que elabora as suas operações concretistas), alguma vocação para toupeira, mas a sua maior contribuição para a presente realidade musical não é essa.
Digamos que as escavações a que procede são somente o meio para chegar a algo de muito mais fundamental...
Jim O'Rourke desenterra da história recente da música, guiando-se apenas pelos critérios do seu próprio gosto, os elementos que lhe possam servir para uma tortuosa, mas divertida, tarefa: manipular os sons,
jogando com as suas formas, ou seja, despindo-as, trocando-as como se troca de roupa, destruindo-as, transformando-as. Em suma, realizando o grande desafio a que a Nova Música meteu ombros - o alargamento das fronteiras do som. Indiferente às estipulações idiomáticas dos vários géneros ou não-géneros que lhe interessam, o autor de «Terminal Pharmacy» vai ao ponto de dizer que não é um músico: «Os instrumentos, para mim, a começar pela guitarra, são apenas utensílios para fazer sons. Utilizo-os como se fosse dissecar alguma coisa.»
(1) Ainda que a sua matriz seja o «hardcore» e o «thrash», continuam o gosto do «krautrock» pelos ragas indianos e as situações «off-tempo».
(2) No início eram influenciados, sobretudo, pelo rock psicadélico de expressão inglesa (os Pink Floyd dos primeiros anos, por exemplo), mas depressa evoluíram para uma abordagem da electrónica com origens
localizáveis no rock alemão, embora estejam cada vez mais distanciados do rock enquanto género musical definido.
(3) Grupo de Chicago, EUA, herdeiro directo do «krautrock». Recupera a sonoridade típica dos sintetizadores analógicos, aquela que definiu a tendência.
Telectu «Mimesis» «Leonardo Internet»
[CD Strauss, 1997]
Nestes dois lançamentos da Strauss, editora habitualmente mais virada para os sucessos comerciais, abre-se um precedente que, esperemos, seja muitas vezes repetido com a música de outros portugueses
igualmente marginalizados nos circuitos do disco.
«Mimesis» reúne peças do trabalho com o mesmo nome, de 1990, que nunca chegou a ver a luz do dia com outras retiradas a obras minimalistas lançadas durante a década passada em vinil, como «Perfomance»,
«Halley» e «Digital Buiça». «Leonardo Internet» pelo seu lado, junta dois LPs históricos no que à sua actividade extra-fronteiras diz respeito: «Live At The Knitting Factory» e «Telefone», o primeiro gravado ao vivo naquele espaço de Nova Iorque em 1989 e o segundo no decorrer do XII Festival da Paz, 1985, em Moscovo.
A intenção do duo constituído por Jorge Lima Barreto e Vítor Rua é, pois, de recapitulação do percurso deste projecto já com cerca de 15 anos, um dos mais sólidos existentes no País e com certeza que caso único na cena (se é que já lhe podemos chamar assim) experimental portuguesa. Nem tudo o que está nestes discos representa o melhor dos Telectu (eu faria uma outra selecção), mas era tempo de mostrar com outro
relevo o que foicou para trás na enorme produção do também musicólogo e crítico (Barreto) e do líder do Vidya Ensemble (Rua).
Não obstante a simultaneidade destas edições, a audição que delas podemos fazer, neste momento, é diferente.
«Mimesis» é um documento em que o tempo deixou a sua marca. A música que os Telectu hoje praticam já é bem diferente daquela que aqui reencontramos. Para quem só agora conheceu o seu universo, fica
apenas esclarecido de onde vem, ou por onde passou, o seu ainda patente gosto pelas estruturas não-desenvovimentistas e pelo uso de ciclos estruturais ou de repetições rítmicas.
Já «Leonardo Internet», e sobretudo as faixas provenientes de «Live At The Knitting Factory», faz luz sobre a evolução do duo desde, pelo menos, «Evil Metal». Depois de vários «períodos» estéticos, foi a partir de
então que conciliou as suas múltiplas referências (a improvisação, o rock alternativo, o «jazz mimético», a electroacústica, o minimalismo) numa só perspectiva musical, a aplicada nas suas associações com Elliott
Sharp, Chris Cutler, Jac Berrocal, Louis Sclavis, Paul Lytton, Evan Parker e, mais recentemente, Daniel Kientzy.
[REP]
Arcane Device "Interrogator" Label: Tragic Figures – TFT020 Format: Cassette, Album, Limited Edition, C40 Country: Portugal Relea...
Escritos de Fernando Magalhães em Livro
Novo - Volume EXTRA
(publicado em 21.03.2025)
Agora em Portugal - BUBOK - clique na imagem
Novo - Volume 12 - 2004/2005
(publicado em 05.01.2025)
Agora em Portugal - BUBOK - clique na imagem
Novo - Volume 11 - 2003
(publicado em 03.01.2025)
Agora em Portugal - BUBOK - clique na imagem
Novo - Volume 10 - 2002
(publicado em 02.01.2025)
Agora em Portugal - BUBOK - clique na imagem
Novo - Volume 9 - 2001
(publicado em 29.12.2024)
Agora em Portugal - BUBOK - clique na imagem
Novo - Volume 8 - 2000
(publicado em 18.12.2024)
Agora em Portugal - BUBOK - clique na imagem
Novo - Volume 7 - 1999
(publicado em 16.12.2024)
Agora em Portugal - BUBOK - clique na imagem
Novo - Volume 6 - 1998
(publicado em 18.11.2024)
Agora em Portugal - BUBOK - clique na imagem
Novo - Volume 5 - 1997
(publicado em 07.09.2024)
Agora em Portugal - BUBOK - clique na imagem
Novo - Volume 4 - 1996
(publicado em 30.04.2024)
Agora em Portugal - BUBOK - clique na imagem
Novo - Volume 3 - 1995
(publicado em 24.03.2024)
Agora em Portugal - BUBOK - clique na imagem
Novo - Volume 2.3 - 1994
(publicado em 19.02.2024)
Agora em Portugal - BUBOK - clique na imagem
Novo - Volume 2.2 - 1993
(publicado em 18.09.2023)
Agora em Portugal - BUBOK - clique na imagem
Novo - Volume 2.1 - 1992
(publicado em 23.05.2023)
Agora em Portugal - BUBOK - clique na imagem
Novo - Volume 1.2 - 1991
Agora em Portugal - BUBOK - clique na imagem
Novo - Volume 1.1 - 1988/1990
Agora em Portugal - BUBOK - clique na imagem
LULU (versões mais antigas - com alguns textos em falta, entretanto descobertos. Tal já não acontece com as versões mais actuais, publicadas agora na Bubok - Portugal - ver acima)
Volume 1 - 1988/1991
Volume 2 - 1992/1994 (460 páginas, formato maior que A4)
Volume 3 - 1995 (336 páginas, formato maior que A4)
Volume 4 - 1996 (330 páginas, formato maior que A4)
Volume 5 - 1997 (630 páginas, formato maior que A4)
Volume 6 - 1998 (412 páginas, formato maior que A4)
Volume 7 - 1999 (556 páginas, formato maior que A4)
Volume 8 - 2000 (630 páginas, formato maior que A4)
Volume 9 - 2001 (510 páginas, formato maior que A4)
Volume 10 - 2002 (428 páginas, formato maior que A4)
Volume 11 - 2003 (606 páginas, formato maior que A4)
Volume 12 - 2004/2005 (476 páginas, formato maior que A4)
Raymond Dijkstra - Untermensch Lieder
-
7"
Label : Le Souffleur, The Netherlands, 2004
Limited edition of 100 copies
Ripped by Luca Fiore
Tracklist :
A. Untitled
B. Untitled
DOWNLOAD